Tale of Failure
2 The Gray Chapter

Mas uma manhã, e lá estava a garota, presa novamente em seu imenso castelo, enquanto todos à sua volta, tentavam intender. Como é possível? Uma garota tão jovem, que tem tudo o que quer ao seu alcance, se sentir assim, tão só, mesmo com o mundo inteiro à sua volta. Eles já não zoavam mais a pobre garota, já não se preocupavam em fazê-la sofrer novamente, sabiam que ela já fazia isso com si mesma, sabiam que ela não precisava de ajuda para ser triste, infeliz, sabiam que ela era sua pior inimiga.
Mesmo que todos se preocupassem, ela continuava ali, presa em seu castelo. Para ela era como se aqueles olhares há julgassem. Por mais que eles apenas se perguntavam, o porque dela ser assim, para ela, eles a odiavam, e queriam ela morta.
A garota voltou para casa, sozinha novamente, começou a se lembrar como aquelas pessoas julgavam-na com o olhar, suas assombrações, começaram a voltar, seus fantasmas, começaram a falar sem parar.
E novamente, estava lá, a garota dos olhos cor de mel, com um mar vermelho à sua volta, com novas cicatrizes, e como se não bastasse apenas as lâminas, a garota começou a afundar suas enormes unhas em suas cicatrizes, não importava a ela, se era nova ou velha, a garota só queria sentir o prazer da dor à invadir. Quando ela estava com a dor, com suas lâminas, e assombrações, era como se ela encontrasse seu mundo, era como se ela se sentisse em casa, e feliz, por sentir toda aquela dor que tanto a agradava.
A garota, estava indo cada vez mais fundo, se matando aos poucos, deixando a cada vez cicatrizes mais profundas, nem mesmo seu rosto, conseguiu se safar desta vez. Arranhões, se espalhavam por todo seu corpo, cortes se faziam quase que automático, no fundo, o que ela queria era parar, mas não podia, não conseguia, a dor era parte dela, suas cicatrizes há faziam feliz, talvez no fundo, ela lutava para parar, mas por fora, ela só queria acabar de vez com todo aquele sofrimento, a garota então desceu, ligando para seu melhor amigo, Edward era quem há salvava sempre, como se não bastasse suas cicatrizes sóbria, sempre ligava para Ed, pedindo que viesse até sua casa, e trouxesse aquelas misturas alcoólicas que ele sempre vendia, junto há elas, sua tão amada, maconha.
Por mais fortes que eram aquelas bebidas, ela nunca se satisfazia apenas com elas. Sempre precisava de cicatrizes, precisava de dor, e precisava sorrir.
A garota pegou seu celular, com o corpo cheio de sangue e cicatrizes, e então discou o número que ela já sabia de cor, e o único que ela sempre ligava, aliás, a garota não ligava pra mais ninguém, a tempos. Apenas Edward a entendia.
–Alicia? — perguntou o garoto do outro lado da linha
–Ed, quanto tempo. Tem como você passar aqui agora, pra me salvar? — perguntou a garota
–Tem sim Lici, estou indo. — ele respondeu
–Ok, fico te esperando Ed! — ela respondeu e desligou
O garoto estava com uma voz, de quem estava bebendo e fumando, desde que acordou. A voz da garota, era um misto, de choro, com ironia, e felicidade.
A garota resolveu largar suas cicatrizes, e esperar por sua bebida. Passaram-se alguns minutos, e o som da campainha ecoou por aquela casa vazia. A garota se apressou, correndo até a porta, e abrindo a mesma.
–Ed! Obrigada por vim! — a garota disse sorridente e abraçou o garoto
–Sem problemas Lice, mas não vou poder ficar. Desculpe, mas tenho um compromisso marcado para agora. — o garoto respondeu retribuindo o abraço dela
–Tudo bem Ed, obrigada por me salvar! — ela respondeu contente
O garoto deixou as encomendas dela em cima da mesa, se despediu, e foi para seu compromisso, mas antes convidou Alicia para ir hoje a noite em uma festa. Não era bem uma festa, era um grupo de amigos, que sempre se reuniam, com bebidas e drogas, até altas horas. A garota disse que iria, então fechou a porta, pegou a sacola, e foi até seu quarto novamente, colocou o último álbum de sua banda preferida slipknot, "The Gray Chapter — Slipknot". O volume estava no máximo. A garota abriu então a primeira garrafa do dia, deu um gole, e começou a preparar sua maconha, terminando, ela deu uma tragada, outro gole, outra tragada, outro corte, e de novo, de novo, de novo, foram tantos que ela perdeu a conta.
Depois, de tantos goles, tragadas, cortes e risadas, o álbum já estava no último single, a melodia foi se distanciando aos poucos, as coisas começaram a rodar mais rápido, a garota fazia um corte, quando tudo se apagou. Ela só sentiu sua cabeça chocar contra o chão. Depois disso, ela já não se lembra de nada.
O tempo passou, ela começou a sentir sua cabeça doer muito, e então foi abrindo seus olhos em uma velocidade mínima, as coisas estavam voltando, ela começou a se lembrar. Abriu os olhos por completo, e se levantou rapidamente, mas ficou tonta, a garota encostou suas costas em sua cama, ela estava no chão, olhou para sua volta, vendo como estava tudo cheio de sangue. Se sentiu uma idiota, por estar ali novamente. Olhou em seu celular as horas, "17h", percebeu que havia 5 chamadas perdidas, todas de Edward, claro. E se lembrou que havia combinado com ele de sair hoje a noite. Retornou a ligação.
–Alicia, já era em tempo de acordar né.. — o garoto falou rindo pelo outro lado da linha
–Ed, me desculpa. Mas e aí, se ligou para confirmar, "tô" indo tomar um banho agora, passa aqui ás 23! — a garota respondeu, já sabendo o que ele queria
–Ok Lice, 23 em ponto estou aí! — o garoto respondeu, e desligou em seguida
A garota deu um sorriso, só o Edward há entende de verdade, só ele consegue tirar ela de casa. Era como se ele ouvisse seus pensamentos, ele e seu grupo, era o único que não há julgava, que aceitava ela assim, que há ajudava e há incentivava. A garota adorava passar o tempo bebendo e fumando com eles, se esquecia de todos os problemas, mas no outro dia, não se lembrava da noite anterior, mas mesmo assim, era bom para ela, ou pelo menos, ela achava que era.
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