Sweet Nothing
15 Connected
Notas iniciais
POV Amanda
Dedos macios acariciavam meus cabelos. Uma respiração entrecortada no to topo de minha cabeça e uma mão alisando carinhosamente a parte inferior de minhas costas. Senti-me confortável, mas apenas por um momento. Uma dor muito forte um pouco acima de minha nuca me dominou. Levei minhas mãos até o ferimento e parei quando encontrei meus cabelos duros e uma parte da carne para fora. Soltei um gemido de dor.
– Amanda, calma. Eu estou aqui. – Reconheci a voz suave no mesmo instante. Eu iria abraçá-lo, se não fosse pela minha forte dor na cabeça.
– Logan... – Chamei por seu nome com um pouco de dificuldade – O que aconteceu?
– Eu... Eu não sei. Eu acabei de chegar. Kendall chamou uma ambulância que já está a caminho.
– Não! – Sentei-me à sua frente. Estávamos sentados no chão. O cenário me assustou. Janelas quebradas, o sofá manchado de sangue, cadeiras sem pernas e várias cartas de baralho esparramadas pela sala – Eu não quero ir para um hospital.
– Mas você precisa... – Rapidamente joguei o meu melhor olhar, o olhar que faz Logan se derreter – Está bem. – Após uma longa pausa, ele voltou a acariciar minhas costas – Você não se lembra de nada?
Pensei por um momento. Tentei reunir todas as informações já recebidas de meu cérebro. Nenhuma delas se encaixavam ao dia de hoje. Mas, que dia é hoje mesmo? A única coisa que consegui responder foi:
– Não. Não me lembro de nada...
Ele apenas assentiu com a cabeça e me jogou um sorriso triste, um sorriso preocupado, apenas para me encorajar a seguir em frente.
– Eu quero respostas, mas não quero forçá-la. Apenas me diga até onde se lembra dos fatos. – Encarei Logan tentando decifrar suas palavras. Abri minha boca para dizer algo, mas fui rapidamente interrompida – Mas antes você precisa de um banho. Eu... Acho que ainda lembro-me de como fazer uns pontos em algum ferimento, já que você não quer ir para um hospital. – Assenti com a cabeça.
Brevemente, mandei meu olhar para o resto de meu corpo. Cortes, muitos cortes. Nenhum tão grave quanto e de minha cabeça e uma mordida em meu pescoço. Os cortes ardiam como se tivessem sido feitos por papel. Logan me ergueu em seu colo cuidadosamente apoiando a mão na parte não ferida de minha cabeça. Ele me levou para o banheiro e sentou-me na privada.
O vi encher a banheira com água e regular a temperatura, logo ele se ajoelhou a minha frente. Ele ficou um tempo apenas me observando, e entendi o que ele queria dizer. Ele estava com medo de eu achar que ele apenas queria ter a bela (ou, não tão bela) visão de meu corpo nu. Se eu estivesse perfeitamente bem, eu riria da situação. Comecei a retirar minha camiseta, com um pouco de dificuldade já que minha cabeça ainda doía, e ele terminou de me despir.
Ele colocou-me na banheira e jogou um pouco de água nas minhas costas. Segurei minhas pernas junto de meu corpo deixando que ele fizesse todo o trabalho. Algumas vezes ele pedia para eu virar ou soltar as pernas para que ele pudesse lavá-las. Mergulhei para poder molhar meus cabelos e meu pescoço, a água levou todo o ardor do ferimento embora, mas apenas naquele momento.
Eu mesma pedi para lavar a parte de minha cabeça e ele concedeu. Parece que alguém bateu minha cabeça em algo duro com muita força. Medi cada movimento meu para não provocar nada que me incomodasse.
– Se sua nuca que tivesse sido ferida, você estaria morta. – Ignorei o comentário de Logan. Percebi que a água estava com uma coloração mais avermelhada quando mergulhei pela segunda vez para retirar o xampu.
Minha sorte foi que, como a minha noite com James já há dois dias, as marcas já sumiram deixando apenas a terrível mordida à mostra. Agradeci mentalmente por isso. Apenas as partes mais recentes de minha memória foram apagadas, então o plano de vingança ainda está perfeitamente calculado em minha mente.
Ao terminar o banho, Logan secou-me e enrolou a toalha em meu corpo. Ele separou algumas roupas confortáveis do armário e colocou sobre a cama. O vento frio de Nova Iorque bateu em meu corpo seminu fazendo meus pelos se arrepiarem. Calça e moletom, o meu pijama. Logan vestiu-me e me deitou na cama com um pano enrolado na cabeça para não manchar o travesseiro. Pouco tempo depois, ele voltou com uma maleta que à minha visão, é típica de um enfermeiro. Ele colocou a maleta ao meu lado na cama sobre o criado-mudo e arregalei meus olhos o máximo que consegui.
– Bom, eu preciso fazer isso. Como há alguns cortes terrivelmente grandes, eles não irão parar de sangrar. – Ele abriu o objeto e retirou algumas agulhas, linhas, álcool e gazes.
Coragem, Amanda! Não vai doer tanto... Eu espero...
Logan puxou uma cadeira e sinalizou para eu sentar-me nela. Fechei os olhos e deixei-o costurar a parte superior de minha cabeça e meu pescoço. Apertei com força o braço da cadeira tentando depositar toda a minha dor. Logan, às vezes, segurava minha mão. Deve ser nojento e enjoativo ter de costurar a cabeça de alguém e o pescoço, tanto para o ferido e para quem está manuseando a agulha.
– Pronto. – Encerrou apertando com carinho um de meus ombros. Levei uma de minhas mãos até o curativo. Recuei no instante que toquei a costura, parece que sou uma boneca de pano e a cada hora que eu rasgar alguém poderá me costurar – Deixei uma empregada cozinhando para você. – A risada que sempre admirei a ouvir saiu totalmente desanimada. Percebi que a empregada era Kendall. Imaginei-o com o uniforme de empregada curtíssimo e um espanador em uma mão enquanto limpa a casa dançando ao som de uma música dos anos 80.
– Vá checar se ele ainda não explodiu a cozinha. – Comentei arrancando uma alta risada de ambos.
– Eu encontrei cartas manchadas de sangue por toda a casa... – Logan pegou uma carta de seu bolso mudando de assunto – Parece que Bryan é um grande piadista. – Ele entregou-me e a analisei. Reconheci, não sei de onde, mas lembro-me de alguém cortando meus braços e pernas com elas. E a ardência muito, muito forte.
– Então foi Bryan que esteve comigo? – Perguntei e ele assentiu com a cabeça – Eu... – Alguns flashes invadiram a minha mente, não os suficientes para eu decifrar ou lembrar de tudo que aconteceu anteriormente – Nós jogamos um jogo.
A expressão no rosto de Logan tornou-se rígida. Afinal, que tipo de inimigo joga pôquer com o odiado?
– Você se lembra de como foi esse jogo? – Na verdade, eu lembrei, mas não iria contar a Logan.
Bryan me fez tirar uma peça de roupa a cada rodada perdida. Quando eu ganhava, ele me dava alguma informação de James. Mas... Como James conhece Bryan? Eu me lembro de acabar apenas com uma camiseta enorme – que é a que eu estava vestindo antes do banho. Mas pelo incrível que pareça, Bryan não me tocou nenhuma vez do jeito que eu mais temia, sim, ele me feriu, mas não tanto quanto eu imaginava. Talvez ele apenas quisesse um showzinho.
– Não. – Respondi secamente – Logan, por favor, não me pressione... – Pedi mentalmente para que ele não fosse adiante. Estou muito cansada. Meu corpo está muito dolorido. Foi ótimo Logan ter cuidado de mim e me tratado bem, mas nesse momento, a única coisa que eu não preciso é de alguém me pressionando. Ele soltou um suspiro e concordou.
– Eu vou ver se Kendall terminou sua sopa. Ele irá passar essa noite aqui conosco. Temos que arrumar toda a casa e Carlos nos ajudará. Carlos é o mestre da faxina. – Agora minha mente imaginou três homens musculosos de aventais limpando a casa animadamente com saias extravagantemente curtas. Ele se retirou do quarto deixando-me sozinha debaixo dos cobertores.
Certifiquei-me de mais um corte em meu pulso. Nele, as iniciais BW. No outro pulso, as iniciais JD. Certamente, Bryan deve haver alguma coisa com James e eu sei disso, mas não consigo lembrar-me das informações, e isso me chateia, muito.
Não muito depois, Kendall entra com uma bandeja e uma refeição aparentemente leve sobre a mesma.
– Não existe coisa mais leve do que sopa e um suco de laranja. – Comentou colocando a bandeja cuidadosamente sobre meu colo.
– Hummmm! Parece estar delicioso! – Pego a colher colocando um pouco do conteúdo e o levei até minha boca. Estava realmente delicioso – Não sabia que cozinhava, Kendall. – Avistei Logan no umbral da porta sorrindo. Kendall sentou-se a minha frente na cama.
– Nada que um bom canal de culinária americana não resolva. Tenho dó de que irá ficar com a organização da cozinha. – Eu e Kendall mandamos olhares divertidos para Logan que amaldiçoou alto. Ele foi para a cozinha deixando eu e Kendall dominados pelas risadas.
Kendall me alimentou. É realmente incrível o carinho que Kendall, Logan e Carlos têm por mim. Mas quando se trata de James, as coisas ficam totalmente diferentes.
Carlos mais tarde chegou e Logan apareceu em meu quarto totalmente esgotado. Pelo jeito, a bagunça de Kendall foi realmente imensa e desgastante. Eu dormi absorvendo o calor de seus braços. Lembro-me de noites que passamos assim. Ele me protegendo do mundo. Pena que ele não conseguiu livrar-me do destino. Não o culpo por isso, culpo a mim e a minha história.
[...]
Acordo sozinha no quarto. A ausência de Logan me incomoda. Olho no relógio, 7:00AM. Levanto-me da cama quentinha com cuidado. Não há ninguém na casa. Sinto-me desprotegida, já que há um maníaco obcecado por vingança atrás de mim querendo me torturar aos poucos para uma morte dolorosa.
Vejo a porta de entrada indo para trás e para frente. Aberta. O vento forte e frio fazia isso com ela. Congelei no mesmo instante. O tempo nublado não me encorajou nem um pouco. O som do rangido da porta despertou um enorme pânico dentro de mim e minha adrenalina começou aumentar dizendo-me para eu fugir dali.
– É um pesadelo, Amanda. Apenas um pesadelo.– Tento convencer a mim mesma. Minhas pernas me levam involuntariamente até a porta. Abro-a com cuidado e apenas sou recebida pelo vento frio batendo em meu rosto.
– Não deveria estar acordada à uma hora dessas. – Quase vomito meu coração ao ouvir a voz rouca e grossa de James. Ele estava sentado com as costas na parede exterior da casa bebendo alguma coisa – O que você está fazendo aqui? – Perguntou sem virar o rosto para mim.
– O que você está fazendo aqui? – Retruco. Ele pareceu ignorar a minha pergunta e voltou a bebericar sua bebida.
– Já reparou o quanto que sua vizinha é gostosa? – Ele disse apontando para o outro lado da rua enquanto uma velhinha fazia sua caminhada matinal e aproveitava para ter a bela visão de James. Sentei-me ao seu lado e tomei o copo de suas mãos.
Deduzi que esse não era o primeiro copo de James e que ele estava bêbado o suficiente para dizer coisas sem sentido.
O ajudei a levantar e o sentei no sofá de minha sala.
Coloquei um pouco de água gelada em um copo e o entreguei a James. Ele encarou o copo e deixou-o escorregar e se quebrar em vários pedacinhos pelo chão.
– Por q... – Fui interrompida com um beijo voraz. Ele me colocou em seu colo e começou a puxar meu cabelo para trás enquanto sua outra mão percorria a parte inferior de minha cintura. Retribui o beijo, até o cheiro de álcool subir em minha cabeça fazendo me recuar no mesmo instante. Limpei minha boca e me sentei ao seu lado. Ele começou a rir alto. O encarei furiosa e quase enfiei um desses cacos e seu peito.
Atrás do sofá, vejo Logan...
Morto...
– J-James... – Gaguejo ao me deparar com a cena. James me puxa novamente e me deita no sofá ficando por cima de mim. Lágrimas rolavam em meu rosto.
– Shhhh... Calma, Mandy. Ele merecia morrer.
– Não, ele não merecia! Por favor, não me diga que foi você que fez isso com ele! – Não consegui conter meu choro. Os soluços já estavam me domando. Eu queria poder abraçar Logan, poder receber seu toque... Mas agora não dava mais... Ele estava morto.
– Amanda, ele estava nos atrapalhando. – James levou seus dedos longos e finos e começou a massagear minha boca – Agora sou apenas eu e você. Estamos livres! – Disse sorrindo. Um sorriso perverso, malicioso, e que me fez quebrar os ossos por dentro.
James era louco, e ainda é. Ele não mede esforços para acabar comigo e produzir o seu próprio prazer.
Ele deslizou suas mãos até a barra de meus shorts e procurou pela minha lingerie. Quando achou, começou a puxá-la para cima provocando uma dor enjoativa em minha intimidade.
– Por favor, não faça isso de novo... – Pedi entre os soluços. Ele apenas voltou a puxá-la com mais força.
– Ele te queria, Amanda. Você é minha... Só minha. Apenas eu posso usá-la. – Ele fez uma pausa – Eu garanto que ninguém irá se meter em nosso caminho. – Ele tomou meus lábios em um beijo forçado.
E é aqui que minha vida acaba. Sozinha. Apenas com louco me controlando. É isso que o Senhor Destino preparou para mim?
[...]
– Amanda! – Acordei com Logan gritando meu nome. Ele ficou sentado ao meu lado na cama e apertando firmemente minha mão – Você me assustou. Eu não deveria tê-la deixado sozinha. Desculpe, eu queria apenas tomar um banho enquanto você dormia... – Ele apertou mais forte ainda minha mão, ele estava trêmulo e desesperado.
– Calma, Loggie, – O interrompo – não precisa se desculpar. Eu tive um pesadelo, nada de mais. – Tentei tranquilizá-lo, mas minha voz saiu rouca. Senti meus cabelos grudando à minha testa. Estou completamente suada. Ele assentiu desesperado e me puxou para um abraço.
Foi tão bom poder senti-lo, poder saber que de fato ele estava vivo.
Retribui ignorando a dor de minha cabeça e de meu corpo. Eu ainda continuo cansada.
– Venha. – Ele me ajudou a levantar – Você precisa de outro banho.
E Logan me levou de novo para o banheiro. Um banho sem malícias, como o anterior. Quando se tratava de mim, não importava o quão importante a tarefa que Logan estaria fazendo, ele largava tudo para cuidar de mim. Ele sempre foi o meu anjo da guarda.
Meu anjo das trevas.
Pois eu sei que ele é tão sujo quanto James.
POV James
– Olha só quem chegou para a festinha! – Exclamou Bryan soltando Amanda que como uma boneca de pano sem peso algum caiu sobre o chão.
– Mas que diabos você está fazendo aqui?! – Perguntei largando as caixas de Logan e correndo na direção de Amanda. Levantei-a sobre meu colo e chequei sua respiração.
Desacordada. Ótimo.
Analisei o motivo de seu desmaio. Um corte profundo na cabeça. Parece que ele bateu sua cabeça com muita força e algum móvel.
– Ela é bonitinha, não? – Bryan perguntou brincando com o pé de Amanda chutando-o com pouca força.
Ela é minha boneca de pano, e só eu posso brincar com ela.
Puxei o tornozelo de Bryan fazendo-o cair. Pelo choque que ele teve sobre meu ato, não teve tempo suficiente para impedir meus golpes em seu rosto.
Um nariz quebrado, um corte na boca e um olho inchado. Vamos lá, James! Você consegue fazer mais do que isso!
Puxei-o pela gola da camisa arrastando-o para a escada. Peguei-me sem controle de meu próprio corpo. Ele dominou o meu brinquedo, ele feriu o que só eu poderia ferir... e iria pagar caro por isso.
– O que você disse para ela?! – Prendi os braços de Bryan e segurando em sua nuca, bati sua cabeça no corrimão da escada abrindo um grande corte em sua testa e arrancando um gemido de dor dele.
Ele nada respondeu. Repeti meu ato mais uma vez com a força dobrada. Eu não poderia quebrar o seu crânio, até porque não se mata o “irmão”.
– O. Que. Você. Disse. Para. Ela?! – Dessa vez indaguei entre os dentes. Ele continuou em silêncio. Repeti o meu ato triplicando a força.
Ajeitei minha mão em sua nuca e nesse pequeno momento de descuido, ele conseguiu se soltar e deu um soco de direita em meu queixo. Massageei o lugar do soco e ele deu uma joelhada em meu estômago fazendo-me cair sobre o piso gelado.
Bryan, como um tigre, voou pra cima de mim sufocando-me enquanto pressionava um joelho sobre minha barriga ferida.
De Relance, vi Amanda levantar com uma fúria gigantesca no olhar. E o que mais me surpreendeu, foi para mim o seu olhar, não para Bryan.
Minha visão começou a ficar embaçada. Consegui morder a mão de Bryan pegando os três dedos do meio. Mordi-os com uma força extraordinária. Bryan não conseguia se livrar de meus dentes e eu apenas apreciava o sabor do líquido vermelho e venenoso de Bryan se apossar em minha boca.
– Filho da Puta! – Xingou Bryan tentando livrar seus dedos de minha boca.
Ele retirou a perna de minha barriga e consegui empurrá-lo o fazendo bater com as costas bruscamente contra a parede.
Aproveitei para pegar meu revólver para torturar um pouco Bryan, mas sou interrompido pela voz de Amanda.
– Por que você não acaba comigo de uma vez? – Ela surgiu atrás de mim. Senti um aperto na alma – se é que tenho alma – de vê-la toda cortada. Eu sei que já fiz algo bem pior com ela, mas quando outra pessoa faz, parece que tudo fica mais doloroso.
– Eu estou te defendendo garota! – Gritei de volta para ela. Apontei a arma à Bryan para que ele não saísse do lugar onde estava durante minha breve discussão.
– Por que você está acabando comigo aos poucos? Por que, James? O que eu fiz para você? – Lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Amanda. Olhei incrédulo para a cena. Bryan teria dado alguma pancada tão forte ao ponto de fazê-la dizer coisas insensatas?
– Amanda, dá pra você parar? – Minha pergunta soou mais como um pedido.
Pensei nas mentiras que Bryan deveria ter dito a ela. Ou talvez o pior, ter dito a verdade. Eu sei de tudo que já fiz, e não me arrependo. Mas não quero perder Amanda. Não quero acabar sem ela. Por mais que eu já tenha lhe mostrado os piores tipos de dores existentes, eu não quero perdê-la.
Eu fiz mal a Amanda sem ao menos conhecê-la. E acho que ela não seria capaz de olhar em minha cara se descobrisse o que fiz.
Bryan tentou agarrar minha arma. Ele tomou-a de minha mão e puxou Amanda prendendo-a em seus braços. O estrago que fiz em seu rosto assustaria qualquer um com o sangue escorrendo por todo o rosto e os ferimentos expostos. Meus batimentos ficaram descompassados junto com a minha respiração. Bryan não podia me matar, assim como eu não podia matá-lo. Mas Amanda... Amanda é justamente a pessoa que ele mais odeia nesse mundo.
– Vamos James! Confesse na cara dela! Confesse o que planejamos! – Exclamou ele puxando os cabelos lindos e louros de Amanda. Ela soltou um urro de dor. Ele prendia seu pescoço e puxava seus cabelos com força.
O que combinamos... Na verdade, não combinamos nada! Bryan me fez uma proposta, e eu fui idiota de querer pensar nela quando eu deveria ter recusado-a na hora.
Matar Amanda para ele seria bem mais fácil. Eu sei que não adianta eu, Logan, Kendall, Carlos e outros amigos protegê-la. Bryan iria encontrá-la em qualquer lugar, e iria fazê-la sofrer. Dizem que os anjos que estão na terra tem um lugar especial no céu. Lá, ela estaria segura, sem mim e os demônios que a rodeiam.
Amanda merece uma morte calma, doce e serena. E não torturas oferecidas por um maníaco apenas interessado em uma simples e boba vingança. Mas não posso privá-la de seu destino, de sua dor.
– Eu não vou fazer, Bryan. – Eu não teria coragem. Um estupro pode ser uma das piores coisas que venho fazendo em toda a minha vida. Eu nunca me arrependi de um, e não... Eu não posso me arrepender de algo que faço mais do que a vida inteira. Mas matar a pessoa que mais foi... Hum... importante, na minha vida já é demais!
– Não vai fazer? – Perguntou Bryan agora, puxando mais forte ainda os cabelos de Amanda fazendo-a deitar a cabeça e seu ombro em uma péssima posição para as costas – Que bom que irá ser à minha maneira.
Em um simples e doloroso segundo, ele mordeu o pescoço de Amanda arrancando boa parte de sua pele. Não me segurei. Agarrei-o e consegui distraí-lo o suficiente para dar o mesmo troco. Mordi parte de seu antebraço – próximo ao pulso – e arranquei o dobro do que foi arrancado de Amanda. Cuspi todo o sangue em sua roupa. Bryan girou-me e conseguiu pegar meu braço trincando-o para o outro lado.
A dor foi insuportável. Gritei alto pela dor que me consumia, mas não conseguiu superar a minha raiva. Fogo derretido corria entre minhas veias e artérias. Com o braço bom, consegui derrubá-lo contra o piso e fui socorrer Amanda.
O seu sangue corria por seu corpo manchando suas roupas e seus seios. Toda a raiva ficou armazenada para hora que Bryan se recuperasse e um sentimento novo me dominou.
Senti vontade de cuidar de Amanda. Senti vontade de abraçá-la e dizer “Tudo vai ficar bem” quando não vai. Senti... Senti... Tenho que pensar sobre a palavra certa ainda.
– Chega! – Ouvi Bryan resmungar ainda encostado na parede e segurando com força o seu braço ferido – Vamos embora. Ainda temos muito que conversar. Não quero matar Amanda hoje. – Agora ele se levantou e foi encostando-se às paredes para manter o equilíbrio até chegar à porta por onde saiu.
Notei um grande ferimento na cabeça de Amanda. Oh, não... Por favor, Deus. Se o senhor realmente existe, por favor, ajude um de seus anjos.
Não queria ter de deixar Amanda nesse estado, sozinha, mas era preciso. O meu eu não tem sentimentos, em meu corpo não há alma, então é preciso deixá-la de qualquer forma.
Depositei um beijo no topo de sua cabeça e coloquei-a deitada no sofá, na posição em que uma princesa adormecida deveria ficar.
Mas a única coisa que gostaria de lhe proporcionar, é a única que eu não posso. Segurança.
Eu não posso simplesmente abandoná-la, porque sei que em menos de um dia estarei de volta correndo para ela.
Ela não pode me esquecer, por mais que eu tenha de deixá-la sozinha.
Eu e Amanda somos totalmente diferentes.
Mas estamos ligados de uma maneira ou de outra involuntariamente.
Ela está dentro de mim, assim como eu estou dentro dela.
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