Sweet blasphemy
1 Capítulo 1- The Dream
Notas iniciais
Os gritos atordoando minha mente, estes, vindo por todos os lados. Meu corpo pesando uma tonelada. Como vim parar aqui? Olho para cima e observo duas manchas planando! Parecem, as manchas, estarem colidindo uma na outra... Afastando-se e colidindo de novo. Fixo meu olhar, lutando para me manter consciente. Aproximo-me. As manchas agora me parecem ser duas pessoas, mas estão acima do chão, como pode duas pessoas planar? Sinto meu sangue escorrer, e minhas forças se desmancharem sobre o solo úmido do gramado. Os gritos não param, até se intensificaram, murmúrio de ódio entoando meio aos gritos e cheiro de madeira e palha queimada ao longe, mas não tão longe que eu não perceba, mesmo caído e quase inconsciente. Sinto em um segundo posterior um resquício de força e me ponho de pé, meu corpo parece não me pertencer, pois caminho de encontro aos dois seres, suspensos, que se digladiam, não sou dono dos meus passos. Pergunto-me por que estou fazendo isso? Então o vejo, e sei porque... ... O despertador do celular toca, Rafael desliga e cobre seu rosto com a coberta.
– Deixe-me voltar pro meu sonho!? Não quero escola – Aperta os olhos cheios da viscosidade da noite, torcendo para ninguém lembrar que ele existe. Porem, sua coberta é puxada por mãos rápidas.
- Rafael saia da cama que seu café já ta quente, você vai se atrasar...
- Mas mãe...
- Não tem mais mãe, você precisa levantar, porque eu estou mandando! — Antes de pensar em obedecer ao pedido de sua mãe e se levantar da cama, Rafael tenta lembrar alguma coisa de seus sonhos, como faz todas as manhãs. Uma angustia forte bate seu peito, um sentimento de perda, como se a pessoa mais importante de sua vida tivesse morrido recentemente. Ele fecha os olhos e se encolhe, como se seu peito quisesse se partir em dois.
– Que dor, o que ouve comigo? – sente como na infância quando se escondia no armário de sua avó para que os outros sentissem sua falta, sozinho sem escutar nada a não ser o zumbido dos ouvidos e o vento dos corredores.
– quem é você? – os olhos de um dos seres do seu sonho ressurgem em sua mente como um raio. Sua boca abre em um grito seco e quase inaudível e seus olhos abrem assustados.
- Rafael Ramos, sai dessa cama, já! — Com o ultimato de sua mãe Rafael troca sua camiseta de pijama por suas roupas matinais, nada de muito espetacular Jeans e camiseta preta, por vezes de banda, às vezes lisa, por outras, azul marinho. Por hoje preferiu a camiseta de banda que trazia um enorme anjo sobre torres de uma usina nuclear. Seu caminhar ate a cozinha é apresado, quase esbarrando com o irmão mais novo que ia “zumbificado” em direção ao banheiro. A fome e a pressa de sair antes que sua mãe o puxasse pelas orelhas, fez com que a sensação de angustia amenizasse. Sentou vendo seu pai sair com pressa resmungando “como é difícil tirar esses guris da cama, são uns sem responsabilidade” e sua mãe os comparando com seu primo Pedro que tirava boas notas na escola. A boa e velha vida cotidiana de um adolescente preste a completar tediosos quinze anos. Cansativamente aborreceste.
- Filho! – Rafael olha pra mãe como se tivesse saindo de um transe – seu pai vai fazer um almoço pra comemorar seu aniversario amanhã, então, se for dormir na casa da Diana – já era costume Rafael dormi na casa de sua melhor amiga e visse-e-versa nas sextas feiras depois das aulas
– por favor chegue cedo. Ta bom?
- Claro, Mãe! Mas acho que ela vai dormir aqui hoje, se você não se importar?
- De forma alguma, sabe que gosto dela, essa amizade te faz bem... E ela ainda está namorando?
- Não, não... Terminou, já.
- hum... — Nesse momento seu irmão entra na cozinha, pega o copo de leite gelado com achocolatado que sua mãe preparou e bebe tudo em um só gole e vai saindo quieto.
- Não vai me dar tchau? Miguel volta e da um beijo no rosto da mãe.
- E eu? – diz Rafael pra o irmão calado.
- Que? Você quer beijo também?
- Não, mas um “bom dia” pelo menos. – encabulado Rafael.
- Bom dia tu tem ali na TV, no jornal da manhã. – debocha Miguel do irmão e sai porta fora.
– Vo te contar, viu. — Rafael suspira e faz uma expressão de dar pena olhando a mãe que responde com uma careta alegre. Ambos voltam ao café da manhã que Rafael deve comer apressadamente para não se atrasar. Ao acabar de comer, Rafael levanta-se da mesa para terminar de arrumar-se para sair. Termina seus preparativos, liga sua lista de mp3 em seu telefone celular, põem os fones, dá um beijo carinhoso na mãe e se despede.
- Boa aula – grita a mãe para o filho ao passar pela porta. Está um pouco frio para Rafael. Ele volta para pegar um casado de moletom e se despede novamente da mãe. A grama do pátio está úmida, seus tênis estilo conga rapidamente gela seus pés, é setembro no hemisfério sul é as manhãs são gélidas e os fins-de-semana chuvosos. O portão faz o velho rangido de sempre, Rafael olha com pesar para a parte enferrujada do portão que um dia ele chutou sem querer e abriu uma ferida em seu dedo, mas isso já faz algum tempo, porém a dor parece à mesma até hoje, mesmo sem marcas ou cicatrizes no dedo. Ele fecha o portão como faz todos os dias e como em todos os dias, para por um segundo buscando na mente se não esquecera nada. Mesmo com a estranha sensação de ter esquecido algo, não consegue perceber nada que tivesse realmente esquecendo. A manhã está clara, porém há uma densa nuvem baixa pela cidade, ele pensa: como seu irmão consegue sair de casa com jeans e camiseta numa manhã daquelas? Chega à parada de ônibus a tempo de vê-o embarcar em um dos ônibus das diversas linhas que passam pela avenida próxima a sua rua, Rafael pega o seguinte que já estacionava ao ponto. O ônibus, como sempre naquele horário, estava lotado. Rafael é espremido contra o banco inúmeras vezes durante a viagem, mas cede a vez de sentar para que uma senhora pudesse descansar seus ossos na viagem. Finalmente ele chega a seu ponto de desembarque, se esforça para poder passar entre a multidão antes que o motorista arrancasse novamente. Consegue! E dá um suspiro de alivio por ter saído inteiro dali. Sua escola é uma velha instituição de ensino com um pouco mais de oitenta anos, havia passado por uma ditadura militar e por muitas reformas administrativas que desgastavam não só suas paredes, mas a instituição publica de ensino ao qual ela era parte. Ouve anos que Rafael ficou sem dois ou mais professores em sua grade de horários. Por sorte ou azar, para um preguiçoso como ele, esse ano não faltou professor. Rafael está no primeiro ano do ensino médio, por milagre não rodou nem um ano, pois nunca foi de se dedicar ao estudo, preferia desenhar. Inspirado por desenhos animados e historias em quadrinhos, sonhava acordado. Adorava ler sobre anjos, e em seus desenhos esse tema era sempre obscurecido e carregado de muitos outros seres místicos. Em frente à escola, Rafael, em meio sua distração diária, passou esbarrando com força em uma menina, que estranhamente não reage e nem se move para traz. Ao se vira para se desculpar, surpreende-se ao ver sua melhor amiga, Diana, que lhe olha com deboche.
- Te peguei Rafael.
- Diana sua chata, você fez de propósito! – Fala Rafael cerrando os olhos. Rafael, ao terminar de falar, estufa levemente suas bochechas, cerrando mais o seu olhar. Era como ele sempre expressava sua irritação aos íntimos. Mas só quando ele podia ser ele mesmo.
- Já te falaram que você parece uma personagem de manga Yaoi?
- Sim, você, toda hora. – Mostra a língua a Diana.
- É, parece mesmo, um uke para seu seme.
- Engraçadinha.
- Olha! Você parou de roer as unhas, parabéns. – Diana pega repentinamente a mão de Rafael para ver mais de perto o seu feito.
- Obrigado, tem sido um sacrifício. – Rafael suspira.
- Percebo, já estão ficando até compridinhas.
- Gostou?
- Sim, parece uma mocinha, assim.
- Diana! Você sabe que isso tudo é só um estilo. Nada de mais. — Sei sim, o Mana-sama falava a mesma coisa. – Ironiza Diana.
- Di... Para!
- OK! Vamos subir, ô meu “delicado”, pois eu não quero me atrasar por você, de novo, ainda mais pela segunda vez na mesma semana. – Diana pega Rafael pela aba da mochila e o puxa para dentro do prédio da escola.
- Mas, ontem eu tava com desejo de doce. Precisava comprar um docinho pra mim. – Lamuria Rafael ao se deixar arrastar pela amiga. Diana tinha uns dez centímetros de altura a menos que Rafael, porém, era uma pessoa de muita presença, cativava a todos com seu jeito alegre e simpático. Também não era a melhor aluna do colégio, mas não tinha preguiça de estudar, ao contrario de Rafael. Os dois caminhavam para a sala de aula, eram colegas havia um pouco mais de um ano e desde então se tornaram bons amigos. Rafael admirava Diana, pois enxergava nela tudo que queria para si, sociabilidade, inteligência, beleza, até achou por um tempo que estava apaixonado por ela, mas ao passar daquele ano reparou que era admiração e a amava de uma forma muito mais terna, como só pode acontecer em amizades verdadeiras, e que seria muito triste não ter ela mais por perto. Ao subirem pela escada de acesso ao segundo andar, do segundo prédio da escola, Rafael, empolgado, com as brincadeiras que faziam para Diana, dá um pulo e esbarra em um rapaz mais velho que descia as escadas, quase caindo e derrubando-o. O rapaz, muito irritado, empurra Rafael para o degrau largo entre os lances de escada.
- Cara, tu ta maluco é? Perdeu a noção? — O rapaz põe o dedo no rosto de Rafael. Sem nada dizer e olhando firme para o rapaz, Rafael bate na mão do rapaz, tirando para longe de seu rosto o dedo que o apontava. Os dois adolescentes olham um no olho no outro como jogadores de Poker esperando o movimento do adversário.
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