Olá, meu nome é Tainá. Sou uma semideusa, filha de Apolo. Hoje vou contar uma história que realmente mudou minha vida. Em certas partes, meu irmão, Luca, parece narrar a história. Na verdade, eu encontrei umas gravações, feitas por ele. Leia, e você entenderá.

Acordo para mais um dia. Sinceramente, eu preferia estar morta. Minha “família” (coloquei entre aspas, porque, na verdade, minha família era somente eu e meu irmão. Minha mãe havia morrido quando éramos pequenos e meu pai... Bem, eu também queria saber) me odiava. Minha “mãe e meu “pai” me tratavam muito mal. Diziam que eu era um inútil, só porque tinha dislexia e déficit de atenção. Meu irmão também tinha, mas... ele era bom em esportes, e era bem mais popular. Meus “pais” preferiam ele. Me arrumo e saio para um inferno.

Era mais um dia comum na escola. Eu e meu irmão, bem, não tínhamos muito em comum. Eu gostava de preto. Usava roupas de couro, anéis de caveiras, fazia mechas escuras em meus cabelos louros, etc. Meu irmão usava roupas mais leves e coloridas. Era amigo de todos. E eu? Bem... digamos que eu ficava longe de tudo com vida. Chamavam Luca de Sol. E diziam que eu usava drogas por ai.

A quarta-feira era dia de Educação Física. Nessa aula, jogamos queimado. Eu amava esse jogo. Descontava minha raiva em todos os que me irritavam. Tinha uma ótima mira.

“Vai com calma”, meus parceiros de equipe diziam. Quem eu acertava saia com um roxo no corpo.

Após o jogo, fui ao vestiário. Troquei de roupa e me sentei em um banco. Tinha tempo. Todas as garotas tomavam duchas demoradas. Eu nunca suei em uma aula de Educação Física, então nunca precisei de duchas.

Aos poucos, as garotas iam saindo. No fim, só restou eu e um vestiário fechado. Eu era sempre a última a sair (gostava disso), mas faltava cinco minutos para a próxima aula e a água continuava caindo. Me levanto, pronta para ir embora, quando a porta se abre. Uma garota de cabelos pretos compridos (compridos até demais) sai do vestiário. Ela usava um vestido branco, até seus pés, e salto alto preto. O mais estranho é que ela estava completamente seca. Ela me encara com seus olhos cor de âmbar. Sorri, como as assinas fazem antes de matar uma vítima, e diz:

-Tainá... Que bom ver você.

-Quem é você? – pergunto, tentando não transparecer o medo que sentia.

-Não importa quem eu sou. O que importa é o que eu quero.

-Tá, e o que você quer? — reviro os olhos- Estou atrasada.

-Pra que a pressa? – ela pergunta com um sorriso malicioso – Se você não irá sair daqui viva.

A garota começa a se encurvar, sua pele se transforma em uma casca dura e marrom, asas brotam de onde devia ser seus ombros, e seus olhos ficam completamente pretos. Seus dedos deram lugar para garras, e seus dentes, bem... não eram muito legais de se ver. Estava diante de uma fúria. (Sim, eu sabia coisas sobre mitologia)

-Mas o que...?

-Hoje comerei carne de semideus! – ela diz e voa em minha direção.

-Semi o que? – Me esquivo de suas garras. Por incrível que parecesse, eu estava tranquila – Não entendi.

-Venha aqui! — Ela voa para mim de novo. Espero até o último instante e e me abaixo. A fúria cai no vaso sanitário. Saio correndo.

-Onde eu vou? Onde eu vou? – pergunto para mim mesma.

Os corredores, o pátio, tudo estava deserto. Ouço a voz da fúria atrás de mim. Chego a um ponto pátio onde o sol estava bem forte. Derrepente, me forço a parar. Não sabia o por quê, simplesmente parei.

A fúria me alcança, para e ri.

-Vai se entregar à morte, pequena? – ela debocha.

-Olha, não sei como você saiu da mitologia e não sei o que você quer, mas eu não quero brigar, então...

-HAHAHA, como se você pudesse contra mim! – ela grita – Você não vale nada!

Meu sangue começa a ferver. Imagino aquela merda virando pó. Olho para o sol, levanto a mão e digo uma coisa que eu nem mesma entendi.

-Eu invoco o poder do deus sol! Apolo!

Impulso toda minha força em direção a fúria. Uma luz forte sai de minhas mãos e atinge ela em cheio. Ela vira cinzas. Bem, acho que exagerei de mais, pois tudo o que estava em minha frente, mesas, paredes, portões, estava derretido ou destruído.

-Mas o que é que eu fiz... – me pergunto, desesperada. Ótimo, mas um motivo pra me expulsarem (os outros motivos não existiam, as pessoas que inventavam, mas mesmo assim...)

-Tainá!- ouço a voz de Luca. Ele e o nerd da turma vem correndo em minha direção. Como era mesmo o nome dele? Ah, Grover! Isso mesmo. O cara que parecia ter sido reprovado umas 10 vezes.

-Precisamos ir – diz o nerd – Corram!!!

-Por que? Pra onde? – eu pergunto. Ouço as sirenes de policias ao longe – Deixa pra lá. Sigo-os

Saímos pela saída de emergência. Corremos muito, por toda Nova York. Pessoas nos olhávamos, como se fossemos ladrões. Descemos em uma estação de metrô e pegamos um trem para sei lá onde.

-Onde... você... vai... levar... a gente...? — Luca pergunta, tentando recuperar o folego.

Grover entrega um panfleto para nós dois.

-Hm... não sabemos ler. Somos disléxicos. – digo, envergonhada.

-Eu sei – Grover diz – Mas tentem ler esse papel.

Eu e meu irmão olhamos para o panfleto. Era grego antigo. Eu consegui ler normalmente... bem, tão normal quanto alguém que sabe ler. Pelo sorriso de Luca, vi que ele também havia conseguido.

-Incrível — ele sussurra – Mas como?

-Explico quando chegarmos ao Acampamento.

-Um acampamento militar? – eu digo, quase aos prantos – Mas eu já disse que não fiz nada!

-Você destruiu metade da escola – Luca provoca.

-Cala a boca – olho para o chão.

-Não, Tainá. Não é um acampamento militar – Grover diz.

-Então é o que? – pergunto, nervosa.

-Explico depois – Grover olha pela janela.

-Por que? – Luca questiona.

-Porque temos companhia – ele aponta para a estação. Estávamos cercados. Pelo menos 15 policiais armados.

-E agora- eu e meu irmão perguntamos em uníssono.

-Tocamos.

-Como? –Fico chocada. Ele pega uma flauta e começa a tocar. Imediatamente, animais que vieram sabe-se lá de onde começaram a subir nos policiais, derrubando suas armas. Plantas cresciam do concreto e se amarravam nos pés deles. Eu quase ri, mas Grover nos puxou para fora do trem e subimos as escadas.

-Vamos pegar um taxi – Grover sugere, felizmente.

Entramos em um carro e vamos embora do caos de animais e flores que se formava lá atrás.