Sweet Nothing
14 The Story
Notas iniciais
Essa é a história da minha vida
Essas são as mentiras que eu criei — 30 Seconds to Mars — The Story
Dia monótono, como todos os outros dias de minha vida. Chegar da escola e encontrar minha mãe sozinha em casa. Meu pai chega a casa – quando ele chega – de madrugada, bêbado, apenas para reclamar da vida e dar ordens para minha mãe. As vezes penso em fugir, mas com certeza minha mãe iria sofrer mais ainda sem ter como se defender daquele velho nojento que tenho que considerar de pai.
– James?! – Ouvi meu nome ser chamado da cozinha assim que fechei a porta da entrada de casa.
– O que?! – Perguntei frio e direto.
– O que é isso? – Rapidamente ela retirou um cigarro do bolso e me fuzilou com um olhar.
– Um cigarro. Resolveu fumar agora? – Perguntei sarcástico.
– James. Eu encontrei isso no seu quarto!
– Como? Eu não fumo! – Sim, eu não minto para ela.
Ela bufou e voltou a colocar o objeto em seu bolso.
– Um mês sem sair de casa, com exceção de ir para a escola. Não quero saber se você tem amigos ou qualquer outra coisa! – Olhei bem no fundo de seus olhos, uma mãe que não acredita no próprio filho. Será que ela não reconhece tudo que já fiz por ela? Quantas noites já a salvei por causa de meu pai que chegava louco em casa e quase a matava? Quantas coisas que já deixei de fazer por ela para ela não acreditar em mim? O castigo é o de menos. Eu dediquei minha vida inteira para protegê-la, e ela simplesmente não confia em mim?
Subi as escadas velhas tendo fazer com que as escadas rangessem alto para depositar minha raiva. Tranquei-me eu meu quarto e joguei em algum canto do quarto meu casaco, logo me joguei na cama tentando fazer com que todo o meu stress se esvaísse. Meu corpo foi relaxando quando ouvi um zunido vir da janela de meu quarto. Chuva.Uma coisa comum na cidade, mas que vem sempre na hora certa para me ajudar a esquecer da droga da minha rotina que tenho que chamar de vida.
O que eu fiz para ela não acreditar em mim? Eu venho feito da missão de minha vida fazê-la feliz. E o que recebo? Desconfiança.
Separei algumas roupas e uma toalha. Sai de meu quarto sem querer fazer nenhum barulho para não chamar a atenção dela. Não quero vê-la, pelo menos não hoje.
Tranquei a porta do banheiro e despi-me. Senti a água gelada se chocar com meu corpo fervendo a ódio. Ódio de tudo e de todos. A água faz eu me sentir bem, esquecer-me de tudo e de todos. Já me peguei varias vezes apreciando a água cair do céu. Essa é a coisa mais magnífica para mim que Deus criou, se é que ele existe mesmo.
...
Larguei o livro com um susto. Droga. Perdi a página. Deve ser apenas meu pai. Admiro-o por estar chegando cedo em casa. Sempre que sai do trabalho ele gasta todo o dinheiro com bebidas.
Volto a procurar a minha pagina perdida. O livro relata sobre um garoto de 16 anos cujo começa a ter alucinações por problemas na vida social. O pai: Um bandido que trai a mãe medíocre e ameaça o próprio filho. Eu poderia estar no livro como o próprio garoto, temos tanto em comum, idade e até o nome parecido.
Ouço um grito. Reconheço a voz na hora: mãe. Desço as escadas correndo e encontro meu pai apontando uma arma para minha mãe. A pior visão de toda a minha vida. Minha mãe com as roupas rasgadas e meu pai com os olhos vermelhos.
– Olha só! Pelo jeito não vou ter eu subir para acabar com o meu filhinho quando terminar com a mãezinha.
– Mas que porra você está fazendo idiota!?
– Perdeu o respeito moleque?! – Agora a arma estava apontada para mim – Também, com essa vadia para educá-lo, não me admiro com sua péssima educação!
– Peter, não! – Bárbara, minha mãe, o puxou e ele a agrediu depositando um soco em sua cabeça. Ela caiu e vi em câmera lenta agora o sangue de minha mãe manchar toda a roupa de meu pai. Um tiro. Dois tiros. Três tiros... Ele não iria parar. Agarrei o taco de beisebol que estava apoiado na escada e o usei para distraí-lo. Um pancada em sua nuca fez com que ele caísse no chão. Descobri uma força em mim que eu nunca havia experimentado. Ele já havia morrido, mas continuei com minha brutalidade. Parei apenas quando sua cabeça já não estava mais em seu corpo.
Soltei o taco e agachei indo diretamente para o corpo de minha mãe. Tarde demais: sem vida. Uma lágrima forçou a cair de meus olhos, mas ela não acreditava em mim. Antes ela havia me visto com alguns amigos e pensou que eu iria fugir. Ela não me via como filho, se preocupava comigo apenas para eu não sair de casa e deixá-la sozinha com meu pai.
Não aguentava mais olhar para a cara desses dois idiotas que eu considerava como pais. Fui até a cozinha e limpei todo o sangue de meu corpo. Subi e troquei de roupa. Peguei todo o meu dinheiro e o dinheiro de meu pai e coloquei no bolso da jaqueta. Também peguei a arma de meu pai e coloquei na cintura. Eu não podia deixá-los assim, ali. Quando a polícia visse, teria provas suficientes para saber que fui eu que acabei com tudo isso. Usei cinco frascos de um litro de álcool para deixar a casa a ponto de um incêndio, não em todos os cômodos, já que a casa era grande, mas pelo menos na sala onde tudo ocorreu e o logo o fogo teria se espalhado pela casa inteira.
Ao terminar meu trabalho, peguei um fósforo e ateei fogo na casa que um dia foi tranquila e feliz. A casa agora estava em chamas. Esperei ter a visão do corpo de meus pais queimando para poder abandoná-la. Ninguém iria perceber o incêndio agora, morávamos em um lugar totalmente vazio, quando o vissem, seria tarde demais para apagá-lo com facilidade.
Encostei-me a uma árvore e fiquei admirando o meu trabalho. Eu nunca me senti tão bem em minha vida. Nunca me senti livre, sempre estive preso a ela, agora ela está queimando.
– Fantástico! – Ouvi uma voz atrás de mim. Gelei.
Uma pessoa.
– V-você...
– Fique tranquilo, não sou da polícia e nem vou contar para ela. Eu ouvi tiros. Pelo jeito você se divertiu. – Ele ficou ao meu lado e se pôs a observar a casa em chamas junto de mim.
– O que você estava fazendo aqui? – Perguntei sem tirar os olhos da casa.
– Me divertindo. – Pelo canto do olho percebi um sorriso malicioso formar-se no rosto do garoto.
– Se estava brincando de esconde-esconde, no meio dessas arvores é um bom lugar. – Uma risada debochada entrou em meus ouvidos.
– Não brinco mais disso. Mas sabe... Brincar sozinho não tem graça.
– E qual é a sua brincadeira?
– Não quero assustar a criança dentro de você, virgenzinho.
O olhei torto. Esse cara está de brincadeira comigo certo?
– E do que você brinca? – Agora eu estava realmente curioso. Ele fez um gesto para eu segui-lo e adentramos mais entre as arvores até perdermos a visualização da rua, somente minha casa ainda poderia ser vista.
Enquanto andávamos, algumas peças de roupas femininas com manchas de sangue estavam sobre a grama ou presa nas arvores.
– Aqui. – O garoto disse e uma bela mulher, não tão bela agora, estava nua deitada sobre o chão, morta. Vários hematomas pelo corpo além de cortes profundos, os olhos bem arregalados em um tom de sofrimento.
– Foi você? – Indaguei com a voz falha quase ao ponto de não ser compreendida.
– Sim, ela pelo menos está inteira. – Afirmou chutando de leve o braço da garota fazendo-a virar.
– Então é essa a sua brincadeira? – Perguntei o óbvio, mas me dava medo saber que uma pessoa como eu poderia ser capaz de algo assim.
– Sim, meu pai tem me ensinado bem. Engraçado não é? Um pai ensinar isso para um filho. – O pai dele pelo menos não o tratava como lixo. – Então, quer participar? Posso te ensinar. Mas vou logo te avisando, é um estilo de vida, ou como gosto de chamar: O meu vicio favorito.
Pensei por alguns instantes, isso é demais para um dia. Mas pensando por outro lado, deve ser divertido ver as garotas que só queriam apenas uma transa implorar pela vida, ou as vezes obrigá-la a fazer o que eu quero.
– Eu nem te conheço direito e já está me fazendo uma proposta?
– Eu vi você matando seu pai e você sabe que eu matei uma garota. Além de cada um saber do segredo do outro, você não se sente bem pela morte deles? – Afirmei com a cabeça – Então se sentirá bem com qualquer outra pessoa. – Ele fez uma pausa e eu pensei um pouco.
Decidir algo como isso não deve ser nada fácil. Mas em uma parte ele estava certo. Eu nunca me senti tão bem por ter matado meus pais.
– Eu aceito. – Sorrimos juntos.
– Vejo que agora vou ter que te levar em qualquer aventura. E a propósito, meu nome é Bryan. – Disse estendendo-me sua mão. Apertei-a sem hesitar.
– Meu nome é James.
Poderia ser como o céu
Sou uma máquina
Sem vida, apenas uma concha com a qual eu sonhei — 30 Seconds to Mars — The Fantasy
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