Take on Me
25 Do You Want to Build a Snowman?
Notas iniciais

Sarah sentia sua mente entrar e sair da consciência, escutou varias vozes e todas em uma língua estranha. Tentava abrir os olhos, mas estavam tão pesados que enfim desistiu da batalha e se entregou à escuridão. Uma voz feminina a chamava, tão desesperada e conhecida. Tentou abrir os olhos, mas seu corpo não obedeceu, sentiu os membros pesados. O tom da voz foi aumentando, isso fez tentar com mais força e obter sucesso. Ao abrir os olhos, a claridade a cegou momentaneamente, mas logo voltou ao normal.
Notou que estava num lugar estranho e sua amiga, Melinda, estava sobre ela e dizendo algo, porém, não conseguia entender de tão rápido que falava. Ao tentar sentar, viu suas mãos amarradas. Sentou e as levou até a testa, para massagear as têmporas, avisando que logo viria uma dor de cabeça.
— Melly, fala devagar. Não entendi nada do que disse. Que porra tá acontecendo? E que lugar é esse? – Perguntou massageando a testa.
— Eu não sei, acordei agora pouco e te vi desmaiada. A última coisa que lembro era que estávamos conversando. – Contou ficando de joelhos e com as mãos amarradas apoiadas nos mesmos.
— Sim, depois vi um homem com uma injeção e aquele mascarado... Fomos dopadas e isso significa que fomos sequestradas. – Soltou um grito de irritação. – Precisamos dar um jeito de sair daqui.
A jovem Stark olhou em volta para procurar algo que pudesse ajudá-las, mas a sala estava vazia, não tinha nenhum móvel ou objeto. O lugar era pequeno e não tinha janela, só a porta que não tinha maçaneta e devia estar trancada.
— E o que faremos? — Questionou Melly encostando-se à parede e dobrando os joelhos para abraçá-los.
— Nesse momento, somente isso. — Levantou com um pouco de dificuldade foi até a porta. Um chute forte e fez um grande barulho. — Alguém aí? Já que nos trouxeram o mínimo que podiam fazer é vir falar com a gente. Oi?! Alguma alma viva?
Sarah estava prestes a chutar a porta de novo quando escutou vozes, se afastou e parou em frente a amiga, para protegê-la, já que das duas, era ela quem tinha mais experiência em luta, mesmo sabendo que cairia para metade a sua experiência por estar com as mãos amarradas. A porta se abriu, revelando o homem mascarado que havia levado ambas mais cedo e com mais dois homens.
— Você que me levou! O que querem com a gente? — Perguntou a jovem quase aos berros.
Ele não respondeu, somente deu ordens aos homens, em outra língua, que a garota identificou como russo, mas ela não conhecia o idioma para entender o que ele disse. Os dois homens passaram pela Stark e pegaram a amiga, ela se virou para fazer algo, mas o soldado foi mais rápido e a segurou pelo braço.
Ele a puxou e saíram da sala, a garota se debatia para se soltar.
— Me solta! Você não devia ter nos trazido! — Virou a cabeça e viu sua amiga logo trás, lutando para se soltar, como ela. Voltou a encarar seu sequestrador. — Sabe, eu posso andar sozinha, tenho duas pernas. Agora, me solta!
O soldado a ignorou e a puxou pelo corredor. Sarah resolveu parar de se debater e cooperar, até achar o momento pra fazer algo. Seus olhos passavam pelo lugar e pôde observar pessoas saindo e entrando de salas, algumas dessas pessoas usavam roupas pretas, como dos homens que estavam com ela, e outras usavam jalecos brancos, mostrando serem cientistas. O lugar era antigo e parecia que ia cair, mas nada deu dica de onde estavam.
Ele a puxou para subir as escadas, ela tentou seguir os passos do soldado, mas quase tropeçou tentando subir. A jovem olhou para trás, para sua amiga que tremia de medo, então, virou para seu raptor e o encontrou a encarando, infelizmente, não podia ver suas feições pelo rosto coberto com óculos e máscara. Mesmo assim podia sentir os olhos sobre si e um arrepio involuntário passou por seu corpo, parecia que estava vendo sua alma e avaliando cada centímetro da mesma.
— Quem é você? – Indagou num sussurro.
— красивый – Murmurou o soldado.
Sarah não entendeu o que ele disse, mas sentiu que era importante. Assim que chegaram no topo, viraram à direita e andaram alguns metros do novo corredor, até um homem que estava parado na porta abrir e todos entrarem. A jovem foi para frente de todos, junto com seu raptor, pôde notar que havia uma mulher e um homem falando com um outro homem, que estava sentado. A Stark soube que ele era o superior daquela sala, ainda mais quando se levantou e fez um gesto aos outros dois.
O soldado a soltou e ela só olhou feio, antes de voltar para o homem que andou até parar à sua frente. Ele era mais alto que ela e parecia forte, ainda mais com seus braços atrás do corpo, careca e com um par de olhos azuis frios, seu nariz era um pouco grande, mas nada excepcional. Usava um monóculo no olho esquerdo que Sarah achou engraçado, porém, segurou a risada.
— Senhorita Graham e Senhorita Stark, sejam bem-vindas. É uma honra receber você, senhorita Stark, nesse humilde lugar. Espero que a viagem tenha sido boa. O Soldado Invernal cuidou bem de você? – Disse o homem com um sotaque pesado, que a garota identificou como russo.
Olhou para seu raptor, pelo menos já sabia como se chamava.
— Claro que tive, só podia ter sido melhor se não fosse dopada e sequestrada. E adoraria dizer que é um prazer, mas quem é você?
— Eu sou o Barão Von Strucker, ao seu dispor. — Se curvou em respeito.
— Ao meu dispor? – Ironizou. Mostrou a mão para o barão. — Ótimo, então, nos solte.
— Sempre do seu jeito?
Com um estalar de dedos, os homens soltaram ambas, que tocaram seus pulsos machucados. Aquilo cheirava mal para a mais nova, que somente pensava em algo que tirasse ambas daquela situação.
— Melhor? – Questionou, observando atentamente cada movimento da jovem à sua frente.
— Sim. – Seus olhos voltaram ao homem. – Agora que sei quem é você, e meio que deu no mesmo por nunca ter ouvido falar de você, me explique por que nos sequestraram.
— Não as sequestramos, somente as trouxemos sem permissão. – Voltou para sua mesa onde apoiou o corpo. – Sabia que a senhorita não viria de bom grato e declinaria pelo convite novamente, como fez com um dos nossos membros.
— Está falando do doutor fogo? Ah... Sim, ele fez o convite e acabou se esquentando pela minha resposta.
— Humor Stark. – Disse rindo pela brincadeira – Bem o importante é que está aqui pra nos ajudar.
— Você acha que irei ajudá-lo depois de nos sequestrarem? Você cometeu uma grande burrada! – Ela deu dois passos pra frente, mas o soldado segurou seu braço e a trouxe para trás. Sarah continuou encarando o Barão. – Você sabe de quem eu sou filha? Sabe mesmo quem é meu pai? Sabe de quem eu sou amiga? E mesmo assim fez isso? Ainda to pensando se te chamo de idiota ou sem cérebro.
— Eu sei que é filha do Homem de Ferro e que seus amigos são heróis. – Tirou as mãos que apoiava na mesa e cruzou os braços. – Acha que eles vão encontrá-las? Estamos aqui há tanto tempo que ninguém nunca nos descobriu. Viramos sombras de um passado esquecido.
— Isso até mexerem com quem não devia.
— Senhorita, você é a pessoa certa para o que queremos. Seu pai servia, porém, ele daria trabalho, diferente de você.
— Só pra te informar, puxei o gene Stark – Comentou Sarah cruzando os braços.
— Sabemos. – Acenou para seus capangas que se retiraram, ficando somente ele, as duas, o soldado e um dos homens. – Principalmente a inteligência. A senhorita está aqui para nos ajudar a construir uma máquina que colocará seu nome na história.
— Minha resposta é não. – Falou sem delongas, o olhando com raiva.
— Mas não escutou a proposta.
— E nem preciso. Algo envolvendo criação de uma arma e que vai matar pessoas, estou fora. Meu sobrenome já é envolvido com armas, mas meu nome não vai se envolver.
O barão desencostou da mesa e começou a andar em volta da garota, que só o encarava. Sarah tinha de mostrar força e mostrar estar no controle da situação, mesmo não estando.
— Não é bem isso. Nós criamos uma máquina, porém, tivermos alguns problemas e só alguém com a sua mente pode resolver. – Ele parou na sua frente e colocou as mãos atrás das costas. – Sabe o que vai acontecer se não nos ajudar?
O barão acenou e Sarah virou, tentou se aproximar, mas Von Strucker segurou seu braço tão forte. que machucou a jovem. O soldado apontava uma arma para a cabeça de Melinda, que estava parada em choque. A jovem começou a se contorcer para se soltar, mas ele só aumentou o aperto. Sabia que teria uma contusão, porém, não ligava.
— Isso não vai adiantar em nada. – Disse, parando e o encarando com raiva. – Se matar ela, ai mesmo que não faço nada. – Deu um sorriso triunfante, no entanto, no fundo estava morrendo de medo.
— Uma verdade. Só que você conseguiria viver com essa culpa? Olha pra ela! – A garota virou o rosto e ele aproximou bem perto do ouvido – Conseguiria viver sabendo que podia ter a salvo? Que o sangue dela está em suas mãos?
Sarah acenou para amiga, um sinal para confiar nela e isso foi o suficiente para Melly ganhar coragem e encarar firme o soldado. Voltou-se para o barão sorrindo com confiança.
— Você não vai matá-la. — Disse num tom de deboche.
Ele levantou a mão e o som de tiro preencheu o ambiente. Sarah arregalou os olhos, não acreditando, tentou ver, mas o Barão colocou a mão no seu queixo, a forçando encará-lo.
— A próxima pode ser sua segurança, a agente Petrov, ou sua amiga, a senhorita Colins. Tem também sua madrasta e aquele motorista que já quase morreu. Posso também escolher pessoas aleatórias, crianças talvez. — Esperou ela dar alguma resposta, mas esta permaneceu muda, com os lábios comprimidos. – Entenda que cada morte vai ser por sua culpa. Agora repito: conseguiria viver sabendo que podia ter a salvo? Que o sangue dela está em suas mãos? – Indagou com um sorriso de satisfação por ver a garota assustada, mesmo tentado esconder.
Ele soltou o queixo e o braço. A jovem virou e soltou um suspiro de alívio. O tiro tinha acertado a parede, atrás da amiga. Essa estava sendo segurada e com a boca tampada pelo outro capanga. Agora sabia que teria que entrar no jogo dos vilões.
— Estou pronta para ouvir a proposta. — Avisou, olhando para a amiga.
— Preciso que conserte o erro de uma máquina. Infelizmente, ela está matando nossos voluntários. — Informou dando as costas e sentando na cadeira em frente à mesa. — Se arrumar a máquina, você e sua amiga serão soltas.
— Depois vai nos soltar sem problema? Mesmo a gente sabendo muitas coisas? – Perguntou se voltando para o vilão. Cruzou os braços e deu alguns passos, se aproximando da mesa. – Como posso acreditar nisso?
— Irei garantir que não saibam. — Pegou os papéis em cima da mesa. — Aceita, senhorita?
— Com algumas condições. – Respondeu, apoiando as mãos no móvel.
Melinda tentou dizer algo, mas a mão tampando sua boca impediu as palavras de saírem. Mesmo apavorada em morrer, não queria que sua vida custasse outras vidas inocentes. Tentou morder a mão do capanga, mas ele usava uma luva grossa e nem se feriu.
— Que condições? – Indagou abaixando os papéis.
— Quero um laboratório só pra mim, Melinda vai ficar o tempo todo no lugar comigo e nada dos seus cientistas lá.
— Tudo bem, mas vai precisar de ajuda.
— Melinda vai me ajudar. – Respondeu num tom entediante.
— Ela não tem conhecimento na área, senhorita Stark. – Informou o barão, olhando para a garota que permanecia quieta.
— Melly aprende rápido. – Acreditava que a amiga aprenderia rápido para ajudar. — Então? Aceita minhas condições?
— Sim, senhorita. – Apoiou as costas na cadeira e sorriu de satisfação. – Amanhã começará trabalhar, até lá descanse. O Soldado Invernal vai levá-las até o quarto. – O soldado se aproximou e ela se virou para segui-lo. – E senhorita Stark. – Sarah parou e se virou. – Não tente fazer nada, senão sua amiga sofrerá as consequências.
— Meu pai vai nos achar antes que eu toque na máquina e você está ferrado.
[...]
A porta do quarto se abriu e as duas foram empurradas para dentro, o soldado deu espaço para o capanga entrar, depois ficou na porta, impedindo qualquer tentativa de fuga. Ele olhou para a mais jovem que os encarava com ódio, e ele sabia que se olhar matasse, ambos já estariam mortos.
Não pôde negar que se sentiu mexido com ela desde que a sequestrou, algo nela o fazia ter sentimentos que não sabia o que eram. Precisava se afastar para pôr a mente em ordem e não falhar na sua missão. Falou algo em russo para o homem, que balançou a cabeça concordando.
— Na cama estão algumas mudas de roupa e nessa porta. – Apontou para o lado onde tinha outra porta. – Está o banheiro e já tem o que precisam. Alguém vai trazer algo para comerem. O Soldado Invernal estará na porta, caso façam algo suspeito, ele entrará e resolverá o problema. Desejo bom descanso.
— Eu desejo que vão para o quinto dos infernos. – Murmurou Sarah, sentando na cama.
Os dois saíram e fecharam a porta. Melinda sentou na outra cama à sua frente e levou as mãos aos cabelos para soltar, já que estavam presos, e sua amiga fez o mesmo. Ambas estavam cansadas, famintas e se sentiam sujas.
A jovem olhou em volta, observando o local. A sala era grande, os azulejos estavam imundos e o chão há muito tempo tinha perdido os pisos. A janela enorme ocupava a parede toda, porém, o vidro era escuro e tinha grades impedindo de escapar. As capas estavam de lados opostos, dando um grande espaço entre elas. Olhou para o teto e viu uma luminária que parecia as utilizadas em hospitais, sentiu um frio na barriga ao imaginar o que seria aquele lugar.
— Sarah, você não devia ter feito isso. Minha vida não vale a de milhões. – Argumentou a mais velha, passando os dedos pelos cabelos.
— Uma vida nunca vale mais ou menos que a outra. – voltou a encará-la com um sorriso triste. – Melly, se ele realmente tivesse te matado, não sei como estaria nesse momento. Eu me culparia.
— Não fica assim, Sarah. Eu não morri e nem vou morrer, ainda vamos fazer muitas coisas.
A jovem balançou a cabeça para espantar os pensamentos, precisava ser forte e ser cabeça fria para ajudar ambas a saírem dali vivas. Seu pai e a equipe já deviam estar procurando por elas, só esperava que seu pai e seu namorado não estivessem brigando. Sentiu a dor de cabeça retornar mais forte, decidiu que era melhor aproveitar aquele tempo de descanso para recuperar as forças.
— Sim, vamos sair e vamos nos divertir. Vamos pra balada, ele não vai gostar, mas vamos comemorar quando sair daqui. – Colocou a mecha do cabelo atrás da orelha. — Quer usar o banheiro?
— Pode ir primeiro.
A mais nova acenou e abriu a porta do banheiro, fechou a porta e apoiou na pia. Era menor que o quarto, mas tinha espaço para circular bem no cômodo. Tinha um chuveiro velho, um vaso sanitário e uma pia, onde tinha produtos de higiene e um espelho. Levantou a cabeça e encarou seu reflexo, sua aparência estava péssima: seu cabelo estava todo armado e os cachos amassados, a maquiagem borrada e sua pele estava mais pálida que o normal. Abriu a torneira e jogou a água gelada no rosto para acalmar os nervos.
— Você ganhou essa rodada, Barão, mas quem vai ganhar esse jogo sou eu. – Disse para seu reflexo antes de jogar água no espelho.
[...]
O Barão olhava os documentos que seu líder mandou, sobre os novos voluntários. Colocou os papeis em cima da mesa e encarou a parede na sua frente, ainda tinha receio de quem era a pessoa acima do Alexander Pierce. Demorou muito para essa pessoa se comunicar com ele e mesmo assim nunca viu seu rosto ou escutou sua voz, somente lê suas mensagens ou mesmo Pierce passa os recados.
Pegou o outro bolo de documentos e foi folheando as fotos, até chegar à última, que era uma garota ruiva e de cabelos longos, olhos claros e lábios carnudos. Não precisou ler o nome pra saber quem era. Ao olhar mais atentamente para a foto, sentiu que tinha visto aquele olhar em algum lugar, porém, não lembrava onde.
Antes que pudesse pensar mais, o telefone da mesa tocou e ele prontamente atendeu. Logo se esqueceu da ruiva ao dar as boas novas ao seu parceiro e conselheiro da SHIELD.
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