Tóxico
3 Tutor de Química
Notas iniciais
Capítulo 3 – Tutor de Química
Dois jovens caminhavam lado a lado pelas ruas movimentadas de Tokyo naquele sábado ensolarado. Brittany havia acompanhado a consulta de Tezuka no hospital que acabou sendo logo depois da sua, ela chegara a cidade pela manhã, e os dois haviam jogado um pouco de Tênis em uma quadra alugada, almoçado em uma lanchonete, foram ao hospital e agora ambos estavam andando tranquilos, a brisa batendo em seus rostos. Tezuka havia guardado a receita do analgésico no bolso da calça jeans e estavam em silêncio; algo muito estranho até para Tezuka que já estava mais do que acostumado com a americana falante e, aliás, algo que ela começava a fazer com alguma frequência. A tarde de sábado lembrava que daqui a pouco se separariam por mais um longo período, por isso, decidiram parar em uma sorveteria perto da estação de trem, já fazia algum tempo que estavam em silêncio.
– Quer dizer que você é titular na equipe feminina de tênis? – perguntou o Capitão da Seigaku quebrando o silêncio, algo que soou muito estranho até para ele mesmo, mas estava preocupado com Brittany, havia algo que estava entalado na garganta dela e ela não conseguia falar, como antes dela ir embora.
– Não porque eu queira... Mas, sim... – a americana respondeu em um muxoxo, mas que o rapaz entendeu muito bem.
– Então, por que entrou? – apertou a americana, para saber se alguma coisa saia. — Se não vai se dedicar, era melhor não ter nem entrado.
– Mitsu-kun... Eu juro que estou tentando cumprir a promessa que te fiz e ser uma boa pessoa... – ela começou sozinha, parecia angustiada e expressava culpa por alguma coisa. – Mas isso está se tornando virtualmente impossível... Tem um cara fazendo joguinhos comigo... Eu fiz uma aposta com ele e perdi... E é por isto estou na Equipe Feminina de Tênis da escola.
– Brittany... – Tezuka apenas respondeu censurador.
– Eu sei! Eu sei! Mas o Kuranosuke... — Ops... Ela usou o primeiro nome! Tezuka percebeu isso.
– Sei lá o que ele viu em mim... Mas eu tinha que fazer três pontinhos nele e ele me deixaria em paz, dentro de um set... Eu não consegui fazer nenhum ponto. – ela continuou, o olhar do amigo se tornou mais severo, ainda que o nome lhe soasse bem familiar e o garoto que a seguia realmente deveria ser muito bom jogando tênis. – Eu juro que não provoquei nada e que estou tentando dar um gelo nele, mas está impossível!
– Por que é “impossível”? Não há como ser “impossível”! É só evita-lo. – questionou muito desconfiado enquanto tomava seu sorvete.
– Eu não vou conseguir evitá-lo... — Tezuka a olhou desconfiado e ela continuou com um suspiro pesado — É sério! Estamos na mesma sala, fazemos parte do Clube de Tênis, culpa dele, aliás... E... Ele vai ser meu tutor em Química até as provas do meio do semestre...
– Ora... Você não pode ter ido tão mal assim nas provas... – Tezuka comentou incrédulo ajeitando os óculos. — Não a ponto de precisar de um tutor.
– Mitsu-kun... Eu tirei um lindo, redondo e vermelho 0 na prova surpresa! – respondeu em um tom firme, olhando nos olhos do amigo, aquele olhar realista e cortante que só ela dava.
– Por Kami, Brittany Carter! – exclamou de forma contida, mas ainda era uma exclamação de incredulidade. – Não pensei que você fosse tão ruim assim. Achei que estivesse exagerando!
– Eu falei que era grave! – a americana protestou, voltando sua concentração para seu sorvete.
– Aja de forma profissional, não provoque ou de esperanças para esse tal de tal de Kuranosuke. – respondeu Tezuka, sentindo que aquele nome era muito, mas muito familiar. – Mas você não podia ter arranjado outra pessoa?
– Não... Deixa eu te explicar a situação...
[Flashback]
Mais um monte de coisas que Brittany não conseguia entender ou ver lógica, por que os japoneses não podiam ter um ensino direcionado a artes, humanidades e etc, como toda escola normal? E aquela sádica na frente da lousa anunciou que entregaria as provas, foi entregando aos alunos em mãos, não mostrava a nota a eles, não comentava sobre as provas, entregava pelo número da carteira onde os alunos se sentavam. Brittany pegou sua prova, foi uma das primeiras a recebê-la e ficou olhando para aquele 0 bem destacado em vermelho, no canto superior direito de sua folha, nada fora do esperado, teria que se matar de estudar, começando do básico para dar a sorte de não ser reprovada e repetir o último ano por causa de Química... Estava alheia às comemorações e protestos dos demais, aquele zero redondinho em sua folha era chamativo demais para prestar atenção a qualquer outra coisa.... E doía, afinal, nunca havia tireado uma nota tão ruim em toda sua vida. A professora voltou para a mesa e chamou em voz alta:
– Carter e Shiraishi, podem conversar comigo após a aula,i fazendo o favor? – disse enquanto os dois se entreolharam intrigados.
A professor passou alguns exercícios para fazerem e um trabalho pra semana seguinte. Assim que o sinal soou, indicando o fim da última aula daquela quinta, os dois se levantaram e foram até a mesa, ficaram aguardando a professora enquanto a sala esvaziava, diversos olhares curiosos sobre ambos.
– Sim, Nakama-sensei? – Shiraishi perguntou, chamando a atenção da professora que preenchia a folha com as notas dos alunos.
– Shiraishi, você é o melhor aluno na minha matéria. – a professora sorriu. – Posso pedir o favor de você ser tutor da Carter-san, já que a nota dela não foi de acordo com o mínimo esperado? – Brittany revirou os olhos, não havia ido “de acordo com o mínimo esperado”? Nem raspando no esperado, seria mais adequado àquela lástima redonda e vermelha em sua folha de provas. — Vou dar essa oportunidade à Carter, já que ela está acostumada com o sistema de ensino britânico e que é muito diferente de nosso sistema.
– Claro, Nakama-sensei. – respondeu Shiraishi com um sorriso vitorioso, Brittany fazia uma expressão indignada. — Será um prazer.
“Como essa vaca velha faz essas coisas sem consultar a pessoa a quem o assunto diz respeito? Ah! Se eu estivesse na América... Ia te processar sua velha sádica!”, pensava a americana com uma expressão nem um pouco simpática no rosto, para ela a professora poderia escolher qualquer aluno da escola para ajuda-la, menos ELE, menos Shiraishi Kuranosuke.
– Ótimo, Shiraishi-san! – a professora respondeu contente. – Combine com Carter-san o melhor horário para vocês se encontrarem para estudar após as aulas. Não é uma honra, Carter-san? Shiraishi-san é o melhor aluno dessa matéria e, apesar de ser capitão do clube de tênis e membro do Comitê de Saúde do Conselho Estudantil, aceitou te ajudar.
– É... Uma "honra"... – Brittany usou um tom que ser mais ácido e irônico seria impossível, ignorou o olhar altamente censurador da velha sapa de óculos e voltou para seu lugar, arrumando suas coisas para ir ao treino.
– Brit! Depois do treino combinamos, ok? – perguntou Shiraishi simpático.
– Whatever... – resmungou.
[Fim do Flashback]
– Isso parece meio absurdo... – comentou Tezuka, que já havia terminado seu sorvete, viu Brittany abrindo a boca para protestar, porém não a deixou continuar. – Mas vou te dar um voto de confiança dessa vez, ok? Mas é só dessa vez!
– Por isso que eu te amo! – exclamou a garota abraçando-o de um jeito meio torto por cima da mesa mesmo e dando um beijo estalado em seu rosto, deixando as vestes dele meio amarrotadas e os óculos tortos, além da expressão extremamente constrangida, como se quisesse se enterrar ali mesmo, podia ver algumas pessoas o olhando com aquela expressão de vergonha alheia... Japoneses eram um povo conservador, não eram exatamente dados a demonstrações de afeto tão explícitas em público.
– Seu trem sai daqui a pouco, melhor não nos atrasarmos. – respondeu se ajeitando meio constrangido e conduzindo-a para fora do estabelecimento.
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A viagem de Tokyo para Osaka não era muito longa, apenas 2h20, mas Brittany estava cansada e desanimada... Nada lhe parecia realmente agradável, só ia para os treinos de tênis porque tinha feito um acordo, mas não sentia mínima vontade de estar lá, já começava a ficar sem ideias para deixar as garotas mais agressivas, competitivas... Elas eram... Boazinhas e fofas demais! Além disso, ficavam chateadas com o jeito mandão da morena, porque ela estava atropelando completamente a hierarquia natural do clube.
Andava pela rua, não porque queria, mas é que não estava nem um pouco afim de esperar o ônibus, até que viu uma placa da estreia de um novo filme sobre a Segunda Guerra, com enfoque numa divisão do exército... De repente, a nuvem que encobria sua criatividade se dissipou e teve uma ideia genial! Um sorriso levemente sádico se desenhou em seus lábios, enquanto entrava em uma farmácia, precisava comprar os remédios que seu médico prescrevera. Entrou no estabelecimento, era bem simples, muito limpo e o atendimento era bom, deixando o ambiente mais aconchegante, parou em frente ao balcão, estava cheio e o homem de meia idade estava com dificuldade para atender todos, Brittany esperou algum tempo até que chegou sua vez ele entregou o remédio prescrito e já recolheu a receita do coquetel de Brittany.
Já estava no caixa para pagar quando sentiu alguém encostando a mão em eu ombro para chamar sua atenção, virou-se e viu a última pessoa que gostaria de ver da face da Terra, não, última não, porque esse lugar era especialmente reservado a sua mãe, penúltima pessoa que quisesse ver em qualquer hora: Shiraishi Kuranosuke! Ele sorriu para ela, seu braço estava, estranhamente, com a maldita faixa. Aquilo intrigava Brittany cada vez mais porque ele nunca tirava aquilo! Ela estava morrendo de curiosidade para saber o que havia por baixo daquela faixa. Talvez fosse uma cicatriz horrenda! Rezava para que fosse uma cicatriz horrenda.
– Brit-chan! Que surpresa agradável em vê-la por aqui... – falou sorrindo, ele carregava alguns shampoos e itens para kits de primeiros socorros. – O que faz aqui?
– Pena que o sentimento não é recíproco, Kuranosuke. – alfinetou de forma hostil e colocou ao remédio junto do cartãod e crédito sobre o balcão. – Vim buscar um remédio.
Shiraishi tentou ver o que o rótulo dizia, qualquer coisa, mas foi em vão. A verdade é que vinha tentando encontrar a americana há algum tempo, desde o anúncio da professora de Química, não conseguia trocar mais de duas palavras com ela... Sumia durante o intervalo das aulas, o almoço e, assim que os treinos acabavam, a morena simplesmente evaporava, ia embora com pressa sem nem ao menos trocar de roupas e tomar um banho, antes de ir para casa. Em resumo, ela estava se esforçando de verdade para evitá-lo.
– Não te interessa, ok? – Brittany falou ácida diante da reação do colega de sala, digitandoa senha do cartão em seguida. Aquilo não era da conta dele, para falar a verdade, nem de ninguém, só dela.
– Com, nos vemos na escola – pegou o produto no caixa de forma apressada, querendo sair rápido do estabelecimento.
– Brit, espera! – Shiraishi a chamou, ela olhou com uma simples expressão de “o que raios você quer comigo?” e virar-se para ele; o rapaz até diminuiu o tom de voz. – Bom... Você está muito mal em química, então, eu gostaria de saber se podemos começar já nessa segunda.
– Ok... Whatever... – falou naquele descaso típico dela, mas ela não parecia muito bem, nada bem, especialmente naquele sábado, havia algo em sua expressão que denunciava que não estava bem há muito tempo.
– Então... Poderia ser na sua casa? – Shiraishi perguntou, fazendo Brittany lançar-lhe um olhar muito desconfiado e receoso, por isso ele decidiu se explicar. – É que tenho duas irmãs e acho que elas iriam te atrapalhar muito... E tenho medo de esbarrar com minha ex ou com as amigas dela se ficarmos na Biblioteca, ela ainda não aceitou bem o término e não quero que ela implique com você por causa disso.
– Tudo bem, então... Depois do treino você volta comigo para casa, ok? – a pergunta era retórica, mas Shiraishi apenas assentiu com a cabeça.
Brittany jogou os cabelos para trás num gesto bem típico dela e de americanas, retratadas nos filmes adolescentes clichés de hollywood, antes de se virar e se dirigir à porta da farmácia e saindo sem olhar para trás. Kuranosuke apenas a observava se afastar. Se perguntava onde estava com a cabeça, afinal, estava na cara que Brittany era uma garota muito mais do que problemática... Mas algo nela lhe atraíra e pelo que percebera na escola não fora só a ele, aliás, não gostava disso. Ela era muito atraente, mesmo de uniforme escolar, sua atitude fazia parecer que poderia estar na capa da Rolling Stones, ainda mais agora que vestia casualmente uma calça jeans, uma blusa simples e uma jaqueta de couro.
Já havia ouvido outros caras comentando sobre convidá-la para sair, ou se ele próprio, Shirishi Kuranosuke, era um obstáculo para eles... Também já ouvira outros caras falando sobre se dar bem com Brittany, porque americanas eram muito soltinhas e com toda certeza eles teriam bem mais do que alguns encontros e beijinhos sem sal, destes Shiraishi tinha repulsa, como poderiam pensar isso dela? Ela era especial, não era qualquer uma, os olhos verdes dela eram expressivos e sinceros, apesar de não possuírem o brilho de felicidade e alegria que via em muitas de suas fãs e das garotas comuns. Brittany Jane Carter tinha já uma história de vida, já havia estado em vários países e talvez isso atraísse ainda mais.
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Os treinos se encerravam após mais um dia, Brittany foi ao vestiário das meninas, tomou um banho e colocou o uniforme da escola, guardando o uniforme de treino na mochila, tinha de lavá-lo logo, se não ficaria sem uniforme para treino para sexta. Em sua cabeça enumerava as coisas que tinha de fazer naquele dia... Tinha de fazer as lições, terminar o trabalho de literatura que era ridiculamente fácil, aliás, esquentar o jantar, lavar a louça, fazer as unhas, escrever em seu diário, recomendação do psiquiatra, e lavar os uniformes... Suspirou! Tinha muito o que fazer e não queria deixar àquilo pra Mari-san! Até que avistou Shiraishi na saída, aparentemente, esperando por ela, a faixa escondia seu braço, a garota queria muito saber o porquê disso, será que ele tinha algum problema sério no braço? Sinceramente, rezava para que sim, talvez se ele fosse menos perfeito, ignorá-lo se tornaria mais fácil.... Ou não.
– Você vai me acompanhar hoje, é sério? – Brittany falou com desânimo.
– Vou à sua casa para estudarmos, esqueceu? – o jovem questionou rindo, porque a resposta era óbvia. – Mas se estiver muito ocupada não há problema.
– Não... Tudo bem... Vamos logo! – bufou sabendo que tinha de aprender Química de qualquer jeito se quisesse entrar em uma boa faculdade, andando na frente o rapaz apenas a seguiu.
Ela não fizera questão nenhuma de falar com ele durante o caminho e, pelo péssimo humor dela, ele achou melhor que ela falasse quando se sentisse à vontade para tal, por isso, andaram por um bom tempo em silêncio, afinal, Brittany morava a uns 30 minutos da escola a pé e Shiraishi estava com a bicicleta, seria ruim ir de ônibus. Contudo, ao contrário do que Shiraishi esperava, ela não disse nada o caminho inteiro e assim que chegaram à bela casa, grande, com um belo jardim, naquele bairro residencial caro, Brittany abriu o portão e entrou, indicando um lugar para Shiraishi deixar a bicicleta e ele o fez.
– Pode entrar. – ela disse abrindo a porta e dando passagem para ele, fechando-a em seguida.
Shiraishi estranhou a casa vazia, mas deixou os sapatos na porta, como de costume, apesar de ter notado que a menina não se importou com isso, passando direto, e entrou observando tudo a sua volta, a sala era ampla, separada em estar, com uma lareira e um piano antigo, mas muito bem conservado e a de jantar com uma mesa redonda grande e cadeiras estofadas, nem sinal de televisão, mas pelo tamanho da casa, provavelmente havia uma sala de televisão. A cozinha ficava logo adiante e não parecia ser menos espaçosa, pois possuía uma mesa retangular que comportaria confortavelmente seis pessoas, além de uma bancada no centro típica das cozinhas americanas, com bancos altos. Brittany fazia algo lá e o havia deixado sozinho na sala sem maiores explicações, por isto, foi atrás dela. A cozinha era ampla, mas o que o surpreendeu foi encontra-la guardando a louça limpa e seca que parecia ter sido lavada mais cedo naquele dia, recostou-se no batente da porta ficou observando-a.
– Sei que você é todo saudável e tal... Então, quer algo para beber? – ela perguntou sem olhar para trás.
– Pode ser... O que você tem? – perguntou o rapaz acompanhando-a com os olhos.
– Água, chá, refrigerante, que sei que você não vai querer, e suco natural, claro. – respondeu abrindo a geladeira.
– Ok... Vou querer suco, então. – o rapaz respondeu cruzando os braços. – Onde iremos estudar?
– Pode ser aqui na mesa da cozinha, mesmo, há espaço de sobra. — a morena respondeu abaixando-se para pegar as laranjas na gaveta debaixo da geladeira. — Você está parado na porta olhando o que?
– Eu não estou olhando nada! – defendeu-se Shiraishi, mas corando por conta da mentira parcial, afinal, não tivera a intenção de ficar lá, parado, olhando a garota mas... Não podia evitar.
– Sei... Kuranosuke... Conheço garotos... E sei que você não é nenhum santo, porque garotos são sempre garotos! – ela cutucou, assim que depositou as frutas sobre a bancada, deixando-o ainda mais constrangido. – Seja útil e me ajude. Pegue a máquina de suco naquele armário para mim. – apontou para um armário suspenso, alto.
O rapaz entrou na cozinha, abriu o armário e colocou o aparelho sobre a bancada, enquanto Brit cortava as laranjas na metade, rapidamente, parecia ter habilidade com isso, ele sentou-se na mesinha da cozinha enquanto a via espremer as laranjas com ajuda do equipamento.
– Onde estão seus pais? – perguntou, quebrando o silêncio e estranhando o fato de estarem sozinhos.
– Meu pai está trabalhando e minha mãe está em New York. – respondeu pegando a jarra e colocando o suco sem açúcar nem nada e pegando dois copos em um armário com portas de vidro. – Vamos?
– Sim. – Shiraishi pegou a jarra e os copos, ajudando-a a colocar na mesa.
O rapaz achava estranho o fato da mãe de Brittany estar viajando naquela época do ano... Talvez estivesse visitando algum parente doente... Ela era Americana, talvez fosse saudades de casa.
Abriram os livros e cadernos sobre a mesa. Shiraishi era bem didático e ensinava muito bem, a morena não poderia reclamar que ele não sabia dar aulas... Ele realmente era muito bom professor e também entendia muito de Química, talvez não fosse tão ruim assim ter de aturá-lo por algumas horas durante alguns dias da semana para ter boas notas e conseguir o milagre de passar de ano em Química sem ficar na recuperação durante o Verão... Até porque fazia uns dois anos que não via absolutamente nada de Química.
Já estava razoavelmente tarde, o capitão tinha de estar em casa para o jantar; ainda assim, Shiraishi esperava Brit terminar um exercício, olhava as fotos espalhadas pela sala, haviam diversas fotos de Brittany e do pai, nenhuma da mãe, mas uma, em especial, lhe chamava a atenção em especial, era uma foto de Brittany com uns 13 anos, talvez... Tocando um piano clássico, os olhos dela estavam fechados, sua expressão era muito serena, nunca a vira assim, inconscientemente sorriu diante da foto.
– Hey! Terra para Shiraishi Kuranosuke... – a voz melodiosa o fez despertar de seus pensamentos, olhou para ela com uma expressão de surpresa, ela estava na porta entre a sala e a cozinha. – Eu acabei!
Ele voltou, se sentou a mesa e pegou o caderno das mãos dela.
– Vamos ver isto, então. – começou a corrigir os exercícios. – Você toca piano, Brit?
Brittany não esperava por aquela pergunta e não sabia muito bem como responde-la:
Ah... Só um pouco... – estava desconcertada, observando o rapaz de cabelos platinados compenetrado na correção de seus exercícios.
– Que legal! Eu gostaria de saber tocar algum instrumento, mas acho que não nasci pra isso. – comentou com um sorriso largo e bonito e devolveu o caderno para ela. – Pronto! Todos corretos! Você aprende rápido Bee-chan! – elogiou, até mesmo surpreso com isto, porque pensou que ela seria mais difícil. – Acho que já está na hora de eu ir.
– Claro... – comentou, Brit, se levantando para ajudar Shiraishi a guardar as coisas e levando os copos para a cozinha, retornando em seguida e vendo que ele já estava pronto. – Eu te acompanho até lá fora.
O momento foi constrangedor, Brit nunca se sentira assim na vida, primeiro que, além de seus primos e familiares, Mitsu-kun era o único homem que frequentava sua casa, contudo, o capitão da Seigaku era o protegido oficial do pai de Brit... Já Shiraishi, bom, ela não sabia qual seria sua reação diante do rapaz de cabelos platinados e não queria realmente descobrir... Ela jamais havia trazido um namorado para casa ou um homem que não fosse Tezuka Kunimitsu. Ficaram por muito tempo em silêncio, sem saber ao certo como agir, até que Shiraishi resolveu dar o primeiro passo.
– Nos vemos amanhã, Brit! Oyasumenasai. — falou com aquele sorriso lindo que ele tinha. – Nos reunimos novamente na quarta, pode ser?
– Oyasumenasai, Kuranosuke. – ela respondeu tentando parecer totalmente segura de si. – Sim, claro!
Shiraishi se afastou, acenando para a garota que acenou de volta e entrou em casa para esquentar o que Mari-san havia deixado para jantar, logo seu pai estaria em casa e ainda tinha os deveres de casa para fazer.
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Oyasuminasai = Boa noite, em japonês
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