Take Me To Another World
2 Hims Little Girl
Notas iniciais
- Como assim eu não vou para essa festa Harry?? Você pirou?? Ou só ta me zoando mesmo? – eu já não falava, mas sim gritava.
- Louise Black, essa é uma festa cheia de maconheiros, gente bêbada, e a festa é de um cara que também já fez muita merda na vida, além de que você é loira de olhos claros, os garotos vão se aproveitar do fato de que você vai beber.
- DANE SE! Então por que você vai? – comecei a ficar vermelha de raiva
- Por que eu sou homem, você é mulher, mais sensível.
Eu encarei ele, não acredito que ele achava que tinha esse direito sobre mim.
- Harry, eu não vou mais discutir, eu não sou sua filha. Me leva logo para essa festa.
- Mas...
- Sem mais, nem menos.
- Desculpa, eu só me preocupo com você.
Não consegui ficar irritada com aquela carinha de culpado dele, muito menos com aquele fico. Quase o mordi.
- Ta tudo bem, mas vamos, se não a gente se atrasa.
Como eu disse, eu conhecia Harry desde os 10 anos. Nós passamos por praticamente tudo juntos: ficamos bêbados pela primeira vez juntos, estudamos juntos, vamos a todas as festas juntos, demos o nosso primeiro beijo juntos também (mas não um com o outro), além de que era eu que fazia as edições nas música da White Eskimo, e fotografei todos os passos dele para quando ele fosse rei do baile de encerramento do fundamental. Sempre que nós íamos a festas juntos, enquanto eu ficava bêbada ele se controlava, para poder me levar para casa depois. É claro que eu sempre mando ele não fazer isso, mas Harry é como um irmão que eu nunca tive.
- Hey Little Girl, chegamos.
- Me promete que vai beber e se divertir nessa festa? É sério, eu pego um taxi Harry.
- Claro, mas só se você prometer que não vai beijar nenhum garoto essa noite.
Golpe baixo. Esse sempre foi meu ponto fraco. Para mim festas significavam beber + dançar + beijar.
- Vai se ferrar, Big Boy – e dei um sorrisinho, sendo retribuída por ele.
- Tenha juízo.
- Nunca! – gargalhei.
Acordei em um lugar muito bem conhecido por mim, embora não fosse meu quarto. O computador ligado, a cama macia com um cobertor azul, as paredes brancas como pérola, a bagunça de sempre dentro do armário, e os milhões de pôsteres no quarto. Vi a foto de alguns vencedores antigos do American Idol e The X Factor. Sempre achei fúteis esse programas, e sempre dizia a Harry que se fosse para ele conquistar o mundo com sua voz, ele faria isso sozinho, não devia procurar os programas, pois eles são apenas mais uma forma de ver adolescentes chorando ao ver as suas pequenas esperanças serem destruídas por jurados de programa.
Tateei o outro lado da cama, e, é claro, ele estava ali. A última coisa que me lembro é de um homem loiro de olhos cor de mel me pagando um drink, e depois uns amassos. Olhei para o lado, ele estava sóbrio.
Levantei de fininho – reparei que estava com uma camisa dele, que me batia um pouco acima dos joelhos – e fui andando até o seu lado da cama. Cantei com uma voz calma e baixa: “Oh pretty pretty Harry, wake up, it’s a new daay...”, mas, como eu esperava, ele gemeu e virou para o outro lado. Ri e comecei a cantar mais alto, e mais alto, e mais alto, até que fiquei de saco cheio. Levantei e joguei uma almofada na cara dele:
- Bora, acorda Harry!
Sem receber resposta, decidi apelar para o grande e poderoso balde de água. Fui até a cozinha onde encontrei Anne. Ela sorriu para mim e disse:
- Bom dia flor do dia!
- Bom dia Anne!
- Posso saber o por que você está pegando um balde, querida?
- Digamos que o seu filho precisa de um empurrãozinho dele para sair da cama – disse por fim, com um sorrisinho maléfico no rosto.
No caminho de volta para o quarto, fui rindo comigo mesma imaginando a cara dele e seus cachinhos pendurados depois que ele ficasse todo molhado, só espero que depois disso ele não procure vingança. Que ingênua você é Louise, Harry Edward Styles nunca aceitaria um balde de água e ficaria calado. E comecei a ficar com aquela sensação de que alguma coisa ta para acontecer quando comecei a me aproximar do quarto dele. Não deu outra assim que abri a porta do quarto, uma pessoa parada a minha frente sorri como se dissesse: você tem 5 segundos.
- Louise, Louise, quando você vai aprender a respeitar os mais velhos?
- Quando o mais velho tiver mais que tres meses de diferença sobre mim.
- Não me provoque, Black.
- Não duvide de mim, Styles.
Ele olhou para mim, depois para o balde. De novo para mim, de novo para o balde. Abriu aquele sorriso de garoto que fez besteira e saiu correndo, pegou o balde da minha mão e derrubou toda a água sobre mim. T-O-D-A A AGUA SOBRE MIM.
- Você vai pagar por isso Styles.
- E o que você pretende, é apenas uma menina, Little Girl.
- Veremos – e enquanto dizia isso, peguei duas almofada e comecei a bater em Harry com toda a força que tinha somada a raiva que ela estava.
- Ei! Isso é contra as regras e... AII! – acertei em cheio – Agora você vai se ver a fúria do grande Harry Styles!
- Ui que medo! – disse com um sorriso desafiador
Ele pegou três almofadas e começou a bater em mim. Ai. Ele era forte.
- Para, para Styles! Eu preciso de ar!
- Nem reclama, foi você quem começou a guerra.
- E daí Styles? Eu sou uma dama – dissemos rindo.
- E o que você acha de a gente dar uma volta? Mas eu escolho o lugar.
- Ta bom, para onde vamos?
Depois de um tempo dentro do carro, contando piadas, rindo e cantando, chegamos a algum lugar que nunca tinha visto na vida. Era uma praia, mas ela estava deserta, nem uma alma penada por lá. Olhei para trás, só tinha estrada e mais estrada, só que sem carros. A areia, branca e fina, fez cosquinha em meus pés enquanto caminhava descalça sobre ela. O mar, calmo mas com umas pequenas ondinhas, era mais claro do que o de qualquer praia que eu já havia visitado. Uma brisa leve batia em meu rosto balançando meus cabelos. Ar puro. Sem poluição, sem fumaça, sem nada. Até senti o cheiro de algumas flores. Sentamos na beira do mar, era hora do por do sol. Uma mistura de amarelo, laranja e um rosa faziam daquele lugar mais perfeito ainda. Depois de um tempo em silêncio, Harry me abraçou e me puxou para perto dele. Para qualquer pessoa, estaríamos namorando – então agradeci muito a privacidade daquele local – mas para nós isso era normal. Dois amigos abraçados. Não sei como as pessoas tinham tanto problema com essas coisas. Mais um tempo apreciando a paisagem, até que eu abri a boca e disse:
- Então Big Boy, será que eu posso saber o motivo de você ter me trazido aqui?
Ele hesitou. Mas isso não o empediu de dar uma resposta.
- Queria te fazer uma pergunta.
- Fala Harry, to ficando nervosa.uma hesitação,
Mais uma hesitação, e ele disse:
- Lou, você acha que eu canto bem?
- Claro Harry, sua voz é maravilhosa, mas por que você está me perguntando isso??
- Fala de verdade, não precisa ficar com pena, eu realmente quero saber se eu sou bom. – ele parecia implorar por uma resposta sincera.
- Harry, eu to falando de verdade, a White Eskimo pode ter acabado, mas não foi por causa da sua voz. E você ganhou o show de talentos sei lá, dez vezes seguidas. O que ta rolando Harry?
Por um momento, achei que eu não devia ter perguntado. A voz dele era ótima, mas ele não conseguia enxergar isso. Sempre foi muito rígido com suas opiniões sobre ele mesmo, a dos outros então, nem se fala. Ele sempre conseguia ver defeitos em si mesmo, nunca sabia se era bom o suficiente. Especialmente com a voz dele.
Harry parecia muito nervoso, e eu já estava alerta desde que ele começou a ficar calado no carro, e quando chegamos na praia estava esperando descobrir que alguém morreu, não ele perguntando sobre a voz dele. O que estava acontecendo?? E por que isso o perturbava tanto??
Ele abriu e fechou a boca diversas vezes enquanto olhava ao orizonte, mas então virou na minha direção. Eu senti que seus olhos verdes conseguiam ver meu cérebro, e automaticamente me lembrei da primeira vez que o vi. Ele tomou coragem e por fim falou:
- Eu me inscrevi no X Factor.
Fale com o autor