Syn A Milanesa Ou Matt Ao Molho Shoyu?
15 Perseguições
Notas iniciais
Chego em casa, deixo o salto ao lado da porta e pego um pote de sorvete de chocolate que tinha no congelador (típico não acham?), nem me preocupo em colocar num potinho, pego uma colher e tomo ali mesmo. Boto um filme (não é romance) de terror, mas logo enjôo do filme e boto Monstros versus Alienígenas, infantil eu sei, mas sempre me faz rir. Vejo uns três filmes antes de criar coragem para tomar meu banho, depois que tomo meu banho ponho meu blusão e uma calcinha e assim fico pela casa. Joy ia dormir com o Syn mesmo, então posso perfeitamente desfrutar da casa só para mim, 01:30 o telefone toca, fecho a cara e vou atender, quem diabos podia ser uma hora dessas?
– Alô? – digo mau humorada.
– Nicole Mitchels Van der Ville? – fala uma voz feminina, talvez a mesma da primeira ligação.
– Que palhaçada é essa? Quem está falando nessa merda?
– Em breve você vai descobrir.
Desligou o telefone.
– Vá se fuder! – grito para as paredes e bato o telefone no gancho.
Não dá cinco minutos e o telefone toca outra vez.
– Fala logo nessa merda. – atendo simpática toda.
– Nossa. Também te amo sua vadia. – fala Joy.
– Desculpa. – resmungo. – Pensei que fosse outra pessoa.
– O Matt?
– Aquele pedaço de merda não me ligou. Sabe? Eu não sou digna das palavras dele. – digo emputecida.
– O que foi que aconteceu?
– Gates não te contou não?
– Só partes.
– Podemos conversar sobre isso depois? –pergunto.
– Quer que eu vá para casa?
– Não. Divirta-se com o Haner, eu quero ficar sozinha.
– Aposto que você atacou o meu sorvete, estou certa?
– 100%. Só não saio para comprar mais porque já são quase duas da manhã.
– Já? – ela fala surpresa. – Pensei que fosse menos.
– O Gates tira teu sono né? – pergunto. – Ele sabe fazer as pessoas perderem a noção da hora.
– Amiga olhe. Eu te adoro, mas guarde esses seus comentários para você ok? Eu sei que você já dormiu com ele, mas não preciso ouvir comentários ta?
– Whatever. – respondo.
– Amanhã eu passo ai.
– Não precisa, quero mesmo ficar sozinha.
– A casa também é minha esqueceu?
– Tudo bem. – respondo.
– Vai fazer o que agora?
– Ver se tem algum filme que preste passando, depois cama e desacompanhada.
– Vocês vão se resolver. –Joy diz.
– Duvido. Boa noite ta?
Nem espero ela responder e desligo o telefone, ainda penso em ir num bar beber, mas desisto, estava com preguiça demais para isso. Estava passando Sucker Punch, durmo na metade do filme. No outro dia acordo de duas da tarde, pego o telefone na esperança de ver alguma ligação ou mensagem do Shadows, nada. Tomo um banho e vou para o bar – estou me lixando para o fato de estar muito cedo ainda –, era domingo devia ter gente suficiente, não que eu quisesse falar com alguém. Sento-me no balcão e peço uma dose de vodka pura, provavelmente eu ia passar mal mais tarde pelo fato de estar bebendo de barriga vazia, mas foda-se, estou pouco me fudendo para isso.
– Andou brigando com o namorado? – pergunta uma loira que tinha acabado de se sentar do meu lado. Levanto um pouco a bebida, cumprimentando-a e digo:
– Eles são uns trastes mesmo não acha?
– São, mas vai viver sem eles. – ela diz e vira-se para o garçom. –O mesmo. – ela aponta para mim.
– Brigou com o traste também? – pergunto.
– Antes fosse, é bem mais complicado que isso. – ela me olha como quem me analisa, eu relevo isso. Contanto que ela não tentasse me assediar tudo bem.
– Beber para esquecer! – digo.
– E para relaxar. –ela completa. – Sou Francine, mas todos me chamam de Fran.
– Nicky. – apresento-me.
– Qual o nome do seu traste? – Fran pergunta.
– Matt.
– Não era Brian? –ela sussurra.
– O quê? – pergunto, como diabos ela sabia disso?
– Nada.
– Você falou em Brian. Quem é você? – pergunto outra vez.
– Sou Francine...
– Ok, pergunta errada. Por que você está aqui? Isso não é uma coincidência é?
– Talvez sim. –ela diz. – Talvez não, já descobri o que eu precisava.
– E o que você precisava?
– Saber que você não estava com o Brian. –ela se levanta.
– E o que é que você tem haver com isso? – pergunto, só falta ser uma ex-namorada frustrada.
– Muito mais do que você imagina. – ela vai saindo do bar.
Me deixou com uma pulga atrás da orelha, ela não parecia ser uma ex-namorada frustrada, ela sabia de alguma coisa, e eu precisava descobrir o que era. Eu deixo uma nota de cinquenta no balcão e a sigo saindo do bar, ela começa a correr, eu corro atrás dela.
– Não fuja de mim! – grito enquanto a sigo.
Ela dobra uma esquina, segundos depois também a dobro e quase caio num buraco enorme que tinha no chão, uma obra, estavam mexendo no cano sei lá. Ela corre bem rápido e faz um caminho cheio de curvas, mas eu continuo seguindo-a, até ela subir numa moto, dai eu não consigo mais acompanhá-la.
– Merda. – resmungo comigo mesma.
– Ei gostosa. – fala um cara.
Olho ao redor, eu estava numa parte muito esquisita da cidade, esquisito é pouco para descrever o lugar.
– Psiu! Estou falando com você. – o cara diz.
Dou um sorriso sínico e lhe mostro o dedo do meio.
– Adoro uma mulher braba. – vou saindo dali. – Para onde é que você vai? Venha conhecer a minha cama, gostosa. – o cara diz muito próximo a mim e dá uma tapa em minha bunda.
– Não encoste em mim. – digo.
– E se eu encostar a mocinha vai fazer o quê? – ele fala. – Olhe ao seu redor, aqui ninguém vai lhe salvar. – ele pega nos meus cabelos.
– Me solte. – agarro o braço dele e tento me soltar.
– Já está decidido. Você vai conhecer minha cama. – ele pega meu braço e me puxa sabe-se lá para onde.
– Me largue. – grito enfurecida.
– Nem adianta gatinha, a área não é minha, mas ninguém se mete no que é meu.
– Eu não sou sua. – digo e cuspo nele. Ele dá uma tapa na minha cara.
– Escute aqui sua vadia, ou tu me respeita ou eu acabo com a tua vida. E você é minha até eu enjoar de você.
Alguém da um soco nele, olho e vejo o:
– Saco de ossos? – digo.
– De nada. – ele diz enquanto o cara ainda está no chão, quando o cara começa a se levantar ele diz: – Agora corre.
E me puxa pelo braço e saímos correndo, o cara vem logo atrás.
– Você vai ver viu seu magrelo? – gritava o cara enquanto corria atrás de nós.
Arin dobra mais umas esquina e entra num beco escuro.
– Tem certeza que isso é seguro? – pergunto.
– Não. Shhh, lá vem ele. – ele me puxa mais para dentro e tapa minha boca com suas mãos, para esconder minha respiração ofegante.
O cara passa direto, mas ainda ficamos mais uns dez minutos ali no beco calados, tiro a mão dele da minha boca e sussurro:
– Acho que ele já foi.
Arin bota um pedaço da cabeça para fora do beco, e diz:
– Não. Ele ainda está ali.
– Ainda? E agora?
– Deixa eu pensar. Calma ae.
– Ligar para os outros? –sugiro.
– Boa. Liga ae.
– Eu não trouxe meu celular. – falo.
– Então fudeu.
Ele começa a analisar o beco.
– O que você acha de passar uma noite aqui? Ele não pode ficar lá fora para sempre.
– Acho que teremos que arranjar outra solução, até porque, eu estou morrendo de fome. – digo. – Ainda não comi hoje.
– Já são três horas da tarde.
– Eu sei. Motivo da minha fome. – Arin andava de um lado para o outro procurando opções de escaparmos. Ele pegou numa escada de emergência e se pendurou, a escada mexeu um pouco, tipo, bem pouco mesmo. – Dá para me ajudar aqui?
Dou um pulo e agarro um dos degraus, Arin também se pendura em um e com nosso peso junto a escada desce, caímos no chão, eu não resisto e começo a rir.
– Shhh, quer nos denunciar é? – Arin reclama, ai é que eu rio mesmo. Ele tapa minha boca. – Te controla menina. – ele fala. – Sobe vai.
– Por que primeiro eu? – pergunto entre risos.
– Porque eu quero olhar tua bunda – ele revira os olhos. – sobe logo.
– Ta bom, ta bom. – me rendo rindo.
Subo e fico na sacada de uma das casas, ele me acompanha.
– E agora? – pergunto.
– Agora a gente invade. – ele abriu a janela e entrou. Como se fosse a coisa mais normal do mundo, tipo: e ae cara o que vamos fazer hoje. Ah, invadir uma casa.
– Arin! – falo, mas vejo o cara entrando no beco. – Me espera.
Me jogo dentro do apartamento caindo por cima de uma mesinha, quebrando-a.
– Boa, quebra tudo. – ironiza Arin.
– O cara ta no beco, ou eu quebrava ou morria. – falo.
– Nossa que drama. – fala ele andando pelo apartamento. – Oba, maçã.
– Arin. – falo séria.
– Que é? É só uma maçã. – ele se defende.
– Vamos sair logo daqui. –digo ao entrarmos numa sala.
O casal tava no maior rale e rola no sofá, troco olhares com Arin, só tínhamos mais um problema: a porta era depois do sofá.
– Deve ter uma porta dos fundos. – Arin sussurra.
Vamos para a cozinha ele na frente e eu sem tirar os olhos do casal, para ficar de olho caso eles desconfiassem que não estavam sozinhos em casa. Eu, linda, maravilhosa e olhando para trás, não vi a porcaria do lixeiro e tropecei derrubando uma panela. Arin me olhou assustado, não deu outra o casal logo apareceu na cozinha. A mulher gritou (porque sempre as mulheres são escandalosas hein?).
– Você é o Arin! – a mulher fala e começa a rir. A rir.
– Sou. – Arin responde me olhando. –Olhe, desculpe pela invasão, prometo pagar por tudo, mando um cheque assim que chegar em casa.
– E quem disse que você precisa me pagar em dinheiro? – ela fala e pisca para o magrelo olhando-o da cabeça aos pés, Arin dá um sorriso, mas o namorado dela reclama:
– Curto a banda. – ele diz. – Mas se você tocar na minha mulher te quebro na porrada. – o cara sorri, estava brincando.
– Poxa amor, deixa eu curtir um rock star vai? – ela fala melosamente e o beija.
– Bom, acho que já vamos então. –digo.
– Vocês não querem ficar não? Tomar um cafezinho, comer um biscoito? – ela sugere.
– Invés de roubar minhas maçãs. – o namorado brinca olhando para a mão de Arin, que lentamente coloca a fruta na bancada, dando um sorriso fraco.
– Eu queria era comer outra coisa. – fala Arin olhando a mulher sedutoramente, eu sorri com a cena. – Mas como seu namorado está com você eu acho melhor não.
– Que nada cara. Tu fica com minha mulher e eu com essa gata ai. – ele aponta com o queixo para mim.
– Amor! – a mulher dá um tapinha no braço do namorado. – Antes de saírem, me digam só uma coisa, por onde é que vocês entraram?
– Pela janela. – Arin responde. – Estávamos fugindo de um cara que tava tentando estuprar ela.
– Com um corpo desse eu também tentaria. – o cara estava me cantando, descaradamente. A mulher o encara. –Se eu tivesse solteiro claro.
– Venham. –ela nos chama e abre a porta. – E Arin... Se quiser dar uma passadinha aqui depois viu? Fique a vontade. – Arin dá um sorriso safado enquanto saímos pela porta.
– Você pode e eu não posso? – reclama o namorado. –Como é isso?
– Ai amor ele é famoso. Ela não. – a mulher responde. Eu deveria ficar ofendida?
Saímos da casa deles rindo.
– A mulher te deu o maior mole hein? –fico zuando ele.
– Pois é. As mina pira nesse corpinho. – Arin brinca.
– Tem gosto para tudo nesse mundo. – eu sorrio.
– Ta bom, da próxima vez eu deixo você ser estuprada ta?
– Eu sei me defender, ta?
– Ah é? E você ia fazer o quê? Morder o bilau do cara?
– Morder não. – corrijo. – Decepar com os dentes.
– Ai. – Arin põe a mão em seu bilau.
Vamos para minha casa, ao entrarmos Arin tropeça no meu sapato e cai no chão, dou gargalhadas altíssimas. Ele também não consegue se segurar e ri comigo.
– Que dia hein. –eu digo e me sento ao lado dele no chão.
– Pois é. Fomos ameaçados de morte, fui assediado visualmente. Você quase foi estuprada...
– Duas vezes. – completo.
– Três. – ele corrige.
– Três? – pergunto.
– Tudo uma questão de autocontrole. – começamos a rir. Minha barriga ronca. – Caralho tas com fome mesmo né?
– Você nem imagina.
– Vamo rangar então pô. –ele sugere.
– Acho que tem lasanha de microondas. Topas?
– Tem uma coisinha mais consistente não?
– Não com a fome que eu estou, não quero coisa consistente, quero coisa rápida. – levanto-me do chão e tiro as lasanhas do congelador.
– O cara tinha razão. Tu é mó gostosa. – ele fala. – Pena que eu não gosto.
– Você é gay? – pergunto abismada, virando-me para encará-lo.
– Não. Só não gosto de pegar a mulher dos meus amigos. É estranho falar isso no plural.
– Antes fosse no plural, agora não tem nem plural, nem singular. –digo.
– Teu conto de fadas já acabou foi?
– Briguei com o Matthew.
– E o Haner?
– Já encaminhei ele para a Joy.
– E eu fico boiando, tu não tem uma amiguinha para me encaminhar não é? Porra, tu é foda mesmo. – ele diz.
– Prefere de quatro queijos ou de carne?
– Quatro queijos. Sempre vou preferir comer de quatro. – trocadilhos, adoro.
Escutamos uma zuada na sala.
– Isso é lugar de deixar sapato sua vadia? – era a Joy.
– Boa tarde para você também. – fala Arin comendo uma banana.
– Arin?!
– O próprio. Quer uma bananinha? –ele oferece.
– Não obrigada. – fala ela estranhando a cena.
– Longa história. – digo assim que ela entra na cozinha.
– Eu tenho tempo.
– Eu ia sendo estuprada, mas Arin me salvou. –digo.
– Sou um mothafucker hero. – ele berra da sala.
– Aonde isso? – Joy pergunta.
– Há umas esquinas daqui, um bairro esquisito pra caralho. –digo.
– O que você estava fazendo num bairro assim? – Joy pergunta.
– É que tinha uma mulher estranha no bar que eu fui, ela puxou assunto, falei sobre o traste do Matt, ela pareceu ficar aliviada que não era o Brian. – explico.
– Ex maluca? – Joy sugere.
– Também pensei isso no começo, mas ai ela disse uma coisa que me deixou com uma pulga atrás da orelha.
– O que ela disse? – pergunta Arin entrando na cozinha.
– Alguem chamou esse menino na conversa? – Joy reclama.
– Não sou um menino sou um...
– Não tem problema. – interrompo. – Ela disse que sabe muito mais do que eu imagino.
– Estranho. – fala Joy.
– Demais, eu sei é que depois dessa frase ela saiu do bar e eu a segui, mas ela subiu numa moto e eu a perdi de vista, ficando no bairro esquisito onde o Arin me encontrou.
– Correção, onde o Arin te salvou. – ele se gaba.
– Opa, a lasanha ta pronta. –digo.
– Eu quero também, vou só trocar de roupa. –fala Joy.
– Merda. – Arin reclama. – Vou comer menos.
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