THE STONES: A Primeira Pedra de Fogo
1 Epígrafe e Prólogo
"Uma grande rachadura se apoderou de meu coração, enquanto eu dormia na beira do orgulho e da paixão. A brilhante e desgraçada lua, iluminou-se sobre a pedra, assim criando o caos e trazendo mais fogo para a Terra."
— Elizabeth Báthory.
PRÓLOGO
Budapeste, Hungria. Ano de 1610.
Homens com vestimentas brancas e rasgadas estavam em desespero à procura de uma fugitiva do Castelo de Vajdahunyad. Eles estavam tão desesperados a procura dessa mulher que não a notaram escondida atrás de uma das árvores. A mulher colocou a mão na boca para não emitir nenhum som, estava tão assustada e desesperada que seu suor era evidente.
Todos os homens estavam tão agitados a procurando que chegavam a se machucar por si só. Eles tinham tanto desprezo na voz e raiva que qualquer mulher ou alguém que encontrassem no caminho sofreriam as consequências.
Um homem com a aparência um pouco pálida de cabelos e barba ruiva subia em cima de uma pedra grande e meio oval. O nome dele era Benedeck, o conselheiro do rei, mas que sempre andava malvestido. Para o rei, Benedeck era um mero escravo, que estava somente ali para lhe servir quando bem entendesse.
— Não vamos desistir! Achem aquele demônio! — Disse Benedeck enquanto segurava uma tocha na mão. — Vamos para o Norte! Sou o único conselheiro do rei que sente a presença de outro vampiro! Ela está para o Norte!
Benedeck mentiu. Ele não sentia a presença de outro vampiro, ele não era um bruxo, mas seu irmão sim. Sua raiva aumentou mais ainda quando viu seu irmão sendo morto por vampiros. Apesar de não saber a onde se encontrava aquela mulher dos cabelos castanhos compridos e olhos verdes, ele iria até o inferno a procurando.
Todos os homens concordaram com a cabeça e seguiram para o Norte, um atrás do outro, com facas e estacas nas mãos. A mulher dos olhos verdes saiu da árvore a onde estava escondida e correu entre as matas, assim fazendo ferimentos em seus pés desnudos e rasgando partes de seu vestido azul turquesa.
Sua respiração estava falha por conta de estar correndo por três horas. Seus leves ferimentos iam se curando, mas quanto mais ela corria mais se sentia sufocada, como se estivesse correndo para a morte. Ela não queria morrer, apenas queria viver sua vida com os seus bens mais preciosos.
Ela avistou uma cabana abandonada no meio daquele mato, mas algo chamou a sua atenção para dentro daquele lugar. Tinha luz lá dentro, poderia ser alguma vela acesa? Sua curiosidade foi maior e andou apressadamente entre a mata e se aproximou mais da cabana, assim entrando e olhando para o homem que tanto lhe procurava. Quando estava prestes a sair correndo dali o homem se levantou numa velocidade surpreendente e apareceu na frente dela enquanto a olhava com a sobrancelha arqueada. Sua camisa de seda branca estava um pouco aberta e um sorriso sombrio se estendeu-se em seus lábios.
Era um homem um pouco alto, tinha somente 1,77m de altura. Olhos azuis como o céu e os cabelos compridos na cor preta que iam até o meio de suas costas. Não era tão forte, era magro, mas tinha uma beleza encantadora.
— Por favor, Salomon... — A mulher o olhou com medo e ao mesmo tempo com ternura no olhar. — Deixe-me ir...
Sua respiração estava descompensada. O homem a sua frente, Salomon, levou a mão direita para o rosto da mulher, que para si era tão bela quantas as outras donzelas que transformará. Ele acariciava o rosto dela com ternura enquanto a olhava nos olhos, mas o olhar daquele homem era tão sombrio da forma que ela o olhava que suas pernas ficavam bambas de tanto medo que ele lhe aplicava.
— Por fa...
Salomon coloca o dedo indicador nos lábios dela, indicando que ela ficasse quieta. Em um ato mais agressivo ele segurou o rosto dela com força e a encostou na parede da cabana.
— Tão tola... — Exclamou ele com desprezo a olhando. — Pensou o quê? Que iria expor a nossa espécie a humanos? — Sua voz estava mais grossa e sua aparência por um momento era de um assassino, mas logo se suavizou para a calmaria que era a sua face.
Isobel não o respondia, apenas o olhava com desdém e até medo, mas ela estava sentindo medo dele e dela mesma pela primeira vez em tantos anos. Sua reputação naquele lugar ficou mais exposta quando teve os seus filhos, ela os amava mais que tudo, e tudo começou a piorar quando realmente notaram que ela não envelhecia como os outros e notaram mais ainda quando ela pegava mulheres que ousavam tocar seus filhos, assim se banhando no sangue delas, ainda mais se sentindo tão bela. Os boatos começaram a ficar mais fortes do que um fogo numa mata.
Salomon a olhava, a analisando. Ele estava gostando do resultado que ele mesmo causava a mulher a sua frente. Seus olhos ficaram presos no dela. Algo no olhar de Isobel o prendia, ele não sabia o porquê, parecia que aquilo era algo de família, porque seus filhos e pais era a mesma coisa inexplicável de todos os anos. O homem dos olhos azuis e cabelos compridos preto, sempre tinha uma carta na manga, sempre tinha uma escolhida, até que quando viu aquele bebê dos olhos claros e cabelo castanho no ano de 1560, logo viu que ali era o seu destino, mas ao mesmo tempo um pecado, uma morte. Mas como um homem como ele, ele sempre gostará de um desafio.
— Por favor! Não me mate, Salomon! Eu sei o que eu fiz, e sei que foi um erro! Eu tenho filhos e...
Salomon, novamente, colocou a palma da mão direita em sua boca, enquanto a olhava com calma, era estranho para ela esse modo dele agir, mas a mesma entendia, pois agirá assim por anos, desde os seus dezesseis anos de idade, mas ela não conseguia ser indiferente com aquele que lhe mostrou um novo mundo, uma nova vida. Apesar de ter um mundo novo em suas próprias mãos, ela odiava ser aquilo que lhe foi destinado. Ela perdia o controle e muito das vezes não sabia como agir com tantas evidências amostra.
— Shiu... — Disse Salomon fechando os olhos brevemente, e logo ele olhará para ela com os olhos pretos, com algumas cicatrizes em volta dos mesmos. — Não irá doer... Vai ser como cair em um sono profundo.
Isobel ficou mobilizada o olhando com dúvida nos olhos. Ela estava sentindo um medo horrível. O seu corpo ficou em alerta, quando ela ia reagir a ele, Salomon enfiou a mão no peito dela, assim segurando o coração da mesma com força. O seu olhar era puro ódio e desgosto.
— Sr. Tepes... — Isobel disse arregalando os olhos o olhando. As lágrimas começaram a descer, mas eram sangue.
— Srt. Báthory. — Disse e retirou do peito dela o coração.
O corpo de Isobel caiu no chão, sem vida. Seu corpo foi ficando cinza e as veias começaram a aparecer, mais visivelmente. Os seus olhos estavam sem vida, como se não houvesse uma alma ali, — mas realmente — ali não havia.
Salomon segurava o coração dela enquanto a olhava. Ele não se sentia culpado por ter feito aquilo com ela, aliás, ele não se sentia culpado por nada. Seu olhar se desviou daquele corpo mórbido do chão, indo para o coração que se encontrava em sua mão.
— Sinto muito. — Disse sussurrando, mas na verdade ele não sentia. Só disse aquilo para ter algo mais comumente e esbraseante.
Com os seus sentidos apurados, ele ouviu passos vindo em direção a cabana, mas não se preocupou porque sabia de quem era. Era de Kaleb, seu melhor amigo e companheiro de todos anos em que habita a Terra.
Kaleb sabia que Salomon e Isobel estavam ali, e sem muitas cerimônias — como sempre — ele abriu a porta com um pouco de força, fazendo a mesma bater com tudo na parede, ou melhor, fazendo a porta se encostar no corpo de Isobel. Kaleb olhou o corpo da mesma no chão e não demonstrou nenhuma reação. Ele nunca gostou daquela mulher, e sabia dos planos dela, mas nunca falará para o seu amigo.
— Como está Sr. Tepes? — Perguntou Kaleb voltando o seu olhar para Salomon.
— Melhor do que nunca Sr. Burroughs. — Salomon se gabou sorrindo com falsidade. — Agora, nessa nova era, me chame de Elliot Gordon.
— Sim, Sr. Gordon.
Ambos ficaram se olhando, como se nada do que fizessem nos últimos anos havia afetado os seus psicológicos. Salomon e Kaleb, não se importavam com as pessoas, não se importavam com o mundo. Só se importavam com eles mesmos e com o Império em que os mesmos construíram em volta de si.
— Temos muito pela frente. — Salomon assegurou com um sorriso nos lábios.
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