Take Me
17 Declarando trégua.
Notas iniciais
Está levemente sentimental e acho que vão gostar.
Antecipa o primeiro hentai da fic e adivinhem de quem?
Bom, espero que gostem. Desculpem-me os erros e comentem. (:
Pov. Marie Zoey Somerfeld. (Mazzy)
Na manhã seguinte, fiquei surpresa em acordar em uma cama. Aliás, dolorasamente surpresa ao perceber que essa cama não era minha.
Eu caminhei pela suíte, buscando por indícios que me levassem a desvendar a indentidade do dono. Mas tudo o que havia era garrafas e mais garrafas de vodka pelo chão, cigarros e oh sim, drogas. Escutei o barulho de chuveiro ligado e virei para o lado oposto.
Vesti minhas roupas cambaleante. Eu não precisava saber com quem tinha dormido. Na verdade, era até melhor que eu não soubesse. Joguei os coturnos sobre meus ombros e saí do cômodo. Nada me parecia familiar. Nem mesmo o papel de parede gasto do corredor.
– Porra. — xinguei baixo. Eu estava sem nenhum dinheiro e sem meu celular. Ponderei voltar para trás e procurá-lo pelo apartamento mas deduzi que se eu tivesse o trazido, eu não o encontraria tão cedo. Desci as escadas do prédio, dando de cara com um monte de gente me encarando estranho.
Tudo bem, talvez seja por causa desse meu mini shorts e dessa minha blusa rasgada, deixando exposta toda a minha barriga.
Que diabos eu fiz ontem a noite? Eu só me lembrava de ter saido com July, Tayloree e Thales. Por que eles não me impediram de sair com alguém que eu não conhecia? Amigos do caralho.
– O que foi? — questionei mal-encarada para uma senhora que fez careta ao me ver. — Bando de cafona. — resmunguei as palavras do fundo do meu coração.
Quando eu pisei fora do prédio e escutei o barulho de carros passando, me permiti sentir alívio. Eu ao menos estava em meio a civilização.
Não lembrava dessa rua, mas tinha a leve noção de localização. Era um pouco longe da minha casa.
Droga.
Caminhei pela calçada, ainda um pouco cambaleante. Eu sentia uma tontura me desestruturar. Sentia dor pelo corpo e uma sensibilidade excessiva no meu nariz. Parecia horrível respirar.
A poucos metros de distância, avistei um telefone público. Sorri para ele como se fosse um copo de agua gelada em um deserto escaldante.
Corri em direção ao aparelho, deixando o coturno cair no trajeto. Peguei-o com pressa e parei para fitar o aparelho em minha frente. E eu me senti idiota por não ter certeza de como usá-lo. Não podem me culpar, eu recebo toda a ajuda possível da nossa amiga tecnologia. Não me lembro se já usei um telefone público na vida.
Disquei os números do celular da July, mas fui friamente avisada de que não tinha como efetuar a chamada sem um cartão. Disquei a cobrar e fui mortalmente recusada. Argh.
Liguei para o Brian. Não que eu estivesse muito desesperada ao ponto de ligar para ele. Mas tive o instinto de ligar, algo me dizia que nenhum dos outros iriam me atender, por provavelmente estar em uma puta ressaca, assim como eu. Então, por quê não ir direto à solução, não é mesmo?
Chamou, chamou, chamou, caiu. Ok, vou tentar denovo. Chamou, chamou e...
– Oi. — ai que delicia ouvir sua voz Brian, você não faz noção.
– Bri, onde você tá? — disse apreensiva.
– Bri? Quem quer falar com o Bri? — a voz soou confusa. E notei ser extremamente afeminada para ser do Brian. Ou, ele acordou para reinventar seu lado feminino e começou a se tratar na terceira pessoa.
– Quem é você? — questionei um pouco agoniada. Será que ele perdeu o celular?
– Eu perguntei primeiro, quem é você? — bufei impaciente. — "Michelle me passa o telefone". — escutei ao fundo.
–Oi. — agora eu tinha certeza absoluta de que era ele.
– Filho da puta, maldito, pau no cu...
– Ei, Marie? — ele pareceu assustado.
– Não, meu pau. — grunhi já com raiva. Eu aqui toda perdida, precisando da ajuda dele e ele está com a Michelle?
– Ei, calma ai. Onde você está?
– No inferno Brian. Vai se fuder, volta lá pra sua fodinha. — desliguei na cara dele. Bem assim.
Eu estava com tanta raiva, mas tanta raiva, que eu me esqueci que precisava da ajuda dele. Foda-se. Ele é um desgraçado que não serve nem para ajudar os amigos. Se ele realmente se importasse comigo, estaria me procurando e não comendo a Michelle.
O telefone tocou estridente em minha frente. E eu fiquei sem jeito de ignorar, sendo que as pessoas passavam ao meu lado me encarando estranho.
– Marie? — Brian chamou apreensivo.
– Vai se foder. — desliguei denovo. Eu não estava bem para bancar a madura. Eu não me importo de ficar aqui na rua até alguém resolver vim atrás de mim. Sentei no meio fio e abracei minhas pernas, mentalizando mortes dolorosas para ele. Eu realmente não acredito que eu cogitei ligar pra ele.
Depois de alguns minutos incansáveis de auto-julgamento, o telefone resolveu tocar novamente.
Bufei. Atendi o maldito aparelho, esperando que alguém falasse.
– Mazzy.. NÂO DESLIGA. — ele praticamente gritou. Fiquei imóvel, esperando que continuasse. — Está ai, né? — não respondi. — Ok, eu não sei o que eu fiz mas, não desliga na minha cara. Você precisa de alguma coisa? O que aconteceu?
– Brian.
– Ahm? — ele pareceu suspirar de alívio quando eu o chamei.
– Eu te odeio, juro. E quero que você morra, mas... eu preciso de carona. Então vem me buscar, depois eu te torturo pra passar a minha raiva. — disse quase chorosa. Eu não estavav mais conseguindo ficar na rua, praticamente nua, recebendo olhares negativos.
– Ok, ok. Onde você está? — eu expliquei para ele tudo o que eu sabia do local, e os pontos que eu sabia que eram próximos. — Eu estou chegando, eu juro. — foi a última coisa que disse antes de desligar.
Agora eu queria abraça-lo. Por que ele estava sendo tão... fofo, sendo que eu estava conseguindo odiá-lo? Eu enfrentava uma batalha comigo mesmo. Era incrível a facilidade que eu tinha de odiá-lo e ao mesmo tempo, sentir uma atração irrevogável por ele.
Eu não precisei esperar muito naquele meio fio. Logo o carro dele estacionou a metros de mim. Era até um pouco assustador se reparar bem, todo preto com vidros fumê? O tipo de carro que mafiosos usariam para sequestrar alguém sem riscos de serem flagrados.
Respirei fundo antes de me despedir das bactérias e caminhar até ele.
– Bonita. — disse sarcástico ao olhar para as minhas roupas.
– Cala a boca. — retruquei sem encará-lo.
– Onde você estava? — indagou sério demais.
– Não sei. — respondi apenas. E por incrível que pareça, estava sendo sincera. Ele bufou audívelmente enquanto dirigia.
– Você pode tentar não ir pra cama de qualquer um que te disser "olá"?
Semicerrei os olhos furiosa. Eu não ouviria sermão agora. Não com a minha cabeça estourando, como está. E definitivamente, não de Brian.
– Hm, porque não diz isso para a sua amiguinha Michelle? Garanto que você nem precisou dizer olá. — sorri irônica, me segurando no banco, para não estapeá-lo.
– O que a Mich tem a ver com isso? — me encarou confuso.
– Você é um hipócrita! Em vez de me ajudar, você estava com ela. E ainda diz ser meu amigo. — explodi. Eu juro que sentia lágrima se formando no canto dos meus olhos. Eu estava com tanta raiva. Ok, eu sei que eu mudo de humor muito rápido, mas eu não consigo controlar isso quando estou com ele.
– Garanto que você não precisou da minha ajuda ontem. Você... você me xingou hoje por causa disso? Está com ciúmes? — jurei ver resquícios de um mínimo sorriso convencido.
– Hã? Cresça Brian. — soltei secamente. Ganhei cor, vermelho tomate berrante na verdade, expecificamente nas bochechas. Mas isso não quer dizer que eu esteja confirmando a acusação e esteja realmente com ciúmes. Talvez eu me sinta levemente ultrajada pela situação revoltante.
Apenas isso.
– Vamos ser adultos. Eu sai pra me divertir, você fez o mesmo. Eu não disse que ia me prender a você.
– Eu não estou dizendo que é isso o que eu quero. Não estou tratando a nossa relação como algo equivalente a um...
– Relacionamento sério. — ele complementou com uma careta.
– Tem algo contra a se apegar? — me virei para fitá-lo. Nossa conversa tinha tomado um rumo diferente. E meu lado curioso não resistiu.
– Não. Eu me apego muito fácil as coisas. Me apeguei a Pinkly em menos de um dia. — ele sorriu pra mim. Eu revirei os olhos insatisfeita.
– Estou falando sério Brian. Você já se apegou de verdade a alguém? — insisti. Ele não desviou o olhar do trânsito. E percebi que ficara tenso.
– Já. — ele respondeu apenas.
– E se desapontou — não foi uma pergunta. Ele apenas acentiu. Suspirei, resolvendo que não importava. Ele não queria falar e eu não queria ouvir. Não demorou muito para chegar em casa. Não nos falamos depois disso, o carro ficou em completo silêncio durante o trajeto. — Obrigada pela carona. — Agradeci quando chegamos no nosso andar. Ele acentiu em silêncio caminhando para a sua porta. Eu o observei procurar as chaves pelos bolsos e abrir a porta impaciênte, batendo-a logo em seguida.
Suspirei.
Destranquei a minha porta, ignorando a nuvem de pensamentos confusos que rondavam a minha cabeça. Eu me sentia extremamente dividida.
Damen e Brian disputavam espaço em minha mente. E eu não tinha decidido se isso era de todo ruim. Eles eram totalmente opostos.
Com o Brian era mais natural, como se eu seguisse todos os meus instintos. Ele era confuso, doce e irritante as vezes mas tudo isso funcionava de uma forma boa. Com o Damen era mais estranho. Tudo nele me atraía. O mistério, o mal humor, o jeito evasivo, o temperamento. Ele era imprevisível para mim. Mas de uma forma boa. Eu me surpreendia a todo momento com ele.
– Aaah. — fiz careta, me jogando no sofá da sala com minha mini roupa rasgada e meu nariz irritado. — Não posso estar afim dos dois, não posso — jurei para mim mesma. Eles eram o oposto mas os dois indicavam a mesma coisa. P-r-o-b-l-e-m-a.
(...)
(Look: http://www.polyvore.com/cgi/set?id=65889468&.locale=pt-br)
Eu juro que eu queria ficar em casa. Reinventar um lado caseiro em mim e aproveitar minha coleção de filmes com um bom copo de café mas é, não deu.
Concerteza era sábado. E concerteza eu havia esquecido que tinha marcado de sair com meus amigos para uma festa em Long Beach. Concerteza eu apanharia se não estivesse presente. Principalmente porque todos pareciam eufóricos para essa festa.
Tínhamos marcado em um pub perto da costa mas antes de sair de casa eu recebi uma mensagem na secretária eletrônica de July me mandando o endereço de outra festa, alegando que aquela estava barrada por alto consumo de drogas no local.
Dava para escutar o som da festa a uma quadra de distância. A rua estava repleta de carros estacionados nos dois lados da pista. Era um bairro nobre. As casas eram maiores e os jardins eram pomposos.
Estacionei o carro na calçada, em um espaço pequeno que ainda restava. Olhei no espelho retrovisor conferindo se estava tudo ok com a maquiagem. Pisquei satisfeita para o meu reflexo antes de sair do carro.
Caminhei até a fachada da casa onde muitas pessoas bebiam e conversavam no gramado. Desviei de alguns caras que olhavam para mim sem nenhum pudor e entrei relutante na casa lotada de pessoas.
Respirei fundo, olhando para todos os lados procurando por meus amigos. O som estava alto, as pessoas dançavam e se empurravam pelo cômodo. Tentei passar no meio de toda a badalação mas fui repentinamente puxada para um abraço.
– Marieeeee minha vida, você demorou. — Jimmy fungava em meu pescoço.
– Puta que pariu, que susto! Achei que era algum bêbado ninfomaníaco, eu já ia te chutar. — suspirei aliviada. Ele me soltou para me encarar com aqueles olhos azuis brilhantes. — Jimmyzinho. — ronronei. Ele gargalhou alto, me puxando para fora da sala.
– Cacete, você não devia estar tão gata assim. — ele franziu o cenho.
– Ué, por que não? — indaguei divertida, me sentando na bancada da cozinha onde muita gente passava.
– Porque é injusto comigo poxa, eu aqui tentando ser seu amigo e você vem provocante desse jeito. Só porque eu não posso te pegar. — ele resmungou dramáticamente. Puxei ele pela gola da jaqueta até se encaixar entre as minhas pernas.
– Sabe Jim, eu nunca disse que você não podia. — sussurrei manhosa, bagunçando o cabelo dele.
– É, mas se eu fizesse eu levaria uma surra do Gates depois. — fez bico. Paralizei onde estava, pensando no que ele havia dito.
– Por que pensa assim?
– Não está na cara? Qual é, eu sei do lance de vocês. Só você ainda não percebeu que o nosso garoto está afim de você. — piscou para mim.
– Interrompemos alguma coisa? — Tayloree disse maliciosa com July, Matt, Zacky e Johnny a seu encalço.
– Claro que não. Estávamos falando do Brian. — Jimmy disse simplismente. Arregalei os olhos, dando um tapa no ombro dele.
– Traidor, fica revelando os nossos assuntos assim! — protestei.
– Não é novidade pra ninguém que vocês dois tem algo. Digo, você e o Syn. — Matt revirou os olhos. Ignorei os olhares deles e me foquei em July.
– Juls, não faça essa cara. Eu já disse que você não precisa ter ciúmes do Jimmy comigo. Ele é todo seu. — eu empurrei ele, que estava encostado no balcão entre as minhas pernas e excessivamente perto de mim, para cima dela que estava mais vermelha que um tomate. E Jimmy fez uma cara de paçoca e fingiu que não entendeu. Deu um abraço desajeitado em July e puxou Matt, Zacky e Jojo para algum canto.
– Obrigada, Marie, por me constranger na frente de todos. — Juls cruzou os braços e me encarou.
– Shh, até o final da festa ele te da uns pegas. — sorri. Ela revirou os olhos e se afastou. Tayloree me jogou uma garrafa de cerveja e se escorou em mim.
– Tem tantos gatinhos Mazzy, ai ai. — ela suspirou bebericando sua bebida.
– Então vá pegá-los. — incentivei. Ela se virou para mim com o semblante preocupado.
– O Matt veio falar comigo hoje, sabe. — A primeira coisa que se passou em minha mente foi: Eita.
– E?
– E... eu não sei. Ele é legal e tudo mais, mas é um cafajeste. Eu fiquei com ele enquanto ele estava namorando com a quenga loira. Ele pode fazer o mesmo comigo. — ela explicou. Arregalei os olhos surpresa.
– Ele te pediu em namoro? — perguntei, vendo ela fazer uma careta de desgosto.
– Não! Claro que não. — sorri acolhedora e abracei-a.
– Ainda bem, porque você é só minha — brinquei. Ela mordeu minha bochecha e me soltou. Olhei em volta para todas aquelas pessoas dançando e suspirei.
– Não faça essa cara, o seu amor está sentado bem ali na frente. — ela apontou para um grupo de pessoas bebendo perto da escada. Entre eles o de cabelo arrepiado e jaqueta de couro se destacava. Ele estava lindo como sempre.
– Ele me confunde. — admiti.
– Vai lá falar com ele. — me empurrou de leve. Respirei fundo antes de pular do balcão e caminhar até ele. Me aproximei devagar, vendo-o conversar com dois caras, de costas pra mim. Lembrei da nossa discução de hoje cedo e ignorei todos os protestos mentais que tentavam me impedir de me aproximar mais.
Abracei ele e fiquei por uns instantes parada agarrada ao seu corpo, sentindo o seu cheiro. Eu não sabia o que falar então optei por ficar imóvel e em silêncio. Eu só gostava demais da companhia dele para ficar por muito tempo afastada. Ele se virou para me encarar um pouco surpreso.
– Desculpa, eu precisava te abraçar. — murmurei olhando para o lado, evitando o seu olhar. Ele bebeu mais um gole da garrafa em mãos e passou o braço por meus ombros, voltando a conversar com os dois outros caras que nos olhavam curiosos. Apertei-o mais, me sentindo confortável onde estava. O cheiro dele era bom. Uma mistura refrescante de alcool, perfume e bala de menta.
Eu me senti momentâneamente feliz por notar que ele não estava bravo comigo ou algo do tipo. Ele conversava animadamente com os caras, me oferecendo sua bebida de vez em quando e uma vez ou outra me apertando mais em seus braços.
Não sei por quanto tempo fiquei abraçada a Brian no meio daquela pista de dança. Eu só sei que quando me separei por breves minutos para ir ao banheiro eu estava empregnada com o seu cheiro.
Me assustei com a quantidade de pessoas se pegando violentamente no corredor. E mais assustador ainda era ver grupos de até quatro pessoas se trancando em um só quarto.
Voltei traumatizada para o lugar onde estávamos, encontrando Brian sózinho com um copo cheio de uma bebida amarelada qualquer.
– Que cara é essa? — questionou quando eu me encostei nele.
– Acabei de descobrir que pessoas estão usando os quartos da casa para fins impróprios e grupais. — Expliquei, vendo-o sorrir.
– Normal — deu de ombros.
– Nojento — acrescentei com uma careta. Olhei para as pessoas dançando e suspirei. — Vamos sair daqui? Eu... quero conversar com você. — Disse hesitante. Eu precisava mesmo conversar com ele. Eu tinha coisas a admitir, coisas a esclarecer e além do mais... eu queria ficar com ele a sós.
Ele nada disse, apenas me acompanhou para fora da casa. No gramado, onde pessoas sentadas em rodas passavam um cigarro e riam como loucas.
Puxei-o até a caixa de correio da casa e me sentei no chão com um sorriso travesso. Ele me encarou com o semblante curioso.
– Você quer que eu me sente no chão? — semicerrou os olhos.
– Deixa de frescura, Brian — sorri abertamente. Ele revirou os olhos mas se sentou do meu lado. Olhavamos para a rua lotada de carros.
– Qual o real motivo para estarmos sentados no gramado, embaixo de uma caixa de correios ao invés de estar lá dentro bebendo e se divertindo com mulheres ou algo do tipo? — suspirou.
– Ow, se quiser ir se divertir com alguma loira peituda pode ir. Eu não estou te obrigando a ficar aqui comigo, eu só... achei que lá dentro estava chato. Eu prefiro você do que essa festa. — disse rápido demais, soltando coisas demais.
Ele me encarou levemente supreso. Nossos olhares se fixaram por algum tempo. Eu já sentia meu rosto ferver quando uma garota ruiva se sentou ao lado de Brian.
– Heey! Lembra de mim? — disse desafiante. Ele se virou para ela confuso.
– Lola? — sorriu. Revirei os olhos. A garota não viu que ele estava comigo? — Cara, quanto tempo! — ela se aproximou para abraçá-lo e eu fiz uma careta.
– Você que ficou metido demais para me procurar. — ela sorria para ele. Era extremamente bonita e parecia legal.
Droga.
Fiquei em silêncio enquanto eles conversavam, tentando ignorar as risadinhas e os olhares que eles trocavam. Ela não estava praticamente se esfregando nele como as outras fariam. E isso me irritou. Isso quer dizer que o relacionamento deles não é tão superficial, penso eu.
– Ah, Lola. Essa é Marie, minha... — ele me olhou por instantes. — Melhor amiga. — franziu o cenho.
– Aw, prazer Marie. — ela sorriu para mim. Acenti o mais amigável que pude, voltando a olhar para o Brian. Que porra foi essa de "melhor amiga"? Confesso que pelo menos não pareceu que eu fosse tão insignificante para ele, do tipo de garota que ele descartaria a qualquer momento para subir com a Lola para algum quarto da casa. Mas só pareceu, porque não tenho certeza se ele pensaria em mim antes de pegar a primeira vadia da noite.
Suspirei impaciente, esperando que a garota se tocasse que estava me atrapalhando e procurasse outro cara pra se esfregar.
Eu tinha que conversar com ele de verdade. Eu tinha que falar sobre... nós. Essa relação indefinida que me deixava mais confusa a cada dia. Eu tinha que contar sobre a estranha nescessidade que eu tinha de estar perto dele, certas vezes. Eu tinha que contar isso pra alguém e nada mais justo que seja ele.
– Amh, sabe... está frio aqui fora... E eu tenho certeza que deve ter algum quarto desocupado e bem quentinho lá dentro. A gente podia ir conversar lá. — olhei para eles, que estavam próximos demais. Ele piscou atônito e olhou para o chão, evitando o olhar da ruiva. — Então o que acha?
Eu já ia preparar para me levantar. Eu não ia ficar aqui sózinha enquanto ele ia comer essa tal de Lola, que a propósito roubou toda a atenção dele. Eu fiquei sobrando aqui. Eu sou a idiota intrometida da história.
– Eu não sei não Lola, não quero ser grosso com a Marie e deixar ela aqui fora. — ele falou calmo e baixo, como se não quisesse que eu ouvisse. MAS É CLARO QUE EU OUVI. E tive que me controlar para não abraçá-lo bem ali.
– Ahh, tenho certeza que ela não ligaria de esperar só um pouquinho, sabe. — insistiu, piscando para ele de uma forma sedutora.
– Desculpa, sério. Hoje não vai rolar. — ele olhou para ela com compaixão.
UHUL! Ganhei o meu dia com esse fora. E o que mais me surpreendeu é que ele foi extremamente educado e delicado com a tal de Lola.
Ai meu coração.
– Amh, entendo Syn. Quem sabe outro dia. — ela fechou a cara e saiu, caminhando para dentro da casa.
Fiquei em silêncio pensando em algo para falar.
– Você sabe que poderia ter ido com ela se quisesse né. Digo, por que você se importaria comigo e tudo mais. — forcei uma risada, me sentindo constrangida com o olhar dele.
– Ah claro. Você não se importaria nenhum pouco de me esperar aqui. Eu percebi isso pelo número de vezes que você bufou e revirou os olhos a cada vez que a Lola abria a boca. — ele esboçou um mínimo sorriso de canto.
– Yeah, você me sacou. — Não tinha como tentar disfarçar agora. — Eu provavelmente me atiraria na frente de um carro se você me largasse aqui pra comer ela. — admiti ao encará-lo. Nosso olhar parecia intenso demais.
– Hmmmmm. — ele disse apenas, não encontrando nada para dizer. Ok, talvez eu tenha sido direta demais.
– Ah que porra. — exclamei olhando denovo para os carros.
– O que?
– Eu sempre falo demais quando estou com você. Isso não é exatamente reconfortante. — sorri sarcástica.
– Na verdade, você fala muito pouco. As vezes eu gostaria que você falasse mais. — ele confessou.
– Tipo o quê? — incentivei, por mais que eu já soubesse o que ele queria dizer com isso.
– Tipo o que você realmente está pensando sobre a nossa situação. Porque eu me sinto realmente perdido. — me fitou por instantes.
– Desculpa mas, meus pensamentos sobre nossa situação não te ajudariam a se encontrar. Na verdade, nem eu mesma sei o que pensar sobre... nós. — suspirei.
– Então não pense. — ele disse sério. Encarei-o novamente tentando entender o que ele queria dizer com isso. Mordi o lábio inferior, repreendendo meus instintos.
– Brian... Eu só queria parar de olhar pra você... e sentir como se eu não tivesse controle sobre meus atos... parar de querer te atacar a cada minuto — sorri para amenizar o clima estranho. Ele sorriu também, parecia... apreciar a minha sinceridade.
– Eu sei que eu sou irresistível — ele zombou, porém eu não o acompanhei.
– Eu estou falando sério, porra! — Dei um tapa de leve em seu ombro.
– Desculpa, eu não resisti. — Ele admitiu. Porém percebi que ele estava um pouco nervoso, já que começou a bagunçar os fios de cabelo meticulosamente espetados. — Amh, ok.
– Quando você me toca... é tipo, muito bom. E isso é a parte que me assusta — prossegui. Ele não me encarava porém estava prestando atenção.
– E o que você quer que eu faça exatamente? — Arqueou uma sombrancelha, seu olhar ardente em minha direção.
– Pare de ser tão gostoso. — Fiz uma careta. Ele gargalhou sonoramente com isso e agradeci pelo clima leve mesmo que o assunto não seja tão confortável.
– Você está me deixando constrangido — brincou. Eu o encarei por breves segundos, semicerrando os olhos.
– Qual é, diga alguma coisa! — protestei impaciênte. Ele suspirou profundamente e olhou para a grama, a qual ele já destruía.
– Ok, o que você quer que eu diga?
– Por favor, seja menos evasivo. Isso está me irritando! — bufei já ficando nervosa com a situação. Eu aqui, admitindo todas as minhas fraquezas perante ele, definitivamente todas e ele nem ao menos diz o que acha sobre isso?
– Eu não sei o que.... Ahhh ok — ele finalmente se rendeu. — Eu me importo com você mais do que eu deveria. Isso é o suficiente?
– Não. — cortei imediatamente.
– E eu sei que não é sensato, mas você é importante demais para que eu possa suportar. É horrível ficar perto de você. Mas eu não consigo controlar. É como se você fosse um imã gigante com peitos e bunda. E peitos e bunda já são fodidamente magnéticos... Yeah. — ele soltou o ar meio exasperado com a revelação. Fiquei paralizada no meu lugar, olhando para o garoto de olhos castanhos em minha frente.
Me ajoelhei na grama, de frente para ele. Ele não parava de olhar em meus olhos, nem por um segundo. Me aproximei ainda mais de seu rosto, sentindo ainda mais de seu cheiro. Fechei os olhos extasiada com a sensação de sentir a respiração dele em meu rosto.
– Eu... — ele começou, mas antes que pudesse continuar eu o calei. Era muito leve. Um tocar de lábios, delicadamente. Ele suspirou quando eu fiz isso.
– Nunca mais dê moral pra vadias na minha frente. — vociferei. Ele me puxou pela cintura para sentar em seu colo, beijando-me mais intensamente. Me enrosquei em seu cabelos, seus braços... no calor de seu corpo. Brian era todo quente. Eu apreciava isso.
Por longos minutos, nos esquecemos completamente de onde estávamos, de quem nos olhava. Não nos importávamos realmente.
Tudo o que eu queria no momento estava embaixo de mim, apertando compulsivamente as minhas coxas.
De uma hora para a outra, agua gelada começou a cair sobre nós. Me separei dele, vendo as pessoas deitadas no gramado correrem para dentro da casa enquanto aqueles regadores automaticos molhavam todos.
Brian começou a gargalhar. Estávamos sentados bem perto de um e ele jogava agua em nós sem nenhuma compaixão.
– Porra — grunhi. Ele passou a mão pelo rosto tirando parte das gotas de agua e sorriu.
– Eu estava precisando de um gelo mesmo. — disse cheio de malícia. Enlacei meus braços em seu pescoço, olhando fixamente para seus olhos. Mas no mesmo instante um jato de água fora lançado em nossos rostos fazendo com que gargalhassemos incansávelmente.
– Porra! Esse treco está acabando com o clima. — Brinquei. Ele se levantou e me pegou no colo, para a minha grande surpresa.
– Então vamos sair daqui. — Sorriu. Pisquei atônita vendo que ele caminhava em direção aos carros. — Quero dizer, é claro. Se você não tiver nada melhor para fazer. — Emendou um tanto irônico.
– Oh não, acho que tudo o que eu tenho para fazer pode esperar — fiz uma careta. Ele revirou os olhos e me soltou na frente do seu carro.
– Ei, eu estou de carro! — protestei.
– Peço pra alguém levar depois. — Disse como se fosse a coisa mais natural do mundo, antes de abrir a porta para mim.
Respirei fundo antes de entrar. Tentando não pensar muito no que poderia acontecer.
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