Sweet Temptation
3 Capítulo Dois - Returning
Notas iniciais
A gente se fala mais na N/A, ok? (;
Divirtam-se :3
Bella POV.
Minhas mãos puxaram delicadamente a cortina do quarto que fora meu por tantos anos. Estava – como sempre – chovendo em Forks e não havia quase ninguém na rua naquele horário, somente alguns carros estacionados em frente às casas. Porém, não havia nenhum sinal da viatura do meu pai.
Suspirei pesadamente, fechando a cortina novamente e andando pelo quarto que nunca fora acolhedor para mim. Se eu fosse totalmente sincera, nunca tinha conseguido pensar em outro lugar como casa desde que eu me mudara de Seattle, aos 12 anos de idade. Sentei-me na cama, meus olhos percorrendo cada detalhe daquele lugar.
Finalmente eu estava me libertando.
A separação dos meus pais fora algo difícil para mim – e muito. Separar-me de Charlie, meu companheiro nas pescarias, aquele que via filmes de terror comigo e ficava no quarto comigo enquanto o medo não ia embora, fora difícil. Entretanto, minha guarda foi para a minha a mãe e quando ela decidiu se mudar para Forks, eu tive que vir junto.
Os primeiros meses foram de adaptação. Se eu já achava que em Seattle chovia bastante, impressionei-me ao descobrir que em Forks poucos dias não choviam. Não fiz muitos amigos aqui também, sempre pensando naqueles que eu tinha deixado para trás.
Sempre pensando em Edward.
Ele e eu tínhamos sido amigos praticamente desde que eu nascera. Crescemos juntos, estudamos juntos, brincamos juntos. Ele era meu melhor amigo, sempre estando ali comigo quando me encontrava assustada. Em uma prova difícil, no primeiro dia de aula, quando eu olhava para o lado… sabia que o encontraria ali, com aquele sorriso tranqüilo e aqueles olhos verdes brilhantes.
Acabamos nos afastando muito com essa mudança. Eu descobrira pouco antes de mudar que estava desenvolvendo uma paixão boba por ele e no começo agradeci um pouco esse afastamento. Passei as primeiras férias com meu pai, podendo matar saudades de tudo o que sentia falta.
E foram as únicas também.
Quando voltei das férias de verão, já fazendo planos para voltar em breve, encontrei Renée com um novo namorado. Ela parecia animada, feliz demais. Por um momento, pensei que daria certo. Ela reconstruiria sua vida e poderia voltar a sorrir verdadeiramente.
Entretanto, me enganei.
Renée mudava de namorado a cada dois meses, aproximadamente. Às vezes ela saía a noite e voltava de madrugada, mal conseguindo se sustentar em suas próprias pernas. Eu cuidava dela como podia, segurando seu cabelo enquanto ela expelia tudo aquilo que o estômago não podia suportar, dando-lhe remédios para curar a dor de cabeça do dia seguinte, fazendo comida para nós duas e sempre – sempre – escutando promessas que aquela seria a última vez.
Nunca era.
Em meio a tudo isso que eu tinha que fazer e estudar, acabei me afastando de meu pai. Procurava conversar com ele somente pelo telefone, não querendo que ele viesse aqui e visse tudo. Não querendo que ele me tirasse da minha mãe e ela ficasse sozinha. Por mais criança que eu fosse naquela época, eu tinha que cuidar dela.
Com tudo isso acontecendo quando eu ainda era muito nova, acabei amadurecendo cedo demais. Renée continuava trocando de namorados, continuava chegando em casa bêbada.
Exceto quando meu pai vinha me visitar no verão.
Obviamente, devido ao trabalho dele, ele não podia passar muito tempo e ficava apenas uma semana comigo. Minha mãe se mantinha sã naquela semana, mostrando-se arrumada. Limpava a casa e tentava fazer uma comida descente, mesmo nunca tendo sido boa na cozinha.
Porém, bastava ele ir embora, que tudo começava novamente.
Os anos foram se passando e eu fui crescendo. Aos 17 anos tinha certeza da profissão que queria seguir e comecei a estudar e batalhar por ela. Fazia exercícios físicos regularmente, procurava tirar boas notas e me inscrevia em todas as academias de polícia disponíveis.
Tinha o plano de levar minha mãe para a cidade onde passasse, já que em Forks não havia nenhuma academia disponível. Ela relutava um pouco, mas eu estava certa de que conseguiria convencê-la.
E aí ela conheceu outro cara, me prometendo que dessa vez seria para sempre. Com o coração na mão, fui para Phoenix logo após a minha formatura, pedindo que ela me ligasse caso tivesse outro problema.
Nos próximos anos, dediquei-me pela primeira vez a mim, mesmo minha mente estando presa em Forks. Em meio a treinamentos intensivos, provas e tudo o mais que eu tinha que lidar, ligava constantemente para minha mãe. Eu sempre me surpreendia quando Phil atendia ao telefone, dizendo que estava tudo bem, que ele estava cuidando dela.
Eu sempre seria agradecida a ele de alguma forma.
Eu também me aproximei um pouco de Charlie. Não o visitava, já que tinha poucos momentos de folga, mas sempre ligava. E era bom ouvir a animação em sua voz quando eu contava tudo o que estava acontecendo ali. Eu podia ouvir o orgulho por eu ter seguido sua profissão.
E sempre ria quando ele dizia que um dia nós dos iríamos trabalhar juntos.
Passar alguns anos em Phoenix me fez crescer ainda mais. As mulheres, como policiais, eram muito julgadas, já que muitas pessoas não confiavam que elas eram capazes de fazerem o mesmo trabalho que os homens. Então eu sempre procurava dar o dobro do que pediam, querendo mostrar que eu podia fazer aquilo.
Quando saí de lá, com fortes recomendações e excelentes avaliações dos meus professores, consegui um emprego em Phoenix, pretendendo passar um tempo ali para que pudesse aprender mais.
Dois meses depois, recebi uma ligação. E tive que voltar para Forks.
Aparentemente, Renée se entregara às bebidas novamente e Phil não estava conseguindo controlá-la mais. Ele tinha me dito que tentara de tudo, mas que ele e minha mãe não estavam mais dando certo.
Passei meses cuidando da delegacia de Forks, quase que imediatamente me tornando chefe do local. Era completamente diferente do trabalho de Phoenix, mais leve se comparado a ele. Ainda tinha rondas, tinha que atender chamados em outros lugares próximos, mas minhas horas livres eram maiores.
E eu simplesmente queria mais.
Gostava da adrenalina que percorria minhas veias quando tinha que invadir um local. Gostava de comparecer a algum julgamento e dar testemunho para que um canalha fosse preso. E em Forks não tinha isso.
Havia minha mãe bêbada, seus namorados, o falatório em Forks.
E só.
Porém, hoje eu voltaria para a cidade onde cresci. Não era mais aquela garotinha que mal podia se manter em seus pés, havia crescido e amadurecido. Sabia que seria um longo caminho, que seria difícil provar que eu podia ser uma boa policial sem precisar do apoio do meu pai, mas eu realmente queria tentar.
Uma batida soou à porta do meu quarto e eu dei um pulo na cama, me assustando um pouco.
- Entre – disse por fim, virando-me de modo que ficasse de frente para a porta.
Meu coração se quebrou um pouquinho quando minha mãe entrou no quarto. Phil e ela tinham reatado a pouco, já que ela concordara em se tratar. Eu sinceramente não sabia se teria coragem de ir embora se eles não estivessem juntos novamente.
- Posso falar um minuto com você?
Eu assenti rapidamente, dando espaço para que ela se sentasse ao meu lado na cama. Era estranho ver minha mãe nessa situação, querendo conversar comigo. Não conseguia me lembrar da última vez que tal coisa tinha acontecido.
- Algum problema, mãe? – indaguei, assim que ela se acomodou na cama.
- Só queria te agradecer por todos esses anos – murmurou. – Sei que não fui a melhor mãe do mundo nem nada do tipo, mas você continuou aqui por mim. Fico feliz que tenha se saído bem, Bella, e que tenha conquistado tudo aquilo pelo qual você lutou.
Engoli em seco ao ouvir aquelas palavras, sem saber o que pensar. Não me lembrava a última vez que ela tinha me falado palavras tão bonitas, a última vez que ela tinha se comportado como mãe e se mostrado orgulhosa de mim.
- Só espero que você fique bem, mãe – sorri para ela, entrelaçando os nossos dedos. – Eu sinto falta de Seattle, de verdade. Quero tentar ter uma vida lá, ao lado do meu pai. Você tem o Phil agora e tenho certeza de que vocês vão ser felizes.
Ela abriu a boca para dizer algo, mas foi interrompida pelo barulho da buzina. Levantei da cama, caminhando até a janela e tornando a empurrar as cortinas. Sorri ao ver a viatura do meu pai ali.
- Charlie chegou. – Tornei a me virar. Renée se levantou da cama, caminhando até a mim. – Seja feliz, mãe. E qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, me ligue.
Eu a abracei gentilmente por um momento, torcendo para que as coisas agora dessem certo para ela. Soltei-me, pegando as minhas três malas e saindo do quarto. Desci as escadas e sorri ao ver Phil parado ali, esperando por mim.
- Obrigada por ficar com ela – murmurei, abraçando-o. – Me ligue qualquer coisa, ok?
- Vai ficar tudo bem, Bella – riu. – Pode ir tranqüila.
Assenti mais uma vez, andando até a porta da frente. Parei por um momento, olhando para aquele local que querendo ou não, tinha sido minha casa durante todos esses anos, e enfim saí de casa, caminhando até o carro de Charlie sem olhar para trás.
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A viagem começou quase de forma silenciosa. Charlie dirigia tranquilamente e uma música qualquer tocava no som. Eu apoiei minha cabeça contra a janela, lembrando-me de como costumava ficar sonolenta quando viajava e bocejei, já fechando os olhos.
Não sei quanto tempo passou de viagem, mas logo me vi abrindo os olhos novamente. Virei-me um pouco, bocejando, e encontrei Charlie sorrindo para mim.
- Dormi muito? – indaguei, minha voz rouca.
Ele balançou a cabeça, negando, sem deixar de sorrir.
- Tudo bem, querida – riu. – Eu me lembro que você costumava dormir muito quando era criança.
Sorri para ele também, esticando o braço e vendo as horas; aparentemente eu tinha dormido por quase três horas.
- Quer que eu dirija agora, pai? – perguntei. – Já estamos quase chegando e você deve estar can...
Eu me calei ao ouvir o grito de Charlie, virando-me imediatamente para a estrada. Meu coração pareceu parar em meu peito quando o vi tentando escapar do carro que invadira a pista contrária. Fechei meus olhos, me encolhendo contra o banco, só implorando para que tudo ficasse bem, para que não fôssemos atingidos.
As próximas coisas pareceram acontecer rápido demais para que eu pudesse processar. Em um minuto, eu estava de olhos fechados, realmente achando que conseguiria escapar ileso. No outro, me encontrava do lado de fora do carro, sendo atendida por paramédicos, sem conseguir desviar atenção da maca que levava meu pai, desacordado.
- Você está bem, senhorita? – indagou um dos paramédicos.
Eu virei minha cabeça para ele, assentindo rapidamente. Havia um corte em minha bochecha, provavelmente causado por um vidro, e ele estava sangrando bastante. Antigamente eu passaria mal e acabaria desmaiando. Hoje, tal coisa não me incomodava tanto mais.
- Estou sim – murmurei. – O... o meu pai... vai ficar bem?
Engoli em seco, voltando meu rosto para a ambulância que já o levava em direção a Seattle. Acho que os paramédicos não me responderam ou se sim, não consegui prestar atenção.
- Temos que examiná-la, senhorita...
Fui levada para outra ambulância, ainda sem conseguir prestar atenção a tudo o que tinha acontecido. Meus olhos permaneciam grudados em um ponto fixo pelo resto da viagem, revivendo cada momento.
Fizeram exames em mim assim que chegamos ao hospital. A todo minuto eu perguntava de Charlie, mas tudo o que eles me diziam é que estavam cuidando dele e que eu tinha que ficar quieta.
E então, outro médico chegou. Ele parecia familiar, com aqueles cabelos louros e aqueles olhos verdes...
- Carlisle? – murmurei.
Ele sorriu um pouco, pegando a minha prancheta.
- Ei, Bella – cumprimentou-me, dando-me um abraço rápido. – Como você está se sentindo?
- Estou bem – dei de ombros. – Eu quero apenas saber como meu pai está...
Ele assentiu.
- Seu pai está em cirurgia – disse. – E você, aparentemente, vai ser encaminhada para um último teste e logo depois estará livre para ir.
Assenti rapidamente, dando-lhe um sorriso.
- Obrigada.
Ele colocou minha prancheta ao meu lado, inclinando-se e me abraçando novamente.
- Bem vinda de volta, Bella – murmurou. – Todos nós sentimos muito a sua falta.
Sorri para ele, retribuindo ao abraço.
- Eu também senti saudades, Carlisle.
Ele acenou antes de ir embora e eu fiquei ali, esperando que eles me levassem para o meu último exame. Depois dele, de fato, eles me liberaram. Fui informada de que minhas malas estavam guardadas e que eu poderia pegá-las quando fosse embora. Pelas próximas horas fiquei à espera de notícias do meu pai. Andava de um lado para o outro, sentindo-me a cada minuto mais nervosa.
- Srta. Swan?
Virei-me rapidamente, dando de cara com um cara vestindo um jaleco, parecendo sério demais. Caminhei até ele, engolindo em seco, querendo e não querendo ao mesmo tempo, ouvir o que ele tinha a dizer.
- Está tudo bem? – finalmente indaguei, apertando as mãos uma na outra.
Eu ouvi atentamente enquanto ele explicava a lesão de Charlie e dizia que a hemorragia havia sido controlada durante a cirurgia, mas que infelizmente ele se encontrava em coma.
- Não sabemos quando ele vai acordar – continuou. – Pode ser hoje, amanhã... Nunca podemos afirmar com toda a certeza.
Assenti rapidamente, suspirando pesadamente. Por fim estiquei a mão, apertando a dele.
- Obrigada por tudo, doutor – sussurrei. – Posso vê-lo?
- Claro – assentiu.
Adentrei o elevador e apertei o número cinco. Esperei de forma impaciente, batendo o pé contra o chão, suspirando de alívio quando enfim cheguei.
Não foi difícil achar o quarto dele. Primeiro porque ele realmente ficava próximo ao elevador e segundo porque Carlisle se encontrava em frente a porta, aparentemente tendo acabado de sair de lá.
Nós conversamos um pouco sobre o estado do meu pai. Ele me perguntou gentilmente se eu precisava de um lugar para ficar, mas eu neguei e agradeci, lembrando-me da chave que Charlie tinha deixado comigo mais cedo.
- Tem certeza? – perguntou.
Abri a boca para responder, mas naquele momento alguém pigarreou, próximo dali, chamando a nossa atenção.
Imediatamente minha mente foi tomada pelo garoto que viveu comigo durante tanto tempo. Os cabelos que tinham aquele tom de bronze estranho, aqueles olhos verdes que pareciam sempre brilhar... Era realmente Edward Cullen ali? Se era, por que ele tinha o semblante fechado em direção a mim?
- Avisou a todos na delegacia? – indagou Carlisle.
Ele assentiu, tornando a olhar para mim.
Fiquei calada, tentando entender sua expressão, sem ter ideia do que dizer.
- Edward, acredito que você se lembra da Bella Swan. – Carlisle me abraçou pelo ombro, puxando-me para ele.
Ele deu de ombros, como se essa notícia não fizesse diferença alguma para ele.
– Olá. – Era impressão minha ou sua voz soou seca demais?
Estreitei os olhos, apenas assentindo. Por fim, voltei-me para Carlisle.
- Vou dar uma última olhada em meu pai – murmurei. – Depois vou para casa, ok?
- Onde vai ficar? – Edward indagou, sua voz ainda seca demais.
- Ela vai ficar na casa do pai dela, Edward. – Carlisle respondeu, poupando-me de fazer tal coisa. – Tudo bem, Bella. Pode ir. Se precisar de algo é só ligar, querida.
Abracei-o mais uma vez e adentrei o quarto, fechando a porta atrás de mim. Engoli em seco ao ver Charlie cercado por aparelhos, meu coração se apertando em meu peito.
Aproximei-me um pouco, erguendo a mão e tocando a sua com cuidado. Esperei que ele abrisse os olhos, movesse os dedos, desse qualquer sinal de que ele estava só dormindo e que logo acordaria.
Tal coisa não aconteceu.
Fiquei ali alguns minutos, apenas o observando. Por fim suspirei, abaixando-me e depositando um beijo demorado em sua testa.
- Prometo ser a melhor policial, pai – sussurrei. – Por você.
Olhei-o uma última vez, prometendo voltar no dia seguinte e saí do quarto.
Despedi-me de Carlisle rapidamente e acenei para Edward, virando-me para ir embora. Perguntei por minhas malas e as arrastei para fora do hospital, já chamando um táxi.
Informei o endereço após o taxista me ajudar a guardar as malas, quase ilesas do acidente. Eu podia ver apenas alguns rasgos e outras coisas do tipo, mas acredito que nada daquilo tinha afetado minhas coisas lá dentro.
Quando já estávamos próximos à casa de Charlie, puxei o molho de chaves que ele me dera mais cedo, sorrindo um pouco ao ver o chaveiro que escolhera para mim: um mini-distintivo.
- Chegamos, senhorita. – Anunciou o motorista.
Por um momento fiquei parada ali, examinando a casa que parecia tão diferente e tão igual. Paguei o motorista, desci do carro e peguei as malas, arrastando-as até a porta da frente.
Minhas mãos tremiam um pouco enquanto eu procurava a chave certa no molho. Tive que testar várias até enfim achá-la, colocando na fechadura. Hesitei por um momento ao colocar a mão na maçaneta. Não sabia se Charlie havia mudado algo na casa, não sabia se a falta dele seria algo com a qual eu poderia lidar.
Por fim, suspirei, girando a maçaneta e empurrando a porta. Adentrei o local, puxando minhas malas, fechando e trancando a porta atrás de mim. Respirei fundo, erguendo minha mão; minha mente conseguia se lembrar perfeitamente de onde ficava o interruptor.
Meus olhos, assim que se acostumaram com a luz, analisaram casa detalhe da sala. O mesmo sofá preto de couro, a mesma mesinha de centro de madeira... Havia uma televisão nova, algumas fotografias minhas que eu não sabia que Charlie tinha e outros detalhes a mais. As cores do tapete, da parede... todas continuavam a mesma.
Segui para a cozinha, encontrando-a um pouco diferente do que esperava. Se antes os armários tinham aquele tom de verde estranho, agora estavam brancos e bem bonitos. A mesa parecia um pouco maior, mas eu sinceramente não conseguia me lembrar direito.
Pensei se deveria comer algo, mas me encontrava muito cansada e sem disposição para tal coisa. Reparei que a casa de Charlie estava um pouco bagunçada e fiz uma nota mental para limpá-la no dia seguinte, quando voltasse do hospital. Voltei para a sala, peguei minhas malas e as arrastei para o quarto.
O quarto onde eu dormira desde que nascera até a separação dos meus pais.
Muita coisa havia mudado. As cores das paredes, outrora rosas, agora tinham um tom de creme bonito, e a cama, antes pequena demais, se transformara em uma de casal pequena ou de solteiro grande. Havia também uma cômoda nova, uma escrivaninha e um criado-mudo, onde uma luminária – que parecia combinar com as cores das paredes – se encontrava, assim como um despertador. Voltei meus olhos para o guarda-roupa e, sinceramente, ele parecia o mesmo, mas mais uma vez, não consegui me lembrar direito.
Arrastei minhas malas até o canto do quarto, decidida a desfazê-las no dia seguinte. Puxei a menor delas, a abrindo e puxando um par de roupas limpas. Tudo o que eu queria naquele momento era um banho e dormir um pouco.
O banheiro parecia exatamente o mesmo para mim, o que me fez sorrir um pouco. Olhei a banheira que havia ali, lembrando-me de quando era novinha e meu pai me deixava tomar banho ali e espalhar vários brinquedos.
Procurei tomar um banho rápido, lavando a cabeça e me ensaboando. Estremeci ao ver os pequenos machucados que o acidente me causara, de repente me lembrando de como meu pai ficara pior.
- Tomara que você fique bem, pai... – sussurrei. – E logo.
Desliguei o chuveiro e me sequei, vestindo-me rapidamente. Voltei para o meu quarto, jogando-me na cama e me embrulhando no corredor. Suspirei pesadamente, sem conseguir acreditar que aquele dia estava acabando, sem conseguir acreditar em tudo o que havia acontecido.
E então, antes que o sono tomasse conta de mim, lembrei-me do olhar de Edward Cullen.
O homem que havia sido meu amigo por anos e que hoje parecia estar tão diferente… de uma maneira que eu não sabia explicar. Como se me acusasse de algo... Sinceramente, havia me deixado confusa.
Balancei a cabeça, recusando-me a pensar em tal coisa. Enterrei minha cabeça no travesseiro, respirando fundo, me lembrando da promessa que eu fizera para Charlie. Amanhã, logo depois de visitá-lo no hospital, pretendia começar a resolver tudo o mais rápido possível, só para que pudesse estar trabalhando logo. Só para que pudesse provar que eu podia ser uma boa policial. Dessa vez não só por mim, mas por Charlie também.
Por ele, eu seria a melhor policial que poderia ser.
Notas finais
Obrigada à Lucrepúsculo por ter postado o capítulo semana passada, sem ela provavelmente vocês teriam o capítulo só no domingo... E obrigada à Friida, por mais uma vez, estar aqui, betando uma fanfic minha.
Falei demais lol. Vou me calar, haha
Até semana que vem ;*
N/B: oi oi galere! awn esse Edward todo bravo... o Charlie em coma... Espero pelo menos que a Bella consiga fazer aquilo que prometeu né? Enfim espero que tenham gostado do capítulo (L)
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