Talassofobia

8 Águas rasas


Maureen Robinson abriu os olhos. A luz de LED da cápsula salva-vidas a recepcionou para a realidade. Ela estranhou aquele ambiente, pois seu aposento na nave Aurora era mais confort … Subitamente as imagens se sucederam em velocidade na sua mente. A nave Aurora sofrera dano no espaço. Ela foi procurar os filhos e somente encontrou Will. Fugiram em uma cápsula … esta cápsula.

— Will? Onde está você? Will? — Maureen chamou.

Sozinha. Seu filho caçula não estava com ela. O pânico foi crescendo devagarinho em seu ser. Subitamente a escotilha no alto da cápsula se abriu. Will Robinson, paramentado com roupa de mergulho desceu a escada de acesso.

— Mãe? Você acordou? Finalmente!

O menino se atirou nos braços da mãe que ainda estava sentada no chão.

— Will! Por um momento pensei que tinha te perdido. Onde você estava? Você estava explorando o planeta sozinho?

— Sim, mamãe! Nossa capsula caiu numa área rasa. Não há predadores aqui. Eu consulto o PDA continuamente. Concertei os danos na cápsula e debelei um princípio de incêndio. Somente o rádio não está funcionando bem. Ele apenas recebe mensagens, mas não as envia. Isso torna nossa localização imprecisa, e isso sem dúvida atrapalhará nosso resgate.

— Resgate? Espere aí. Você está indo depressa demais.

— É melhor que você mesma escute, mamãe.

Will Robinson ligou seu PDA e acessou um arquivo recente: "Aurora, aqui fala o Capitão Avery Quinn, da nave mercante Raio de Sol. Estávamos em direção a um posto comercial em Alfa Centauri quando ouvimos seu pedido de socorro. Aguentem firmes. Estamos indo resgatá-los. Nossa chegada é prevista dentro de 01 mês. Raio de sol desligando."

— Estão vindo nos salvar, mamãe. Espere, há uma mensagem de papai também: "A quem possa escutar. Aurora? Tem alguém vivo aí? Aqui é John Robinson, da cápsula salva-vidas 04. Estou bem próximo do Aurora. Uns 500 m. Minha cápsula está de ponta-cabeça, e minha passageira, Dra Smith, desapareceu. Acho que ela se aventurou nas águas enquanto eu estava desacordado. Maureen, você está bem? Will? Penny? Judy? Vocês estão bem? Se estiverem me ouvindo esperem por mim. Eu os encontrarei. 04 desligando."

— E Penny e Judy? Elas também mandaram mensagens?

— Não, mãe, mas talvez o rádio delas esteja avariado, como o nosso.

— Tudo bem! Nós iremos encontrá-las. Mais alguma informação?

— Há um total de 10 mensagens de cápsulas salva-vidas. A maioria pedindo socorro. Estavam sendo atacados por predadores da categoria de leviatãs, mas eu … eu sou muito pequeno, não … não sei como poderia ajudá-los, e não … não poderia ir até eles te deixando desacordada aqui.

— Certo! Você ainda é muito criança para salvar todo mundo. Nós dois juntos vamos fazer isso, ok?

— Ok!

— Estou com fome. Ainda há suprimentos?

— Desculpe, mamãe, eu comi tudo que veio na cápsula, mas … — Will abriu o armário sob um banco no canto da cápsula e mostrou o estoque para a mãe. — São peixes curados. Há uma imensidão de peixinhos aqui e depósitos de sal. A impressora 3D tem esquemas para preparar os peixes e armazená-los. E eu depurei água, também. Ultilizei sal, cálcio e transformei em ácido, que agiu como antisséptico. O resultado está aqui. — Will exibiu orgulhoso 20 garrafas de água estéril.

— Poxa! Isso deve ter dado muito trabalho.

— Você dormiu por 3 dias, mamãe. O PDA disse que seus sinais vitais estavam ok, e que você precisava de tempo pra repousar. Eu só me mantive ocupado.

Maureen fêz um afago na cabeça do filho e sorriu. Ela imprimiu um traje de mergulho blindado com chumbo, pois Will lhe mostrou o aviso da explosão do Aurora, ocorrido recentemente, e juntos foram explorar as águas rasas.

Havia corais de todos os tamanhos, mas principalmente tubulares, grandes o suficiente para caber um humano adulto em pé. Flores de todos os matizes. E peixinhos. Uma infinidade de todos os tipos, como se estivessem dentro de um aquário tamanho família para peixes ornamentais. Havia fendas no chão, cavernas, rochas e depressões. A parte mais rasa chegava a 50 cm, e a mais profunda, 30 m. Não havia predadores, a não ser por um peixe semelhante uma lontra, que expelia uma substância tóxica quando se sentia ameaçado. E um outro peixinho que se auto-destruía explodindo, querendo proteger seus ovos.

Os outros biomas adjacentes compreendiam uma floresta de trepadeiras, uma outra de grande profundidade com vegetação rasteira avermelhada, e a zona do acidente do Aurora. Por causa da radiação, eles naturalmente evitavam essa área, mas Maureen estava preocupada. A explosão do core do Aurora antevia uma outra explosão bem mais potente, o suficiente para extinguir a vida em uma área bem maior do que a área da radiação. Não somente os sobreviventes do Aurora corriam risco de vida, mas a flora e fauna desse planeta, também. Ela teria que ir ao Aurora para tentar consertá-lo.