Take Me

8 Brian, Long Beach, Damen e o Prêmio da noite.


Notas iniciais
ola vcs :3
desculpa a demora kras. mas acho que vão gostar desse.
uuuh, ele é dividido em duas partes pq se não ia ficar mt mt mt grande. Obrigada pelos comentários. Comentem mais, pf.
Enjoy it!

Pov. Marie Zoey Somerfeld. (Mazzy)

Brian. Beijo. Sofá.

Isso é uma novidade no departamento de relações corporais.

E é óbvio que eu tenho certeza absoluta de que vou me arrepender por estar fazendo isso, mas foda-se. Até que o mané é gostoso.

Puxei-lhe pelo cabelo até ficar sobre mim, no sofá. Ele nem ao menos relutou. Tarado.

Rapidamente envolveu minha cintura com as mãos e arranhou ali. Confesso que um maldito arrepio se espalhou pelo meu corpo. Minha mente me mandava alertas e avisos. Eu não devia estar fazendo isso.

Em segundos estávamos nos agarrando como se não houvesse amanhã. Brian me beijava tão rápido que eu achava que estava perdendo os sentidos. Que tipo de macumba é essa?

O sofá se tornou pequeno demais para nós, pois no instante seguinte estávamos caídos no chão. Envolvi minhas pernas na sua cintura e o puxei para baixo, ganhado mais contato. Mordi seu lábio inferior ganhando tempo para recuperar o fôlego. Ele pareceu não se importar.

Mas eu me importava.

Eu estava me chutando por dentro por estar gostando dessa pegação e estar desejando loucamente mais.

Tudo bem. Eu estava na seca.

Mas justo com o Brian, não né.

Justo eu que sempre disse que preferia morrer do que ficar com ele, estou amando sentir sua língua me provocando.

Maldita língua provocadora.

Me agarrei mais a ele, que descaradamente se aproveitava da pele nua de minha barriga. Eu já começava a sentir a inquietação baixo ventre, quando um barulho de chaves nos despertou. Porém não deu nem tempo de eu respirar, antes da porta se abrir e a gente dar de cara com um homem que aparentava ter seus 40 anos.

— Pai? — Brian murmurou desconcertado. Detalhe: ele ainda estava em cima de mim, com as mãos num lugar não muito propício.

— Hey! Não sabia que tínhamos visita. — ele sorriu malicioso. Olhei para Brian pedindo ajuda, mas ele só exibia um semblante sereno.

— É. Podia avisar que ia chegar mais cedo. — ele reclamou, ajudando-me a levantar.

— Podia avisar que estaria usando o meu tapete importado da Pérsia para outros fins além de decorar a sala. — retrucou humorado me fazendo gargalhar. Cara, o pai dele é uma comédia. Sabe aqueles tiozinhos do rock, com uma camiseta amassada do Pearl Jam? Me indentifico. — Não vai ao menos apresentar a bela dama?

— Haay, sou Mazzy e moro no apartamento do lado. — me apresentei antes mesmo do Brian soltar uma lufada de ar.

— Haay, sou Brian e moro aqui. — ele me imitou com um sorriso zombeteiro. — Brian pai. — ele completou com uma careta que me fez rir.

— Hahaha, muito engraçado pai, mas você não tem mais nada para fazer, não? — o advertiu. Brian pai o ignorou completamente.

— Foi um prazer conhecê-la, Mazzy. — ele disse me dando um beijo em uma das mãos gentilmente. Careta, mas gentil. — E Brian, filho... Claro que eu tenho mais o que fazer... Empatar sua foda. — ele disse antes de sair gargalhando. Brian mané mostrou o dedo para ele.

— Se você tivesse dito que seu pai era foda assim e curtia Pearl Jam, tinha vindo aqui antes. — disse animada. Ele não pareceu muito contente.

— É, é. Agora vamos continuar o que estávamos fazendo...

— Ei, ei! Nada disso. Eu vou embora. — pisquei para ele antes de pegar minha mochila.

— Não vai me dizer que vai embora só porque meu pai está aqui, né? Podemos ir pro quarto. — sugeriu com os lábios curvados num sorriso de canto.

— Não. É porque já fiz minha boa ação do dia. — suspirei. Abri a porta, dando uma última olhada para ele que estáva com uma expressão vazia ainda no mesmo lugar.

Obrigada Brian pai por me salvar dessa.

(...)

— AAAAAAAAH, Tayloree, vadia, que não devolve meu carro. — grunhi desesperada no meu quarto. Fazia mais de 2 dias que ela não dava noticia. E ela estava com o meu Bobs.

Ela tinha que dar noticias.

— Tudo bem, pare de gritar, porra! Entendi que a Tayloree é vadia. Eu sempre te disse isso. Mas eu quero saber se você vai ou não? — July insistiu. Estávamos há, tipo, uns 40 minutos conversando pelo telefone, ainda sobre o mesmo assunto do evento que teria em Long Beach hoje, enquanto eu arrumava minha coleção de filmes de terror.

Milagres acontecem.

— Não sei se quero ir na banheira lenta do seu pai. Sabe que odeio esses carros de executivo, cara. — ralhei inútilmente.

— Pelos gatinhos, Mazzy! Além do mais, não é carro de executivo, é diferente daquele último. Vai! Por favor! — continuou insistindo. Bufei audívelmente.

Ela conseguia me convencer fácil. July pilantra.

— Tudo bem vai. Aqueles seus amiguinhos da banda de nome estranho não vão, né? — perguntei desconfiada. Não estava afim de ficar dividindo minha amiga com um bando de marmanjos.

— Er... Eu, não, quero dizer, é... Eles não vão. — ela disse com dificuldade.

— O que foi?

— Ahn, é que meu gato me mordeu aqui, você sabe como Pérbolas é irritado. Esse gato me morde mais do que pisca. — ela explicou com um tom estranho. Murmurei um "hm" distraída enquanto tentava encontrar meu exemplar de Dawn of the Dead.

— Seu gato deve ter complexo, você fica chamando ele de "Pérbolas". Que gato merece ser chamado assim? Sinto pena. — comentei num suspiro.

— Você que é complexada. — July riu do outro lado da linha. — Mazzy tenho que desligar, vou passar aí mais tarde, fique gata.

— Sempre. — concordei antes de desligar. Olhei no relógio e percebi que ainda eram 5 horas da tarde.

Encontrei o DVD de Martyrs, meu filme favorito, bem no final da pilha de filmes. Isso me animou bastante.

— Wow, meu amor, que saudades de você... Hm... Muito sangue.

(...)

(Look Mazzy: http://www.polyvore.com/take_me/set?id=50042845)

Caminhei com meus saltos de tamanho não definido cuidadosamente pelas escadas. Afinal, eu não queria morrer por causa de um salto alto, né. Tinha acabado de receber um sms de Juls que dizia já estar me esperando na portaria.

Ela prometia ser uma noite boa. Eu prometia beber muito seja qual porra de evento for.

A vida é uma beleza. Eu saí da seca.

Tudo bem, considerando que foi com o vizinho irritante... Mas foi muito bom, não posso negar.

— Puta que pariu, vai matar os carinhas indies gostosos de ataque do miocárdio catastrófico. — July disse quando a porta do elevador se abriu. Revirei os olhos com o comentário. Ela também estava de matar. Vestia uma blusa bem colada de mangas compridas e não muito decotada preta. Uma saia jeans com uns detalhes rasgados nos bolsos e nas barras. E uma bota de salto alto preta.

— Espero que eles realmente sejam gostosos. — disse animada. Depois que andamos para fora do prédio, July ligou o conversível de seu pai e lamentei não poder ir no meu carro. — É nessas horas que me dá saudades do meu Bobs. — suspirei olhando pela janela.

— Ah, para de frescura! Manda a Tayloree se fuder e pega o carro de volta, ué. — ela reclamou enquanto dirigia concentrada pelas ruas ilumidades de HB.

July nunca se deu bem com Tayloree. Não que elas se odeiem, mas eles sempre arrumam alguma coisa para implicar uma com a outra.

— Se ela o pegou, deve estar usando-o para uma boa causa. — disse mais para mim mesma. July bufou, pegou um cd embaixo do banco e o colocou. Logo a voz do Glenn invadiu o ambiente nos animando com sua banda foda.

Começamos a cantar Saturday Night — Misfits, como belas loucas que somos e caímos na estrada rumo a Long Beach. Uma cidadezinha perto do litoral que ficava a 11 milhas sentido sudeste.

— Então, cara, o Rev ficou preocupado com o Syn... Ele disse que era muito difícil ele brigar, e que se ele brigou foi porque algo realmente o deixou puto. — July comentou tempos depois. Já estavamos na saída de HB.

Tossi ligeiramente assustada com o comentário, afinal, se alguém soubesse do episódio que aconteceu mais cedo, ia pensar que eu estava afim dele, e não que eu fiquei com ele só para agradecer por ele ter brigado bravamente por mim.

Apesar de eu ter achado clichê, eu tinha que recompensá-lo de alguma forma.

Na boa, Brian era o tipo de mané que, até podia ser gostoso mas, irritava pra cacete. É melhor não arriscar ser zuada para o resto da minha inútil vida.

— Cof cof, er... Eu não acho. Acho que o Brian só é muito esquentadinho. Eu não pedi para ele brigar por mim. — declarei alheia. July me olhou com pesar e negou com a cabeça.

— Você nunca dá o braço a torcer. Eles só estão querendo se inturmar cara, porque você não dá uma chance para eles serem legais com você? Eles não são tão idiotas como os outros do colégio. Eles são maneiros e tocam muito. Afinal, e se tivermos que sair em turnê com eles? Temos que nos dar bem. — ela os defendeu sériamente.

Suspirei em silêncio me sentindo incomodada.

O que ela via de tão magnífico neles? Eu não via nada de interessante apesar deles serem uns gatinhos.

Acho eles bem metidinhos a besta.

— Tudo bem, vou tentar não ser tão insúportavelmente chata, tosca e ignorante com eles. Mas não garanto nada, ok? — bufei vencida recebendo vários beijos no rosto da motorista imprudente. — Você ainda não me disse o que será esse evento... Você viu a roupa que eu estou vestida, né? Se você me levar para uma daquelas boates baratas de beira de estrada eu te corto inteira. — ameacei, usando toda a minha violência visual.

— Não! Não é uma boate e não se preocupe, você está perfeita assim. Mas você só vai ver o que é quando chegarmos. — declarou sorridente, me fazendo morder os lábios em curiosidade.

Às vezes a July acaba comigo.

Fomos conversando amenidades pelo caminho até chegar nas ruas movimentadas da cidade. Paramos em um barzinho de esquina para comprar alguma bebida. Pegamos uma garrafa de tequila qualquer. Não que fosse a minha favorita, mas foi a que conseguimos pagar com uns amassos no carinha que ficava atrás do balcão.

E July fez questão de pagar a conta com suas bitocas violentas.

O cara não era feio. Não mesmo. Vestia suas calças jeans com umas correntes e uma camiseta do Slayer com um furinho perto do ombro.

Sou detalista. E aí?

Caminhei em direção ao carro com a bebida em mãos enquanto esperava July.

— Sua vadia. — acusei quando ela entrou no carro com um sorriso safado.

— Ele era gostoso. — ela se defendeu inútilmente.

— Você ao menos perguntou o nome dele? Ou quantos anos ele tem? — perguntei alheia esperando que ela nos tirasse logo dalí.

— Mas é claro que perguntei! O nome dele é Will e tem 21 anos. Mas na verdade isso não importa, eu não vou vê-lo mais mesmo. O que importa é que ele tem pegada. — admitiu dando de ombros. Franzi o cenho analisando sua teoria. Neguei com a cabeça em descontentamento.

Andamos mais um pouco até chegarmos numa rua interditada. Tinha muitas pessoas pelo local, impedindo a visão do que realmente acontecia depois das barreiras. Se não fosse os carros de som, eu poderia achar que era um acidente.

Mas as pessoas estavam vestidas bem demais, além de seus carros tunados com o som no volume extremo, os donos exibiam suas garotas com roupas absurdamente curtas.

— Não acredito que você me trouxe a Long Beach para um racha de som. Sério, eu te mato. — reclamei. Ela bufou enquanto estacionava o carro na beira da calçada, não muito longe da movimentação.

— Não... É um racha de carros. — ela declarou enquanto passava batom olhando no espelho retrovisor.

— Desde quando você gosta de rachas? — perguntei com a sombrancelha arqueada em surpresa.

— Desde quando me disseram que garotos indies gostosos frequentam o local, agora pare de fazer perguntas. — ralhou com uma careta. Desceu do carro com toda a sua atraente gostosura de menina de colegial e sorriu para os primeiros carinhas que passaram.

— Ser puta. Você está fazendo isso bem demais. — brinquei levando um soco nas costas quando passei por ela. Logo nos embrenhamos pela multidão de pessoas que também parecia ter a mesma animação.

Os caras exibiam seus carros tunados e abusavam nos equipamentos de som. Eu nunca tinho ido a um lugar desses, mas confesso que estava adorando.

Tinha umas garotas dançando sobre os capôs dos carros, tinha pessoas conferindo os motores, gente se pegando, gente para tudo quanto é lado. Eu me senti um pouco claustrofóbica.

Bebi um gole da bebida, que estava quase intocada em minhas mãos, e segui July até uma pequena aglomeração, perto de uns carros estacionados bem no meio da avenida, sendo notável que eram dos caras que iriam correr.

Quando prestei mais atenção para onde estávamos indo, revirei os olhos.

Vadia maldita me enganou de novo.

— Heeeey Juls. — Jimmy a pegou no colo num abraço apertado.

Sério, como eles tinham virado amigos em menos de uma semana?

— Oi rapazes! — ela cumprimentou todos com um abraço, inclusive o dono dos olhos castanhos que praticamente perfuravam minha pele com o olhar. Bebi mais um gole de tequila antes de encará-los.

— Eae. — disse apenas. Mas dessa vez, não porque estava evitando me socializar e sim porque me senti excluída da panelinha. Eles acenaram distantes, mas pareciam não me rejeitar. Eles sorriam.

— Então Syn, vai correr mesmo? — July perguntou olhando para o camaro preto e azul — que só percebi estar ali agora — em que Brian estava encostado.

— É claro que ele vai, estamos apostando nesse filho da puta. — Matt respondeu. Eles continuaram conversando mas eu parei de escutar no momento em que avistei um rosto conhecido. Ele não estava muito longe, com uma galera envolta de um carro branco com uns detalhes preto nas laterais. Quando percebi eu já caminhava lentamente até ele, sem me importar com July que me chamava e com o olhar dos garotos que pareciam queimar minhas costas.

Me aproximei silenciosamente do carro, recebendo olhares de uns caras que estavam perto. Ele estava de costas, mexendo em algo no motor quando me aproximo com minha puta expressão envergonhada. A única coisa que consegui fazer foi olhar para o chão e reparar que ele usava coturnos militares personalizados.

Eu imediatamente me apaixonei por ele. Foi tipo... Amor à segunda vista.

— Coturnos maneiros. — soltei sem querer, chamando a atenção do moreno em minha frente. Ele se virou e parecia surpreso ao me ver parada atrás dele com os braços encolhidos e o rosto corado.

— Wow, você é a garota da guitarra de caveira, né? — perguntou com sua voz rouca. Eu apenas acenti, mordendo o lábio insegura. Ai, eu acho que quero que ele me beije. Isso era a única coisa que eu pensava.

— E você é aquele que fala com estranhos numa loja de artigos de rock? — franzi o cenho dramáticamente recebendo uma gargalhada em resposta.

— É, eu faço isso nas horas vagas. — sorri com nosso diálogo amistoso que não parecia um "oi, vim falar com você porque quero te pegar" da minha parte.

Um cara que estava bem próximo a nós ficou me encarando maliciosamente. Eu desviei o olhar constrangida o que levou Damen a olhar para lá e ficar desconfortável. Se não fosse a música alta, o silêncio seria perturbador.

— Bro, seu carro ta prontinho pra voar! — Damen sorriu para o garoto magro que parecia ter uns 16 anos.

— Valeu Cam. — ele deu um tapa leve nas costas do outro que logo depois se foi.

— Er... Então também vai correr? — perguntei repentinamente, agradecendo por achar um assunto.

— Sim, e você vai ficar para assistir né? — colocou as mãos no bolso da calça e se balançou pra frente num movimento despercebido.

— Se você prometer que não vai perder, sim. — desafiei. Eu esperava que ele desse risada ou algum comentário bobo, mas ele ficou sério.

Seu olhar se direcionou em algo por cima do meu ombro.

— Carro legal. — me virei e dei de cara com o olhar provocante de Brian sobre Damen.

— É, bem melhor que o seu. — Damen retrucou com o semblante sério.

— Não se esqueça que ele era seu. — Brian afirmou com um sorriso sarcástico.

— Não, eu não me esqueço. — Damen olhou para o lado parecendo irritado.

— Marie, o que você está fazendo aqui?

— Conversando, por quê? Não pode? — disse seca.

Já estava me cansando dessa disputa entre os dois e eu nem sabia o porquê.

— Não com ele. — ele falou na cara dura. Damen gargalhou copiosamente nos fitando.

— Não vai me dizer que ela é sua garota? — ele perguntou com um pouco de ironia.

— Claro que não! Ele é só meu vizinho que fica me perseguindo. — intervi, recebendo um olhar reprovador de Brian.

— Não foi o que pareceu hoje cedo quando você estava sem roupa na minha cama. — Brian disse olhando para Damen. Aquilo foi para provocar?

— O QUE? Que porra é essa, Brian? Você sabe que isso não é verdade! — reclamei exasperada.

Caaaraaa, ele tá fodendo com o meu flerte com o carinha gostoso da loja de artigos de rock, como assim? Por que as coisas não podem dar certo por mais que 10 minutos?

— Foi um prazer te conhecer, Mazzy. — Damen disse com uma expressão chatiada e se virou voltando para seus amigos e seu carro super foda. Ele, tipo, me dispensou com educação, foi isso mesmo?

— Vamos sair daqui. — Brian me puxou pelo braço me arrastando pela multidão de pessoas que nem parecia se importar.

— ME SOLTA! — reclamei irritada sendo completamente ignorada.

— Para de fazer cena, porra! — ele também parecia irritado.

— Olha aqui, você não tem o direito de mandar em mim, você não é nada meu. Não venha achando que porque nós demos uns amassos no sofá pequeno do seu apartamento e porque me apresentou seu pai foda que curte Pearl Jam, que nós viramos namoradinhos ou que você tem o direito de bancar o protetor e fingir que se importa com a minha "segurança", porque eu estou pouco me fundendo para essa briguinha entre você e o Damen. Então não fode minha vida. — despejei quando ele parou de me arrastar a força. — Só um idiota mesmo para achar que eu fiquei com você porque tive vontade. Eu fiquei com você porque você brigou por mim e eu não queria ficar devendo essa. Só por causa disso. — disse com desdém recebendo um olhar incrédulo.

— Eu não acredito que você me fez brigar com um cara que te chamou de vadia e agora está agindo como uma. Sabe, você devia mesmo era ser estrupada atrás do colégio por aquele cara e seus amiguinhos, daí você ia largar de ser otária e bancar a boazona. — ele nem esperou que eu respondesse antes de se distanciar com a cara fechada.

— SEU GROSSO MALDITO! — esbravejei. Respirei fundo tentando manter a calma.

É, agora as pessoas olhavam para mim.

— Ele é grosso mesmo. — bufei por ser incomodada novamente.

Jimmy me olhava com os olhos azuis enigmáticos.

— Me deixa. — dei as costas ao mesmo e andei querendo me distanciar, mas ele pareceu não entender o recado e me seguiu.

— Ei! Espera! Não acho bom você ficar andando por ai sozinha, a galera aqui é perigosa... Além do mais, não estamos na nossa área, estamos no campo dos inimigos. — ele continuou me seguindo e eu apenas ignorei, achando a conversa dele um tanto patética.

Mas sem que eu prestasse muita atenção, trombei com um cara alto e japonês. Ele sorriu mandando um olhar safado para o meu corpo. Parecia que também ia correr, estava exibindo seu Ford Mustang Marc VDS GT3 com dragões orientais adesivados.

Num solavanco repentino fui empurrada para trás por uma garota ruiva com uma roupa minúscula. Ela me olhou desafiadoramente enquanto eu continuava desnorteada. Mas pelo olhar possessivo dela, acho que toquei no namorado da vadia.

— Vamos sair daqui. — Jimmy me puxou pelo braço, mas diferentemente de quando Brian havia feito o mesmo eu não resisti. — Puta que pariu, você parece ter um GPS para problemas. Aquele era o Kol, porra. Ele é meio que o cara que manda nisso tudo, e você vai querer se meter logo com ele que deve ter uma mulher em cada rua. — Jimmy negou em descontentamento.

— Mas eu só trombei com ele!! — me defendi assustada.

— Mas foi o suficiente para você ser declarada como atacante ofensiva pela garota do cara. — ele explicou sem hesitar.

Suspirei.

Será que se eu for embora agora dá tempo de eu chegar em casa sem acontecer mais nenhuma desgraça ou alguém querer fazer uma guerra mundial em minha volta ou por minha casa?

Uh, pergunta difícil.

— Vamos logo, Brian vai correr agora. — Jimmy disse animado. Bufei entediada, sendo arrastada.

Pelo menos Jimmy me arrastava delicadamente. Somado ao fato dele ter me tirado de uma enrrascada agora a pouco...

Ele se tornou um pouco menos insuportável.

Estava prestes a acreditar que eu gostava um pouco mais dele agora. Só um pouco.

(...)

— Para de beber Zoey! — July ralhou pela décima vez enquanto eu estava deitada no colo do girafa chamado Jimmy — que estava sentado no meio-fio com uma garrafa de bebida decente que eu tinha ganhado do mesmo, chamada absinto. Muito melhor que tequila.

— Não enche Julian, vai pegar algum carinha indie que você estava ansiosa para conhecer. — disse meio embolada enquanto acabava com a garrafa. James só ria.

James.

Era um nome bonito. Por que diabos eles o chamavam de The Rev? Nome estranho. Na verdade, por que diabos eles adoram esses apelidos mais escrotos do que as atitudes ignorantes do Brian?

Falando em Brian, ele começou a me ignorar. Como se eu me importasse. Haha.

Ele tinha acabado de sair com duas loiras peitudas com cara de putas, que aliás, tenho certeza que só se aproximaram porque ele ganhou a maldita corrida. Grande coisa. Acabar com uma garrafa de absinto no colo de um cara que ficava batendo em minha barriga com baquetas (quem traz baquetas para um racha de carro?) me parecia bem mais convidativo.

— Argh! Garota irritante! — July levantou repentinamente e saiu pisanto duro para longe de nós. Eu comecei a gargalhar abobadamente enquanto Jimmy achava graça da situação.

— Vamos, James, diga alguma coisa!! Você não quer me largar aqui para ir atrás de alguma puta cheirosa que nem os seus amigos, né? — perguntei me embolando um pouco nas palavras. Minha visão estava tão turva que eu poderia apostar que não conseguia ficar em pé sozinha.

— Não! Sentir seu hálito de bebada na minha cara é bem mais interessante do que peitos enormes nas minhas mãos. — ele disse sarcástico. Mas eu estava bebada demais para perceber.

— Eca! — protestei com uma careta. Então parei para pensar, que homem ia preferir ficar com uma bebada? — James, você é gay? — comecei a rir copiosamente da expressão que ele fez. — Ah, tudo bem, eu entendo. Peitos são horríveis. — E eu apresento a vocês, a melhor noite da minha vida.

Haha, claro que não. Foi só para descontraír.

Eu e Jimmy estávamos comentando sobre as garotas que passavam. Apenas para passar o tempo, quando vejo Damen andando em direção ao seu carro perfeito que eu já me imaginava andando nele rumo a nossa lua de mel.

Silêncio mental.

Tudo bem, não é para tanto.

— DAMEN! DAMEN! — comecei a gritar tentando me levantar.

Minhas pernas estavam tão inúteis que no estado em que me encontro, não me importaria em amputá-las. Jimmy me amparou quando eu quase caí sobre ele. — DAMEN, ME ESPERA, SEU GOSTOSO. — gritei denovo. Ele pareceu escutar dessa vez.

Merda.

Jimmy deu risada e ficou lá sentado.

Andei cambaleante até o moreno de olhar forte que franzia a sombrancelha agora, provavelmente surpreso com meu estado catastrófico de quase-coma-alcoólico.

— Eu sei que sou gostoso, mas não precisava gritar para todos ouvir. — ele brincou quando eu me aproximei mais.

Eu, desastrada e idiota, quase caí sobre ele, que também me ajudou a me estabilizar.

— Heey, vai com calma com a bebida. — advertiu um pouco mais sério. — Não é por nada, Mazzy, mas você está com o Synyster. Não arruma confusão pro meu lado...

— Desculpa por aquilo, Brian é um idiota. Eu não dormi com ele, sabe, ele só disse aquilo porque ele acha que você é perigoso e não me quer perto de você, mas na verdade, eu nem sei porque ele se importa. Nos conhecemos a menos de uma semana e ele ja quer mandar em mim. Eu estava esperando que você fizesse ele comer poeira hoje, para se vingar, mas parece que você nem correu... — observei com uma careta.

— Hm, é. É que eu não disputo com o Haner. Não mais. Mas não se preocupe, caso queira me ver correr, vou fazer isso com outros caras daqui a pouco. — ele disse alheio. Umideceu os lábios inconscientemente, mas por algum motivo que eu não sei dizer qual, esse gesto se tornou muito provocador para mim.

— Por que... Não? — perguntei compassadamente.

— Porque tivemos muitos problemas com isso, não estou afim de arrumar confusão denovo. Então, nunca disputamos. — ele explicou sério.

— Ou é porque você está com medo de perder mais algum carro para mim.

Ah não! Pelo amor de algum ser malígno, esse garoto tá de perseguição comigo. Quando eu consigo chegar ao pote de mel e estou prestes a me lambusar, ele chega com o enxame de abelhas.

Isso fez sentido? Para mim fez.

Lembrando que eu estou chapada.

— Você sabe que não teria a menor chance se uma carreta não tivesse entrado na minha frente. Eram circunstâncias bem diferentes, era trânsito aberto. Isso aqui é fichinha para mim, mas não nos deixam competir juntos...

— Porque você arrumou encrenca! Você que achou ruim ter perdido o carro e veio pra cima de mim. Você sabe que o Kol não admite isso. — Brian acusou com a voz um pouco mais elevada. Eu fiquei assistindo a briguinha deles tentando entender o motivo inicial disso tudo. E pelo o que entendi até agora, o Brian tinha ganhado o camaro preto e azul que era do Damen, num racha.

— Não! Você arrumou encrenca porque EU peguei a sua namorada. Você que quis correr comigo apenas para se vingar! — Damen retrucou para a minha enorme surpresa.

Iiih, tinha mais coisa em jogo.

— É, achei que você era meu amigo! A gente apostava juntos, detonava os caras juntos. Você tinha todas as garotas da área, mas teve que ir em HB pegar a minha. — Brian disse exasperado.

Ui, vai ter briga.

— Eu não tenho culpa se você não era o suficiente para ela. — Damen sorriu sarcástico. Foi nesse momento que Brian avançou para socá-lo, mas foi imediatamente impedido por Matt, que eu nem tinha visto se aproximar.

— Por que não nos acertamos num racha? — Brian propôs. — Assim você prova a potência do seu motor novo, e eu provo para você que eu sou o suficiente para qualquer uma e qualquer coisa. — disse com audácia.

Nesse instante parecia que um silêncio perigoso se instalava e todos em volta pareciam na expectativa.

— Qual vai ser o prêmio? — Damen desafiou com seu melhor semblante de "sou gostoso e não estou nem aí".

— Eu. — falei alto fazendo ele me encarar surpreso. — Quem ganhar me leva para casa. — sorri maliciosa para eles que se encararam novamente.

Ai, como eu amo confusão.

— Eu topo. — Brian disse de repente.

— Ok. — Damen aceitou também.

E eles seguiram rumos diferentes me deixando jogada alí mesmo.

— Caralho, essa vai ser a corrida do século! — uns caras comentavam enquanto eu passava.

— Eu aposto no Synyster. Ele é foda. Já ganhou até do Kol, que é o melhor de todos.

— Mas isso foi a muito tempo...

— Não importa, aposto 50 pratas no Syn.

— Eu aposto no Damen, ele corre como um fantasma...

— É, o garoto é foda mesmo. E o melhor de tudo, é que quem ganhar leva a garota gostosinha pra casa.

— ...Nossa, me deu até vontade de correr também.

É, acho que realmente não tem como eu respirar sem me meter em confusão.

Sou o prêmio da noite.

Legal.


Notas finais
Uh e então? Façam suas apostas também!
Quem irá levar a Mazzy para casa, uh?
Brian ou Damen? Comentem, apostem, e aguardem. (: