Tale of Failure

1 Girl of hazel eyes


Pele pálida, olhos claros, cicatrizes inexplicáveis, sempre na mesma. Era assim que todos a viam. Eles julgavam-na, a chamavam de louca, sem noção, ingrata, inútil, inocente, idiota, otária, trouxa. Mas mal sabiam eles, como ela vivia, mas ela, nunca os culpou, eles não podem saber, não há como entender sua mente. Não há como entender o porque de todas aquelas cicatrizes, inexplicáveis. Afinal, ela tinha tudo, é assim que eles enxergavam, mas para ela, era como se tudo, se tornasse nada, em questão de segundos.

Órfã de pais vivos, esquecida por parentes, era assim que ela se sentia. Nunca teve a atenção que precisava, nunca lhe deram a ajuda que a garota implorava. Talvez seja por isso, que ela nunca soube ser feliz de verdade, nunca soube o que era essa palavra "felicidade", afinal, me responda você, "O que é felicidade?", me diga você, o que significa "felicidade", ou melhor, responda isso, para você mesmo. Não me responda, não responda a ela, responda a ti.

A garota já não conseguia mais chorar, suas lágrimas se secaram, sua esperança, se foi com o vento. Sempre vinha na mente, 12 de Julho de 2005, aquele dia deveria ser especial, 10 anos de idade ela completava, naquela época, ainda restavam, pessoas a quem ela amava, ou melhor dizendo, ainda restava a única pessoa, que ela foi capaz de amar. Seu irmão mais velho. Então, o destino, resolveu brincar um pouco com a garota, resolveu tirar dela, o único que a restava, resolveu tirar da garota, o direito de ser feliz, a gota de esperança que a restava, resolveu levar com ele, o único que a garota foi capaz de amar de verdade.

O amor que ela sentia, era amor de irmão, de amigo, arrisco até a lhes dizer, amor de pai para filha.

Seus pais nunca ligaram de verdade para sua filha, porém, todo o amor que deveriam dar a ela, seu irmão, a deu. Ele era seu ídolo, sua maior inspiração.

A garota não acreditava mais em um Senhor, ele levou o único que ela tinha. Desde então, ela nunca foi a mesma. Sofria dia após dia, tinha a dor, como sua melhor amiga, ela estava sempre ali, quando não sentia dor, se sentia estranha. A garota, se enchia de cicatrizes, cada cicatriz, era importante para ela, suas unhas, eram sempre grandes. Junto há dor, sua fiel companheira, essa era como se fosse sua irmã, a lâmina. Mas quando sua "irmã" à abandonava, suas unhas a substituíam.

As pessoas julgavam-na, sem saber seu real sofrimento, julgavam-na, por viver presa em seu assustador castelo.

O que fazia aquelas cicatrizes, eram suas assombrações, que viviam em seu enorme e sombrio castelo.

A garota só buscava uma luz, aquela ao final do túnel, aquela que a faria sorrir novamente. Sim, buscava, passado, ela desistiu. Desistiu de si, desistiu de todos, desistiu até de suas próprias lágrimas, o que ela queria de verdade, era sair dali, mas era impossível, algo a prendia ali. A garota se via dependente de suas cicatrizes, se via dependente de ver elas, de fazê-las. Ela se via presa. Lágrimas secas, quase nunca molhavam seu rosto. Sangue escorria dia após dia em sua pele. Depois de um tempo, se acostumou, aprendeu a conviver com seus fantasmas, agora eles eram seus melhores amigos. Ela ria, ironicamente, com maldade no olhar, a cada nova cicatriz.

Suas assombrações, a tornaram fria, sim, a menina já foi delicada. Hoje é blindada, nenhum sentimento é possível brotar nela, a não ser o ódio. Não tinha medo de morrer, não temia a morte, ela queria a morte. Mas jurou a si, que viveria aqui, cada segundo possível. Já se viu fraca várias vezes, para quebrar a promessa que fez a si, mas nunca conseguiu, já foi parar em hospitais, mas nunca gostou deles.

A garota tornou-se pedra, tornou-se fria, ninguém consegue intende-la, ninguém consegue explicar, o porque, as pessoas julgam-na, observam-na de longe, mas ninguém nunca tirou tempo, para se questionar, o porque dela ser assim.

Toda garota, sonha com seu conto de fadas, mas a garota dos olhos cor de mel, se cansou de sonhar, só há pesadelos em suas noites, e em seus dias também. A garota aceitou que não existe conto de fadas, aceitou, que não só ela, mas todos, vivemos em um enorme Conto de falhas. O dela porém, é bem maior do que os outros ao seu redor, que conseguem sorrir.