Tão gelado quanto sangue.

2 Primeiramente, sou a mais autentica!


Notas iniciais
Hey, segundo capitulo inspirado na música Fancy. Só tenho uma coisa a dizer: Esse capitulo foi difícil!

Se lembre do meu nome, pois está prestes a explodir.

Fancy – Iggy Azalea feat. Charli XCX

Uma noite de agosto de 1959

John não queria ir até o parque de diversões. Ele queria ficar em casa e dormir. Era sua primeira noite desde que chegará do colégio interno e queria descanso, mas isso não estava nos planos de seu melhor amigo Frank Henderson. Pois tudo que ele queria era conseguir algum romance de verão tão quente quanto o verão da Califórnia. John não queria saber de garotas naquela noite, ele só queria a merecida noite de sono. “Pense na possibilidade de arrumar alguma garota linda e poder dar uns amassos nela! Pense na possibilidade, pequeno John.” Disse Frank repetidamente. Esse foi o argumento que conseguiu convencer John a se arrumar e ir para o parque.

Ele tinha apenas 15 anos e nunca havia beijado uma garota. É claro que ele fantasiava com ele momento. De poder ter uma garota linda em seus braços e poder beijá-la quantas vezes quisesse. Pensar naquilo o deixava entorpecido. Ele e seus amigos apenas discutiam sobre sexo e esportes. Algumas vezes sobre carros ou sobre o tão infame e adorado Rock n’ Roll. Mas garotas era um tópico constante. A maioria de seus amigos já haviam estado com uma garota, mas ele e Frank não, o que era extremamente humilhante.

O parque ficava perto da praia e John adorava o cheiro do mar. Adorava observar os movimentos das ondas e de como as estrelas refletiam nas águas negras e geladas. O mar lhe dava uma sensação de liberdade que ele temia fervorosamente.

As luzes do parque eram tão incandescentes que faziam os olhos de John doer. Mas ele não se importava, gostava das luzes. Já havia varias pessoas se divertindo ali. Ele e Frank compraram os ingressos e entraram na terra prometida. Havia tantas garotas ali, todas elas com seus cabelos presos em fita. Longas saias rodadas. Rindo e comendo algodão doce. John e Frank se sentiram no paraíso.

Eles jogaram alguns jogos de arcada e andaram em alguns dos brinquedos do parque. Não tiveram nenhuma chance da falar com nenhuma garota.

Eles estavam se sentindo meio cabisbaixos e sem sorte. E foi então que eles as viram. Eram quatro garotas encostadas na mureta mais distante do parque. Elas eram definitivamente aquelas garotas que andavam com os Rockers. Elas vestiam saias grandes e rodadas, camisetas pretas e sapatilhas. Os cabelos em um rabo de cavalo alto e um lenço amarrado no pescoço. Elas eram aquelas garotas que já tinham um garoto e esses tinham motos.

– Está vendo aquela de lenço vermelho? – disse uma voz atrás deles. John se virou e viu que era Ralph Dewar, um dos garotos pobres da cidade.

– Sim. – disse John sem dar muita importância.

– Aquela é Annie Campbell. – John não acreditou.

Já se fazia dois anos que não a via. Ela havia sido sua melhor amiga quando ele era criança, e eles pararam de ser tão amigos quando eles cresceram e ambos seguiram seus caminhos. Agora ela era uma mulher e não mais a garota de 13 anos magra e estranha demais.

– Não creio. – disse Frank. – Nossa Annie cresceu. – ele bateu palmas silenciosas. – E cresceu muitíssimo bem.

Os olhos cor de mel se prenderam nos olhos verdes dele. E o reconhecimento brilhou nos olhos dela. Annie falou algo para a garota ao seu lado e se dirigiu em direção deles. Seu andar era tão tranquilo e despreocupado. Ele não conseguia entender como ela havia ficado assim tão linda.

– Ora, ora. – ela disse olhando John e Frank dos pés a cabeça. – Se não são os dois rapazes que eu mais adoro nesse mundo.

Frank riu abertamente, mas John apenas esboçou um sorriso.

– Você está lindíssima, senhorita Annie. – Frank disse em um tom galanteador e Annie riu.

– Só posso dizer o mesmo.

John não tinha o que falar. Ela estava tão crescida. Annie era sete meses mais velha que ele, mas essa noite parecia ser 5 anos mais velha. Ele se achava alto demais, magro demais, desengonçado demais e jovem demais.

– John – ela pegou nos ombros dele e o puxou para perto dela, num abraço apertado que o fez sentir os seios dela pressionados em seu tórax. – Meu querido, John. Você está tão bonito. – ele se arrepiou inteiro.

Ela pegou a mão de John e a de Frank e os arrastou até as suas amigas.

– Venha conhecer minhas amigas.

Annie apresentou a cada uma delas. Jocelyn era a mais baixa de todas, cabelos loiros meio apagados, traços faciais e corpo normal. Não havia nada nela que fosse tão marcante. Rebecca era uma morena lindíssima, com os olhos verdes e corpo marcado por curvas tão maravilhosas que fez John se perder por um instante. Kate era uma loira de estatura mediana e de olhos azuis. Mas havia algo nela que era lindo ao seu modo. Talvez fosse o olhar inocente, refletiu John.

– Vamos sair para dançar? – pediu Kate.

– Kevin não vai gostar disso. – Jocelyn falou olhando para Annie.

John se perguntou quem era Kevin e porque ele não iria gostar disso.

– Kevin? – Frank perguntou.

Annie sorriu.

– Meu namorado. – ela deu de ombros. – Ele não vai se importar, pois eu tenho dois cavalheiros para cuidar de mim.

***

O salão era abafado e fedia a fumaça de cigarro e perfume forte. John se sentiu estranhamente confortável. O Rock n’ Roll tocava alto e todos dançavam. Ele adorava a batida da música e como ela fazia seu corpo relaxar e se soltar. Na maior parte do tempo, John era tenso demais.

Kate pegou a mão de John e o arrastou para a pista de dança. Ele queria dançar com Annie, mas recusar Kate seria loucura. Frank foi dançar com Jocelyn ao lado de John e Kate.

Assim que a musica acabou Kate se separou de John e pegou dentro de sua bolsa um maço de cigarros. Ela colocou um entre os lábios e o acendeu. Tragou e soltou a fumaça levemente.

– Você fuma? – ela perguntou.

John balançou a cabeça levemente.

Ela tirou um cigarro de dentro do maço e estendeu para ele.

– Tente.

Ele colocou entre os lábios, acendeu e tragou. A fumaça desceu e queimou ele por dentro que o único modo de tirar aquela fumaça de dentro de si era tossindo. Kate riu e continuou fumando seu cigarro lentamente.

Como alguém conseguia gostar daquilo? Era estranho demais.

Annie se aproximou dele e o abraçou por trás.

– É minha vez de dançar com você! – ela parou na frente dele. – Kate te fez fumar?– ela riu. – Ela gosta de levar as pessoas a maus vícios. – Kate deu um sorriso e se afastou dos dois.

Uma musica começou a tocar e ele reconheceu que era Lonesome Tears in my Eyes de Johnny Burnette & The Rock n’ Roll Trio. Annie começou a dançar e ele dançou com ela. A morena balança e rodopiava pela pista de dança e ele a acompanhava. Ela tinha um gingado frenético e animado. Ela balançava a saia e dançava colocando as mãos nos ombros dele. Ele estava hipnotizado por ela. A musica acabou e ela o olhou nos olhos e sorriu. Algo dentro dele gelou. Ele sorriu de volta.

– Senti sua falta. – ela disse baixinho olhando para ele.

– Eu também. – ele sussurrou para ela.

Era como se só houvesse eles na pista de dança. Como se o mundo estivesse parado só para eles. Mas ela quebrou essa magia se virando e voltando para fora da pista. John não a entendia.

Ele a seguiu até lá.

– E como vai a vida? – ele perguntou. – A escola só para garotas em Nova York?

Ela riu como se aquilo fosse uma grande piada.

– Você não quer saber.

– Sim, eu quero.

Ela sentou no banco de madeira e bateu a mão no lugar vago ao lado dela, indicando que era ali que ele deveria se sentar. Ele o fez sem questionar.

– Continua irritantemente perfeita. – ela disse dando de ombros. – Tudo é perfeito. Tudo é maravilhosamente perfeito. Tudo é extremamente perfeito.

John a segurou contra si.

– Não acho que seja assim tão ruim. – ele disse baixinho.

– Não? – O seu tom de voz era questionador. – Não consigo me expressar do jeito que eu quero na escola, assim como não consigo em casa. Só quando estou com as minhas amigas ou com Kevin.

John não gostou do modo como ela disse o nome de Kevin. Era intimo demais. Ele sentiu ciúmes.

– Como conheceu Kevin? – ele perguntou.

Ela se afastou dele e o encarou. Um sorriso maravilhoso apareceu em seus lábios.

– Ele é da escola irmã da minha. – ela disse sorrindo. Ele queria que aquele sorriso fosse para ele. – Ele nós nos conhecemos em um dos bailes que nossas escolas deram em conjunto.

John assentiu. Ele apenas assentiu.

***

Nem me venha falar isso. – A gargalhada dela ecoou pela noite fria. – Você não entende, eu sou uma estrela.

Ele concordava. Ela era uma estrela.

– Não duvido. – ele disse. – Mas como você vai cantar Rock, Annie? Isso é coisa para os homens.

Ela pareceu ofendida.

– Epa, segura seu machismo para si mesmo. – ela disse batendo seu ombro no ombro dele. – Eu irei brilhar. Como eu já disse, eu sou uma estrela.

Ele não quis ser machista como ela o havia denominado, mas era verdade. Algumas coisas eram dominadas pelos homens e era difícil de se mudar.

– Então eu vou esperar para ver.

– Isso mesmo. – ela assentiu. – Você vai ver meu nome escrito em luzes.

Eles estavam na rua dela. A casa em que Annie cresceu estava tão perto que o coração de John doeu. Ele não queria ficar distante dela.

– Você vai ver, eu serei a mais inovadora e autentica das cantoras.

– Eu não duvido.

Eles pararam na frente da entrada de carros da casa dos Campbell. Ambos ficaram cara a cara. Ela se inclinou até ele e depositou um beijo de leve em seus lábios e murmurou com os lábios macios ainda presos nos dele:

– A mais autentica de todas.

Depois se virou e correu para dentro de casa.

John ficou congelado por um instante e depois recobrou o controle sobre si mesmo. Começou a andar de volta para a casa.

– A mais autentica de todas realmente.

Estive trabalhando, estou por cima, prestes a revolucionar.

Fancy – Iggy Azalea feat. Charli XCX

Notas finais
Só uma coisa, antes de alguém vir dizer: "Ei, tia Ingra nesse capitulo você fez apologia ao cigarro", entendam uma coisa nas décadas de 50 e 60 fumar era algo tido como legal e descolado. O cigarro não era visto como é visto hoje. Então, eu não fiz apologia ao fumo, somente apresentei como era na época.