THE WALKING DEAD: Season 1
3 Multidão.
Notas iniciais
Lá estava, bem a frente de meus olhos. Praticamente todos da cidade estavam na fronteira do centro. Nosso centro era bem pequeno, praticamente uns 5 quarteirões juntos, descontando o supermercado. Estava praticamente apavorado, observando os homens atirarem nas cabeças daquelas coisas que se aproximavam. Provavelmente voltei a realidade quando um dos homens gritou:
– Garoto, atrás de você! Venha logo!
Não tenho nem coragem de olhar o que vem atras de mim, e já corro em disparada. Atravesso os homens, e chego oficialmente ao centro. O que me aguardou era uma surpresa. As ruas, estavam cheias de carros e pessoas, desesperadas. Algumas se escondendo em cantos, outras lutando contra os zumbis que conseguiram invadir. Em algumas das ruas que ligam o centro com a cidade, foram colocadas cercas, carros, qualquer coisa que causasse trânsito a aqueles. Continuo a correr pelo centro, onde acho diversas pessoas conhecidas. Professores... Vizinhos... Até meus colegas de escola. Corro até chegar na padaria, onde vejo uma multidão de pessoas correndo de lá com pães e bolos, e outros também lutando por um pedaço. A um momento, penso: "Este lugar não é seguro. Preciso sair daqui agora". Me dirijo correndo até a avenida, mas a multidão é impossível de ser ultrapassada. Pessoas, carros passando, e aqueles. Já estava na hora de dar-lhes um nome, mas resolvo pensar nisso depois. A medida que consigo ultrapassar todos, corro sem rumo, até sentir que esbarrei em algo.
Nada vejo, porém quando olho para baixo, vejo um garoto. Olhos castanhos, e cabelos ruivos. Não sei como consegui notar seu cabelo, pois estava usando uma touca. Fico alguns segundos inértil, até ouvir o som de grunhidos. Corro para fora da multidão, pois sei que "eles" estão chegando. Ao meu lado, vejo o menino correndo também. Ele me ultrapassa com facilidade, até chegar a umas das grades. Ela incrivelmente está vazia. Provavelmente porque os tiros do outro lado estão causando um barulho incrível. Mas em um instante, algo me para.
Ouço uma voz me chamar: "Caleb! Caleb". Olho para os lados, mas não vejo nada. E daí que me dou conta, era a voz de Lucy. Parecia estar enlouquecendo aquela hora, pois não sabia o que estava acontecendo comigo. Olhava aos lados desesperadamente, como um cachorro que se perdeu de seu dono. O suor escorria pelo meu pescoço, aumentando minha temperatura e meus batimentos cardíacos. Por um instante, finjo como se nada mais importasse. Mas isso não dura muito, pois rapidamente começo a ouvir gritos agudos de uma criança. Olho para trás assustado, mas o que eu vejo não é nada que eu queria ter visto. Aquele menino, caído ao chão, e "aqueles" mordendo seu pescoço, braço, perna. Fico extremamente assustado quando vejo, e deixo meu bastão cair ao chão. Um enorme calafrio percorre meu corpo, diversas vezes. Meus olhos ficam desfocados, e fico sem nexo. Para mim, aquilo foi como... Observar um ente querido morrer, sem nem conhecer a pessoa. Nunca havia sentido algo assim. Como se, tivesse perdido a esperança na espécie humana.
Só consigo voltar a realidade quando mais sons de tiros são ouvidos por mim. Agarro meu bastão, e corro até o garoto. Enquanto aqueles comem ele, e o mordem, bato com meu taco na cabeça de todos, até caírem ao chão. Mas, quando me dou conta, lá estava meu taco. Quebrado ao meio. "Merda", foi a primeira coisa que pensei. Mas não penso duas vezes antes de agachar em frente ao menino. Primeiro o observo, inértil. Sem respiração ou batimentos. Após, começo a revistar seu corpo. Em seu bolso encontro uma chave de fenda. Aproximadamente 20cm. Bem grande, e afiada na ponta. Então, levanto-me, e me dirijo a saída do centro. Nesta área, não há praticamente ninguém. Aposto que os que sobreviveram estão na outra parte do centro, tentando matar todos eles. Falando nisso, já estava na hora de escolher um nome. Não sei porque, mas "geeks" me veio a cabeça. Um nome curto e fácil de pronunciar. Bem minha cara.
Corro mais que posso, e consigo ver uma das saídas. Vou em direção a ela, que surpreendentemente, está sem cerca. A medida que me aproximo, me vem uma sensação de liberdade. Ultrapasso os limites do centro, e corro em direção a rodovia. Enquanto corro, com a chave de fenda a mão, sou parado por um enorme barulho. Não um, dois. Olho para trás, e vejo duas enormes núvens de fumaça cobrirem o centro.
– Acabou...
Viro-me para a direção da rodovia, e continuo a correr. Estava com uma quantidade rasoável de geeks, mas estavam todos sentados, ou tentando me pegar a uma velocidade praticamente insignificante. Passo por eles sem nenhuma dificuldade, e continuo em direção a rodoviária.
Agora que toco no assunto, nunca havia visto o centro daquele jeito. Pequeno, porém com diversas lojas e casas. Existem 10 aberturas do centro... A que passei provavelmente deveria ter sido a 7°. Ruas estreitas, com semáforos e árvores. Uma praça, com bancas e pessoas de bicicleta. Mas não. Estava cheia de carros nas calçadas, pessoas correndo desesperadamente, sem rumo. Alguns sentados chorando, outros correndo, outros matando os geeks. E outros... Sendo comidos por eles.
No instante em que pensei na última frase, uma parte de mim se foi. Minha parte sentimental e amigável. Eu sabia que estava ápto a sobreviver neste mundo.
Vários minutos se passam, e consigo chegar a beira da rodoviária. Olho para trás e vejo Macon. Uma cidade minúscula, com 12 mil habitantes. Não consigo me conter de deixar uma lágrima escorrer de meu olho. Ou pelo menos, eu acho que eu deveria ter deixado ela passar por meu rosto, coberto de sangue e pó. Viro de costas, e sigo na beira da rodoviária, sem rumo. "Você está saíndo de MACON", vejo na placa. Esta provavelmente é a última vez que verei minha cidade natal.
Agora, a verdadeira sobrevivência começou.
~Continua no Capítulo 4~
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