Take Me
1 Capitulo 1: Novatos.
Notas iniciais
Pov. Marie Zoey Somerfeld. (Mazzy)
Nossa que tédio eu escutando a Liss, uma garota tagarela e nada interessante que se sentava ao meu lado nas aulas de Biologia, comentar sobre uns garotos novos na escola. Eu juro que tentava prestar atenção em algo que ela falava, mas porra! Só a voz dela já me irritava. E bem, ... hoje é segunda feira. Eu estava de ressaca depois de uma super festa na casa do Thales ontem, um de meus melhores amigos!
Ou seja, hoje não estou com paciência para quase nada e quase ninguém.
Liss ficou a aula inteira falando sobre os tais novatos. E eu passei a aula inteira procurando uma maneira 'delicada' de manda ela se foder. Já que eu não podia cortar-lhe a cabeça.
Quando a aula de biologia acabou, dando inicio ao intervalo de meia hora para o almoço, suspirerei aliviada indo em direção á praça de alimentação. Logo avistei July sentada há algumas mesas de distância.
– Caprichou hoje, em gata? — July disse olhando para as minhas roupas: um tenis all star vermelho, uma calça apertada toda rasgada nas pernas e uma camiseta preta do Kiss uma de minhas bandas preferidas.
(Look Mazzy : http://www.polyvore.com/take_me_mazzy/set?id=44918455 )
Sorri com as suas palavras, eu me vestia no mesmo estilo todo os dias e todos os dias ela falava a mesma coisa.
Em outras palavras, todo dia me vestia como uma maluca': dizia a minha mãe Sarah. Isso fazia parte da minha lista de "Merdas que a dona Sarah diz, que tenho que ignorar."
– Olha quem fala, você é que está gostosa. — retribui o elogio, eramos sempre assim. July era minha melhor amiga. Nos conhecemos desde... desde sempre apesar de minha mãe não gostar que eu conviva com ela.
Digamos que os motivos eram: as tatuagens que ela tinha pelo corpo, o cabelo que era de um vermelho chamativo, pelas roupas que ela vestia, por ela ser skatista (ela era realmente muito boa, treinava desde os 9 anos.) e por último e o mais importante...
July é filha de um advogado também. Justamente o advogado que minha mãe vive brigando no tribunal. Ou seja... atritos profissionais que se tornaram altamente pessoais. Merdas desse tipo.
– Já ouviu o que estão falando dos novatos? — July perguntou quando joguei minha mochila sobre a mesa e peguei uma batata de seu pacote de fritas. Pensei uns instantes para ver se conseguia lembrar de algo que aquela garota irritante da aula de biologia disse sobre eles.
Não, eu não me lembrava de nada. Minha mente havia ignorado ela totalmente. Na verdade eu ignorava tanto essa Liss porque ela era interesseira, ela só corria atrás de mim para ser mais popular.
Principalmente depois que descobriram que eu, July e Thales davamos festas com drogas e bebidas alcóolicas. Todos queriam se aproximar da gente para ser convidados e para ganhar respeito. Quando descobriram que estavamos vendendo drogas na escola contaram tudo para minha mãe. Ela ficou tão puta da vida que me mandou passar um tempo na casa da minha vó em Los Angeles. Porém quando voltei, nos vingamos de todos na base da porrada.
Eramos temidos e respeitados por esse motivo e muitos outros, ou seja, consequentemente quem andar com a gente também seria assim.
– Hm, não prestei atenção em nada do que falaram... algo interessante? — mordisquei outra batata respondendo sua pergunta anterior referente aos novatos.
– São os maiores gostosos, são do tipo badboys e parece que tem eles tem até uma banda! Ou seja, concorrentes pro festival de rock. — ela sorriu maliciosa. July não tinha jeito mesmo, viu!
– Devem ser o tipo de garotos que se acham os bad boys por terem brigado por uma vadia no jardim de infância. — deduzi, era sempre assim que as pessoas obtiam respeito por aqui. No mínimo são um bando de idiotas querendo ser respeitados usando a intimidação para este fim.
Digamos que é o que aconteceu comigo, July e Thales porém acidentalmente. Qual é aquelas drogas e bebidas eram só para animar as festas do Thales. E se eramos encrenqueiros, era em auto-defesa. Ok, prometo arrumar desculpas melhores mais tarde.
July se curvou na mesa se aproximando de mim.
– Sei lá, o que me disseram é que o guitarrista ... um tal de Syn é um gato porém mal-encarado. A galera meio que tem medo de chegar perto deles, menos as bitches que já estão se oferecendo, é claro; — ela cochichou, e depois mastigou mais de suas batatas;
'Nossa!' — pensei, como será que esse povo todo já tinha tantas informações deles no primeiro dia de aula?
– Isso é muito legal! — disse irônica, observando Thales se aproximar da gente. — Devem estar achando que ele tem personalidade. — bufei para o nada.
– Personalidade problemática, né? Esse povo daqui é muito estranho, Zoey! Acho que vou me matar. — Juh sorriu negando com a cabeça e Thales sentou na cadeira do meu lado, com um sorriso bobo no rosto.
– Oi, suas malditas! — Thales sempre muito receptivo e educado!' E reparei também que hoje ele estava mais bonito do que o normal.
Ele tinha os cabelos pretos e um pouco cumpridos, usava uma camiseta preta do AC/DC. Deixando os braços não muito malhados à mostra.
– Oi, amor! — July o cumprimentou como cumprimentava sempre, com um selinho. Não que eles fossem namorados, ficantes ou algo do tipo. Mas eles sempre se cumprimentavam assim. Apenas sorri para ele.
Ficamos conversando sobre merdas, os fatos engraçados ou não da festa do ontem e planejando a fuga depois do intervalo.
Não demorou muito para começar a falação no refeitório. Parecia que todas as garotas olhavam para o mesmo lugar e cochichavam algo. Procurei com o olhar algo que fosse tão chamativo ou atrativo para estarem desse jeito, se bem que se essas piriguetes verem qualquer coisa elas fofocam .
Numa mesa um pouco distante, estavam sentados 5 garotos que conversavam animadamente sobre algo. Eles eram ... muito,... diferentes. Quero dizer diferentes dos outros alunos que estudavam aqui. Eles eram tatuados, e pareciam uns armários de músculos. E todos muito bem vestidos, por sinal.
July vendo para onde eu olhava, se aproximou de mim e sussurrou. Ela adorava esse lance de sussurrar no ouvido da gente. Algo que ela usava para a sedução, porém acustumou a usar isso comigo. OMG! ELA QUER ME SEDUZIR !
– O que achou dos gatinhos, em ? — arqueou uma sombrancelha me provocando. Pensei por instantes, eles até que eram bonitos, tinham um estilo legal de se vestir, pareciam diferente dos outros garotos totalmente certinhos e nerds de HBHS. Mas você acha que foi isso que respondi ?
– Eu acho que já peguei uns muito melhores. — pisquei sarcástica para ela, que revirou os olhos recostando em sua cadeira denovo.
Logo quando o refeitório começou a esvaziar nós pegamos o nosso material e caminhamos para o fundo do colégio. Pude ver a "atração" da escola mais de perto, já que tivemos que passar do lado da mesa deles. E bem, os cinco ficaram olhando para mim e July, que pareceu gostar dessa atenção toda.
Ignorei. Se não fosse o primeiro dia deles, eu teria mandado se fuder. Mas eles tem uma semana de crédito para aprender a não ficar me olhando ou, cochichando, ou falar qualquer porra comigo, até eu não fuder com a vida deles.
– Meu deus, achei que eles iam comer vocês com os olhos!! — Thals, como o chamavamos carinhosamente reclamou, com ciúmes é claro. Seria até um momento "awn" se não fosse cômico. July sorriu e apertou a bochecha dele, que chingou até a sua 5ª geração em resposta. Educadamente, é claro. rs.
Depois que atravessamos o portãozinho que dava acesso a trilha, caminhamos mais ou menos uns 50 metros floresta a dentro e chegamos na campina. Na que vinhamos sempre.
Era um lugar gramado, e silêncioso. Aquele lugar me trazia boas lembranças . Me lembrava do tempo que meu pai me levava num lugar parecido a este. Antes de morrer.
– O que foi, Mazzy ? — Thales perguntou, me observando calada. Respirei fundo tenatando afastar essas lembranças que me deixavam triste.
– Er, nada . Trouxe bebidex pra gente hoje. — mudei de assunto, July sorriu imediatamente com a noticia. Aquela ali adorava uma birita. rs.
– NOSSA COMO TE AMO, ZOEY! — ela gritou e jogou sua mochila no chão, deitando despreocupada junto a ela.
– Para de ser escandalosa, biscate. — sorri vendo ela lançar um dedo do meio pra mim.
Começamos com os beques animadamente, sempre faziamos isso. Confesso que uns anos atrás eu não era chegada nessas coisas, tipo, eu era do tipo de menina mais calada, na minha. Nunca fui de ser encrenqueira ou coisa do tipo. E agora onde estou? Me drogando e bebendo absinto numa campina nos fundos do colégio.
Confesso que os cigarros me tranquilizavam, e as bebidas me eletrizavam. Uma mistura perfeita e viciante para mim.
– Vocês estão lembrando que nesse final de semana vamos tocar naquele bar que inaugurou esses dias né ? — Thales perguntou depois de minutos de silêncio. Acenti, é claro que eu não esqueceria . Minha banda era a segunda coisa mais importante da minha vida. E eu era a vocalista, sim, eu fazia algo de útil nessa minha vida fútil.
– Temos que avisar a nossa guitarrista nojentinha, biscate de esquina que atende pelo nome Tayloree. — July disse com cara de nojo, nos fazendo rir.
Tayloree era minha amiga de infância, ela entrou pra banda recentemente, quando se mudou para cá. E July morria de ciúmes dela, uma implicancia mútua, então as duas viviam brigando.
– Eu acho ela muito gostosa, pegava fácil . — Thales provocou, ele não era de fazer comentários do tipo. Provavelmente disse só para irritá-la e é obvio que conseguiu. Ela imediatamente deu um chute forte nele e fechou a cara.
Ele começou a dar rizada, acho que ja estava meio noiado e chapado depois de dois cigarros e meia garrafa de absinto. Ele puxou ela e beijou, tipo, um beijão ali na minha frente. E o mais surpreendente é que ela correspondeu, gente!
Peguei minha mochila e a garrafa e sai dali, não ia presenciar essa cena. Eu acho que gostava dele, mas aah foda-se tudo. Ele era meu melhor amigo, e eu prometi pra mim mesma que não iria me apaixonar por mais ninguém. AAH o que eu estou falando também. Se apaixonar é para os fracos .
Caminhei de volta para o portão da escola, ia sentar num tronco de arvore perto do portão e esperar os dois filhos da puta, mas quando cheguei já tinha pessoas lá.
Dois garotos. Sério, levei um susto pois ninguém vinha aqui além da gente.
Os dois garotos que fumavam, me fitaram também surpresos. Ah sim, era uns daqueles novatos.
– O que você faz aqui ? — um de cabelo espetadinho e de olhos penetrantes perguntou enquanto olhava para o meu corpo e para a garrafa de absinto na minha mão. Levei o cigarro quase terminado até a boca, e dei outra tragada fingindo que não escutei o que ele falou.
– Se eu fosse vocês eu não fumava aqui . — falei secamente, qual é esse aqui é o nosso território. Logo no primeiro dia dos garotos eles invadem assim ?
– Por que? Você parece estar fazendo a mesma coisa. — o outro com os oculos ray-ban revidou. Fiquei com uma cara de tacho. Decidindo se eu quebrava a garrafa na cabeça dele ou não. — Podemos ao menos saber seu nome ? — Continuou com suas perguntas, ah agora ele passou de invasor de provacidade para intrometido .
Fiquei em silêncio apenas os encarando. Demonstrando que eu não ia falar porra nenhuma. Levei a garrafa até a boca sentindo a bebida descer por minha garganta que nem queimava mais, já acustumada. Eles continuavam a fumar e a me encarar.
– Não. — respondi seca, com todo o meu carisma. Como cansei de ficar olhando pra essas caras de idiotas deles resolvi chamar logo os dois putos que já deviam estar se comendo violentamente. — JULIAAAAAAAAN. — gritei me virando para a floresta, se esse putos não escutassem, eu iria embora e iria largar eles sem carona para casa.
– Caralho Shadows, você ganhou uma concorrente! — aquele guri de cabelo preto comentou, como eu não sabia porra nenhuma do que eles estavam falando. Fiquei esperando meus amigos aparecer. Thales foi o primeiro a sair da floresta, com o rosto vermelho .
– Mais que porra, estavam tirando o atraso ou o que para demorarem tanto ? — esbravejei com raiva, Thales meio noiado sorriu, nem tinha reparado nos garotos nos assistindo.
– Por que amor, quer ser a próxima ? — perguntou me deixando com raiva. OLHA O QUE ESSA DESGRAÇA ME FAZ PASSAR! Dei um soco forte no seu peito, que fez ele dar dois passos para trás.
– Cala a boca Thales, e vê se aprende a disfarçar a nóia, otário! — reclamei. Os estranhos observavam calados, até a July aparecer cambaleante.
– Ooooooi . — ela disse olhando para eles. Os dois cumprimentaram com um aceno, foi até engraçado. Parecia extremamente ensaiado.
– Então, ... vocês por acaso vendem ... — o de óculos ia começar, e aah já sabia desse papo todo de querer droga. Mas não. Não vendemos mais, só a Tayloree que nos arruma.
– Não, e mesmo que vendessemos, não venderia para vocês. — sorri sarcástica, eu gostava desse tom .
– Ué, por que não? — franziu o cenho, um sorriso fraco brincando em seus lábios. Por um momento me distraí, sei lá perdi o foco.
– Er, ... porque vocês são novatos. Não conheço vocês direito, então desculpa mais não ia rolar ... e acho que vocês tem que entender que aqui é nosso local e tal. — falei sériamente.
E vocês achando que eu não sabia ser gentil. Eu notificava a pessoa antes de cair na porrada, tá ? Tá.
– Matt, você por acaso viu uma placa avisando que era propriedade privada... ou algo do tipo. — O dos olhos castanhos perguntou pro amigo, enquanto apagava o seu cigarro.
– Pois é, ... não vi placa nenhuma. — o tal de Matt respondeu. Bufei, ok olha só o que acontece quando resolvemos bancar a boazinha. Os dois me encaravam desafiadoramente.
– Estão avisados, não vão achando que com essa pose de playboys do caralho vocês vão mandar nessa porra. Estão muito enganados . — conclui com minha melhor feição intimidadora. Os dois se entreolharam um pouco e me encararam . Fiquei esperando a reação deles, mas eles se levantaram e saíram .
Sério ? Eu pensei que seria mais dificil, já que eles parecem ser tão intimidantes. Talvez fossem mesmo pseudo revoltados, eu e meu orgulho maior do que minha casa não simplismente abaixaria a cabeça assim. Mas ahh, quer saber ? Que se dane, vai . Sorte deles que me escutaram .
– Podemos ir? — July disse ainda que nem um pimentão, evitando olhar para o Thals. Opa, algo deu errado na ficada' deles .
– Vamos logo, seus bando de putos. — revirei os olhos e fomos para o meu carro, parte dos alunos da escola já haviam saído, digo, os que sempre são liberados instantes mais cedo.
Eu levei eles para casa, que não era muito distante da minha. Eles ficaram em silêncio o caminho todo, nem se olhavam. Do mesmo jeito que nem se despidiram também. Depois teria que conversar com o Thales.
Sim, daí você se pergunta... Mas você não deveria perguntar para a July que era sua amiga, e que tipo era a menina da situação.
Eu respondo: NÂO. Ela simplesmente ia mandar eu ir me foder ou algo pior. Ela nunca ia dizer se tivesse rolado algo, porque ela provavelmente se arrependeu.
Esses meus viados são mais confusos do que sei lá o que.
– I'm a bad girl and I'm the boss of this shit right here... yeaah ♪– eu cantava distraídamente uma música que eu mesmo compus, enquanto procurava as chaves da porta do apartamento onde morava. — ... you think you're the one, but I make you beg for forgiveness with just a blink. ♪– eu amava tanto cantar que quando o fazia, me desligava do mundo, de tudo e de todos. Eu nem havia percebido que alguém me observava, no final do corredor.
– Menina má é? rsrs; — uma voz rouca que eu não reconheci de imediato se pronunciou não muito distante de mim. Me virei bruscamente, eu me assustei quando percebi que tinha companhia. E .. Ah, não acredito nisso mano! Era aquele garoto idiota da escola, ... shandeis, ... não, shouwein.. como é mesmo o nome dele? ... SHADOWS. é, isso mesmo.
Nossa que caralho de nome é esse também? Pelo amor.
– Que susto porra! O que você está fazendo aqui ? — perguntei percebendo o rubor se manifestando em minha face. Ele com as mãos no bolso, olhou para trás como se quisesse me mostrar algo.
– Na casa de um amigo . — falou sério e ficou lá me encarando. Nossa, não tinha percebido mas os olhos dele era de um verde cativante. O QUE? Sério que eu disse cativante? Não, eu quis dizer enjoante; é, me enjooa olhar para esses olhos, cor de ... sei lá que porra se parece com essa cor.
– Então.. deixa eu entrar na minha casa, porque estou socializando com você pela segunda vez num mesmo dia, e isso é uma merda. — falei e sem esperar resposta, reação ou despedida, entrei e fechei a porta.
Era só o que me faltava, só porque falei com ele uma vez, não quer dizer que ficamos amiguinhos ou algo do tipo . Eca.. logo eu que sou antisocial, tentar fazer amizade com algum desses playboyzinhos ? Coitados.
– Lar doce lar. — respirei fundo deixando as coisas na mesa. Como sempre eu estava sózinha em casa, minha mãe ainda não voltou de viagem. Eu gostava disso, me sentia ... independente. É. Não gostava dos outros metidos na minha vida, ou prestando atenção no que faço o tempo inteiro. Eu apreciava o silêncio e a solidão.
Tudo o que eu quero agora, é deitar na minha cama e dormir até a dor de cabeça e a tontura passar. Quem sabe depois eu poderia sair por ai. Ou beber mais, não sei .
É o que da pra fazer quando se mora 'praticamente' sózinha.
Notas finais
Beijos.
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