Take me to church
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Lá em baixo, em uma distância segura, um dos caras olha para um lado e para o outro enquanto os caras atrás sorriem. Metade do grupo anda em direção à casa do reverendo enquanto a outra vai até a casa de Alec. Eles arrombam a porta e Rita tira os óculos guardando o livro e ficando em pé.
_Quem vocês pensam que são para invadir minha casa desse jeito? – Rita quase que grita, reconhecendo os garotos da gangue.
_Senhora, sinto lhe informar mais tem uma aberração debaixo do seu teto! – Fernando diz como se estivesse abrindo um show, abrindo os braços e os capangas entram.
—A única aberração sob esse teto é você! – ela grita olhando para ele, que desfere um tapa na cara dela e ela cai no chão por ser pequena. Alec que ia descer as escadas ao ouvir a confusão, vê a mãe do topo da escada e encontra o olhar dela. Ele vê a mãe mexer os lábios para formar uma palavra: “fuja!”.
Então ele corre quarto acima e começa a colocar roupas na mochila de qualquer jeito e salta pela mesma. Escuta a porta sendo arrombada e cai rolando no chão. Vê a máscara de Fernando em sua janela e um grito para pega-lo. Começa a correr com o ombro machucado, quando é puxado pela mochila e derrubado no chão, recebendo um chute na barriga. Os caras da gangue reviram toda a sua casa e Fernando sai de lá segurando um fogo de artifício e a gangue o levanta até ele ficar da altura de seus olhos.
_Sabe bichinha. – Fernando segura em seu rosto o olhando com desprezo – De todos nessa cidade, eu nunca desconfiaria de você e do filho do reverendo. Vocês são bem discretos para a espécie de vocês
—Vai se foder! – ele cospe na cara de Fernando e recebe um soco na cara
_Olha essa boca. Você é uma desonra para a perfeita criação!
—Vocês... Vocês não têm provas! – Alec grita em uma tentativa de fugir
_Encontramos a caixa! – alguém da gangue grita mexendo na terra
—Vamos acabar com isso logo! – Fernando diz e sorri de orelha a orelha
Tocam a campainha de Gabriel. Ele para na porta do quarto e sente um frio na espinha enorme, se virando e descendo as escadas. A porta do quarto se abre e o reverendo sai assustado
_Quem pode ser essa hora? – Hugo pergunta descendo as escadas e amarrando um roupão
_Eu não sei... – Gabriel responde e lembra que não está de pijama
—Seja lá quem for, quando ele for embora vamos conversar – Hugo diz e olha para a porta. A gangue invade a casa assim que Hugo abre a porta. Um dos integrantes olha para Gabriel sorrindo e ele entende tudo.
—Não... – Gabriel encara o rapaz e anda para trás na mesma hora
—Ah sim. – ele responde com um sorriso cruel
Gabriel quase sofre uma coisa quando o ouve e meio que empurra os da gangue, não tem tempo pra reagir direito enquanto corre até a própria bicicleta e se põe a caminho da casa do amado. Ele pedala rápido, meio desesperado, se esquecendo até mesmo do pai.
Enquanto isso, a outra parte do grupo começa a arrastar Alec para dentro da floresta, acendendo o fogo de artificio e iluminando o caminho. Eles vão o caminho tentando abrir a caixa até que chegam a uma clareira e ele acende uma fogueira que haviam preparado. Os olhos de Alec refletem o medo e a luz da fogueira. Eles começam a bater uma picadeira na caixa até que conseguem abrir o cadeado e entregam a Fernando, que pega o diário e começa a ler e rasgar as folhas e jogar na fogueira. Alec grita vendo as paginas queimarem e chora enquanto apanha dos mesmos que o seguravam.
Quando Gabriel chega, a casa de Alec está uma zona, parece que um furacão passou. A mãe de Alec estava desmaiada na sala. A mãe que sempre fez biscoitos e não ligava para os dois serem namorados. Sabia desde sempre, mas o amor ao filho sempre foi mais forte. Assim que Gabriel entra e vê a senhora no chão, vai até a mesma com pressa, deixando a bicicleta jogada lá fora, ele a sacode com um pouco de força.
—Tia Rita! – Ele chama a moça que acorda meio zonza e o olha, arregalando os olhos.
—Vá! Salve meu filho! – a moça pede assim que o reconhece
Gabriel larga a mãe de Alec no sofá e sai de novo, do lado de fora da casa o quintal estava cheio de buracos cavados e ele grita de raiva, olhando em volta. Ele vê ao longe, na floresta, uma luz amarelada e a fumaça subindo. Aquela maldita fogueira estava acesa de novo. Ele se apressa, começando a correr pela floresta ali se aproximando cada vez mais do foco de luz. Um dos caras avisa Fernando que o mesmo está vindo, sabia que ele viria e sorri para os colegas.
_Hora do show! – Fernando diz com um sorriso sádico no rosto
Gabriel para assim que vê Alec no chão, tentando ir até lá e sendo agarrado por quatro caras. Fernando vai até ele e joga o diário inteiro na fogueira, vendo o desespero nos olhos do garoto.
_Seu pai não merecia um filho como você! – Fernando diz com nojo e cospe na cara do garoto que só consegue olhar para onde Alec está. O mesmo devolve um olhar choroso sabendo o que iria acontecer — Podem jogar el...
Ele é interrompido quando o um dos capangas vai até ele e sussurra algo pra ele
_Droga. Eu queria queimar o filhinho de papai. Tá bom, queimamos o outro. – ele diz como se não fizesse diferença – Ah é, temos que deixar eles se despedirem! Façam rápido!
Os caras jogam um contra o outro e os braços do menor vão automaticamente para o pescoço do outro, o abraçando bem forte.
—Me perdoa... Me perdoa... Me perdoa...
Gabriel segura Alec tão forte, começando a chorar de uma forma desesperada.
—Não... Não era pra ser assim... Não...Você... Não... – ele diz olhando para os lados e puxando Alec mais forte ainda – Por favor, Fernando, não faça isso!
Fernando boceja e encara os dois com indiferença
_Obrigado... Por fazer minha vida valer a pena... — Alec diz e puxa Gabriel para o que veio a ser o seu ultimo beijo
_Tá, tá, que viadagem. Peguem eles! – Fernando ordena e os caras separam os dois – Agradeça a seu papai! Eu queria muito queimar você!
—SEU DOENTE! – É tudo que Gabriel consegue gritar de volta
_Vocês são os doentes! Ele está morrendo para não contaminar ninguém! – Fernando grita apontando Alec – Chega com isso, matem ele!
Os próximos segundos duraram um eternidade nos olhos de Gabriel. Ele olha para Alec tentando se soltar em desespero enquanto o aproximam da fogueira. O menor arfa e quase o deixam cair várias vezes. Gabriel não entende a indiferença de todos aqueles caras ali, que apreciavam isso como se fosse um circo e riem enquanto amarravam Alec e o levantam. E ele grita. Grita para Alec, para Fernando, para aqueles caras e até mesmo para Deus. Mas é como se ninguém o escutasse. Então eles jogam o rapaz na fogueira e o grito de Alec foi mais alto do que as batidas do próprio coração. Gabriel tenta se soltar a todo custo com lágrimas grossas ensopando o próprio rosto, enquanto vê o amado se debater na fogueira em intermináveis momentos de tortura. O cheiro de fumaça e da carne queimando chega a ser insuportável até mesmo para Fernando e quando os gritos de Alec que enchiam o ar, agudos, tristes e doloridos, começam a parar pela morte estar já cara a cara com o rapaz, Fernando tira um revólver e atira três vezes no corpo caído de Alec. Os outros apagam a fogueira como se fosse um ritual e soltam Gabriel. Ele despenca no chão e se arrasta até lá, entrando no meio das brasas ainda quentes e sacudindo o corpo queimado do amado e tentando gritar, porém não conseguindo emitir nenhum som. Ele olha em volta e vê que os assassinos foram embora. Partiram como o brilho dos olhos daquele que amou e sempre amaria. Ele abraça aquele corpo e fica lá por um longo tempo chorando, sentindo-se vazio e querendo se juntar a ele. Naquele momento, uma chuva começou e Gabriel amaldiçoou os céus por esperarem aquela barbárie acabar para darem uma rota de escape, mas então finalmente entendeu: Assim como ele, os céus também choravam por Alec. E iria chover por um longo tempo.
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