Sweet Nothing

18 Shadowplay


Notas iniciais
Heeey Sweeties o/ Demorei um pouco mas não foi uma demora MONSTRUOSA como o de costume u.u Acho que esse é o ultimo cap. da historia do Jay, e eu sei que muitas vão achar que esse cap. é chato, mas ele é tipo, muuuito necessário! As frases do inicio e do inicio pertencem a uma musica do The Killers chamada Shadowplay, que é uma versão apenas. AnaGunnerNirvaniacaMaggot muuuito obrigada pela linda recomendação ;3 Enfim, Boa Leitura!

Eu fiz tudo, tudo o que queria

Eu deixei eles te usarem para seus próprios fins

POV James

Joguei a mala em algum lugar do quarto e liguei o aquecedor o mais rápido possível. O quarto não era o que eu esperava, porém teria um pouco de paz e conforto – já que meu destino era outro, mas a neve me impediu de continuar. Já contava os segundos para poder me livrar de Bryan. Por anos o servi, o ajudei a conseguir as vítimas, a fazer o trabalho sujo, a matar pessoas inocentes ou não, cheguei até mesmo a servir de hacker para entrar no sistema do F.B.I. e limpar todas as provas de nossos atos. Eu já estava esgotado!

Iria seguir minha vida sozinho, e já sabia exatamente o que fazer. Já tinha com quem ficar, onde morar e que vida seguir. Livrar-me de Bryan será ótimo, mas os vícios que ele me colocou serão difíceis de superar – até porque não pretendo superá-los tão cedo.

Esfreguei os olhos por debaixo dos óculos para segurar um pouco do sono, iria pelo menos tomar um banho antes de descansar.

Enquanto realizava o ato do banho, imaginei como seria fazer o que Bryan pediu-me. Primeiramente, iria ter de encontrar o orfanato do endereço recebido; Depois, encontrar a ficha de uma criança e descobrir quem conseguiu a guarda dela; E por último, descobrir o endereço de seus atuais pais.

Não era uma coisa muito comum, Bryan nunca se envolvera com esse tipo de coisa e também jamais desejaria algum relacionamento com uma criança. A sua desculpa foi que seu pai – falecido dois anos antes de eu me tornar seu amigo – teria deixado esse pedido para ele. Eu não acreditei muito nisso, pelo menos não 100%, mas era o meu último mês, e teria de cumprir com qualquer ordem.

[...]

Lá estava eu, na frente de uma orfanato aparentemente construído do século XIX e que nunca fora restaurado. Meu sangue ardeu em frustração quando uma freira me atendeu. Sentia-me sujo por ter de entrar em um lugar com pessoas tão puras. Crianças e freiras, e um monstro contaminando o local.

– A senhora poderia me informar sobre... – pensei por alguns segundos até me lembrar do nome – ... Amanda Walker? – Arqueei as sobrancelhas tentando não deixar cair a máscara.

– Amanda... Walker... – A mulher tentou reorganizar os arquivos em sua memória – Ela se foi, já há muito tempo. – Tentei não demonstrar surpresa, já que Bryan jurava que ela fora adotada em menos de uma semana e que aguardava os pais para buscarem-na – E você, senhor, por que a curiosidade?

Paralisei por um momento até tentar achar uma resposta convincente:

– Eu sou um primo muito distante. Eu pretendia poder levá-la comigo, mas acho que me atrasei... – Tentei demonstrar melancolia em minha voz – Poderia me fornecer o endereço dos atuais tutores dela? Eu realmente estou preocupado com ela.

Ao terminar minha fala, percebi que tinha enganado a mulher perfeitamente.

– Claro! Verei se encontro a ficha dela para o senhor. – Assenti desconfortável pelo tal jeito que se referiu a mim.

Sentei-me em uma cadeira machucada pelos anos e observei as crianças por uma janela. Elas não aparentavam felizes, ou até mesmo saudáveis. Pelo estado do local, percebia-se que tudo nele era precário. Eu sabia que a maioria delas iriam viver ali muito tempo, já que depois dos dez anos, ficam praticamente inadotáveis. É triste saber que estarão aprisionadas ali por tanto tempo.

Eu poderia ter ficado preso em um lugar assim, e depois ser jogado na rua e seguir uma vida bem pior que essa que levo. Por mais que não seja a vida que todos esperam de uma pessoa, eu me sinto satisfeito com ela.

– Ela ficou somente um ano aqui, senhor. A guarda dela foi passada pela justiça aos tios maternos dela.

Absorvi por alguns segundos a informação.

– Claro... – Baguncei meus cabelos, eu realmente estava preocupado – A irmã da mãe dela... Você poderia me dar o endereço? – Ela assentiu e me guiou à um balcão de onde anotou o endereço.

Seria uma longa viagem até L.A., pelo menos iria me livrar do frio intenso. Encostei a cabeça no volante me preparando para uma longa viagem.

[...]

No caminho eu havia gritado ao telefone com Bryan ao ponto de estar com a voz muito falhada e a garganta totalmente dolorida. O desgraçado jurava que a guria estava lá!

Imbecil!

Estacionei uma quadra de distância do endereço da atual casa dela. Retirei meu celular do bolso e disquei o número de Bryan.

– Em que língua você vai me xingar agora?

– Não vou gastar mais meu tempo com isso, quero saber o que quer que eu faça.

– Você já chegou ao lugar?

– O que você acha?

– Apenas investigue o local James, seja inteligente o suficiente para não deixar que te vejam.

– O que você pretende fazer com essa garota?

– Isso são coisas que eu tenho que resolver, você só tem que me dar as informações necessárias. Se puder, tire uma foto, será importante.

– Se voc...

– Apenas faça, James!

No começo, quando eu me uni como sócio à Bryan, ele prometeu jamais cometer pedofilia, se ele fizer algum mal a essa criança eu farei questão de arrancar a coisa mais preciosa dele.

Ajustei o capuz de meu casaco e sai do carro direcionando-me ao quarteirão da casa. Fiz exatamente do jeito que Bryan ordenou, com mais discrição do que o normal. Mandei as fotos pelo e-mail dele e memorizei cada ponto da casa. Rodeei a casa inteira, como era de noite, dificilmente alguém me encontraria ali.

Quando sai da propriedade e parei na calçada dando uma última checada para ver se não havia ninguém, à minhas costas encontrei uma garota sentada nas escadas de uma varanda na casa aparentemente abandonada à frente da que eu estava.

Como que eu não havia percebido ela ali?

Ela tinha um olhar frio, solitário. Seus cabelos dourados com a pouca luminosidade da noite. Ela parecia ter uns onze anos debaixo de toda a roupa de frio.

Seu dedo indicador parou em seus lábios prometendo silêncio. Sorri internamente com seu ato e o repeti. Tive certeza de que ela não iria contar aos donos da casa sobre minha presença. Um sorriso surgiu em seus lábios o retribui.

Caminhei feito um bobo para o meu carro para sair daquele lugar. Aqueles segundos se repetiam em minha cabeça e jurei que prestaria mais atenção em tudo que irei fazer futuramente.

– — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — -

O toque do meu celular anunciava três chamadas perdidas: Logan.

Ele provavelmente deve estar desesperado à procura de Amanda.

Desde o dia que Bryan invadiu a casa alugada, depois quando tivemos nossa conversa, ele fez questão de jogar na minha cara que foi eu que forneci o endereço da casa de Amanda. Desde então, ele mandou pessoas para segui-la, descobrir aonde ia e o que fazia.

Eu sei que não sou normal, uma espécie de psicopata, mas Bryan é doente! Deixá-la viva para sofrer por anos foi a pior coisa que ele pode fazer.

Eu tenho o peso de culpa. Eu descobri onde ela morava e foi de onde ele tomou partida para agir.

Eu nunca deveria ter me envolvido com Amanda. Eu deveria ter lembrado seu nome, reconhecido sua casa e tê-la deixado morrer nas mãos de Bryan.

Mas não. Eu me envolvi com ela. Eu não lembrei seu nome, não reconheci sua casa e não vou deixá-la morrer nas mãos de Bryan.

Se eu pudesse, o mataria para protegê-la.

Mas essa guerra pertence a ela, não a mim.

Posso fazê-la encontrar as respostas para suas dúvidas e esclarecer toda verdade sobre mim.

Vou ensiná-la o jogo das sombras, o jogo que o meu destino me ensinou.

Eu estava perdido nas memórias do meu vício até encontrá-la, e agora sei como posso retribuir o que ela fez por mim.

Eu fiz mal a ela sem conhecê-la, e ela fez bem a mim sem perceber.

Até o centro da cidade onde todas as ruas se encontram esperando por você.

Até as profundezas do oceano onde todas as esperanças afundam, esperando por você.

Estava andando pelo silêncio sem movimento esperando por você.

Notas finais
Gostaram? Amaram? Odiaram? Querem enfiar uma faca na minha cabeça? u.u