— Nossas reservas não vão durar muito. — comentou Penny Robinson ao engolir o último pedaço da barra de proteínas.

— Eu sei. Parece que teremos que consumir a fauna e flora desse planeta. Teremos que mergulhar e escanear todo ser vivo para ver se é comestível. — respondeu Judy Robinson.

— Aargh. Sinto náuseas só de pensar, mas acho que não há outra saída.

— Vamos juntas e voltamos juntas, ok?

— Sim, Senhor, Capitão!

Logo as duas mergulharam o que parecia ser 50 m de profundidade, sem contudo atingir o leito do oceano. Havia poucos peixes de formato estranho, como pequenas espaçonaves, muito ariscos e dados a contra-ataques. E foi por causa disso, que conseguiram escaneá-los e apanhá-los. A seguir voltaram à cápsula salva-vidas onde os cozinharam no "fabricante". Tinha gosto de peixe cozido sem sal. Altamente repulsivo, mas seus estômagos agradeceram. Depois deitaram-se no chão da cápsula para uma soneca. Sonharam com um dia ensolarado em uma praia terrestre.

Subitamente, um barulho ensurdecedor, acompanhado de um brilho semelhante a mil luzes de farol de milha, mais o movimento de ondas, as retirou de seu descanso.

— O que foi isso? — Penny inquiriu. — Vou lá fora ver o que aconteceu.

Judy foi mais rápida e agarrou a irmã pelos braços. — Consulte primeiro seu PDA, Penny!

Penny resolveu atender o pedido da irmã que parecia abalada. O aparelho forneceu a seguinte informação: "Emergência. Houve uma explosão no core do reator atômico do Aurora. Detonação esperada em 4, 3, 2, 1."

As irmãs se entreolharam.

— Veja se há mais informação. — orientou, Judy.

Penny abriu outro arquivo: "Níveis de radiação letais ao redor do Aurora, na zona do acidente. É recomendável que use uma veste blindada contra radiações. Esquemas de fabricação acrescentados à impressora 3D."

Na mesma hora Judy foi até o "fabricante" e imprimiu vestes de mergulho com proteção de chumbo contra radiação. Estavam distantes do Aurora, mas nunca se sabe. Após as duas estarem paramentadas, atreveram-se a sair e contemplar o estrago produzido na imponente espaçonave. Agora sem a parte anterior e com chamas saindo de várias partes. Pedaços incandescentes ainda eram arremessados ao céu. E alguns inclusive caíam perto de sua cápsula.

Por algum tempo, continuaram escaneando aquele ecossistema e se alimentando de peixes cozidos. Conseguiram filtrar a água graças a um peixe esquisito que absorvia impurezas da água ao redor e excretava água pura. Judy teve que escutar a ladainha de Penny, de que estavam bebendo xixi de peixe, mas ao menos estavam se hidratando. Em sua exploração daquele bioma, encontraram outras pequenas formas de vida, como uma planta semelhante um cacto marrom que expelia espinhos em quem se aproximava. O dano era mínimo, mesmo assim passaram a evitar a plantinha, a quem o PDA nomeou de "planta tigre".

O ser mais estranho de todos não foi o leviatã roxo e enorme que viram no primeiro dia, a quem o PDA nomeou "Costa de recife". O mais estranho foi um ser do tamanho de um cachorro, com 4 olhos esbugalhados, uma boca chapada com várias fileiras de dentinhos miúdos, e uma ridícula barbatana de tubarão no alto da cabeça. Como tinha uma aparência cascuda, apelidaram-no de "barata tonta", mas o PDA nomeou-o de "tubarão da areia", porque ele gostava de brincar mergulhando na areia do leito do oceano. Sua mordida poderia causar estragos, mas isso dificilmente aconteceria, pois ele fazia muito barulho quando se aproximava, alertando as garotas.

Em meio às suas explorações encontraram enormes pedaços do Aurora que foram expelidos por ocasião da explosão. Ao escanear esses pedaços conseguiram esquemas de fabricação de um veículo submarino, a quem o PDA nomeou de "mariposa do mar". De posse do veículo passaram a se aventurar nos biomas daquele planeta.

Viajaram por florestas de trepadeiras habitadas por seres semelhantes a jacarés, muito agressivos, florestas de cogumelos gigantes com seres semelhantes a arraias azuis, que as ignoraram completamente, e uma floresta com árvores azuis brilhantes, povoadas com os seres mais agressivos até então, peixes revestidos de carapaças, que atacaram a "mariposa", enguias espinhentas elétricas, de quem fugiram, e polvos elétricos, que atacaram a "mariposa" com uma rajada de energia. Felizmente elas desviaram a tempo e fugiram rapidamente.

Em uma de suas explorações chegaram em outra floresta de cogumelos em uma profundidade de 200m, e qual não foi sua surpresa ao perceber uma habitação extraterrestre típica da corporação Alterra. Tinha uma pequena entrada com escotilha que se ligava a 2 estruturas maiores que possuíam placas solares e luzes de radar piscando intermitentes.

— Judy, veja! Acho que achamos sobreviventes. Vamos lá!

— Temos que ter cuidado, Penny! Não sabemos se são amistosos.

— São terráqueos, é claro que são amistosos. Eu vou sair pra explorar.

Vendo que seria impossível controlar a irmã intempestiva, Judy colocou a máscara de mergulho e saiu com Penny do "mariposa".

Aproximaram-se da habitação e entraram pela escotilha. Ao chegarem na primeira grande estrutura se deparam com seu pai, John Robinson, mexendo em um grande monitor que mostrava paisagens externas de diferentes partes do planeta.

— Pai!

— Pai, que bom te encontrar.

John Robinson interrompeu o que estava fazendo e correu para suas meninas, saudando-as e chorando, por finalmente reencontrar sua família.