Take Me

11 Se minha vida é perfeita? Não, não é.


Notas iniciais
Olha que tá chegando pra vocês.
Desculpa a demora, gente.
E eu to deixando esse capitulo gostosinho aqui pra vocês, ó.
Já aviso que tem barraco e pegação.
Pra que está querendo July devolta, não se preocupem, no próximo elas estam juntinhas denovo. E BRIAN JUNTO TBM, eeh.
Agora comentem.

Pov. Marie Zoey Somerfeld. (Mazzy)

Ok. É assim que minha vida devia ser sempre. Apesar do episódio de ter sido excluída da lista comunicativa da July, eu entrei para a lista do Damen. Tudo bem, sinto falta da minha melhor amiga, mas devo admitir... É um grande avanço na categoria "sorte".

— Eu não deveria. — semicerrei os olhos para o semblante sorridente que me encarava.

— Uh, e por que não? — indagou, ainda mantendo a pose convincente.

— Porque você é muito convencido. — declarei.

— Eu? — se fingiu de desentendido.

— "A visão do paraíso!" — engrossei a voz, mantendo minha habitual irônia.

— A propaganda é a alma do negócio. — ele sorriu, colocando as mãos nos bolsos da calça.

Suspirei.

Fiquei o encarando por instantes, apreciando o suspense na nossa atmosfera. Ele olhou para os lados e se mexeu desconfortável.

— Seus amigos estão me encarando. — ele anunciou. Olhei na direção em que ele olhava, avistando o grupo, tão conhecido por mim, nos encarando sem nenhum pudor.

— Eles e a turma feminina do colégio inteiro. — bufei observando as líderes de torcida praticamente babarem em seus uniformes cafonas e minúsculos.

— E então? — ele arqueou as sombrancelhas, esperando o meu veredicto.

— Vou ir com você apenas para te livrar dessas vadias atiradas. — acenti, esperando que minha desculpa fosse cabível.

— Ah sim, bondade sua. — ele sorriu sarcástico e tomou as chaves do meu carro de minhas mãos.

— Hey, o que você vai fazer? — questionei confusa.

— Vou trancar o seu carro. — explicou, dando de ombros.

— Vamos deixá-lo aqui? — indaguei insegura.

— Ele não vai chorar por ter sido abandonado por poucas horas. — sorriu. Revirei os olhos, vencida. Ele caminhou até mim novamente, me puxando pela mão até seu carro. A mão dele é macia e quente. No mesmo instante comecei a imaginar essa mesma mão passeando livremente pelo meu corpo, me causando inúmeros arrepios e...

— Mazzy? — pisquei atônita, fitando o painel do carro em minha frente.

— Oi? — engasguei. Ele franziu o cenho confuso. Me chutei internamente por bancar a babaca noiada, vergonhosamente na frente dele. — Onde vamos? — mudei de assunto.

Ele apertou os lábios segurando um sorriso, enquanto saía do estacionamento do colégio.

— Vou te levar no melhor lugar de Long Beach. — ele respondeu, misterioso. Contanto que depois vamos direto para a sua cama, tudo bem. —E então. Acho que eu sei poucas coisas sobre você. Podia me falar mais. — ele sugeriu, apertando os botões do aparelho de som. Logo uma música com uma batida indie contagiante, começou a tocar.

— O que você sabe? — desafiei.

— Hm, que você tem uma banda, gosta de Slayer, frequenta o shopping...

— Eu não frequênto o shopping, aquele dia foi uma exceção. — interrompi. Ele ponderou.

— É vizinha do Gates...

— Infelizmente. — interrompi novamente, em meio a um suspiro.

— E odeia ele. — ele completou num tom engraçado, fazendo-me acentir. — Hm, acho que são realmente poucas informações. — analisou, olhando para o trânsito.

— Ok. Eu moro com a minha mãe. Não que isso seja uma informação importante, mas isso me fode as vezes. Ela passa a maior parte do tempo fora, já que é advogada. Hm, eu faço coleção de filmes de terror. É estranho, mas quando eu estou estressada é só assitir um clássico sangrento para me distraír. Eu amo animais, mas nunca pude ter um. A voz que eu mais gosto de ouvir quando estou sózinha, é a do Bon Iver. Não parece, mas curto folk. Minhas cores preferidas são azul e preto. Já fui para a Itália e para Inglaterra numa viagem de férias com o meu pai, há muito tempo atrás. — suspirei ao lembrar disso, era um tempo bom.

Um silêncio estranho se extendeu.

— Eu sinto muito. — ele murmurou baixo. Pisquei assustada por ele ter entendido que meu pai não estava mais comigo.

— Er, tudo bem, já faz tempo. — esclareci. Ele não pareceu muito convencido disso. — E então, vai me contar algo sobre você? — voltei ao assunto usual.

— Hm. Eu moro num apartamento apertado pra caralho, junto com um amigo. A gente quase nunca fica lá, então... não faz muita diferença. Eu trabalho num arcade, em LB. E meu tio me indica para algumas bandas que precisam de solos. É estranho dizer assim, mas eu os vendo. Eu estudo numa droga de escola particular tradicional, onde eu tenho que usar um uniforme escroto e conviver com gente metida. Mas é Nick quem paga, já que ele quer que eu assuma seus negócios futuramente, ele acha que eu devo ter uma boa educação. Meus pais são dois hippies irresponsáveis tirando férias intermináveis pelo mundo todo. A última vez que falei com eles, foi a 5 mêses atrás e eles estavam alimentando cangurus na Austrália. — gargalhei alto com a revelação.

— Deve ser legal ter pais hippies. — comentei, notando que já estávamos saindo de HB.

— Mh. Depende do ponto de vista. — ele respondeu apenas. Acenti concordando, sempre depende do ponto de vista, mas do meu parece muito maneiro. — Está com fome? — perguntou depois de um silêncio breve entre nós. Eu acenti, lembrando que não comi nada faz um bom tempo. — Nosso passeio se resumira em três lugares muito especiais para mim. — ele declarou, com um sorriso misterioso.

Concordei animada em conhecer algo que fosse especial para ele. Será que através disso eu descobriria mais sobre ele? Eu torcia para que a resposta fosse: sim.

Depois de minutos correndo numa velocidade assustadora, ele finalmente diminuíu e estacionou.

Pisquei atônita para o local. Era uma pista de corrida? Parecia tipo aquelas da nascar. Um frio me atingiu em cheio no meu estômago. O encarei curiosa e ele sorriu grandiosamente, como se esse lugar fosse seu de estimação e ele tivesse muito orgulho de tal. Desci do carro, já podendo escutar o roncar potente dos motores.

Ele estendeu a mão para mim, a qual apertei mostrando minha ansiedade.

— O Nick é patrocinador de um amigo nosso que corre. E ele sempre libera o carro pra mim quando quero. — ele explicou. Entramos na zona onde ficavam os mecânicos. Vários deles cumprimentaram Damen, o que me fez imaginar que ele deve vir aqui sempre.

— Dammy! Quanto tempo! — virei para ver a garota de longos cabelos em tom pastel correr em nossa direção e praticamente pular no colo dele. Ok, ela o chamou de Dammy? Me preparando para matar.

— Dali! Pensei que não vinha mais aqui. — ele sorria demais para ela.

— Eu estava viajando. Na próxima você vai comigo pra Europa, lá têm cada pico. Cada corrida... — ela exasperou. Ele concordou amistosamente e eu me perguntei se ele lembrava que eu estava aqui. Cutuquei-o de leve na base da costela, tentando chamar sua atenção.

— Ah! Essa é Mazzy. E essa é Dalility, uma amiga de longa data. — ele gesticulou para ambas. Sorri o mais gentil que pude, tentando esconder minha irritação.

— Oh, prazer Mazzy. — ela sorriu amigavel.

— Todo meu. — sorri falsamente. Eles conversaram sobre mais alguns detalhes da viagem dela, e do tempo que eles não se viam. E ainda por cima, ela teve coragem de fazê-lo prometer que eles sairiam juntos como nos "velhos tempos".

Ótimo, nem comecei um relacionamento com ele e já vou ser trocada.

— O que foi? — ele sussurrou mais perto de mim, quando voltávamos a andar.

— Nada. — disse contendo o sarcásmo e ofuscada com a repentina aproximação. Ele gargalhou com a minha provável careta e continuou a me puxar para um agrupamento de caras em volta de um carro tunado.

Ele começou a conversar detalhes técnicos com eles, que pareciam acostumados com esse tipo de checagem. Depois ele me jogou um macacão branco e pesado, seu semblante claramente me desafiava.

— Pra quê isso? — perguntei, mesmo que a resposta fosse óbvia.

— Ué, não viemos aqui para nada. Vamos correr! — caminhou até mim, se pondo perigosamente em minha frente. Pousou suas mãos em cada lado de minha cintura, me encarando. Engoli em seco, novamente assustada e ao mesmo tempo extasiada com a aproximação. — Não vai me dizer que tem medo. — sussurrou cada vez mais próximo.

— Na-ão, eu só... — fui interrompida por um beijo na testa.

— Vai se trocar então. — sorriu de canto. Ai meu pai, por que não beijou um pouco mais para baixo? Acenti desastrosamente e me dirigi para onde ele tinha me indicado ser um banheiro.

Coloquei o tal do macacão e prendi meu cabelo num coque desajeitado. Quando voltei, ele também estava vestido com um muito parecido. A diferença é que ele ficava sexy e eu ficava gorda.

Ele colocou o capacete em mim, depositando um tapa sobre ele depois. Resmunguei algo, reclamando pela violência. Ele gargalhou antes de colocar o seu também. Entramos no carro e ele fez questão de colocar os inúmeros cintos de segurança em mim. Meu coração parecia que ia explodir de ansiedade, quando vagamente eu me lembrei de quando assistia corrida com o meu pai. Os acidentes eram frequêntes e de proporções preocupantes.

Olhei para o lado, reparando o quão tranquilo ele estava e me deixei ser levada pela adrenalina.

Logo estávamos correndo na enorme pista, meu coração quase saía pela boca em todas as curvas. Era simplismente foda a sensação de correr dessa forma, você parece sentir que o carro sai do chão inúmeras vezes.

Foi um dos melhores encontros que eu já tive.

— E então? — ele sorriu quando abriu a porta pra mim. Cambaleei para fora, o que fez ele sorrir mais.

— Quase vomitei meu útero. — disse em exaspero, a respiração um pouco desregulada por causa da adrenalina em minhas veias.

— Sabia que iria gostar. — tirou meu capacete e colocou uma mecha bagunçada do meu cabelo para trás da minha orelha. Fitei seus olhos escuros, desejando muito qualquer tipo de contato mais íntimo com ele.

Ele pareceu ler meus pensamentos, diminuíndo o espaço entre nós, gradativamente.

Suspirei, sua boca deslizou de minha bochecha para a minha boca, nossos lábios se tocaram levemente. E quando ele ia aprofundar o contato...

— Damen, cara! Seu telefone está tocando. — um cara alto se aproximou, com o telefone dele em mãos.

Damen pareceu irritado com isso, suspirando profundamente enquanto pegava o celular.

Mas que porra, sempre tinha que chegar alguém! Não que ele tivesse tentado me beijar antes, mas sempre que estávamos próximos alguém vinha para atrapalhar. Me troquei no mesmo lugar de antes, enquanto ele falava com não sei quem no telefone. Quando eu voltei, ele já estava vestido com a roupa de antes e conversando com um cara que cuidava do carro. Eu me perguntava, como ele se trocava tão rápido?

— E agora? — perguntei quando já entrávamos em seu carro.

— Vamos comer. — disse apenas. Meu estômago agradeceu já que não via comida a tempos. Pensando bem, acho que isso foi até bom. Caso eu tivesse comido antes de correr com o Damen, a comida já teria voltado por onde entrou na primeira curva. Logo que chegamos numa lanchonete, ele abriu a porta para mim, como um perfeito cavalheiro e agarrou minha mão firmemente. Ai isso é muito para a cota de sedução diária.

Caminhamos sem pressa para dentro. Ele cumprimentou algumas pessoas que estavam sentadas, nos olhando. E a maioria delas eram garotas. Garotas com um sorriso sedutor para ele. Garotas oferecidas. E provavelmente eu não deveria me importar, afinal, não temos nada. Certo?

Infelizmente.

— O que vão pedir? — isse uma garota alta de cabelos curtos.

Hm, que você pare de babar em cima do meu Da... er, acompanhante.

O de sempre. Dois. — ele sorriu educado. Me perguntei o que diabos deve ser "o de sempre" mas depois dei de ombros. Se ele não se importou de pedir minha opinião é porque deve ser algo irrecusável.

— Você conhecia aquelas pessoas. — acusei, apontando discretamente para a mesa de garotas perto da entrada.

— Hm, são da minha escola. — ele deu de ombros.

— São bonitas. — desdenhei. Ele se forçou a não rir. — O que?

— Nada. — ele fixou os lábios para não gargalhar.

— Ok, pare de rir da minha cara. — corei, levemente irritada.

— Gosto de quando você cora. É como se não existisse mais máscara. — ele disse sério, olhando para minha face avermelhada.

— Máscara? — arqueei as sombrancelhas, confusa.

— A máscara que esconde suas emoções. Você não é assim tão durona quanto finge ser. É frágil, com certo ar de vúlnerabilidade. — ele explicou. Abri a boca para discordar mas as palavras me faltaram. Minha mente estava em busca de alguma resposta decente, mas eu parecia não querer discordar.

Logo o nosso pedido chegou, para nos livrar do contato visual silêncioso. Percebi tarde demais que ele havia pedido hambúrguer, porções de batatas fritas e um copo extra grande de coca-cola. Ok, realmente irrecusável.

Comemos para não ter que falar. Tipo, comemos muito.

— Devia ter ficado quieto. — ele disse em certo momento. Dei um longo gole no refrigerante para adiar minha resposta.

— Eu não sou... vulnerável. — tentei convencer a mim mesma de que ainda existia frieza em meu ser.

— Você não se vê muito claramente. — ele retrucou com um tom gentil.

— Você me vê? — perguntei insegura. Ele semicerrou os olhos, prendendo sua atenção em mim.

— Você não passa de alguém sem rumo. Como se tudo o que acontece em sua volta, não te desse nenhuma dica de para onde você deve ir. Você tenta se adaptar, mas o seu verdadeiro "eu" está preso por motivos do passado. Mas mesmo assim você consegue enganar a quase todos. QUASE todos. — pisquei atônita para a certeza em suas palavras.

— Eu não engano você. — não foi uma pergunta.

— Não. — ele reforçou, mesmo assim. — E acho que se você tivesse esse poder sobre mim, eu não estaria aqui. — acrescentou. Como ele sabia tanto de mim mesmo me conhecendo a tão poucos dias?

— Acho que é minha vez de te desvendar. — comentei, tentando desviar a atenção de mim.

— Se eu fosse você eu não faria isso. — ele disse um pouco mais sério do que o habitual. Não foi um deboche, foi quase uma lamentação por algo inadimissível. Ignorei seu tom. Fingindo não perceber um lado obscuro em sua constatação.

— Vou considerar isso um desafio, agora me leva no terceiro lugar especial para você. — pedi com um leve sorriso. O qual ele correspondeu. Ele se levantou para ir pagar, me deixando na mesa. Refleti sobre nossa conversa agora a pouco e resolvi que definitivamente foi uma conversa um tanto precoce. E mexeu comigo de certa forma. Ele podia ver por trás de mim, como se eu não pudesse me esconder atrás de grosserias e desdém. É como se eu estivesse prestes a ser desmascarada, a todo momento. Não é assim que eu quero me sentir perto dele. Eu quero sentir outras coisas quando estou com ele. Mas não receio. Nem inseguraça.

Eu não quero sentir como se eu fosse transparente para ele. Rasa, fácil de decifrar ou previsível.

— Vamos? — ele chamou, me fazendo voltar para a realidade.

(...)

— Você por acaso sempre trás aqui as garotas com as quais você sai? — questionei, fitando a maquina de jogos em nossa frente. O garoto parecia absorto na maquina. Já cansei de contar quantos records ele bateu.

Eu estava finalmente conhecendo o arcade no qual ele trabalha e passou grande parte da sua vida. Ele me trocou aquele dia, por isso.

— Na verdade, não. Mas achei que você ia gostar de conhecer o que me distraí quando eu começo a pensar demais. — ele explicou, não desviando os olhos da tela.

— Pensar no quê? — suspirei.

— Tipo em uma garota loira, no sorriso dela, no corpo... — meu coração perdeu uma batida. Ele estava falando de mim? Espera, ele estava falando de mim, tipo, mesmo? Olhei para a mecha do meu cabelo para certificar que era mesmo loira. Ele deu pause no jogo para me encarar com um sorriso de canto.

— Volta a jogar. — gaguejei, desviando o olhar.

— Você está corando denovo. — ele acusou, passando o dedo de leve em minha bochecha.

— Não tem graça. — me defendi inútilmente. Essa é a porra da reação de insegurança, por ter medo de que ele enxergue que eu amei saber que ele pensa em mim.

— Você está morrendo de vergonha. — ele segurava o riso, me deixando ainda mais sem jeito.

— Não estou. — insisti num fio de voz.

— Está sim. Está mortinha de vergonha. — ele zombou. Revirei os olhos irritada, tentado esconder meu desconforto.

— Cala a boca. — disse mais exaltada.

— ... me beija. — ele retrucou. Fitei o olhar zombeteiro tentando entendê-lo.

— O quê?

— Puta merda, como você é lenta. — ele sorriu, puxando meu rosto gentilmente para perto do seu.

Logo seus lábios macios cercaram os meus, enquanto ele segurava meu rosto para que eu não fugisse.

Como se eu o faria.

Correspondi o beijo eletrizante que compartilhavamos. Ele súbtamente me cercou contra a máquina de jogos, colocando as mãos em minhas cintura. Eu fiz questão de esquecer completamente que estávamos em um lugar lotado e me deixei ser envolvida pelo beijo. Sua língua brincava com a minhã, parecia percorrer toda a extensão de minha boca.

Era muito melhor do que eu fantasiava. Porra, muito melhor.

Nos separamos ofegantes. Meus pulmões pareciam queimar, implorando por ar.

Mesmo assim, continuamos na mesma posição de antes.

— Você vai me beijar sempre que eu estiver com vergonha? — disse levemente ofegante. Ele pareceu ponderar teatralmente, pendendo a cabeça para o lado em curiosidade. Uma mania que ele tinha e exercia constântemente. Yeah, bem sexy!

— Acho que sim. — ele acentiu, olhando para meus lábios provávelmente vermelhos.

— Eu acho que estou com vergonha denovo. — o olhei implorativa. No segundo seguinte, sua boca estáva novamente na minha.

(...)

Me virei para encára-lo quando o carro estacionou em frente ao meu prédio. Ele me encarou de volta em silêncio.

Já era noite. E nem percebi que o tempo passava enquanto estava perto dele. Passamos a maior parte da tarde no arcade, enquanto eu tentava aprender a jogar aqueles jogos de aviões e tiros.

Eu era uma completa inútil com esses jogos. Mas com os lábios dele, eu era bem eficiente.

— Obrigada. — soltei apenas. Ele acentiu com um sorriso convencido. Ele era todo convencido, na verdade. Presunção nenhuma.

Quando eu ía abrir a porta, ele me puxou para mais um beijo de perder o fôlego. E é óbvio que eu não reclamei. Afinal, se fosse por mim, ficaríamos até amanhã juntos.

Mas o fato de eu ter que ir na casa do Thales ensaiar me impedia.

— Amanhã venho te buscar. — ele disse ao me soltar.

— Por quê? — indaguei confusa. Ao mesmo tempo sentindo uma ansiedade me invadir. Eu veria ele denovo.

— Você está sem o seu carro. Eu vou te levar para a escola. — ele decidiu. Acenti, só agora me recordando que deixei meu carro no estacionamento do colégio.

Nos despedimos com mais um beijo antes de eu entrar no prédio, praticamente correndo para o elevador.

Agradeci internamente por não ter ninguém nele, já que eu estava com uma tremenda cara de bobona, lembrando de momentos atrás.

Supirei quando o elevador abriu, revelando o tão conhecido corredor. Peguei minhas chaves no bolso, mas estranhamente não precisei usá-las.

Empurrei a porta, fazendo uma careta. Eu tinha trancado antes de ir para a escola. E minha mãe não teria chegado tão cedo de viagem, teria?

Joguei minha mochila no sofá. E no mesmo instânte fui assombrada por um barulho estranho vindo da cozinha.

Fui lentamente em direção ao som que aumentava gradativamente. Eu me arrependi imediatamente.

A imagem que eu vi, foi o suficiente para eu sentir nojo de morar nessa casa. Nojo de ser filha dela.

Minha própria mãe gemendo para um cara que aparentava ser bem mais novo. No balcão da cozinha?

Sorri amarga, batendo palmas para chamar atenção do casal. Ela me encarou assustada. Seus olhos rolaram enquanto me encarava, o ato não tinha sido interrompido. Mesmo os dois sabendo que eu estava aqui.

Fitei a garrafa vazia de whisky junto sobre o balcão. Estavam bêbados.

— Isso, continua sua vadia. — vociferei. Não acreditava que eu estáva presenciando isso.

Ela sorriu sarcástica para mim. O cara levemente ruivo, pareceu perceber só agora que eu estava aqui. Seus olhos estavam vermelhos. Ele os arregalou quando voltou a consciência.

— Continue. — a mulher ordenou, vendo que ele tinha interrompido a foda. Senti raiva dela, me recusava a chamá-la de mãe.

— Sua vadia. Na nossa casa? Na casa onde meu pai morou? COMO VOCÊ PÔDE? — gritei, senti uma raiva tão grande sobre mim que eu jurava ser capaz de queimar o casal em minha frente, com os olhos.

— Seu pai está morto garota. Eu posso foder com quem eu quiser, na hora que eu quiser. Essa é minha casa. — ela disse com a voz um pouco embargada e manhosa. Segurei a ânsia de vômito.

Segurei minha vontade de matá-la.

— Como você pode ser tão suja e baixa? Você não pensa? Garanto que traía meu pai com o primeiro que lhe aparecia na frente. — acusei segurando as lágrimas, pela menção de meu pai.

— Você acha que tem direito de me julgar... mas é tão vadia quanto eu. E ainda por cima, burra. Você acha mesmo que eu viajo todo esse tempo por trabalho? Eu estou aproveitando a vida que o seu pai não me deu. Ele era tão mesquinho que não conseguia me satisfazer. — ela sorriu diabólicamente.

— NÃO SE REFIRA A ELE DESSA FORMA SUA VADIA DOS INFERNOS! — gritei completamente descontrolada. Ela levantou do balcão, nem se preocupou em arrumar a saia social ainda levantada. Senti o sua mão queimando em minha face. Inundando-me em ódio.

— RETIRE O QUE DISSE. — ela exigiu autoritária. Ri sem humor.

— SUA NOJENTA, VADIA! VOCÊ É PODRE. VOCÊ NÃO PRESTA! EU TENHO NOJO DE VOCÊ, EU TE ODEIO COM TODAS AS MINHAS FORÇAS. — gritei o mais alto que pude, tentando eliminar a minha raiva. Ela gargalhou alto e depois deu mais um tapa na cara. Dessa vez eu não resisti e empurrei-a contra o sofá, estapeando-lhe a cara com todas as minhas forças enquanto as lágrimas me cegavam. Ela tentava reagir mas não conseguia. Ela não era minha mãe.

Rapidamente eu fui tirada de cima dela, pelo cara aparentemente drogado que a segundos a trás comia ela.

— Saia daqui... agora. Você não... mora mais nessa casa. — ela disse baixo, massageando o rosto.

— EU ME RECUSO A FICAR NO MESMO TETO QUE VOCÊ. — gritei, me libertando dos braços enormes daquele cara e correndo para a porta. Eu não enxergava quase nada.

Cambaleei para fora do apartamento, trombando com alguém no corredor.

— Marie?

M-me tira daqu-i por favor, Brian. — me agarrei em seu corpo, tentando me manter em pé.

Ele me apertou em seus braços, beijando o topo da minha cabeça.

Fechei os olhos me recusando a continuar consciênte.

Notas finais
Quando a mudança para o novo site, eu já me cadastrei mas...
É, não tô conseguindo postar. Não se preocupem, não vou abandonar, vou dar um jeitinho logo logo.
Comente, por favor? Até a próxima.