Take Me
7 Uns me chamam de Mazzy, outros... de biscate.
Notas iniciais
demorei mas voltei. (:
1 capitulo daora pra vcs, bj.
agradeçam a HallsdePimenta' por ter betado rapidinho. ^~^
Enjoy this.
Pov. Marie Zoey Somerfeld (Mazzy).
Nunca uma quinta-feira foi tão ruim (como se algum dia fosse realmente bom para mim.)
Caminhei até meu armário, no corredor principal, e peguei as merdas dos livros que usaria hoje. Realmente torcia para que o professor fosse abduzido ou, quem sabe, se perdesse no meio das cobertas quando acordasse.
Mascava distraídamente meus chicletes preferidos enquanto ia em direção da sala de Sociologia. Como se eu quisesse ser sociável.
Defendo o direito de escolha de certas matérias, tipo, eu não deveria ser obrigada a estudar sociologia. Eu nem mesmo gosto da sociedade.
A diretora passou por mim e reclamou mais uma vez de minhas roupas. Talvez se eu viesse pelada, ela ficaria mais feliz, de fato.
Porra, só porque hoje eu vim com uma blusa um pouco mais... curta? (Look: http://www.polyvore.com/cgi/set?id=50006971&.locale=pt-br) Isso está mais para uma escola de freiras.
— Srta. Somerfeld, que bom que se juntou a nós. Dessa vez eu irei desculpar a demora. Creio que perdeu o horário procurando o resto de suas roupas, só lamento não tê-las encontrado. Ficarei feliz em tê-la em minha aula, então sente-se. — o professor de sociologia disse cínico* quando bati na porta da sala. Sorri docemente para ele e fui para o final da sala.
Eu não seria grossa com ele. Não hoje. Era justamente por esse jeito irônico dele, que ele era meu professor favorito.
Ele amava me encher o saco.
— Essa blusa não está muito curta? — foi a primeira coisa que Thales disse quando me sentei ao seu lado, na última carteira.
— Isso é da sua conta? — rebati com uma sobrancelha arqueada, vendo-o bufar impaciente. — Desde quando você se importa com o que eu visto?
— Desde quando você se veste como uma prostituta? — perguntou ele ainda olhando para o quadro.
— Oh, sim. Como se você tivesse algo contra prostitutas, aliás, acho que você está precisando de uma. Está muito cuzão, hm... — disse sarcásticamente.
Ele me fitou calado por instantes e novamente virou para o quadro. O conhecia muito bem para saber que ele nem estava prestando atenção no que o professor falava. Apenas fingia estar estudando por não ter o que responder. E Mazzy vence outra vez!
- 3 principais características minhas quando estou mal humorada. -
1ª — Sarcasmo: Esta em tudo o que falo e faço. E por mais que não demonstre, estou com raiva de tudo e de todos. A prova disso é eu não ter mandado Thales tomar no cu quando começou a me encher logo no começo dos horários, ou até mesmo, eu não ter mostrado o dedo do meio para o professor de sociologia por praticamente ter me chutado na frente de todos. E o que eu fiz? Sorri sarcásticamente para ambos.
2ª — Fico tão paranóica, a ponto de achar que se alguém ao mínimo trombar em mim foi de propósito para me provocar. Qualquer coisa que acontecer no raio de 1 quilômetro, ocasionalmente, eu acho que aconteceu para me atingir. Mesmo que indiretamente.
3ª — Não gosto de ficar muito sozinha. Toda e qualquer coisa que possa me tirar desse profundo estado depressivo é bem vindo. Mesmo que seja alguém que eu odiava ontem. Se estiver disposto a me distraír, realmente aceito. Talvez, eu não goste de ficar sozinha nesta fase indestrutível da minha personalidade, com medo de não suportar a mim mesma e acabar me matando.
Nota mental: Não é uma má idéia.
(...)
— Sabe, sinto falta daquela Marie que ia dormir na minha casa todos os finais de semana para assistir "Jenny, a estranha", e passar a noite escutando Hot Hot Heat no último volume. — July me abraçou por trás enquanto eu revoltantemente seguia a multidão para o refeitório no intervalo.
— Aquela Marie não existe mais, mas quem sabe posso pensar sobre dormir na sua casa nesse final de semana. — sugeri com o resto de boa vontade que me restava bem lá no fundo. Afinal, July conseguia mudar meu estado catastrófico de personalidade pau no cu facilmente. — Mas me diga, cadê os seus mais novos amigos fodas-demais-da-conta? — pergunto com uma sobrancelha arqueada.
— Hm, devem estar pegando alguma "nada especial" garota da HBHS. — ela disse apenas, parecendo não se importar. — Ei, sabe, eu estava pensando que devemos sair hoje a noite. Como nos velhos tempos, uh? Por favor? Meu pai me liberou o carro, o que é um grande acontecimento no setor de transportes! E tem um evento em Long Beach cheio de carinhas indies com um seleto look de arrasar. — implorou com seus olhos flamejantes. — Prometo que podemos parar na Books&Cookies na volta. E ainda por cima, te empresto toda a minha coleção dos discos do Ramones, porque é a melhor banda do mundo. Que Joey descansce em paz. — ela acrescentou olhando para cima.
— Sabe, gostei dos "carinhas indies com um seleto look de arrasar". — comentei maliciosa fazendo Juls rir. A fila de pessoas no salão do refeitório estava grande o suficiente para eu pensar três vezes se me arriscava a pegar um lanche, e como desisti na primeira vez, começamos a procurar uma mesa para sentar no refeitório tumultuado.
— Ei, Juls. — me virei ao ouvir essa voz a tempo de ver meu não-desejado-querido-vizinho abraçando a Julian.
— Hey cat, pensei que não tinha vindo. — Ela cumprimentou amistosa. Fiz uma súbita careta com a intimidade dos dois. Me sentei rudemente na cadeira e encarei a multidão incansável.
— Não vai me dar um abraço, vizinha? — Ah, ótimo. Estava demorando.
— Nem que me torturem. — rebati com minha rotineira falta de delicadeza.
— Não liga, não, Syn. Ela está num dia ruim. — Juls explicou com seu implacável sorriso de canto de boca. Ok, por que ela estava sendo tão... tãão gentil com ele?
— Me diga quando será um dia bom, pois aguardo ancioso. — ele suspirou ao sentar de frente para mim e me encarar.
Fuck.
Por que ele simplesmente não para de querer conviver com as pessoas ao meu redor e ocasionalmente para de roubar meus amigos? Então talvez, só talvez, bem lá no fundinho, ele deixe de ser tão fodidamente irritante.
Isso ele sabe ser mais-que-demais.
O silêncio predominou por um tempo na mesa de super melhores amigos. Ironia nível não suportado.
Só então pude perceber que a maioria dos carinhas do 3º ano me fitavam com vestígios de risadinhas maliciosas. Típico.
Bufei audívelmente e levantei com a decisão súbita de arrumar algo gelado e gasoso para beber. Por sorte, a fila estava bem menor que antes. Tinha apenas alguns nerds e umas PQTSP impedindo minha aproximação do líquido dos deuses, lembrando que na sede, até mesmo o chá gelado e vencido da minha avó é dos deuses.
Explicando, PQTSP é o termo que eu, Juls e Thales designamos para as Pessoas Que Tentam Ser Popular e visívelmente falham nisso. Estudos comprovam a nossa teoria de que é o termo que mais define as pessoas com alto nível de escrotisse existencial e que, de fato, um número considerável de babacas desse tipo, estudam na HBHS. Ou seja, o total da maioria.
Já tentamos lutar contra eles, pois, adotamos toda e qualquer causa contra opressores visuais.
Quem conseguia olhar para Malice Jakeinz — que devo dizer, infelizmente tem a aula de educação física comigo —, e vê-la todos os dias com os mesmos jeans apertados que definiam e delineavam abusivamente suas pernas de pata-choca?
Isso era uma ofensa modística e eu, como uma boa coleguinha de classe, fiz questão de queimar as calças dela que estavam em seu armário no final do ano passado, quando ela estava na quadra de jogos.
Assim, devemos admitir que eu fiz um bem a humanidade.
E só de pensar que ela apenas usava aquelas calças, que ficavam ridículas nela, para impressionar os terceirões, me dava vontade de vomitar na cara dela.
Olhei para um ponto fixo no refeitório, só depois notei que olhava para onde Thales estava se agarrando com uma garota qualquer que eu não conhecia. Por que aquele otário mexe tanto comigo? É, é uma resposta que nem deve existir.
Repentinamente senti alguém mexendo no meu cabelo, apenas enrolando uma mecha entre os dedos. Me virei para olhar a pessoa e encontrei um típico jogado do time do futebol me encarando. Espera, eu disse "encarando"? Ele estava mesmo é me comendo com os olhos.
— Marie, não é mesmo? — perguntou com um sorriso estranho. Ele não era feio, mas a pose de machão o tornava um grande imbecil. — Sabe... Eu estava pensando, a gente podia sair... Sei lá, lá pela meia noite você podia ir lá em casa. — piscou com a malicia escorrendo de sua boca. Eu não acredito que ele está me chamando para ir na casa dele de madrugada, cara.
— Você é idiota? — perguntei com a expressão um tanto sarcástica, tentando me certificar de minhas intuições. Estou começando a ficar com medo, será que atraio apenas os idiotas?
Ele bufou entediado e colocou a mão na minha cintura me puxando para mais perto de si. Espalmei minha mão sobre seu peitoral evitando que nos aproximassemos mais.
— Qual é... Eu sei que você está afim. Percebo que você fica me encarando nos jogos de futebol... Hm, tão provocante com essa roupa. — ele sussurrou perto do meu ouvido.
— Cara, se fode! Me solta. — reclamei em vão, percebendo que as pessoas começavam a olhar a cena.
— Ah garota, para de enrolação e diz quanto você cobra logo. Qualquer valor, eu não me importo. — sorriu sacana.
Ah, meu café da manhã quase voltou. Ele estava achando que eu era o que? Uma prostituta?
Usei meu sorriso mais falso para confrontá-lo e lhe dei um soco no nariz. Todos fizeram um coro de "ohh", surpresos com a minha atitude.
Quando ia me virar para sair dessa merda, ele me puxou brutalmente pelo braço fazendo-me praticamente gritar de dor. Juro que ele quase destroncou meu braço.
E no instante seguinte ele estava caído no chão sendo socado frenéticamente pelo... Brian? No refeitório, todos começaram a gritar empolgados com a briga de proporções significantemente preocupantes.
E, de repente, mais três garotos do time de futebol cercaram Brian, deixando-o em uma super desvantagem. É claro que isso não durou muito, já que Matt, Zacky, Jimmy e Johnny empurraram os caras.
Se antes eu estava preocupada, imagine agora, que todos estavam caindo na porrada? E POR MINHA CAUSA?
Jimmy acabara de chutar um dos amigos do idiotão alfa, fazendo o outro cair desnorteado. Jimmy podia não ser tão musculoso quanto os outros mas era grande e forte.
Eles ainda se arrebentaram bastante, antes que as pessoas tivessem coragem de separá-los.
— NÃO VALE A PENA BRIGAR POR BISCATE! — o cara gritou enquanto limpava o sangue que escorria em sua cara, e garanto que se não tivessem segurado o Brian, o idiotão alfa, como o chamarei eternamente, teria apanhado muito mais.
Olhei para os meninos, procurando pelos machucados e não encontrei muitos. Brian estava apenas com um cortezinho no canto do lábio e perto da sombrancelha, os outros também tinham pequenos ferimentos parecidos.
— Hey, vamos sair daqui. — disse baixo enquanto as pessoas ainda nos encaravam apreensivas.
Vai ser o assunto do resto do ano.
(...)
Ninguém mais teve vontade de ficar nessa merda de escola.
Todos matamos aula depois do intervalo, até porque, levamos sorte da diretora não estar na escola naquela hora. Quando ela chegasse, com certeza ia nos querer na maldita sala com cheiro de incenso dela.
Cada um foi para a sua casa, menos July que foi para a do Jimmy cuidar dos machucados dele.
E eu fui embora com quem? Isso mesmo, com meu querido vizinho. Confesso que ainda não entendi por que diabos ele brigou por minha causa, mas resolvi não reclamar, né. Aquele cara mereceu uma boa surra.
Brian estava calado.
A porta do elevador se abriu, revelando o corredor de nossos apartamentos. Porém, eu não parei no meu.
— O que você está fazendo? — ele perguntou com o cenho franzido.
— Bancando a boa garota agradecida e indo fazer seus curativos. — suspirei com a ironia da situação. Ele apenas me encarou duvidoso, mas não me impediu de entrar em sua casa.
Ela era... Bonita. Mais bonita que a minha, eu diria. Era mais vintage, eu acho.
Brian jogou nossas mochilas no sofá e subiu as escadas. Caminhei pela sala admirando a coleção de ótimos discos sobre a estante.
— Você tem tantos discos... — comentei dispersa quando o escutei voltando.
— São do meu pai. — ele esclareceu. Me jogou uma caixa que aparentava ser de primeiros socorros e se sentou no sofá. Sentei-me ao seu lado apreensiva. Acho que nunca agi assim com Brian, digo, sem brigas, implicância... Acho que eu ainda não tinha banido por completo a Marie de antigamente. Em certos momentos, ela escapava.
— Machucou muito? — perguntei olhando o conteúdo da caixa.
— Não. — Brian murmurou me encarando. E antes que eu pudesse protestar, ele tirou a camiseta exibindo seu peitoral torneado.
Ah sim, muito obrigada pela grande distração, Brian. Caso eu te machuque mais em vez de fazer os curativos, a culpa foi toda sua.
— Ela tá suja de sangue. — explicou quando viu minha cara de tonta.
Respirei fundo e comecei a limpar um corte perto de sua sombrancelha. Tentando ser delicada.
— Caralho, ta doendo isso. — que culpa eu tenho se minha tentativa foi falha?
Me concentrei em limpar o pequeno corte, mas eu sentia seu olhar em meus olhos, e estávamos perto o suficiente para ouvir sua respiração.
Foram instantes de silêncio enlouquecedores.
— Você... Acha que eu sou... Biscate? — perguntei, agora o fitando. — Digo... Você me vê como uma?
— Não mesmo. — disse convicto. Olhei para baixo ao suspirar.
Me questionei internamente o porquê de tê-lo perguntado isso. Me surpreendi também pelo fato de ele não ter feito nenhuma gracinha ainda. Será um Brian que ninguém conhece, e que assim como a Marie do passado, escapou?
É. Cheguei a conclusão de que Marie Zoey Somerfeld está ficando louca.
Olhei para cima de novo, me assustando por estarmos ainda mais próximos. Se antes eu podia sentir seu respirar, agora eu podia ouvir o seus batimendos cardíacos. E o fato de eu não conseguir desviar os olhos dos seus, foi um tanto patético.
Apertei meus olhos com força para não sustentar aquele olhar, mas acho que com a proximidade de ambos, fechar os olhos aparentou outra coisa.
Fuck forever.
Senti seus lábios encostarem levemente nos meus entreabertos. Foi bem breve, e quente.
Brian era quente.
Não me mexi um centimetro. Foi um beijo tipo, de um segundo. Mas pareceu uma eternidade na minha visão em slow motion.
Foi o suficiente para causar o que se seguiu.
Notas finais
Comentem pf. *-*
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