Sweet Nothing
19 Game
Notas iniciais
“Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo.” – Abraham Lincoln.
Amanda caminhou sentindo seus próprios passos ficarem mais pesados ao perceber o quanto mais próxima ficava. Os olhos de Henry ainda ardiam sobre o seu corpo. Ele a deixara três dias sem ver James, sem poder ligar para Logan e sem receber notícias de Carlos e Kendall. Nem palavras significativas ele pronunciara. Nem provas ele dera de que ele realmente era irmão dela.
– O que eu tenho para falar com ele não é de seu interesse. – Pronunciou sem deixar tremer a voz. Essa situação deveria mudar de ambos os lados. Ele deveria aprender a tratá-la como adulta.
– Tenho certeza de que é de meu interesse também. – Ele deu um passo à frente soando desafiador.
Ela fez o mesmo diminuindo a distância entre eles.
– Eu tenho 18 anos agora, Henry. – foi inevitável a cara de nojo que fizera ao pronunciar seu nome – Seja lá o que você for meu, não significa nada para mim. Se eu quero conversar com ele eu irei, e não será você que irá me impedir.
Qualquer um que assistisse aquilo acharia normal. Pensaria ser apenas uma briga entre irmãos, mas era muito mais que isso.
Sua raiva multiplicou-se rapidamente e antes que ela pudesse aumentar ainda mais, deixou-o sozinho naquela sala e saiu batendo a porta atrás de si.
O choque fora de imediato. O frio havia amenizado bastante, mas ainda sim estava além das roupas que escolheu para sair da casa. Puxou o seu casaco sobre o peito e direcionou-se até o depósito onde James passava a maior parte do tempo.
Se não fosse pelo frio, ela levaria mais tempo do que o desejado para abrir a porta.
James não poderia deixar de demonstrar o susto que levou. Ele sabia que alguma hora ela iria atrás dele, contudo fora pego de surpresa.
Os olhos de Amanda correram pelo local com curiosidade. Ela pensara ser um depósito, mas aquilo era mais para um quarto de estudos. Mais ao fundo até havia uma lareira simples para esquentar o local.
– A que devo o prazer de sua companhia, Srta. Walker? – James perguntou sorrindo. Logo viu a oportunidade convidativa de aliviar todo o seu desejo.
Amanda cerrou as sobrancelhas. Desconfiou um pouco da reação de James, e sabia exatamente as suas intenções.
– Precisamos conversar. – Respondeu fria. Era rara as vezes que ela falava desse jeito. Tão raro que quando o fazia, enchia o peito de James de orgulho.
– Precisamos? – Levantou colocando seus óculos sobre a mesa.
Amanda pensou na probabilidade de que James estivesse bêbado. Não seria confortável e nem seguro conversar com uma pessoa como ele que não estivesse completamente lúcida, sem contar o fato de que ele já era insano mesmo estando perfeitamente bem.
James percebeu a hesitação de Amanda. Observou com cuidado como ela levara seus dedos novamente à maçaneta da porta.
Ele se apressou para poder impedi-la.
– Eu volto outra hora. – Acrescentou tentando livrar-se dele. Tanto tempo longe dele abalara a sua imunidade. Se continuasse ali, se renderia facilmente.
– Achou mesmo que viria até aqui e sairia impune? – Ele segurou uma de suas pernas levando-a até sua cintura. Sua outra mão percorreu o corpo dela até chegar à barra de sua calça e sem avisos prévios ele adentrou-a para checar sua excitação. Sorriu satisfeito.
O rosto de Amanda ficou vermelho em um misto de raiva e vergonha. Não importa o tanto que ela tentasse resistir, ele sempre abalaria suas estruturas.
– Vai se foder, James!
– Vamos! – Ela riu com a sua resposta agarrando seu pescoço e atacando sua boca. Ele, por sua vez, agarrou sua outra perna guiando-a pelo cômodo.
A garota arrancou seus três casacos com uma pressa e agilidade incrível assim que ela a sentou sobre a mesa.
POV Amanda
O impacto das minhas costas contra a mesa fora enorme, mas não seria isso que me abalaria. Observei com cautela a dificuldade de James ao tentar abrir os botões de sua camisa com pressa. Ri internamente da cena que eu não esqueceria tão fácil.
Arranquei suas mãos dali e puxei com força aquele tecido. Alguns botões caíram sobre o chão e outros foram parar muito longe dali.
Ele sorriu amplamente.
O puxei pelo pescoço fazendo-o deitar sobre mim.
– Hummm... Agora me diga, James – tomei liberdade de colocar minha mão dentro de sua calça – Você andou pensando em mim?
Meus dedos tocaram seu membro que ainda não estava no ponto, então comecei a estimulá-lo.
Sua língua percorrera toda a extensão de meu pescoço enquanto eu sentia o movimento de meu corpo sob o dele.
Sua demora ao me responder fora excitante, embora eu quisesse cooperação.
Apertei seu membro com força e ele gemeu em resposta:
– Todos os dias. – Acrescentou em meu ouvido. – Por todos os dias imaginei a sensação de ouvi-la gritar por meu nome.
Suspirei ao ouvir suas palavras mais do que satisfatórias.
Mesmo nunca estando nessa mesma situação com outro homem, sabia que somente James poderia provocar tais sensações apenas com a sua voz.
Ele segurou minha cintura e só então percebi o quanto estava me contorcendo. Ri disso silenciosamente. Meu corpo me denunciava.
Ele arrancou minha mão de sua calça e senti seus dedos descerem pelo meu ventre.
– E você, Amanda – Sentei-me mais confortavelmente para vê-lo tirar minha calça – Sentiu saudades de meu toque? – sua mão percorria minha aérea sensível por cima do fino tecido lentamente. O senti puxar meus cabelos colando nossas testas.
– Nem um pouco. – Menti. Ele me analisou com o fogo nos olhos e adentrou dois dedos em mim.
– Que menina mentirosa! – Seus movimentos tornaram-se mais rápidos e peguei-me gemendo por ele – Deveria deixá-la sem gozar.
Ele arqueou uma de suas sobrancelhas e vi em seu olhar que aquilo estava além de ser uma ameaça. Seria uma promessa.
– Não se atreva! – Respondi com os dentes cerrados e rangendo de raiva pela possibilidade dele fazer isso.
Ele riu ruidosamente sobre meu corpo. Senti meu rosto queimar em fúria. Ele desabotoou sua calça e assim que o feito, o puxei para colar nossas cinturas.
A primeira sensação fora de puro prazer. Pareceu que o meu corpo já o reconhecia, que ansiava pelo seu toque desde o primeiro dia que me marcara. E de fato fora exatamente isso. Eu sabia que não poderia pertencer a ninguém mais. Ele havia tomado meu corpo e minha alma.
O deixei tomar as rédeas da situação e nos guiar pelo caminho do fogo, pois ele estava queimando a mim e a si mesmo. Nossos corpos ardiam ao se chocarem e continuavam a corroer nossos órgãos.
E só haveria nós dois naquele lugar, antes que os nossos demônios dominem nossas almas iríamos incendiá-los naquele exato momento.
[...]
– Então você quer se vingar dele, é isso? – Perguntou fechando seu livro e colocando-o sobre a mesa.
– Eu acho que fui clara o suficiente nessa parte. – Respondi irritada. Ele poderia ser ou querer ser meu irmão, mas me provocava de propósito.
Encostei-me à porta de seu quarto com os braços cruzados aguardando sua resposta.
– Desculpe, é uma situação um tanto embaraçosa. Minutos atrás você estava gemendo e gritando por ele. – Ele esticou o braço e cruzou as pernas me desafiando com o olhar. Senti o sangue do meu corpo inteiro disparar até o meu rosto. Apertei os braços tremendo de raiva. – Diga o que quiser que verei o que posso fazer.
Suspirei e tentei montar um resumo interno para que ele compreendesse a minha ideia.
– Não será uma coisa tão grande, porém eficaz...
Não adiantaria explicar em minhas palavras o tão desprezada que fui naquele dia. Por mais que eu sinta algo muito forte por James, passar todo esse tempo sem ele ativou uma coisa muito forte dentro do meu corpo. Ativou a dor que vinha acumulando, mas fiz questão de esconder isso de todos.
Eu escondi tudo isso em mim por muito tempo. Agora percebo que meu tempo está se esgotando e o local no qual deixei as coisas se amontoaram já está ficando lotado. Não posso mais enganar a mim mesma e a todos. Tenho que jogar as minhas cartas na mesa, e rápido, antes que eu perca o jogo final.
[...]
POV Amanda Off
– Então isso seria um acordo? – Indagou o homem fechando os botões de sua calça e procurando pela sua camisa pelo chão do quarto.
– Sim. – Helena respondeu – Eu acho que estamos jogando no mesmo time, estou certa? – Disse tentando cobrir seu corpo com os lençóis.
De todas as coisas absurdas que já apareceram no caminho de Bryan, Helena conseguiu colocar-se em primeiro lugar.
Além de rebaixar a si mesma, ele diria que poderia bater palmas para ela nesse exato momento. Estava em choque mesmo estando satisfeito com as suas... Especialidades...
– Eu quero James morto, e quero que o enterre junto com aquela vadia. – Acrescentou a garota. Ela sabia que havia causado um grande impacto no atual rival de seu antigo “parceiro”, mas James a havia descartado assim como todas as outras durante sua trajetória, e a deixou sozinha.
A mulher enlouqueceu nesse dia! Tentou matá-lo com suas próprias mãos, mas a adrenalina de James estava alta o suficiente para ganhar dela independente de sua raiva.
E agora, aí estava ela. Aos pés do pior assassino que já conhecera durante sua vida.
– Feito! – Respondeu Bryan depois de ter pensado com cautela.
Ele não era um homem de cumprir com os seus acordos, mas o que ela havia lhe proposto era um tanto excitante.
Um grande sorriso surgiu nos lábios da mulher.
No momento, parecia ser um acordo perfeito, mesmo que ela estivesse colocando sua própria vida em risco. Ela havia se entregado ao maior sádico de sua vida por vingança e estava disposta a enfrentar todas as consequências.
[...]
– Não percebe o que está acontecendo, Carlos? – Perguntou o loiro ao seu parceiro. Os dois estavam observando seu terceiro amigo a uma distancia considerável.
– Não consigo acreditar nisso. – Respondeu tenso. A situação estava se tornando um grande caos. Uma desordem interminável.
– Estamos nos separando e montando nossos próprios times. – Carlos analisou os meros movimentos de Logan e como a noite chegava colorindo de azul escuro e céu agora púrpura – Estamos nos separado... – acrescentou Kendall – e forjando a nosso próprio epílogo.
O homem ao seu lado sabia que as palavras de seu amigo eram verídicas. Todos sabiam que seria exatamente assim que as coisas ocorreriam, mas assim como ele, todos queriam não acreditar nisso.
Logan ao longe deles notara a presença dos dois, mas não se importara. Ele estava ocupado demais forjando o seu próprio tabuleiro em mente e preparando os dados para lançar.
Levou o cigarro aos lábios e o tragou, logo o soltou pela boca. Raramente fumava, havia parado. Recaía apenas em situações críticas como essa.
Ele sabia com quem Amanda estava e não a culpava, nem a James. Culpava a si mesmo e daria um jeito de se perdoar para então começar a agir.
Começar a jogar.
Aproximando luz guiante,
Nossos anos superficiais em pavor,
Sonhos são feitos retorcidos pela minha cabeça.
Antes que você descubra,
Acorde. – System of a Down – Spiders.
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