Take Me

13 Nasci para atrair confusão.


Notas iniciais
Olha eu aqui denovo.
Estava tão inspirada que já comecei a fazer outro capitulo, já terminei e já estou postando.
Seria bom se eu tivesse como fazer isso sempre. Mas é, não dá.
Esse aqui está mais emocionante, creio eu.
Bom, boa leitura pra vocês.

Pov. Marie Zoey Somerfeld. (Mazzy)


- Tayloree, você está errando os acordes. — July reclamava pela décima vez. Eu já tinha me sentado no sofá da garagem de Thales.
Estávamos ensaiando a umas duas horas e elas não paravam de brigar.

- Vai se foder, eu fiz certo. Você que está...

- Meninas! — Thals gritou enfurecido, levantando-se da bateria.

- Tá ok, eu vou fumar. — Tay colocou a guitarra no suporte e se afastou mal-encarada.

- O quê? — July indagou quando viu que a encarávamos.

- Isso não vai dar certo se vocês não derem trégua. Precisamos gravar as demos. E vocês precisam parar de discutir. — expliquei. July bufou, sentando-se ao meu lado.

- Desculpa Marie. Eu... ok. — ela acentiu. Sorri agradecida pra ela que logo se jogou no meu colo, me abraçando. — Eu senti sua falta.

- Não se acanhem por eu estar aqui, sempre desconfiei do caso lésbico de vocês. Na verdade, era uma das minha fantasias mais eróticas. — Thales nos olhou malicioso.

- Seu pervertido nojento! — fiz careta, enquanto July saltava do meu colo para socá-lo.

Em meio á palavrões e gritos dos dois, meu celular tocou estridente, me assustando.

- Porra, tenho que mudar esse toque. — sorri, atendendo sem olhar quem era. — Alô.

- O convite para assistir filme na sua casa ainda está de pé? — sorri mais ainda ao ouvir essa voz. Caminhei para fora da garagem e me sentei no gramado na frente da casa de Thales.

- Desculpa mas, não. — respondi breve.

- Hm... me dispensando? — sua voz continuava com resquícios de humor mas ele não parecia tão confiante.

- Não. Eu não tenho mais casa, na verdade. Fui chutada. — expliquei. Semicerrei os olhos para a claridade do sol. Houve um silêncio do outro lado, eu aguardei paciênte.

- Onde você está? Eu te busco pra gente sair. — disse finalmente. Meu coração sofreu um leve descompasso. Minha mente absorvendo a mensagem. Damen, passeio, beijo. Damen, passeio, beijo. Repetindo inúmeras vezes em minha mente, acionando o efeito de eco.

- Eu estou ensaiando com a banda. Não posso sair agora mas, se quiser me encontrar no Johnny's daqui 1 hora... — sugeri, implorando mentalmente para que ele aceitasse.

- Ok. Eu te pego lá então. — ele murmurou em uma voz mais baixa. Eu mordi o lábio inferior analisando sua resposta. Pensando no duplo sentido da afirmação. Fantasiando o momento. — 'Tá ai?

- Ah sim. Ok. Eu... eles estão me chamando. Te vejo depois.

- Tá.

- Beijo.

- Hmmm.

E desligou. Fitei o celular, tentando descobrir se aquilo foi um "Hmm" qualquer ou foi um "Hmm" malicioso.

Franzi o cenho confusa. O que ele quis dizer com "Hmm"? Significa animação? Desdém? Porra, tanta coisa pra dizer e ele diz "Hmm"?

- MAZZY! — me virei assustada para a direção do grito.

- Porra! O quê? — grunhi. Eu tinha levado um susto tremendo.

- Estava te chamando a um tempão, vamos passar Blender denovo. July não está satisfeita. — Tayloree revirou os olhos, perfeitamente irritada.

- Amh, ok. — me levantei do chão, limpando os jeans. Eu teria mais tempo para entender os barulhos que Damen fazia.

(...)

A noite estava fria. E eu tinha acabado de sair da casa de ensaios. Além de eu estar com uma jaqueta jeans emprestada de Tayloree, eu estava com as roupas de hoje cedo. Isso estava ficando ridículo, eu tinha que ir buscar alguma coisa. Eu tinha que passar em casa, sem que ela esteja lá.

July fez um leve drama por eu não ir na casa dela e por estar "trocando-a" por Damen. E eu tive que sair correndo depois de dizer que o motivo era ele ser mais sexy do que ela.

Johnny's bar estava lotado. Gente saía e entrava do local cheio de fumaça e música alta. Eu imediatamente me arrependi de ter marcado aqui.
Não estava com ânimo para lugares badalados.

- Deveria usar roupas mais quentes. A noite está fria. — me virei ao som da voz, vendo-o encostado no seu carro, me observando andar encolhida até o bar.

- Desculpa mas, estou sem roupas. — sorri fraco, me aproximando dele. O carro estava estacionado na frente do local, a música era mais alta toda vez que alguém abria a porta.

- Está? — corei imediatamente com o tom malicioso usado nesta única palavra.

- Está bonito. — mudei de assunto, analisando as suas roupas. Me surpreendi ao ver que ele usava uma camisa social com alguns botões abertos.

- Eu estou voltando da escola. — sorriu. Franzi o cenho, analisando o todo. Ele ficava estúpidamente sexy com esse uniforme social com um certo caímento desleixado e bad boy. — Desse jeito eu vou ficar sem graça. — puxou meu rosto delicadamente para fitá-lo.

- Estou até com vergonha de vir te encontrar com essas roupas. — suspirei, olhando para os olhos negros.

- Que roupas? Você disse que estava nua. — ele zombou. Gargalhei divertida, esquecendo do local em que estávamos.

- Não usei essas palavras. — reclamei. Ele sorriu mais e num movimento rápido, me puxou pela cintura, nos aproximando.

- Mas foi assim que eu te imaginei. — ok, corei novamente. Engoli em seco, notando estar muito perto dele. Na verdade, eu estava escorada em seu corpo, sentindo suas mãos pousadas na minha cintura delicadamente. — Você está bem? — sussurrou contra minha bochecha.

- Agora sim. — admiti. Fechando os olhos para canalizar o cheiro dele. Ele pareceu perceber o que eu queria e me apertou mais em seus braços. Ele colocou uma mecha do meu cabelo para trás e beijou meu rosto. Um leve suspiro escapou por meus lábios. Sua boca quente e macia era tudo o que eu queria no momento e estava prestes a tocá-la. Eu podia sentir sua respiração quente em meu rosto, aquele momento bom que antecipa o beijo, sem pressa.

Minhas mãos passaram de suas costas para sua nuca, arranhando de leve a pele exposta. Senti que ele se arrepiou com o contato.

Mas como tudo o que é bom acaba rápido, o barulho da porta do Johnny's se fechando brutalmente nos assustou. E quando olhei na direção do barulho, meu coração pareceu amolecer.

- Brian? — me senti momentâneamente envergonhada, mesmo sem motivos. Ele não parecia ter nos visto ainda, e quando viu fez uma careta, andando em nossa direção enquanto acendia um cigarro.

- Está bem? — ele perguntou sem olhar para Damen.

- Amh, sim. Preciso conversar com você depois. — disse me sentindo estranha. Eu precisava agradecê-lo por ter me deixado dormir em sua cama macia.

- Ok, vai dormir lá em casa hoje? — ele perguntou parecendo inocênte mas eu senti uma pitada de provocação.

- Não sei, não quero incomodar. — dei de ombros.

- Se quiser ir vou embora daqui a pouco, eu te levo. — ele sorriu.

- Ela está comigo, eu levo ela depois. É claro, se ela ainda quiser dormir na sua casa. — Damen me interrompeu. Senti o sague fugir de meu rosto com a cara que o Brian fez. Algo entre o desolado e o ofendido. Senti que Damen ficou rígido atrás de mim. Senti que queria chorar.

- Ok. — Brian acentiu e se afastou, tragando seu cigarro.

- Não... Não precisava ter falado assim. — me virei para Damen denovo.

- Desculpa, você dormiu com ele?

- Não, eu dormi na casa dele. — retruquei chateada. Tudo bem que eu estava entusiasmada com o fato de Damen aparentar sentir ciúmes de mim, mas Brian estava sendo legal apenas. Ficamos nos encarando por um instante, um desafio interno.

- Ok, mas... ele está sempre te rondando. Ele está sempre rondando qualquer pessoa na qual chame minha atenção. Eu não duvido nada que ele... — ele parou de falar repentinamente.

- Que ele.... ? — aguardei. Ele fez uma careta e olhou em nossa volta. Senti um vento gelado me fazendo arrepiar de frio. Voltei meu olhar pra ele que parecia absorto em um ponto específico atrás de mim.

- Vamos sair daqui. — ele disse já andando para a porta e me puxando junto, abrindo-a e praticamente me empurrando para dentro.

- O que... espera, o que aconteceu? — perguntei aflita quando ele acelerou o carro, olhando para a mesma direção em que olhava antes.

- Tem uns caras me seguindo. — ele disse num tom estranho.

- Como assim? Te seguindo? — arregalei os olhos. Meu olhar correu por todo o perímetro próximo a nós, e eu vi dois carros estacionados não muito distante, acender os faróis quando ele manobrou para fora da rua. — Damen...

- Porra! Eu sabia que tinha algo errado. Eles não vão parar. — ele parecia falar extremamente baixo para o momento de desespero. E extremamente calmo, de fato.

Ele dirigia habilidosamente rápido pelas avenidas movimentadas de HB. E eu ainda estava tentando aceitar o fato de que estávamos fugindo de dois carros.

- Despista eles. Eles vão desistir. — disse otimista, mas eu estava sentindo algo estranho. Damen me olhou apreensivo, me dizendo com o olhar que eles não desistiriam tão fácil. Meu celular tocou em meu bolso, me assustando denovo.

- Ahrr... Oi?

- Que porra ele pensa que está fazendo? — uma voz exasperada respondeu.

- Brian? Você...

- Por que tem dois carros seguindo vocês? — ele perguntou mais contido, porém não parecia calmo.

- Eu não sei, eles estão atrás do Damen. Eu não...

- Ele é burro ou o quê? Ele não percebeu que está pondo você em perigo? — respirei eufórica ingerindo a gravidade da situação. Por um momento fiquei sem palavras. Damen fez uma curva perigosa e o carro deslizou pela estrada, me causando calafrios.

- PORRA DIMINUI A VELOCIDADE! — gritei, sentindo que minhas mãos soavam. Damen grunhiu algo desconexo e pegou o celular de minhas mãos.

- Gates, são os caras do Kol. Você tem que me ajudar a tirar a Marie daqui. — ele disse contido, fazendo outra curva assustadora, entrando em uma estrada quase deserta. Olhei para trás, vendo os carros se aproximando da gente. — Eu sei, eu sei. Eu deveria imaginar. — ele continuou falando. — Não sei quantos caras são, ele nunca manda menos que 4. — ele explicou. E tudo o que ele falava ajudava a montar a imagem na minha cabeça. Nós dois, mortos em uma estrada abandonada.

- Faça alguma coisa... por favor. Eles estão se aproximando. — implorei, olhando assustada para a estrada. — O que você fez? — perguntei depois de raciocinar que ele deve ter feito algo errado para ter dois carros nos seguindo.

- Eu me despedi. Eles estavam esperando me pegar sózinho. Eu não tinha notado ser os carros do Kol ainda. Se eu tivesse te deixado junto com o Syn dentro do bar, você estaria segura. Eles viriam atrás de mim, ponto final. — ele explicou, um leve tremor transpassando por seus lábios.

- Como assim "ponto final"? Eles... eles querem te matar? — indaguei indignada com a tranquilidade dele.

- Não sei. — respondeu sem tirar os olhos da estrada. Olhei para trás, vendo o quão próximo os outros carros estavam. E então, três outros carros entraram na frente dos outros dois. Carros que entraram com toda velocidade na avenida, saindo de uma rua que eu nem tinha percebido que existia.

- Damen! Tem... mais três carros. — minha voz já não saía corretamente. Meu coração parecia palpitar tão forte que eu não sabia porque ele já não tinha saído correndo para fora de meu peito.

Damen olhou no retrovisor e acelerou ainda mais.

- É o Gates. — respirei aliviada, vendo que os três outros carros estavam do nosso lado. Aliviada, mas não menos preocupada. Isso significava que tinha mais gente em perigo. Olhei para a estrada e me senti nauseada com a velocidade.

Mas não foi nada comparado com o desespero que senti quando vi que a rua estava trancada por mais carros. Não tinha como passar sem evitar um acidente. Estávamos sem saída.

- O quê? — Damen parecia surpreso. E não deu nem tempo de eu me segurar direito, antes de ele virar todo o volante para o lado, fazendo com que o carro desse uma volta inteira. Fazendo com que voltássemos a correr por onde viemos, enquanto os faróis dos outros dois carros que nos seguiam inicialmente nos cegava.

- DAMEN! ELES NÃO VÃO PARAR! — gritei desesperada, deduzindo os planos dele. Olhei para trás denovo, vendo que os outros carros também pareciam fazer o mesmo, nos seguindo. — PARA AGORA! — gritei raivosa. Ele iria nos matar desse jeito.

Antes que o carro chegasse mais perto dos outros dois, eles viraram repentinamente, trancando a estrada. Damen foi obrigado a parar a poucos metros, rodando o carro novamente.

Eu poderia vomitar meu útero com todo esse movimento.

Respirei exasperada, sentindo minha cabeça rodar. O carro tinha parado, e continuavamos trancados.

As portas dos carros em nossa frente se abriram. E deles desceram homens. Para o meu completo desespero, armados.

- Damen...

- Shhh. — ele me calou com um dedo. — Não saia daqui. — me fitou rápidamente antes de sair do carro. Escutei o som de mais portas se abrindo e depois fechando. Segurei o impulso de abrir a porta e sair correndo até Jimmy, Matt, Brian, Zacky e Johnny, quando eles passaram do lado do carro, andando até os outros armados.

Eles por acaso eram loucos?

- Kol quer te ver. — era possível ouvir só murmúrios mas eu tinha certeza que eu não conhecia o dono dessa voz.

- Não precisava ter feito tudo isso, conhece algo chamado telefone? — Damen desafiou.

- Não teria tanta emoção. — o outro insistiu, lançando um olhar sarcástico para os meninos atrás do Damen. — Vejo que voltou a andar com o seu antigo melhor amiguinho. Aprenderam a dividir mulher agora? — ele foi imediatamente empurrado por Damen, que por um momento parecia ter perdido a calma.

- É melhor você deixar a gente ir. Eu falo com o Kol depois.

- Como se a vida fosse fácil. — o outro zombou, sorrindo irônico. — Você não cumpriu o combinado. Você não tem o direito de reclamar da punição. — engoli em seco com a ameaça explicíta. Ouví um barulho de mais um carro se aproximando e eu contei mentalmente por quantos carros estávamos cercados. No total 6, com o que acabara de estacionar.

Eu me sentia uma covarde por estar aqui escondida no carro enquanto os garotos enfrentavam esse projeto de máfia.

Quando a porta do outro carro se abriu, deduzi ser Kol o que desceu.

Sim, era ele. Me lembrei do dia do racha, onde eu tinha trombado com o japonês mal-encarado. Ele esbanjava perigo por todos os poros, era notável.

- Te encontrei. — ele sorriu, encarando Damen de perto.

Acho que a coisa ficou séria.


Notas finais
Reviews? Por favor, eu estou me esforçando (:
Até mais.