Take Me
12 Posso ser uma merda. Ao menos tenho amigos.
Notas iniciais
Boa Leitura.
Pov. Marie Zoey Somerfeld. (Mazzy)
É definitivo. Eu sou uma merda.
Briguei com minha mãe — que a propósito é uma bela de uma vadia -, e agora estou aqui rodando pelo parque. E pra completar, adivinha quem estava lá para me tirar do chão no momento em que eu caí em meu próprio precipicio?
Isso mesmo. Meu vizinho Brian. Talvez fosse o destino querendo pregar uma peça em mim. "Haha Marie, agora que você não tem ninguém dos seus ao seu redor, você será acolhida por aquele que você desprezou." É tão patético que até parece certo.
– Não cansou de andar ainda? — ele perguntou pela décima vez. Olhei para ele, notando que estava visivelmente cansado e suado.
– Fracote. — debochei com um sorriso. Ele me puxou para me sentar no chão e eu o acompanhei. Também estava cansada. Estávamos no Central Park, um lugar legal para se visitar as vezes. Lugar este que antes, eu usava para me divertir com os amigos. A parte dos bosques é útil quando se quer fazer coisas ilegais.
– A gente está andando a horas. Eu nunca andei um quarteirão sequer a pé. Tenha piedade de mim. — ele suspirou, jogando-se na grama ao meu lado. Fitei o horizonte, notando que o céu estava cheio de estrelas brilhantes. Imaginei que uma delas fosse meu pai. Imaginei que ele estivesse me observando agora, vendo o que estava acontecendo comigo. Vendo o quanto eu preciso dele. E o quanto sofro por ele não estar aqui.
– Quer compartilhar? — ele exasperou. Olhei distraida para a paisagem, tentando formular alguma resposta.
– Estou pensando em meu pai. Em como sou idiota e em como a vida é uma merda. — suspirei. Esperei que dissesse algo mas dele só recebi silêncio. Ficamos por vários minutos assim, deitados na grama enquanto eu olhava para o nada. — Não está dormindo, está? — indaguei divertida.
– Eu estava tentando, na verdade. — revirei os olhos, dando um soco leve nele que imitou meu gesto.
– Você é um idiota! — sorri, me sentindo momentâneamente leve.
– É, eu sei. — ele sorriu também. — Então garota revoltada, conte-me sobre a merda da sua vida. — ele se virou para mim, e com o meu olhar periférico pude perceber que me encarava.
– Eu só... estou cansada de tudo. Minha vida nunca foi muito legal mesmo, e eu nunca liguei muito, mas... parece que tudo se acumulou agora. E está difícil aceitar o fato de que não posso voltar atrás. As vezes, sinto muita falta de meu pai. Da minha antiga vida. Do meu antigo eu. — ok, eu precisava desabafar. E Brian parecia ser o ouvinte ideal agora. Além de parecer muito mais bonito a luz da lua, notei. Novamente esperei que ele dissesse algo, mas novamente, nada veio. Me virei para ele, tentando entender o por que do silêncio. Sua expressão estava serena, seus olhos fechados, seu rosto contorcido pelo cansaço.
– Imbecil, você é um imbecil. — sussurrei, não querendo acordá-lo. Ele era muito mais bonito assim.
– Eu não estou dormindo, estou fingindo estar para não ter que te falar algo. Sou péssimo com consolos. E por favor, não comece a chorar. — ele abriu os olhos para me fitar.
– Não vou. — assegurei.
– Quer comer algo? — arqueou uma sombrancelha.
– Tenho que achar algum lugar para ficar antes. — lamentei, olhando para a grama.
– Eu acho que sou capaz de dormir no sofá por uma noite, para disponibilizar minha cama para você. Não precisa procurar algum lugar agora. Está tarde, estou com fome e... escutou isso?
– Isso o quê? — fiz careta, vendo-o se levantar e me puxar junto.
– McDonald's está nos chamando. — sorriu, me empurrando com os ombros.
Resolvi que o melhor a se fazer agora, é tentar ignorar os meus problemas. Não posso ficar pelos cantos lamentando por estar em uma grande merda. Além do mais, também aprendi que fast food é capaz de te curar de qualquer mal. E mais uma vez, me senti surpreendida por ser Brian a me ensinar isso.
É, voltamos a estaca zero.
(...)
– Você o que?
– É, eu sai de casa. — bufei cansada. Eu não estava com saco para aguentar escola, nem amigos, nem mesmo eu. Mas Thales não parecia entender isso.
– Como assim saiu de casa? Você... por isso não foi ao ensaio ontem? — continuou perguntando enquanto eu fitava minhas unhas, distraída.
– Eu nem tinha me lembrado. Brian sabe distraír alguém quando quer. — comentei despreocupada. O professor de física passava inúmeros exercícios no quadro e eu não entendia porque fui cair na besteira de ser convencida por Brian a entrar na minha casa para pegar meus materiais para que eu pudesse vir para esse inferno de colégio. Eu não queria estar aqui. Eu não precisava estar aqui.
– Brian? Brian tipo, Syn? — rolei os olhos para o apelido ridículo denovo. Ele pareceu obter suas respostas por meu olhar. — Você estava com ele? Você dormiu com ele?
– Sr. Thales, creio que tenha um ótimo motivo para interromper minha aula. — o professor se virou para nós, junto com o resto da sala. Era a deixa que eu precisava para acabar com o assunto.
O sinal para o intervalo não demorou para soar. Os alunos eufóricos caminhavam pelos corredores. E eu só queria a cama do Brian.
Sim, a do Brian. Mas só porque era a minha melhor opção, no momento.
– Ei, que cara é essa? — senti um braço por meus ombros mas nem precisei olhar para saber que pertenciam a Matt.
– TPM. — menti. Ele gargalhou sonoramente, parecendo divertido com a minha careta. Eu não estava achando legal, principalmente pelo fato de que ele estava me abraçando.
– Ok. Seus ovários estão chorando ai dentro. Sei bem como é. — ele sorriu.
– Sabe? — arqueei uma sombrancelha para ele que piscou para mim antes de entrármos no refeitório inundado de gente.
– Vai por mim, eu sei. — foi a última coisa que ouvi antes de ser empurrada para o grupo de pessoas sentadas em uma mesa bem no centro de refeitório.
– Que cara é essa? — Jimmy perguntou quando me viu. Revirei os olhos jurando para mim mesma que eles não eram merecedores da minha fúria interna e que eu não devia me exaltar porque eles eram observadores. Justamente hoje, eles foram querer dar uma de observadores.
– TPM. — Matt respondeu no meu lugar. Jimmy pareceu aceitar isso, sorrindo e abrindo os braços para mim sentar em seu colo.
– Por isso eu agradeço por ser homem. — Johnny suspirou, observando a gente do outro lado da mesa.
– Homem? — Zacky debochou, recebendo um olhar mortal do outro garoto. — Ahwt! — grunhiu dois minutos depois, por causa de um movimento violento por debaixo da mesa.
Olhei na direção da porta do refeitório vendo Brian entrar com July logo atrás. Os dois caminhando em nossa direção parecendo distraídos.
– Ei, que cara é essa? — Brian indagou, chegando primeiro.
– TPM. — Jimmy sorriu. Bufei denovo, ah qual é.
– Hey guys. — July que tinha parado para conversar com alguém na mesa ao lado, se sentou ao lado de Matt. — Marie? Que...
– TPM, TPM, É APENAS UMA PORRA DE TPM. MAS QUE SACO! — gritei antes que ela perguntasse sobre a porra da minha cara.
–Ei, eu ia perguntar o que você está fazendo no colo do Rev. — ela me encarou confusa.
– Caralho, isso é só tpm? Ainda bem que eu sou...
– HOMEM, entendemos gnomo. — Zacky interrompeu o menor que fez bico.
– Desculpa. Eu vou dar uma volta. — me levantei do colo de um James relutante e caminhei pelo refeitório em busca do meu refúgio, que no momento se definia em "fundos do campus".
Eu precisava fumar. Eles estavam animados demais para suportar meu saco de problemas e minha falsa TPM. E eu precisava imediatamente de um cigarro.
– Não pensou realmente que eu ia te deixar sair desse jeito, né? — suspirei ao ouvir a voz de July atrás de mim.
– Eu estava rezando para que sim. — respondi apenas, me sentando em baixo da árvore.
– Sabe que precisamos conversar. — ela insistiu, sentando-se ao meu lado. É, eu sabia.
– Só se tiver um cigarro. — a fitei por um instante. Seus cabelos vermelhos caiam sobre seu rosto por causa do vento. Sua pele tão branca parecia iluminada hoje.
– Interesseira. — ela sorriu, estendendo um cigarro e o esqueiro para mim, depois de tirá-los do bolso do jeans. Ficamos em silêncio observando as pessoas caminharem ao longe. — Está bem? — perguntou baixo.
– Nâo. — soltei a fumaça, sentindo aquela gostosa sensação que a nicotina causava. — Você parou de falar comigo. — acusei.
– Estou falando agora. — ela se defendeu. — Aliás, admita que tenho um bom motivo para me afastar.
– Não, não tem. James é um cara legal, mas só isso. E além do mais, combinamos que nunca brigariamos por causa de nenhum cara, cara nenhum de todo o universo. — continuei, afim de acabar com todo o desentendimento que restava em nós.
– Não é por causa de James. É por causa do dia do racha. Você foi dispresível naquela noite e...
– Qual é, eu sou dispresível sempre. — dei de ombros, sabendo que não era só por causa disso.
– Não, você não é. Você se faz. Eu te conheço, Mazzy. — parei de fumar por um momento para fitá-la. Ela sustentou meu olhar com seriedade.
– Se me conhecesse, saberia que eu não faria você ficar com ciúmes de propósito. Muito menos com um cara que você gosta.
– Eu não... — ela hesitou. — Eu não gosto. Eu não...
– Ok, não temos o que conversar então. Eu fui uma idiota e você.... bom, você é uma idiota. — sorri. Ela revirou os olhos e me empurrou, fazendo com que eu escorasse no tronco de árvore.
– Cala a boca! — grunhiu divertida. Começamos a rir, sem entender muito bem o que acabara de acontecer. — Você sabe, não sabe? — ela parou de rir, mas seus olhos ainda brilhavam. Eu sentia muita saudades da minha melhor amiga. Era bom tê-la de volta.
– Sei? — perguntei confusa.
– É! Você sabe que eu te amo, não sabe? — ela sorriu.
– Ah sim, sei. Sei muito. Acho até que deveria me amar menos. Você definitivamente estoura a cota de amor por melhores amigas e... — fui interrompida por seu abraço. Forte, quente e tão July. — Desculpa por tudo. E... eu também te amo sua bastarda.
O dia podia estar um inferno, minha cabeça podia estar confusa. Eu podia estar raivosa e com — falsa — TPM. Porém eu sempre soube que July estaria do meu lado, em qualquer momento. Quando eu mais precisasse. Mesmo ela não tocando no assunto dos recentes acontecimentos definidos como "meus dramas familiares", eu sentia que ela sabia. Eu sentia que ela estava procurando uma forma de me consolar sem tocar no assunto, sem que eu precise reviver todo o drama denovo. Eu sabia que ela estava disposta a me consolar. Mas eu não queria mais ser consolada, eu não queria mais lembrar que tinha um motivo para obter consolo.
O que eu mais queria era minha amiga de volta, e isso não foi tão difícil.
– Tenho uma coisa muito importante para te contar. — fitei sua careta ansiosa e sorri. — Fiquei com o Damen! — ela arregalou os olhos, surpresa. Acenti inúmeras vezes para reforçar o fato da notícia ser verdadeira.
– Me conta mais! — ela pulou empolgada.
Ok, não seria difícil ignorar os problemas.
Notas finais
E pra vocês que queriam a reconciliação das meninas tá aí. Realmente desculpa por estar merdinha.
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