Só podia ser você!
37 A casa nova
Notas iniciais

Annabeth
Estou totalmente esgotada. Já estamos em Março e nesses dois meses eu fiz tanta coisa que minha cabeça está aponto de explodir. Logo que voltamos de viagem já começaram as provas na escola, além do campeonato das lideres de torcida, que por sinal nós ficamos em segundo lugar. Admito que as meninas que ganharam em primeiro lugar são muito boas, mas nosso time se esforçou tanto que eu fiquei com raiva, mas pelo menos conseguimos o segundo lugar, é uma boa posição.
Foi uma experiência incrível participar do campeonato nacional, teve cada coisa que eu não consigo parar de rir nem agora que estou apenas relembrando. Foram vários estilos diferentes, tiveram aquelas que sensualizaram, as que fizeram uma apresentação tão sinistra que eu fiquei até com medo, as que ficaram em terceiro lugar, o grupo que ficou em segundo(o meu grupo, que deveria ter ficado em primeiro, mas fazer o que.) e em fim as meninas que ganharam o primeiro lugar.
Além das provas e do campeonato, tivemos que organizar todo o casamento da minha mãe e do meu sogro, Poseidon. Esses dois estavam tão ansiosos que assim que chegamos da viagem já nos bombardearam com a notícia que se casariam no dia quatorze de Março, dá pra acreditar? Foi um choque no inicio, mas foi bem divertido ver minha mãe tão descontrolada nesses últimos meses. Ela pediu para que eu fosse sua madrinha de casamento e eu aceitei feliz, assim como Percy que vai ser o padrinho do pai dele. Vejo que o Percy ainda não fica muito confortável com esse casamento, mas ele vem se acostumando e estamos todos muito felizes por causa disso.
Eles decidiram que morariam juntos e já que não queriam que surgissem um conflito para decidir em que casa se estalarem, compraram uma casa, ou melhor, uma mansão para viverem juntos. Até agora pode parecer que eles não estão fazendo nada de anormal, mas o negócio é que eles querem que eu e Percy voltemos a morar com eles. É claro que não concordamos logo de cara, mas eles disseram que só precisaríamos ficar lá durante a semana e que nos fins de semana poderíamos voltar aos nossos apartamentos com os amigos. E isso nem é o mais surpreendente. Quando fomos visitar a mansão descobrimos que o meu quarto e o do Percy são interligados. Não estou de brincadeira, a parede que deveria separar os nossos quartos tem uma porta!
Descobrir isso foi meio… chocante. Que tipo de pais em sã consciência pedem para que os filhos, que são namorados, morem na mesma casa e ainda por cima com quarto interligados??? Ou eles confiam de mais na gente, o que eu não aconselho, ou realmente estão desesperados para que moremos com eles de novo.
— Já arrumou as coisas que vai levar? — Percy me pergunta assim que entra no meu closet. Hoje é dia sete de março, faltam apenas sete dias para a cerimônia e estamos terminando de arrumar a casa já que depois do casamento vamos morar lá.
— Só faltam os sapatos, vou deixar algumas peças aqui, mas a maioria vai pra casa nova.
— Isso é muita loucura. — diz Percy se sentando no sofá redondo que fica no meio do meu closet. — Além de ter meu pai se casando com a sua mãe, nós vamos morar juntos. — Viro meu rosto para ver Percy e ele me dá um meio sorriso. Consigo ver que ele está um tanto chateado ainda, mas ele nunca se abre pra mim dizendo o que ele realmente está sentindo com reação a tudo o que vem acontecido.
Deixo os sapatos que estavam em minhas mão no chão e me aproximo de Percy sentando ao seu lado. Ele encara um ponto fixo no chão e fica o olhando por um tempo sem dar bola pra mim que estou bem ao seu lado.
— Percy. — o chamo e ele não me escuta. — Olha só não tem jeito de eu saber como você se sente com tudo isso se você não falar pra mim. — ele continua encarando o chão sem nem ao menos me dar uma pista como um suspiro ou uma piscada para indicar que pelo menos me ouviu.
— Tudo bem, fique ai sozinho. — me levanto e caminho até o meu quarto, mas antes de chegar na porta que separa o closet do meu quarto a mão de Percy me puxa pelo pulso e eu bato em seu corpo. Ele respira fundo e me segura pela cintura bem firme. Olho pra cima e capturo seus olhos com os meus. Ele parece a ponto de chorar, então o abraço mais firme e ele encaixa o rosto no meu ombro. — Você sabe que pode fale qualquer coisa pra mim, não sabe? — Perseu meu aperta com mais força e escuto um soluço saindo do fundo de sua garganta. Ficamos abraçados por um tempo e assim que percebo que Percy se acalmou o puxo para o meu quarto e deitamos na minha cama. Ficamos em silêncio e espero que ele comece a falar quando estiver mais a vontade.
— Sinto muita saudade da minha mãe. — a voz dele não passa de um sussurro, mas consigo escuta-lo com clareza. Permaneço em silêncio esperando que ele continue e assim ele faz: — Eu não estava pronto pra ver meu pai com outra mulher. Annie, não tem nada em ser a sua mãe, o negócio é que não faz nem dois anos que a minha mãe morreu e meu pai já vai casar com outra. Eu nem tive tempo pra raciocinar quando eles soltaram essa bomba na gente. Nem fiquei sabendo que ele estava namorando, ai quando fico sabendo que ele tem uma mulher na vida dele ela já é sua noiva. — ele para e respira fundo.
Continuo em silêncio apenas o observando. tudo o que Percy disse é verdade. Já venho me preparando há alguns anos para o dia que minha mãe chegasse em casa com um homem e alegasse que estavam namorando, mas ela não fez isso, minha mãe e Poseidon apenas jogaram em cima de mim e Percy que estavam noivos e ainda por cima na frente de um monte de gente, não foi nada legal.
— Eu quero que meu pai seja feliz, mas pra mim está sendo um tanto difícil ter uma mulher substituindo a minha mãe. — me aproximo mais de Percy e coloco a cabeça em seu peito, ele passa os braços ao meu redor e me aperta um pouquinho. — Fala alguma coisa.
— A minha mãe nunca vai substituir a sua, Percy. Assim como o seu pai nunca vai ser o meu pai, mas pense que os dois vão ficar mais felizes juntos. Você só precisa considerar a minha mãe como a sua sogra e a mulher que está deixando o seu pai mais feliz depois de ter perdido a esposa.
— Falar é bem mais fácil do que fazer. — fala. Saio de seu abraço e continuo deitada na cama mas agora estamos cara a cara.
— Eu sei, amor, mas você vai ter bastante tempo pra se acostumar e eu vou sempre estar lá com você lembra? — Percy pega minha mão e fica brincando com o anel que ele me deu.
— Essa é a melhor coisa que veio junto com esse casamento. — ele diz com um sorriso.
***
— Seu quarto ficou muito lindo, filha. — minha mãe fala assim que ultrapassa a porta.
— Eu também achei que ficou bem legal, mãe. — suspiro. — O negócio agora é arrumar aquele closet, ele é duas vezes maior do que eu tinha no apartamento.
— Se quiser eu posso te ajudar, mas agora nós temos uma tarefa muito importante para cumprir. — minha mãe enlaça o braço no meu e me tira do meu quarto. Passamos pelo corredor, descemos as imensas escadas e finalmente saímos da casa. Percy e Poseidon saíram e nos deixaram com toda a arrumação da casa, mas nós pouco importamos já que eu e minha mãe adoramos organizar esse tipo de coisa. Se quer um trabalho bem feito faça você mesmo.
Entramos no carro da minha mãe e colocamos o cinto de segurança antes de dar partida no carro. Ligo o rádio e começa a tocar Love Me Harder da Ariana grande. Minha mãe tenta estar sempre perto de mim e por isso somos bastante intimas. Minha amigas vivem falando o quanto minha mãe é legal. Ele sabe cantar grande parte das músicas que eu escuto, lê os livros que eu leio e ainda por cima vai em todos os shows que eu quero ir comigo e com as meninas. Eu e Atena começamos a cantar a música e quando ela imita um dos gritos da Ariana eu caio na gargalhada e ela me acompanha. Assim que as risadas acabam, ela abaixa um pouco o volume do rádio e olha pra mim intercalando com a estrada.
— Filha, dá pra acreditar que vou me casar daqui a cinco dias? — ela fala feliz.
— Estou feliz que esteja feliz mãe. Você merece. — digo carinhosamente. Ela para no sinal vermelho e me abraça. O abraço da minha mãe é tão aconchegante que esquecemos do tempo e nos separamos com buzinas de um Maserati atrás de nós. Minha mãe fica vermelha de raiva e abaixa a janela do seu lado só pra colocar a cabeça pra fora e gritar com os cabelos vento:
— NÃO TÁ VENDO QUE ESTOU ABRAÇANDO A MINHA FILHA SEU GROSSO! — depois disso ela simplesmente volta ao seu assento, fecha o vidro e volta a dirigir como se nada tivesse acontecido. Não consigo me segurar e começo a rir sem conseguir parar. Nunca vi minha mãe fazendo algo como isso. Acho que é o estresse do casamento.
— Mãe, você é muito doida!
— Filha, desculpa por isso estou ficando tão tensa com a proximidade do casamento que nem estou conseguindo pensar direito. — minha mãe faz uma curva fechada e eu quase morro de susto.
— Dona Atena, encoste esse carro que eu vou dirigir.
— Estou bem Annabeth. Que bobeira é essa?
— Mãe é sério, não queremos que a noiva e a madrinha morram cinco dias antes do casamento, certo? — Atena abre a boca para protestar, mas eu a interrompo. — E tem mais você acabou de errar o caminho para o Atelier da Vera Wang, mãe.
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