Syn A Milanesa Ou Matt Ao Molho Shoyu?
22 Comequié?
Notas iniciais
– Fale logo Francine. – digo já perdendo a paciência.
– Não é tão simples assim. –ela fala.
– Então como é?
– É só que...
– Que o que caralho? Dá para falar nessa merda?
– Não precisa ser grossa.
– Estou sendo rude, mas se você não disser ai sim você vai me ver sendo grossa.
– Eu... Já faz tempo...
– Desembucha garota. – paciência zero.
– Dá para parar de me pressionar?
– Dá para parar de me enrolar? –digo super irritada. – Francine se você não falar eu juro como te quebro no cacete e esqueço como nos divertimos ontem, não importa se estávamos virando amigas, se você não falar o que sabe eu juro como te mato...
– Sou sua irmã!
– ...te mato e depois ainda... – eu paro. – Você o quê?
– Eu sou sua irmã! – ela repete já gritando, e esconde o rosto.
– Meu pai não traiu minha mãe só uma vez? – pergunto, na verdade penso alto.
– Não somos irmãs paternas. – ela fala. – Somos irmãs maternas.
– Por isso a sua raiva de mim. – concluo.
– Sim, por sua causa minha mãe morreu. – ela diz entre lágrimas.
– Me desculpe. – peço, mesmo não sendo tão culpada assim.
– Mas ela também me deu a irmã que eu sempre quis. – ela diz. – Olhe, desculpe o jeito como agi com você, desculpe mesmo, você não teve culpa dela ter morrido. Parte de mim morria de raiva de você e a outra de vontade de conhecer a minha irmã. Mas eu fiquei dividida entre essas duas partes, e a parte da raiva acabou ganhando, por isso que nunca te procurei antes, mas engoli a raiva e resolvi te conhecer.
– Então quer dizer que eu tenho uma irmã? De verdade?
– Sim, irmã que só fez merda a vida toda, mas pretende recompensar isso. – ela enxuga as lágrimas. – Posso... Posso te pedir um abraço?
Ela nem espera pela minha resposta e me abraça, enxugando suas lágrimas em meus ombros e dizendo “desculpa”, eu retribuo o abraço mecanicamente, ainda não tinha caído a ficha.
– Tem mais uma coisa. – minha irmã diz. – Eu sei quem é o seu pai.
Ela me diz e eu não consigo acreditar.
– Você está falando sério? – pergunto incrédula.
– Sim, como nunca falei antes.
– Tenho que resolver isso agora.
– O que é que você vai fazer?
– Visitar o meu pai.
– Opa churrasco. – diz Zacky eu esbarro nele sem querer. –Pra quê a pressa?
– Depois explico, ajude a Fran com o churrasco e não me esperem para almoçar. – digo e pego o meu casaco.
– Pra onde você vai amor? – pergunta Matt coçando os olhos.
Nem respondo e pego logo o carro, saio na disparada, não ponho cinto nem nada, ultrapasso sinal vermelho, faço tudo de errado, eu estava a 120 km/h e subindo. Uma bola passa na frente do carro e uma criança vai pegar, desvio o carro e acabo subindo na calçada, a velocidade era tanta que meu carro roda várias vezes antes de capotar. Sinto um líquido quente escorrer pelo meu rosto antes de apagar de vez.
Por Gates
Eu estava no hotel com meu pai, Suzy e Mckenna quando Joy me ligou dizendo que Nicky tinha sofrido um acidente.
– E onde ela está? Em que hospital?
–Quem está no hospital? – pergunta-me meu pai.
– A Nicky. – digo e desligo o telefone já com o nome do hospital na mão.
– O que aconteceu a ela? – ele pergunta cheio de preocupação.
– Sofreu um acidente de carro. – respondo. – Cadê as minhas chaves? Caralho.
– Filho você não pode dirigir nesse estado. – fala Suzy.
– Eu tenho que dirigir assim, não vou ficar aqui esperando notícias da Nicole. – continuo procurando. – Mckenna você viu minhas chaves?
– Nãão... – ela responde.
– É importante Mckenna não tenho tempo para brincadeiras, onde elas estão?
– Por ai... – ela responde.
– Mckenna. Entregue as chaves do seu irmão agora mesmo. – ordena meu pai.
– Estão aqui. – ela entrega, eu tomo da mão dela.
– Eu dirijo. – diz meu pai. – Você não está em condições de fazer isso.
– Não pai, eu preciso fazer isso...
– Brian. Eu já disse que dirijo. – ele manda. – Agora me dê as chaves.
– Vá amor, eu cuido da Mckenna. – diz Suzy.
Fico bem preocupado, não paro quieto numa posição, ela não pode morrer, ela vai ficar bem, eu preciso ver ela. Não sei quanto tempo demorou para chegar, mas me pareceu uma eternidade, mal saio do carro já corro para pedir informações.
– Nicole, onde ela está?
– Nicole de quê senhor? – a moça pergunta.
– Nicole... – merda não sei o sobrenome dela. – Ela sofreu um acidente de carro.
– Preciso do sobrenome dela.
– Merda. – digo preocupado.
– Nicole Mitchels Van der Ville. Onde ela está? – diz meu pai.
– Ela ainda não foi para quarto nenhum, está em cirurgia.
– Sei onde fica essa ala.
Sigo meu pai e quando chegamos lá, já estão todos, Matt sentado com a cabeça entre as mãos chorando, Joy tentando consolar ele. Gena e Lacey roendo as unhas e andando de um lado para outro, Zacky e Johnny tentando acalmar Francine, e Arin estava mais branco que o de costume, eu estava bem preocupado, mas não tanto quanto o Matt. O doutor sai da sala.
– Como ela está? – pergunto.
– Esta em cirurgia, foi um acidente feio, ela perdeu e está perdendo muito sangue. – ele responde. – Alguém aqui é O negativo?
– Eu sou. – responde meu pai.
– Um tipo raro de sangue, você é parente dela? – pergunta o doutor, Francine olha, encara e fuzila meu pai. Vejo que meu pai não gostou da pergunta, ainda tentei entender o motivo, mas ele não me olhava nos olhos.
– Sou o pai dela. – ele diz, eu arregalo meus olhos.
– Você o quê? – pergunto.
– Depois conversamos sobre isso. –diz meu pai e entra na sala.
Meu pai é pai da Nicky? Como assim? O que ele quer dizer com isso? Isso não é verdade. Não pode ser. Por que ele nunca falou sobre ela? Nunca me disse que eu tinha uma irmã. Nunca o ouvi mencionar sequer o nome dela. Como ela nasceu? De quem ela é filha? Isso não pode ser verdade.
– Meu pai está louco, só pode ser. – digo.
– Não. – fala Francine. – Ele é mesmo pai dela.
– E como você sabe disso? –pergunto.
– Porque eu sou irmã dela.
Por Nicky
Acordo com a maior dor de cabeça, aliso- a vejo que tem uma faixa na minha testa, lembro-me do acidente, da dor que eu tive, do sangue escorrendo e empapando minha roupa. Vou mexer o outro braço, mas não consigo, ele estava engessado, aliso meu rosto e noto que ganhei um corte na bochecha.
– Ela acordou.
Alguém fala e eu finalmente abro os olhos, estavam todos ao meu redor, Matt sentado na cama do meu lado, segurando minha mão boa, Zacky, Johnny e Arin estavam no sofá, mas se levantaram pouco depois que abri os olhos. Syn estava na poltrona ao meu lado, Joy estava em pé do lado dele, Gena, Lacey e Francine estavam mais ao canto. Todos se aproximaram quando eu acordei, tinha mais alguém no quarto, mas não consegui ver quem era.
– Fiquei bem preocupado. – diz Matt e beija minha bochecha.
– Você não devia ter saído daquele jeito.
– Nenhuma piadinha Arin? – pergunto, ele estava sério demais.
– Não estou com ânimo para piadas. – Arin diz. – Você amassou meu carro todo.
Eu sorrio e logo depois tusso, tinha um negocio branco imobilizando meu pescoço.
– Virei uma cachorra de vez pelo visto, estou até usando coleira. – eu brinco.
– Da próxima vez que a senhorita sofrer um acidente desse, se o acidente não te matar eu te mato, tá me ouvindo? – pergunta Joy.
– Também te amo vadia. – digo.
– Não ama caralho nenhum, se amasse não pegaria o carro daquele jeito. – ela diz emburrada.
– Eu que sofro o acidente e você que fica com raiva?
– Claro. Eu podia ter perdido minha melhor amiga.
– E eu minha irmã única. – diz Francine.
– E eu perderia a pessoa que mais amo. – diz Matt meus olhos brilham.
– Desculpa gente. –peço honestamente. – Não queria assustar nenhum de vocês. Mas não se preocupem, já estou melhor.
– Me prometa que nunca mais vai fazer isso. – diz Syn.
– Prometo. – digo.
– Você não pode morrer ainda garota, muitas águas ainda vão rolar na sua vida. – diz Lacey sorrindo. – Você vai ser minha madrinha.
– Madrinha? Você e Jojo vão casar?
– Humrum. – ela sorri e dá um pulinho.
– Que maravilha! – digo sorrindo.
– E nós vamos organizar a despedida de solteira dela, nem pense que vai fugir de me ajudar nisso. – diz Gena.
– Não vou querer fugir. – digo.
– Nicole eu... – diz Brian pai, eu cerro os dentes.
– O que você quer? – pergunto.
– Pedir desculpas. – ele diz.
– Seja mais específico. – digo.
– Vamos deixá-los a sós...
– Não. Eu quero que vocês fiquem, não há nada a esconder. – digo.
– Desculpa por nunca ter te assumido, não ter te dado meu sobrenome...
– Não me importo com sobrenomes. – digo.
– Quero que você me chame de pai, não será fácil eu entendo, você está com raiva de mim. Eu fui um covarde em ter te dado para Louise quando devia ter te assumido e te levado para casa, para minha casa, para nossa casa.
– Não existe nossa casa.
– Mas pode existir.
– Depois de vinte e um anos? Creio que não.
– Me desculpe, olhe eu sei que não é o momento, mas eu sempre cuidei de você, mesmo que a distância, essa não foi a primeira vez que você precisou de sangue, eu te matriculei em boas escolas, te dei o Guns ‘N Roses na sua festa...
– Mas se eu não tivesse conhecido o Synyster, não estaríamos tendo essa conversa. Pois você não precisaria se preocupar em ter irmãos dormindo juntos.
– Não é bem assim, eu ia te procurar, tentei te contatar no seu aniversário de 21 anos, estava disposto a te contar tudo, a assumir a consequência dos meus atos.
– É isso que eu sou né? Uma consequência, algo que não devia ter acontecido.
– Admito que foi um erro ter traído a Suzy, mas você ter nascido não foi, eu tentei te contar quando você completou 15 anos, mas Louise não deixou, disse que você não estava pronta ainda, ela ameaçou fugir daqui caso eu tentasse.
– Mas você sendo quem é, podia processar ela.
– Não podia, pois desde que você nasceu que ela tem a guarda, ela te deu o nome dela, não tinha nada que eu pudesse fazer.
– Você tem dinheiro, mesmo que ela saísse do país você conseguiria encontrá-la, conseguiria me encontrar.
– Eu tinha medo que você me rejeitasse.
– Seu medo aconteceu, pois não te vejo como um pai. – vejo a tristeza em seus olhos.
– Me dê uma chance Nicole, eu ia te contar, estava ganhando sua confiança naquele hotel, estava virando seu amigo, assim seria mais fácil de contar, mas a Francine fez isso antes de mim e acabou estragando tudo.
– Não foi minha irmã que estragou tudo. – defendo-a. – Foi você, no momento em que me deu para sua amiga criar.
– Nicole eu...
– Não. Não quero saber, saia daqui.
– Você vai me dar uma segunda chance?
– Não sei. Só saia daqui e me devolva o espaço que sempre me deu.
Ele sai calado, triste, não fala mais nada. Todos no quarto também estavam quietos, ninguém sabia o que fazer a respeito do ocorrido, eu estava bem irritada. O médico chegou e pediu para que as pessoas saíssem e me dessem espaço, eu precisava descansar tinha sofrido um acidente e tanto, não devia sofrer fortes emoções. Assim só ficamos eu, Matt e Joy no quarto. Joy quebra o silêncio dizendo:
– Nunca pensei que fosse estar namorando seu irmão, e menos ainda seu irmão sendo o Synyster Gates.
– Pois é. – digo rindo.
– Que nojo. – diz Matt.
– O quê é nojento amor?
– Você dormiu com seu irmão. – ele diz.
– Caralho mó nojo mesmo. – digo.
– Mas era o Brian Elwin Haner Jr. Vulgo Synyster Gates, esse carinha mesmo sendo irmão a gente releva. – diz Joy, eu sorrio.
– E eu não sabia né? Então foda-se, não me arrependo. – digo.
Notas finais
Beijinhos
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