Take Me
14 Brian ou Damen, com qual me preocupar mais?
Notas iniciais
Boa Leitura. (:
Pov. Marie Zoey Somerfeld (Mazzy)
Entrar em uma fria não fazia exatamente parte dos meus planos para essa noite. Ver meus amigos morrerem também não. Enxuguei uma gota de suor de meu rosto, nem sequer por um segundo, desviando os olhos do confronto a poucos metros a minha frente.
– Você só precisava cumprir o combinado, Dam. — Kol parecia achar algo engraçado em seu sermão. Seu sorriso sádico e satisfeito causava embrulhos nauseantes em meu estomago.
– Nem você cumpriria. — Damen pareceu tentar se defender. — Era um acordo de merda tratando de uma jogada suicida...
– Era o seu trabalho. — interrompeu-o. Os olhos de um traço oriental evidente, agora faiscavam. O silêncio se fez protagonista da cena por breves minutos. Eu podia sentir a tensão a metros de distância. E as armas devidamente apoiadas em brutamontes malhados prontos para descarregarem sua fúria no primeiro que o desafiasse, contribuía para a sensação horrível de que o tempo não passava.
– O que vai fazer agora? Eu me demiti.
– Ninguém se demiti comigo, Dam. Achei que já tinha entendido o recado. — ele tombou a cabeça para o lado, parecendo analisar a cena. — Eu quero aquele caminhão na minha garagem, você sabe. Mais do que tudo, eu quero o que está dentro dele. E você vai pegar pra mim. — impos, sorrindo desafiante para o moreno em sua frente.
– Drogas? — Brian interrompeu o confronto visual dos dois.
– Não, Gates. Carregamentos de drogas eu consigo em qualquer beco. Eu estou falando de algo maior. Algo grande. — entusiasmo definia a expressão dele. E então pareceu perceber que tinha mais gente ali. Olhou um pouco surpreso para os outros meninos. — O que fazem aqui?
– Eles nos seguiram, Sir. Estávamos atrás do Damen quando eles apareceram. — um homem alto com um sotaque francês explicou. Parecia superior aos demais armados. Quase como um braço direito de Kol, a minha interpretação.
– Ora, ora, Haner. Quem diria. Justo você? Eu achei que você tivesse aprendido com o tempo.
– Eu aprendi que não se pode confiar em filhos da puta como você. — Brian retrucou, parecendo até perigoso ao fazê-lo. Com meus olhos ofuscados, pude perceber a inquietação de Jimmy, que estava ao seu lado.
Kol deu uma risada forçada, não parecendo nem um pouco ofendido.
– Eu não vim aqui para ouvir suas lamúrias, Haner. Não me importa em quem você confia ou deixa de confiar. — seu tom era diabolicamente perverso. E definitivamente, esse cara estava no topo da minha lista de coisas a temer. -Então meu caro Damen. Eu nem preciso mencionar o fato de que quando eu quero algo, eu o tenho. Nem que para isso, eu acabe com tudo o que você tem. Principalmente aquela garota mimada no seu carro, ou você achou que eu não a tinha visto? — meu coração perdeu o compasso ao ouvir a referência a mim. Ao mesmo tempo em que o sangue me subiu a cabeça quando o sentido da palavra "mimada" fora aplicado como uma característica predominante supostamente notável em mim. Ele nem ao menos me conhecia! Como ele se dá o direito de deduzir defeitos, virtudes ou características minhas? Mimada?
– Eu não vou fazer o que você quer Kolan. Não mais. — Damen insistiu. Não se deixando levar pela ameaça. De repente, tudo se tornou uma câmera lenta.
O sorriso faiscante do sádico foi a última coisa que eu vi antes do ato desastroso da noite.
– Prendam-nos. — tudo se transformou em uma grande bagunça perigosa, em um piscar de olhos. Os caras pareceram ser ativados por controle remoto, correndo em direção aos garotos, que se defenderam prontamente. Engoli um grito quando um cara bateu em Matt com uma arma, deixando-o estirado no chão. Os outros também pareciam resistir aos brutamontes que cumpriam a ordem de Kol.
Sem saber o que fazer, minhas mãos correram trêmulas em direção ao carpete do carro, procurando pelo meu celular que tinha caído no meio de tantas curvas perigosas durante o trajeto. Um engasgo eufórico passou por minha garganta quando relei no aparelho caído debaixo do banco.
Meus dedos não pareciam ser comandados por mim, errando o número mais de uma vez. Na terceira tentativa, estava chamando.
– ALÔ, socorro! Estou numa avenida abandonada perto da costa,... Confronto de gangues. Caras armados, vários carros e socos por todo lado. Vocês têm que me ajudar.
– Senhorita, por favor, um ponto de referência. — o atendente pediu. Olhei rapidamente para os garotos, notando a proporção da briga. Tinha diminuído, mas não estava melhor do que antes. Damen estava preso pelo pescoço por dois caras, os quais o ajoelharam na frente de Kol.
– Eu não... eu não sei. Eu ouço o barulho das ondas do mar e é algumas quadras distantes do Johnny's Bar. Tem muitas árvores cercando a estrada eu... — fui interrompida pelo meu próprio grito de horror ao ver Damen totalmente imobilizado pelos caras. Seu rosto expressava a provável dor que estava sentindo. Eu via sangue pelo seu rosto. Pelo rosto de Brian também. E de Zacky, caído no chão. E de Jimmy, que ainda tentava escapar dos outros caras.
– Senhorita? — o atendente continuava me chamando na outra linha, mas eu não conseguia me concentrar naquela voz.
– Kol... — Damen gemeu, seus olhos pareciam prestes a saltar das órbitas.
– Sua última chance. — Kol delimitou. Olhando divertido para o sofrimento do outro.
– Não. — Damen disse com um fio de voz. Kol tirou uma arma da cintura e apontou para Damen. Nesse momento o aparelho celular escapou de minhas mãos, esqueci da promessa que fiz de que ficaria no carro. Abri a porta e corri em direção ao perigo com uma dor latente no peito.
– NÃO! — gritei desesperada, chamando a atenção deles. Minhas pernas fraquejaram, mas eu continuei correndo, mesmo que cambaleante.
Quando estava prestes a arrancar todos os fios de cabelos do sádico em minha frente, um dos brutamontes me agarrou pela cintura, me erguendo do chão. — ME SOLTA! — gritei raivosa, já sentindo as lágrimas esvairarem por meu rosto abaixo. Senti as enormes mãos se fecharem contra meu pescoço, e o ar me faltar. Senti que meus pulmões se inflavam em busca de óxigênio mas não obtia nada. Senti o desespero mais uma vez, predominar em meu ser. Era assim que eu iria morrer, então?
– Eu faço! — a voz de Brian parecia exausta. E de onde eu estava, sendo sufocada de fato, eu não podia vê-lo. Mas podia deduzir o que ele queria dizer com isso. — Eu faço... no lugar dele. Solte-a. — revirei os olhos, sem poder controlar o impulso de mandá-lo a merda. Eu faria isso se não estivesse praticamente sem ar.
– Derick, pode soltá-la. — Kol decretou. Eu fui ligeiramente jogada ao chão, buscando por grandes golpes de ar, que faziam meu nariz arder. — Não acredito! Denovo? Os dois envolvidos com a mesma garota? Estou começando a acreditar em destino. Os dois nasceram para ser idiotas. — ele zombou. Respirei fundo, tentando encontrar o ritmo natural para o ar entrar em meu organismo.
– Já somos idiotas por ainda não ter te matado, desgraçado. — Brian encarou Kol.
– Estou gostando de ver, mas se vai trabalhar pra mim. Tem que perder essa marra. — Kol fez um movimento com as mãos, sinalizando para os seus comparsas. Imediatamente, Damen e os outros foram soltos.
– Brian... não faz isso. — Damen disse implorativo. — Não tem como parar.
– Você também sabia disso quando entrou. — Brian respondeu. Eu vi um lampejo por seus olhos, quase parecido como uma trégua.
– Muito bom, meus caros. Estamos entendidos. E Haner, não pense que pode voltar atrás. Quando eu quiser que seus serviços comecem, você vai ficar sabendo. — Kol sorriu mais amigável, encarando sua mais nova conquista. — E... Damen, é deplorável sua falta de coragem. — alfinetou, antes de dar as costas e caminhar até seu carro. — Homens, acabamos por aqui. — anunciou, colocando os óculos escuros e entrando no carro com os outros.
Os faróis acenderam-se em nossas caras, cegando-nos por completo. Os motores faziam barulho alto antes mesmo de sair do lugar. Logo os carros começaram a se distanciar, deixando-nos para trás. Deitei no chão, tentando não desmaiar.
Por um instante, me senti aflita por estar esquecendo algo crucial.
Os barulhos dos motores já estavam suficientemente distantes quando ouvi as sirenes se aproximando.
– Temos que sair daqui, federais seguem os passos do Kol. — Damen destruíu o silêncio, parecendo ter ouvido as sirenes também. Eu não ia comentar que foi eu quem os chamei, num momento de desespero e burrice, é eu sei.
Quando menos esperava, fui levantada no chão por Brian, que me pegou no colo e me levou para o carro. Para o seu carro. Passamos por Damen, que me encarou preocupado enquanto limpava o sangue do nariz. Porém ele não o contestou.
– Brian... — chamei baixo, me aninhando ao peito dele.
– Sim? — respondeu prontamente.
– Você foi muito babaca. — suspirei. Ele já me colocava no banco de trás do seu carro.
– Eu sei. — disse sério, mas não parecia arrependido. Engoli em seco, me preparando para o que queria fazer.
– Espera eu não terminei. — o puxei denovo, quando ele ia fechar a porta. Ele esperou paciente. — Além de ter sido um completo babaca e idiota... e imbecil, burro, tolo, inconseqüente...
– Já entendi. — ele interrompeu meu discurso.
– Você ao menos foi corajoso. — terminei depois de me recuperar da empolgação. Ele fitou meus olhos por um instante, ele fitou o fundo dos meus olhos, como se enxergasse algo além deles. Eu senti um arrepio com isso. Um arrepio muito diferente do que eu senti no Johnny's hoje mais cedo.
Foi um arrepio que me aqueceu por dentro.
Aproximei-me dele, que parecia paralizado no lugar. Passei a mão por sua testa, onde gotas de suor umideciam a pele. Passei a mão por seus cabelos, agora molhados. Eu sentia uma extrema nescessidade de estar perto dele.
E como se ele lê-se meus pensamentos, ele acabou com a distância entre nós, selando nossas bocas. Aquela mesma sensação quente me inundou. Era tão estranho meus lábios moldando-se aos seus, mordendo a pele macia, sentindo a sensação viciante. Era um beijo tão preciso.
Tão bom.
– Temos que sair daqui, Syn. — Jimmy disse hesitante, o que fez com que nos distânciasse imediatamente. Jimmy nos olhou com o semblante assustado. — Eu... não sabia...
– Vamos logo. — Brian saltou do banco traseiro, passando para o dá frente sem olhar para o grandão parado perto do carro. As sirenes estavam mais altas agora. Mais próximas.
Os outros entraram em seus devidos automóveis e aceleraram para longe do local, na direção oposta do som se aproximando. Eu vi o carro de Damen passar inacreditavelmente rápido por nós, guiando os outros.
Mesmo parecendo que estávamos seguros agora, eu sentia que ainda não tinha acabado.
Notas finais
Se tiver bastantes reviews, talvez posto outro hoje.
Ok, até mais.
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