Só podia ser você!
38 Eu não quero me casar!
Notas iniciais

Annabeth
Já estávamos quinze minutos atrasadas. Eu sei que a noiva sempre atrasa um pouco, mas já era pro casamento ter começado à quinze minutos e ainda estamos na sala da casa de festa onde seria a cerimônia.
— Annabeth, eu não sei se consigo fazer isso! — diz minha mãe com a mão no peito. Ela está com respiração ofegante como se estivesse fugindo de cães por uma hora, chega a ser engraçado a maneira como os olhos dela estão arregalados e vidrados no tapete persa que cobre o chão de madeira.
— Mãe, olha pra mim. — ela me olha nos olhos, ponho as mãos em seus ombros e começo a falar com uma voz que passa confiança. — Você consegue fazer isso.
— Okay… — Atena respira fundo e me abraça. Durante o nosso abraço batem na porta da sala e bem devagar a mesma é aberta.
— Annie, vocês estão bem? — pergunta Percy. Ele olha pra minha mãe e sorri disfarçadamente, mas eu, assim como minha mãe enxergamos o que ele havia feito.
— Por que você está rindo, Perseu? — minha mãe pergunta nervosa. E nervosa que eu falo é nos dois sentidos da palavra.
— Você está igual ao meu pai. — ele ri um pouco e continua: — ele já estava nervoso antes, ai vocês estão se atrasando e ele está pra desmaiar a qualquer momento bem na frente de todos os convidados. — olho pra minha mãe e ela entende o que quero expressar com esse olhar: Está na hora.
Depois de dar um forte abraço em minha mãe eu e Percy nos retiramos da sala e caminhamos de mãos dadas até o início do tapete que leva direto até o altar. Está tudo tão lindo e perfeito que eu não mudaria nada se esse fosse o meu casamento. Já estamos no final da tarde, mas o por do sol ainda não se fez presente.
É uma comemoração pequena, cerca de cem convidados que, assim que eu e Percy aparecemos no inicio do tapete, se levantam como se desse a entender que a nosso chegada significa o inicio da cerimônia. Olho para a lateral direita do palco e aceno com a cabeça para os músicos.
— Tá preparada? — Percy me pergunta. Olho para ele e afirmo com a cabeça soltando nossas mãos.
— Só não me deixa cair. — sussurro. Ele me oferece o braço e eu aceito. Olho mais uma vez para todas as pessoas e encontro meus amigos lá na frente.
— Nunca. — A música começa assim que começamos a caminhar pelo tapete. Todos estão olhando para nós dois com sorrisos que com certeza machucam as bochechas. Percorremos todo o caminho com sorrisos contidos. Aquele tipo de sorriso que você mostra quando está nervoso, mas tem que demonstrar sua felicidade naquele momento.
A cada passo estamos mais perto do altar e eu estou nervosa como se fosse eu quem vai se casar. Olho para os lados disfarçadamente e vejo Thalia, Nico, Silena, Leo, Piper e Jason… Grover e Juníper também estão aqui! Sorrio em direção a eles e eles acenam de volta para mim e Percy. Estava com tanta saudade do Grover e da Juníper.
Assim que me dou conta já estamos diante do altar e subindo os dois pequenos degraus. Percy me solta lentamente vai para seu lugar na direita ao lado de seu pai. Eu, me dirijo para esquerda, onde daqui poucos minutos minha mãe vai estar. A música lenta e agradável que soava como uma música de fundo é trocada pela tradicional marcha nupcial. Olho em direção ao inicio do tapete, onde estava à poucos minutos e me deparo com a minha mãe chegando até ele com uma cara de preocupada. Quase abandono minha posição para atravessar com ela o tapete, mas Zeus é mais rápido e assim que olho para ela novamente ele já está com o braço entrelaçado no dela e ela estampa um sorriso tão grande e belo que tenho certeza que suas bochechas estão se rasgando de tensão.
A cada passo a música vai ficando suavemente mais alta. A melodia acompanha o rimo dos passos de minha mãe e Zeus. Olho de soslaio para Percy e vejo que ele está sorrindo enquanto olha para Poseidon que só falta chorar de felicidade. Meu olhar volta para minha mãe que já esta parada nos braços de Zeus enquanto ele lhe dá um beijo na testa. O pai de Thalia pega a mão de minha mãe e a entrega para Poseidon que a segura como se fosse feita de vidro. Os noivos sobem os degraus e chegam finalmente na frente do juiz de paz.
***
— E pelo poder confiado em mim pelo estado de Nova York, que eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva. — o juiz nem termina de falar e os recém casados já estão nos braços um do outro. Uma lágrima insiste em cair, mas não deixo e apenas a enxugo com a ponta dos dedos, tomando todo o cuidado com a minha maquiagem. Assim que me recomponho percebo o olhar de Percy que cai sobre mim. Ficamos durante toda a cerimônia trocando olhares e conversando discretamente sem usar a voz.
Foi uma bela cerimônia. Simples e super normal, mas foi realmente muito especial. Ver minha mãe tão contente é uma coisa única pra mim. Não me lembro de vê-la tão feliz desde que meu pai se fora. Percebi que até mesmo Percy estava só sorrisos. Pelo que percebi, agora ele já, praticamente, aceita por completo esse casamento.
Minha mãe e Poseidon terminam o beijo e se viram felizes para os convidados. Eles descem as escadas de mãos dadas cumprimentando à todos e assim eu e Percy fazemos também. Agora, enquanto todos os convidados se acomodam na área da festa, os noivos, eu e Percy, Nico e Thalia, Jason e Piper, Leo e Silena, Grover e Juníper, Zeus e Hera, Hades e Perséfone e Glória, vamos até uma sala onde foi montado um espaço para serem tiradas as fotos. Minha mãe quis tirar fotos com as pessoas mais importantes pra ela e Poseidon. Achei estranho que ela quis tirar fotos com os meus amigos e de Percy, mas ela apenas disse que se eles são importantes pra nós, é assim também para ela.
Muitas, muitas, muitas fotos. Pelos Deuses, aposto que já se passaram no mínimo uma hora desde que estamos enfurnados aqui com três fotógrafos, duas maquiadoras e muitas luzes na cara.
— Minhas bochechas estão doendo muito. — reclama Leo apertando as bochechas. Todos concordam com ele.
— Vamos nos divertir agora. — diz Poseidon com a voz cansada.
— Como assim? — pergunta minha mãe. O tom de voz que ela usa deixa todos tensos, coo se tivessem sacado que o meu sogro disse algo besta. — Não estava divertido antes? — ela diz com a voz sarcástica, o que alivia a tensão os ombros de todos, principalmente de Poseidon que deu um breve suspiro.
***
— Gente, a Amazônia é simplesmente incrível! — fala Grover. Estamos todos sentado em uma mesa conversando. — Não tenho nem palavras para descrever o quanto aquela floresta é especial.
— Vocês realmente deveriam ir passar um tempo com a gente por lá! — sugere Juníper. — Daqui a um mês é férias de verão e a gente ficaria muito feliz que vocês fosse nos visitar lá no Brasil.
— Parece bem legal mesmo. — diz Piper alegre.
— Temos que combinar com nossos pais, mas aposto que todos vão deixar. — comenta Nico.
Nossa conversa continua por muito tempo até que é anunciada a dança dos noivos. Todos se encaminham para a pista de dança fazendo uma roda envolta de minha mãe e Poseidon. Logo já é hora dos convidados se juntarem a dança. Percy me puxa lentamente para o centro da pista. Ele coloca as mãos na minha cintura me puxando para perto e eu apoio minhas mãos em seu pescoço.
— Como você está? — pergunto a Percy.
— Bem, já me acostumei com essa ideia e agora está bem mais tranquilo. — ficamos um tempinho em silêncio apenas curtindo a música calma que toca ao fundo e esse momento. — Como você está se sentindo?
— Estou muito ansiosa para ver como as coisas serão daqui pra frente. — Deito minha cabeça com a testa apoiada em seu peito e ficamos assim por vários minutos, até mesmo nas músicas mais agitadas.
Tenho medo de que, agora que vamos morar juntos, aconteça alguma coisa que faça o Percy se cansar de mim ou parar de me amar do jeito que ele diz sentir. Talvez isso tudo seja só a minha cabeça tentando me deixar insegura, mas eu tenho muito medo que isso realmente aconteça. Sabe, na maioria dos filmes ir morar junto é a maior aventura e a maior prova de amor que o casal pode fazer. Mesmo que eu e Percy estejamos apenas indo para a casa de nossos pais, nossa convivência vai aumentar muito. E ao mesmo tempo que ela pode aumentar o que sentimos pelo outro, essa mesma convivência pode nos fazer cansar um do outro e eu não quero isso.
***
— UM… DOIS… TRÊS! — Um buquê é jogado pra cima. Muitas mulheres estão com os olhos fixos no arranjo de flores. Chega a ser engraçado. Se eu estou no meio de todas essas loucas? Claro que sim! Nunca tinha percebido os olhares ferozes das mulheres quando o buquê é arremessado pela noiva, é muito estranho, engraçado e a cara de algumas dá até medo.
— ELA PEGOU!!!! — alguma mulher grita. Saio de meus pensamentos e olho na direção que estão todos olhando. É a Thalia… Ela quem pegou o buquê! Não acredito! Thalia nem ao menos saiu da mesa que estávamos, ela disse que isso era para garotinhas ou tias desesperadas porque estão solteiras.
— Acho que vai rolar casamento, Zeus! — brinca Poseidon dando leves cotoveladas na barriga do Zeus.
— De jeito nenhum! Thalia você é muito nova para essas cois…
— Tá louco pai! Eu não quero me casar agora! — Thalia fica vermelha, não sei se é de raiva ou vergonha, mas falando de Thalia, dá na mesma. A reação dela a praticamente todas as emoções são iguais.
— Que legal!!! — minha mãe abraça Thalia animada! — Acho que você já pode ir arrumando uma aliança, Nico! — cantarola minha mãe fazendo todos rirem e deixando Nico vermelho.
— Tá na hora de cortar o bolo! — anuncia Glória!
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