Take Me
2 O melhor vizinho do mundo, ironia level infinito.
Notas iniciais
Demorei por conta de certas complicações. E FINALMENTE, MINHA BETA LINDA ENTROU EM AÇÃO NESSE CAPT. (:
HallsdePimenta, muito obrigada mais uma vez. E vocês seus lindos, quero comentários para saber o que estão achando. *-*
Pov. Marie Zoey Somerfeld (Mazzy).
"— Marie! — uma voz doce chamava. Me virei reconhecendo aquela voz que era capaz de alegrar meu dia. Ele estava lá, encostado na árvore, naquela mesma campina que me levava quando era mais nova.
— Pai!!! — corri em sua direção, com o vento batendo em meus cabelos, levando-os para trás. O abracei contente. Eu estava com saudades do meu pai.
— Por que você me deixou pai? Por que fez isso comigo e com a mamãe? — perguntava inocentemente e com os olhos cheios de lágrimas. Ele sorriu mais ainda e beijou o topo de minha cabeça num ato fraternal. Um ato do qual eu sentia falta.
— Porque se eu ficasse, estragaria a sua vida Marie. — sussurrou com pesar.
As lágrimas inconscientes e indesejadas molhavam o pano de meu vestido branco.
— Como assim? — fitei-o assustada, porém seus olhos não expressavam nada mais além de tranquilidade.
Ele se calou e simplesmente sorriu para mim, apreciando o silêncio estabelecido. Sua imagem começou a desaparecer, pouco a pouco, e eu fui sentindo o vazio me atingir.
— Pai!! Fique comigo Gary, me responda!!! — ele apenas observava o meu desespero diante de sua imagem quase invisível. Até desaparecer totalmente. Cai de joelhos no chão, num choro desesperado. Eu sentia a solidão cortante desafiando meu subconsciente. Eu sentia o medo da solidão, rejeição... Cada vez mais presentes. — Você já estragou minha vida, pai! Já estragou... — foram minhas ultimas palavras antes de uma luz ofuscar os meus olhos, parecia um anjo. Um anjo com asas muito grandes, trazendo uma atmosfera calma consigo.
Quando ele se aproximou o bastante para poder ver seu rosto ... "
Eu acordei. Respirei fundo e passei as mãos por minhas temporas, numa tentativa falha de esquecer o meu sonho/pesadelo. Não era a primeira vez que o tinha. E sempre que o sonhava ficava pensando no porquê de suas palavras no sonho. Tudo bem, era só um sonho, mas mechia muito comigo. Me levantei com raiva de mim mesma, é claro que não era real. Não era ele tentando falar comigo, isso não existe. VOCÊ TA FICANDO DOIDA, GAROTA.
Bufei indignada comigo mesma e fui tomar um banho. É, sabe o que eu faria para me esquecer dessa merda toda? Fazer o que eu sei fazer melhor. Me embebedar muito cantando alguma musica do Kiss ou do Nirvana, não sei. Tomei um banho demorado, fazia parte da minha terapia que acabei de bolar. Relaxar, beber, me fuder e pronto. Foda-se a vida e esse pesadelo maldito. Eu já me recuperei de tudo uma vez, vou me recuperar mais uma caso isso vire uma crise psicológica.
Coloquei uma meia calça e um shorts jeans bem curtinho, eu usava como figurino nos palcos. Uma top até a barriga preto e peguei meu microfone. Pode parecer muita criancisse ou algo assim, mas... Isso era muito divertido. (Look Mazzy: http://www.polyvore.com/mazzy/set?id=45553270)
Olhei no relógio e ainda eram oito horas da noite. Liguei o som no maximo, tocava Kiss — Rock And Roll All Night. Peguei uma garrafa de Martini, que eu escondia atrás do armário, e comecei a dançar e cantar a música, imaginando-me encima de um palco. Era como se eu sentisse a energia de estar num show, era muito bom. Minha mente viajava, eu era... Eu mesma.
— "And party everyday!!" — eu subia no sofá, rebolava, pulava, sorria, tropeçava. Mas eu estava feliz da minha maneira. Até eu escutar a campainha que tocava selvagemente.
NÃO PODE MAIS SE DIVERTIR NESSA MERDA? Bebi mais da bebida delirante em minhas mãos e fui ver quem era.
— DÁ PRA DESLIGAR ESSE... Loirinha? — Olhei para o garoto escorado na minha porta. OMG. Era um dos novatos de novo, porém não aquele que vi antes.
Será que eles estavam me persiguindo ou o que? Ele estava com os cabelos pretos bagunçados e arrepiados, e apenas de shorts. Sim, ele estava sem camisa e descalço mostrando as suas tatuagens coloridas. Ele olhou para o meu corpo me deixando inicialmente constrangida, não que eu ligasse mais essa ficção de momento foi mútua e me chutei mentalmente por isso. Tentei buscar as palavras, mas nenhuma saia. E aquele abdomem definido gente? O que era aquilo?
— Eu não sabia que você... Morava aqui. — falou meio incerto.
Pigarreei antes de responder algo. Provavelmente eu estava com uma cara de idiota agora, caralho por que diabos fiquei tão deslumbrada?
— Er... É, pois é, você está aqui a muito tempo ou...?
— Não, não. Me mudei ontem... — falou coçando a nuca nervosamente. Fiquei tentando imaginar o que ele queria na minha casa, mas daÍ me lembrei. O som.
— Er... Acho que eu vou indo, então. — falou com um aceno.
— Hm, tudo bem, eu... Eu irei abaixar o som. Desculpa se te incomodei e tal... — admirei tamanha meiguisse saindo de minha boca, sério eu tenho que me benzer.
— Ah, é mesmo... Acho que foi isso que vim fazer aqui, er... — ele pensou por instantes, parecia querer falar alguma coisa. — Você vai sair hoje? — falou mas uma vez com um ar inseguro. Estava demorando pra começar a encheção de saco...
— Não, a gente não vai sair, não estou flertando com você ou algo do tipo. Desculpa mas não é assim que funciona. — tentei cortar logo, não é porque fui gentil uma vez... Tudo bem, duas vezes. O que ja foi demais, a propósito. Nunca que irei sair com ele, ficar com ele, dormir com ele, depois seremos amiguinhos eternos e blá, blá, blá. Papo chato.
— Puta que pariu garota, para de ser chata e durona, eu não ia te chamar para sair. Ia falar que vai rolar uns shows num pub na Main Street... Talvez você fosse e levasse uma amiga, sei lá, foda-se você também, só quis ser gentil com a nova vizinhança e...
— Tá, tá, tá, já entendi. Não acho que vai rolar. — falei simplismente, ele ficou sério por instantes, me fitando. E deu as costas. Simplismente me deixou no vacuo.
NOSSA, COMO EU AMO/ODEIO ESSES GAROTOS NOVATOS QUE ESTÃO DE PENETRAS NA MINHA VIDA, E NA MINHA VIZINHANÇA AGORA. E só pra constar, amo/odeio porque sou bipolar. Fechei a porta com força, isso estava me tirando do sério.
Primeiro: como assim que eu dei corda pra esses marmanjos? Tipo, eu nunca socializei indesejávelmente mais que uma vez com ninguém, e agora já foram 3 VEZES, NUM DIA SÓ! E passei raiva nas três, só comentando. O pior de tudo é que ele acabou com a minha animação. Desliguei o som e peguei meu celular para ligar para a bitch da Tayloree.
— Oiii amor da minha vida. — ela falou com a voz meio embargada.
— O que deu em você? Está querendo me pegar? Haha. — comentei já deduzindo que ela estava bebada, Tayloree não era muito diferente de nós, em questão de beber pra caramba. Apenas mais velha e experiente.
— Não, mas onde você está? Por que não está aqui comigooo? — falava meio lento. Pensei sériamente em desligar o telefone na cara dela pois era extremamente dificil me comunicar com a Tay pelo telefone quando ela estava bebada.
— Em casa, sua vadia. Onde VOCÊ está é a pergunta exata. — bufei quando escutei o barulho de musica alta e falação. Estava num puteiro, só pode.
— Estou numa festa com uns amigos do Jason. — ela disse mais alto. Alto nada, caramba, ela estava gritando!
— Quem é Jason, Tayloree? — tentei lembrar o nome do cara que a Tay saía, mas não obtive sucesso.
— JASON BERRY, MEU IRMÃO MULHER. Ou você se esqueceu que tenho um? — começou a rir desajeitadamente, eu revirei os olhos. Algo muito estranho deve ter acontecido para a Tayloree, que praticamente odeia a sua familia, sair com o seu irmão mais novo.
— Onde você está? — perguntei enquanto já levantava para ir trocar de roupa. Ela somente disse que era numa casa de shows que inaugurava hoje, eu acho que sabia onde era pois havia visto um anúncio em algum lugar. Desliguei o telefone antes dela dizer mais alguma merda.
Me olhei no espelho e achei um bom look para ir nessa tal boate. Apenas acrescentei uma camisa xadrez vermelha e preta e um salto alto.
Peguei as chaves do meu carro, um Chevy Impala SS 67, preto e muito perfeito, que ganhei de meu pai no meu aniversário ano passado, um mês antes dele morrer. Eu amava esse carro mais que a mim mesma. Entrei no elevador do prédio e ficou aquele silêncio entre mim e uma velinha que me olhou horrorisada por causa da minha roupa. Sorri diabólicamente para ela, que saiu do elevador assustada.
Cheguei no estacionamento que estava meio escuro e avistei o meu carro numa vaga reservada, estava ao lado de um camaro preto e azul que, por sinal, nunca tinha visto ali.
Alisei a lataria dele carinhosamente, costumava o chamar de meu Bob'. Por que? Nem eu mesma sei, acho que estava bebada, assistindo bob esponja e achei que combinava. Peguei o carro e fui em busca dessa tal casa de shows onde provavelmente encontraria Tayloree chapada dando para algum cara gostoso. Bufei. Essas minhas amigas eram tão previsíveis.
Encontrei o local facilmente, ficava perto do shopping, porém nem sabia o nome da rua direito. Ela estava lotada, e com muita fumaça e pessoas pulando, se esfregando. UM SHOW UÉ! Entrei rapidamente após seduzir o segurança a liberar a minha entrada não ligando pra minha idade e comecei a procurar por aquela morena tatuada. Tinha uma banda de rock no palco, era boa até... Mas o guitarrista estava errando o ritmo demais. E o baixista, então?! Parecia se concentrar mais em balançar a cabeça até ela cair, do que fazer uma escala certa.
Fiquei minutos concentrada, meu lado crítico transparecendo até que senti um cara se aproximando de mim para cochichar algo.
— Eae gatinha, posso te pagar uma bebida? — perguntou uma voz rouca no meu ouvido, virei-me imediatamente com a minha melhor feição de "vou te matar", que logo foi desmanchada.
Eu queria gritar agora. Sério que eu estava falando pessoalmente com Nick Dorgween?
NICK DORGWEEN ERA O EMPRESARIO DE BANDAS MAIS CONHECIDO DA CALIFÓRNIA!! ELE ESTAVA ME OFERECENDO UMA BEBIDA?! Gente, vou desmaiar. Foi meu último pensamento antes de sorrir o mais amigavelmente possível e responde-lo.
— Seria ótimo! — disse enquanto ele me conduzia até o bar. Essa era a minha chance. A chance da minha banda, eu não ia perder. Foda-se que eu esqueci da Tayloree para conversar com um gostoso empresário da musica. Foda-se o mundo! Essa é uma chance em um milhão.
Fale com o autor