Tainá e Luca: Filhos de Apolo
3 Capitulo 3: A fogueira.
Chegamos a uma casa com três andares, toda pintada de branco. Percy bate na porta. Após alguns segundos, ouço passos fortes. Ou, melhor... trotes. A porta se abre e eu vejo outra criatura mitológica. Um centauro. Da cintura para cima, era um homem, com cabelos castanhos, caídos sobre os ombros. Da cintura para baixo, um cavalo branco.
–Olá, semideuses – ele diz.
–Ei- eu e meu irmão respondemos.
–Como foi? – vira-se para Annabeth e Percy.
–Acreditaram em tudo. Até que foi fácil – Percy responde.
–Muito bem. O jantar é daqui a pouco. Teremos que torcer para seu pai o mãe divina reconhecerem vocês hoje. Luca já tem 15 não é? Os deuses estão atrasados.
–Eu voto queTainá é filha de Hades. Você é muito parecida com Nico. Preciso apresenta-los – Annabeth diz. Admito que fiquei meio curiosa. Alguém parecido comigo?
–Como assim “parecidos”? Como ele é? – ela ri e me leva em direção ao salão de refeições, me contando sobre o tal garoto.
*Gravação de Luca
Minha irmã saiu com Annabeth e me deixou cozinho com aquele filho da mãe do Percy Jackson e aquele homem cavalo. Bem, não podia deixar transparecer meu ódio por todos eles, então comecei minha atuação.
–Você é filho de qual deus?
–Poseidon.
–Como é isso de “reconhecer seus filhos”? – pergunto, e quem respondeu foi Quíron.
–Ele ou ela dá algum sinal de que é seu pai. Ou mãe.
–Ah, sim... E eu estou atrasado por?
–O combinado era que os deuses reconheceriam seus filhos aos 13 anos – Percy explica – Mas vamos descobrir seu pai hoje. Tenho certeza.
E seguindo as garotas, vamos até o refeitório.
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–Vocês terão que ficar na mesa de Hermes. É onde os novatos, que não sabem de quem são filhos, ficam – Annabeth diz.
–Mas lá já está cheio – Percy aponta para uma mesa comprida, meio marrom, com uns 30 campistas espremidos nos bancos de pedra.
–É mesmo...
–Oi – ouço a voz de um garoto, atrás de mim.
–Nico! – Percy exclama – Achei que não viria.
–Já sei! – Annabeth vira-se para mim – Nico, essa é Tainá...
–Smith – completo.
–Se importaria se ela sentasse na mesa de Hades? Ela é nova.
–É, tanto faz – ele responde e se senta no banco de uma mesa preta, com desenhos de caveiras. Sento-me no banco à sua frente.
–Luca pode sentar na mesa de Héstia. Eles acolhem a todos – Percy diz e leva meu irmão a uma mesa um pouco mais longe, somente com duas garotas e um garoto. Ela era vermelha, parecia irradiar calor. Seus bancos eram feitos com estofamento, diferente dos outros, feitos de pedra. Seria legal ser filha da deusa da lareira.
Annabeth ficou em uma mesa meio cinzenta, com desenhos de corujas. Percy se senta sozinho, numa mesa azul, com desenhos de ondas e cheiro de mar.
–Você curte preto, hein – Nico diz, após cinco minutos em silencio.
–Você também – olho para suas roupas. Camiseta preta, com uma caveira na frente. Jaqueta de couro, preta. E uma calça jeans. Também preta. Confesso, meio sombrio. Mas ele era muito fofo.
–Qual é mesmo seu nome? – ele pergunta – Desculpe-me, sou péssimo com isso.
–Tainá – respondo.
–Nome bonito.
–E o seu?
–Nico di Angelo – ele diz.
–Anjo... – murmuro para mim mesma. Depois percebo que ele ouviu e coro. Ele ri.
–Sim. Em italiano.
–Você é o único filho de Hades? – mudo o assunto.
–Não. Tenho uma meio irmã. Mas ela é filha de Plutão. É do acampamento Júpiter. Vem aqui nos finais de semana.
–Ata... – o clima pareceu cair uns 10 graus. Ele me encara com seus olhos pretos por um minuto e sinto como se ele invadisse minha alma — será que ele podia? – Comecei a prestar mais atenção em seus traços. Sua pele era pálida, porém ele tinha as maças do rosto bem fortes. Seus cabelos pretos, bem cortados, porem espetados, meio que chamaram minha atenção. Sim... eu realmente estava meio afim dele. Tá, pode zoar a vontade. Mas, sei la. Ele era igual a mim.
–Belo anel – ele pega minha mão e olha meu anel de caveira. Ao seu toque, sinto o sangue ferver. Afasto a mão e ele recua um pouco.
–Desculpa, eu... – ele começa.
–Não. Tudo bem – digo.
Nossos olhos se encontram novamente. Desviamos. Ficamos em silencio por um bom tempo. Desejei não ser irmã dele. Não porque ele era estranho. Mas porque ele era incrível.
–Boa noite, meus heróis – Quíron aparece sob um mini palco – Hoje temos mais dois campistas. Tainá e Luca!
Nos levantamos e nos sentamos novamente.
–Esperamos descobrir seu pai divino nessa noite. Cuidem bem deles, por favor. Podem comer agora.
–Hm.. cade a comida? – pergunto para Nico. Os pratos e copos estavam vazios, na nossa frente. Ele aponta para eles.
–Pense no que qer, que aparecerá ai.
Achei fantástico. Comemos bastante. Percebi que Nico gostava de bolo de chocolate. E Percy... bem, adorava comida azul. Depois do jantar vamos a fogueira. Damos nossas oferendas (eu, no caso, dou para “seja lá quem for meu pai”) e Quíron coloca eu e meu irmão no centro do pátio.
–Bom, não sabemos quando isso pode acontecer, então,,, — ele para derrepente. Uma luz dourada emanava de nós dois. Olho para cima e vejo um mini sol brilhando em nossas cabeças. Muitos campistas desviaram o olhar. Eu não senti essa necessidade, e vi que um grupinho também não. Eles riram e se aproximaram da gente, para nos abraçar e se apresentar.
–Saldem Tainá e Luca, filhos de Apolo, deus do sol, da música, das profecias, do arco e flecha e da medicina – Quíron se ajoelha. Do jeito que eu meio cavalo pode se ajoelhar.
–Apolo? – não sabia se ria ou se chorava – Eu? Filha do deus sol? Incrível!
Após uma grande festa, sou levada para o chalé de Apolo. Número 7. Ele era lindo. Era dourado e irradiava uma luz forte, mesmo à noite.
–Sejam bem vindos ao chalé de Apolo, sou a líder do chalé, meu nome é Bia. Espero que se sintam bem aqui – uma garota alta, com cabelos curtos e louros, iguais ao meus – Mais do que irmãos, seremos amigos. Qualquer coisa, podem pedir. Podem dormir ali.
Ela aponta para um canto do quarto, onde tinha uma beliche e duas cômodas.
–Obrigada – agradeço e me deito. Durmo pensando nele...
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