Take Me To Another World
3 What a Good Day
Notas iniciais
Choque. Eu não conseguia assimilar as informações em minha cabeça. Eu sabia que ele não tinha aqueles pôsteres apenas por ter, mas eu não esperava isso. Harry me olhava esperando uma reação. Eu sei, isso pode parecer uma coisa idiota, tipo “é só um programa”, mas para mim era diferente. O meu maior segredo, que eu nunca havia contado a ninguém, nem a Harry. Era por causa dele que eu odiava esses programas. A expressão dele, que antes era de nervosismo, virou uma cara triste e decepcionada, e logo desviou o olhar para encarar o chão. Eu queria falar algo, não queria vê-lo triste, mas eu simplesmente não conseguia. Espera, calma Louise. 1, 2, 3, 4, 5. Eu vi uma lágrima escorrer pelos olhos dele. Não conseguia acreditar, EU havia feito aquilo. Fechei a boca e os olhos, respirei, me concentrei, e perguntei:
– Porquê, Harry? – Ele acordou daquele mar de pensamentos, e olhou para mim, mas acho que não entendeu o que eu quis dizer com a pergunta. Ele parecia estar se preparando para uma defesa em um julgamento no tribunal.
– Olha, eu sei que você não gosta disso, e que acha uma coisa ridícula, e pelo seu ponto de vista eu também concordo. Eles realmente destroem sonhos, mas sabe, eles não podem fazer três mil pessoas virarem estrelas da música entende? E as pessoas que fazem as audições tem de ir preparadas para um não. Quer dizer, é claro que elas tem direito de ficar triste, mas...
– Harry – eu o interrompi – você está apenas me mostrando que eles não são do mal. Eu quero saber por que você quer isso, por qual motivo você quis se inscrever. E eu sei que não é para me provar que eles são bonzinhos.
Ele sorriu triste, mirou seu olhar no pôr-do-sol, que ainda não havia acabado, respirou fundo e continuou:
– Porque eu preciso saber se eu sou bom. Eu preciso saber se eu conseguiria agradar não três juízes, mas sim o mundo. Eu não fiz parte da White Eskimo para ganhar dinheiro, fiz parte dela porque eu estava fazendo o que gostava. Eu passei noites sem dormir pensando o que eu queria, se eu realmente iria arriscar, se eu aguentaria, se eu ficaria bem fazendo isso. Mas o quê eu tenho a perder? – ele parou com a boca aberta, o que fez eu notar que tudo o que ele disse saiu como um desabafo, que ele não controlou suas palavras. Mas não era só isso o que eu queria saber.
– Harry... Vou te fazer uma pergunta, okay? – ele assentiu com a cabeça, assustado demais para falar – se você queria tanto isso, por que não fez antes? Porquê fez toda essa cena para me contar? A vida é sua Harry, não minha, você não devia deixar se levar pelas minhas opiniões... – e por mais eu tentasse, não conseguia disfarçar a tensão em minha voz.
– Because you are my Little Girl – as palavras soavam mais fortes do que eram – como você acha que eu ia ficar durante a audição sabendo que você me assistia com desgosto? Lou, você não é mais uma amiga para mim, é uma irmã. Porque você acha que eu não bebo quando nós estamos juntos? Por que no dia seguinte eu ia acordar com ódio de mim mesmo por ter te deixado sozinha. Poderia acontecer algo com você com você, por minha culpa. E eu sei que você acha que eu não gosto de ir para as festas com você por causa disso, mas pelo contrário, eu me sinto feliz por saber que você está segura comigo. Você é parte de mim Lou. E eu nunca posso te abandonar. A sua opinião importa para mim, e muito, mas eu precisava disso, eu não aguentava mais is..- eu o interrompi novamente. Ele olhou para mim, e abri um sorriso que ia de orelha a orelha e o abracei, me aconchegando nele, e ele passou o braço em meus ombros, me puxando para mais perto dele. Ele não sabia o quanto aquilo que eu escutei havia me deixado feliz. Mas, como vocês sabem, um sorriso fala tudo. Ele entendeu a mensagem e sorriu de volta. Eu não o via sorrir assim faz tempo.
Harry’s POV
Qualquer um que nos visse naquele momento acharia que nós éramos namorados, o que para nós era loucura. Eu e Louise namorando? Só quando porcos voarem. Eu gostava da nossa amizade, ela sempre estava ali para mim, e isso era suficiente.
Depois de uns 5 minutos em silencio, nós voltamos a conversar e a andar na praia. Eu estava feliz por ela ter entendido o meu lado. Depois de mais ou menos duas horas já estava bem escuro e nós decidimos ir embora. No carro, mais piadinhas, implicâncias e risadas, sem nem encostar no nome X Factor, o que me deixou bem satisfeito. Eu não queria mudança na nossa relação por causa disso, e eu estava muito feliz por ela ter entendido o meu lado. Não sei por que eu tive medo, por que afinal, ela era Louise, ela nunca me deixaria na mão. E é por isso que ela é simplesmente incrível.
Louise POV
Chegamos na casa que era familiar tanto a mim quanto a ele, e felizmente, vi que o carro de meu pai, Chase, estava lá. Eu sorri tão feliz quanto estava hoje na praia – não o via fazia tempo. Meu dia não podia melhorar. Harry parou na calçada mesmo e saiu do carro para abrir a porta para mim. Ele estendeu a mão para me “ajudar” a sair e eu não aguentei o riso:
– Tãão cavalheiro...
–Tãão bobinha... – nós dois rimos e entramos em minha casa. Harry já foi logo falando com minha mãe, Helena, com quem ele estranhamente tinha muita intimidade, e ri comigo mesma desse fato de eles serem tão amigos quanto eu e Anne, a própria mãe dele. Ela estava na bancada da cozinha conversando animadamente com um homem alto, loiro de olhos azuis, que eu sorri ao reconhecer: meu pai. Era bom ver que eles se davam bem mesmo depois do divórcio. Eu não o via fazia tipo, um ou dois anos, por causa do trabalho dele. Fui até ele pelas costas e tapei seus olhos.
– Adivinha quem é!
– Hum... Não sei... Helena, você trouxe uma amiga? – fiquei chocada, mas então, com minhas mãos senti o rosto dele se contrair em um sorriso. Ele era um bobão mesmo.
– Que saudades pai!
– Também estava com muitas saudades da minha pequena!
– Ei! Ela é MINHA pequena! – uma voz ao fundo grita e deparo com Harry, assustado, com cara tipo “o que eu disse mesmo??”. Ele sempre fazia isso quando algum outro amigo meu me abraçava e fica de grude comigo – ahn... er... Desculpe senhor, foi... Foi de automático e...
– Não se preocupe, eu também era assim – Harry sorriu ao escutá-lo – Meu nome é Chase, e o seu?
– Ah, sou Harry, muito prazer – estendo a mão para ele, que meu pai apertou sorrindo. Fui para o lado de Harry e o abracei, sussurrando em seu ouvido: “tão ciumento...”, o que o fez rir baixinho. Então meu pai olhou de mim para ele, dele para mim, então de mim para ele de novo.
– Então pequena... Quero dizer Louise, antes que eu leve uma bronca – eu, Harry e meu pai rimos um pouco – estou eu conhecendo agora seu namorado?
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