Take Me

16 Precisando de controle.


Notas iniciais
Nem demorei.
Bom, esse capitulo é só enrolação. Não acontece muita coisa de interessante mas espero que gostem.
Desculpem os erros e Boa leitura.

Pov. Marie Zoey Somerfeld (Mazzy).


Engoli em seco ao encarar aqueles olhos tão implacáveis. Eles me amedrontavam agora. E eu não me sentia preparada para esse confronto.

– O que quer aqui? — perguntei num fio de voz. Ela observou o perímetro atrás de mim, conferindo se tinha mais alguém.

– Quero conversar com você. — disse séria.

– Não converso com pessoas como você. — ataquei, sentindo a raiva me consumir ao lembrar dos acontecimentos recentes envolvendo-a.

– Garanto que pouparei seu precioso tempo. É algo breve. — não parecia ofendida. Bufei considerando fechar a porta na cara dela, mas a curiosidade foi maior. Fechei a porta atrás de mim, escorando-me nela com os braços cruzados.

– Vamos lá. — incentivei.

– Eu estou indo viajar hoje. — começou cautelosa.

– E eu com isso? — arqueei as sombrancelhas provocando-a.

– Eu vou para casa da sua avó em Nova York. Eu tirei minhas férias e vou passar lá. Eu não devia, mas como sou piedosa, estou deixando a chave com você. A geladeira está cheia e já paguei as contas para todo o período em que permanecerei fora. Vou passar dois meses longe, então vai ter que se virar. — completou. Esperei que terminasse, encarando-a desafiante. — Eu só te peço que não venda minha mobília para comprar drogas. — ela concluiu com um sorriso irônico.

– Ah sim, vai ser difícil mas vou ver o que posso fazer. — respondi no mesmo tom. Ela jogou as chaves em mim, as quais caíram no chão. — E aquele seu namoradinho bêbado, como é que ele está? Te aconcelho a procurar outro vagabundo para sustentar porque aquele lá não pareceu muito eficiente na hora do sexo. — alfinetei antes que ela se fosse.

– Bom, já fiz o que tinha que fazer. — ela colocou os óculos escuros e me deu as costas, sem nem se despedir.

Encarei as suas costas, desejando ter uma metralhadora neste momento. Mas por dentro, eu estava destruída.

Ela não tirava férias a anos! Nem quando meu pai estava vivo, a última férias que passamos juntos foi na Inglaterra por 1 semana.

Agora que eu saio de casa, ela tira férias de 2 mêses? Nova York? Ótimo. — pensei com amargura.


Rodei as chaves na porta, hesitando ao entrar. A casa estava arrumada, organizada e cheirosa. A geladeira estava realmente cheia. Era bondade demais para o meu gosto.

Corri escadas acima, em busca do meu quarto. Olhei surpresa para o cômodo ao ver tudo como eu tinha deixado a três dias. Até meu cheiro permanecia no ar.

Sorri ao me jogar na cama macia. É. Eu estava de volta.


(...)


– Caaaarrie! Caaaaarrie! Things they change, my friend... oooh! — gritamos acompanhando a música, interpretando a música com nossas melhores caretas dramáticas.

– Cala a boca vocês duas! Estou tentando dirigir, porra! — July advertiu a mim e a Tayloree no banco de trás.

– Cara, eu preciso beber hoje, sério. — comentei com um sorriso.

– E eu preciso que você pare de chutar meu banco, Tay. — Thales reclamou do banco da frente.

– Cadê o ânimo de vocês caralho? Estamos levando as demos para a gravadora, nossas músicas em uma rádio! Deviam estar menos cuzões. — Tay retrucou. Gargalhei com a careta dos dois sentados nos bancos da frente.

– Precisam de sexo. — acusei divertida.

– Concordo. — Tay sorriu.

– Vão se fuder. — Juls resmungou carrancuda.

Olhei de relance para Tay que semicerrou os olhos.

– É, definitivamente precisam de sexo. — concluiu, fazendo com que caíssemos na gargalhada.


Empurrei a porta da Dogween Records lentamente.

Os outros me seguiram para a sala de estar.

– Hey. — disse para a garota pin up atrás do balcão.

– Hey! Vieram falar com Nick, suponho? — ela sorriu gentil.

– Yeah. — July acentiu com um pouco de empolgação desnescessária.

– Bom, ele está oucupado no momento. Está em uma reunião com o sobrinho. O que vocês queriam? — continuou dizendo enquanto voltava a digitar algo no computador.

– A gente trouxe as demos que ele pediu. — Thales respondeu por mim. Minha mente estava distânte. Damen estava aqui? Eu não o via a dois dias e ele nem deu sinal de vida. Eu tinha o direito de estar preocupada depois do que passamos. Depois de ver com o que ele lida.

– Mazzy? — Tay chamou baixo.

– Hm? — Ela me encarou confusa, tentando desvendar o porque de eu estar tão calada. Antes que ela pudesse perguntar algo, a porta da sala do Nick se abriu. Damen saiu da sala com uma expressão não muito animadora. Usava calças jeans escuras, camiseta escura e coturnos escuros. Seus olhos pareciam ainda mais negros. Ele parecia usar cores de acordo com o seu humor.

Suspirei antes de andar até ele, parando em seu caminho. Podia jurar que ele passaria por mim e não me notaria, por estar tão perturbado.

– Marie. — ele pareceu apreensivo.

– Cala a boca. — eu disse cansada.

– Quê? — franziu o cenho, levemente aturdido.

– Não me chame de "Marie" como se não me conhecesse mais e nossa relação se tornara formal demais para que eu suporte. — expliquei. Ele se tornou inexpressível por um instante, apenas me fitando. — Está bem? — indaguei um pouco mais relaxada.

– Não. — respondeu sincero.

– Quer conversar? — minha voz pareceu a de uma criança inofensiva de 5 anos.

– Não. — ele repetiu, olhando diretamente em meus olhos. Semicerrei os olhos, um tanto ofendida.

– Olha, eu estou tentando fazer o meu papel de ficante-não-oficial-que-quer-ser-mais-do-que-isso. Pode tentar fazer o seu papel de garoto aborrecido logo, para que depois possamos dar uns pegas de consolo e ficar tudo ok? — soltei sem perceber, as palavras emboladas em chateação. Os cantos de sua boca se ergueram. O sorriso dele não era amistoso, era um sorriso irritantemente sabichão.

Bufei, trocando de posição para demonstrar um pouco de desdém e tédio, tentando disfarçar meu descontrole.

– Ok, você está um pé no saco hoje. — decretei, pronta para dar-lhe as costas, mas fui empedida por seus braços que me puxaram para um abraço apertado e aconchegante. Eu estava na ponta dos pés e com o rosto afundado em seu pescoço quando ele me ergueu e começou a andar para o fundo do corredor, levendo-me em direção a uma sala que parecia uma Copa. — O que você... — fui totalmente imobilizada contra um armário enquanto seus lábios friccionavam os meus de modo insistente. Gemi longamente quando suas mãos me soltaram em cima da pia, e percorreram por minhas coxas que estavam em volta de seu quadril. — Porra, não pode fazer isso comigo sem avisar. — o repreendi.

Ele ignorou totalmente meus protestos e me puxou mais para si, devorando meus lábios da maneira mais feroz possível. Sua boca era tão ágil e veloz contra a minha, que havia me deixado zonza. Totalmente zonza.

– Caralho. — resmunguei sem ar quando ele me soltou.

– Chama isso de "pega de consolação"? — ele disse irônico, se afastando de mim.

– Não sei se realmente se encaixa na categoria, acho que preciso provar mais para decidir. — falei inocente, puxando-o pela barra da camiseta até se encostar novamente entre minhas pernas. Ele sorriu de canto, encarando meu rosto bem próximo do seu. Sua mão deslisou pela minha clavícula e desceu por meu seio apertando o trajeto. Suspirei longamente, envolvida com seus toques. E em um instante foi outro rosto que veio em minha mente.

Foi os olhos castanhos acinzentados e profundos que eu mentalizei. Foi os braços totalmente tatuados que eu vi me cercarem por um instante. Foi aquele sorriso totalmente doce e despreocupado de Brian que me envadiu. Puxei-o para mais perto, inebriada com a sensação de seus dedos percorrendo o perímetro exposto da minha cintura.

Pisquei maravilhada com o calor que inundava minha pele prazerosamente. E então, Damen o substituía. Empurrei-o levemente, um pouco assustada.

– O que foi? — ele parecia confuso. Respirei fundo tentando me encontrar na minha confusão. Eu estava delirando? E porra, eu estava gostando do delírio?

– Eu... estamos no escritório do seu tio. Alguém pode entrar a qualquer momento, além do mais, eu tenho... eu tenho que falar com ele. Minha banda me espera. — disse hesitante. Não era mentira, mas não era realmente esse o motivo para me afastar.

– Eu te ligo a noite, ok? Ainda não acabamos. — ele sussurrou provocante em meu ouvido. Sorri minimamente, sentindo um arrepio percorrer por minha espinha.

– Hm, tá. — disse apenas, pulando da bancada e abrindo a porta. Dando uma última olhada nele antes de fechar atrás de mim.

(...)

Estavamos em uma mesa do Johnny's, comemorando por ter entregado as demos a tempo e pelo Nick ter se amarrado nas nossas músicas. Além do fato de eu estar precisando de uma bebida há muito tempo.

– A gente vai ficar famoso. — Thales sorriu para mim. Concordei distraída, tomando mais do conteúdo da garrafa verde. — E vamos ter mulheres... muitas delas.

– Para de tratar a Mazzy como se ela fosse lésbica. — Tay o empurrou divertida.

– Ela não é? — indagou dramáticamente.

– Sorte sua que eu não sou, porque se eu fosse, não sobraria nenhuma mulher para você nesse mundo. — eu sorri. July ergueu sua garrafa em minha direção para brindarmos.

A música estava alta, o local não estava muito cheio mas as pessoas não poupavam disposição, se acabando de dançar.

– Hmm, tenho que perguntar. Na verdade, eu estou me coçando desde que saímos do escritório do Nick. O que foi aquilo com o gato de botas versão sombria? — Tay piscou pra mim do outro lado da mesa. Olhei para a garrafa em minhas mãos e franzi o cenho. Ainda não tinha engolido o fato vergonhoso de me pegar delirando com Brian.

– Precisávamos conversar, vocês sabem. — eu revelei apenas. A verdade é que não conversamos nadica de nada.

– Aham, isso está mais com cara de fodinha. — Thales implicou, sorrindo safado para mim. Ignorei com um sorriso desdenhoso antes de puxar meu celular do bolso.

Eu não sabia o que queria fazer. Mas eu não podia negar que sentia uma imensa vontade de ligar para ele. Eu não tinha o visto depois da aula. E a presença dele ultimamente era a mais presente.

Bufei horrorizada com meus próprios pensamentos. Isso quase parecia saudade. Eu, hein.

VC AINDA ESTÁ CM OS MENINOS? Digitei brevemente, analisando se devia ou não enviar. O botão de enviar parecia ser um objeto dotado de magnetização. Bebi mais um gole enorme de cerveja enquanto a resposta não vinha.

Quando o celular vibrou em minha mão, eu dei um pulo na cadeira, tamanho o susto.

CASA DE UMA AMIGA. Foi o que chegou. Me senti repentinamente raivosa. Casa de uma amiga? Desde quando ele tinha amigas, além de mim? E porque ele não respondeu direito. Ele disse estar na casa de uma amiga, mas os meninos estavam com ele ou não?

QUE AMIGA? Enviei em seguida, implorando para que ele fosse expecífico.

PRECISA DE ALGO? Pisquei horrorizada com a resposta. Ele mudou de assunto? Ele estava omitindo?

– Argh. — Grunhi um tanto desapontada. July me encarou confusa e eu apenas desviei o olhar. Eu estava entediada demais para simplismente ficar olhando para as pessoas no bar. Eu queria fazer algo interessante. — Tayloree? — Chamei a morena que acompanhava as batidas da música com as mãos.

– Mhm?

– Tem algo aí? — perguntei com um sorriso. Ela demorou alguns segundos para entender o que eu realmente queria.

– Eu achei que estava se tornando uma santa, Somerfeld. — ela sorriu maliciosa, levantando da cadeira. Eu fiz o mesmo e passei o braço por seu pescoço, sorrindo animada.

– Onde vocês pensam que vão? — July soou um tanto ciumenta. Mandei um beijo pra ela enquanto nos afastávamos.

– Banheiro ué, onde mais. — Tay disse irônica e mordi seu ombro como protesto. — Eu sei que você sentia saudades de mim. — ela murmurou.

– Na verdade, saudades do que você carrega. — corrigi divertida.

Entramos no banheiro feminino mais sujo do que nunca. Se eu não estivesse tão disposta a consumir tudo o que Tayloree carregava em sua bolsinha xadrez de lado, eu concerteza teria corrido desse lugar como se zumbis famintos me cercassem.

– Quer escolher? — ela perguntou com a sombrancelha arqueada. Neguei com um aceno, prendendo meus cabelos em um coque mal-feito. — Ok. — ela cantarolou enquanto tirava pequenos pacotes da bolsa. Eu me surpreendi ao ver que tinha muito além de pílulas coloridas. Me surpreendi ao ver o pó branco e reluzente a luz decadente do banheiro.

Mordi o lábio ponderando se era esse tipo de diversão que eu estava procurando.

Mas ignorei completamente essa dúvida ao ver Tayloree enrolando uma nota de dinheiro, concentrada.

Amanhã eu cuido do meu arrependimento.


Notas finais
Mereço reviews?
Obrigada.