Sweet Like Cake.
11 1x11.
Notas iniciais

Eu não deveria me sentir intimidado por estar em um palco. Muito pelo contrário, nos palcos é onde eu sempre desejei estar. Porém, algo relacionado a estar dançando tango com Rachel Berry e estar em calças realmente apertadas me fizeram repensar sobre isso. Eu tentava juntar toda a confiança que tinha para convencer a mim mesmo de que Rachel venceria, mas o olhar divertido de Charlie me fazia mudar de ideia o tempo inteiro. Já posicionados no palco – totalmente escuro, por sinal –, Santana se levantou de sua poltrona e virou-se para os demais.
[SANTANA]
And now the 6 merry murderers of the cook countyjail in their rendition of the cell block tango…
Nesse instante, um holofote acima de mim se iluminou e exibiu minha calça preta apertada, os sapatos pretos e uma camiseta branca com alguns botões abertos.
[KURT]
Pop.
Meu holofote se apagou, e então o que estava acima de Rachel se ilumina. Agora era a hora de Rachel brilhar, exibindo seu vestido preto tomara-que-caia longo, com uma abertura lateral que deixava toda sua perna esquerda à mostra. Seu cabelo estava arrumado em um coque, com uma rosa vermelha enfeitando-o. Era quase imperceptível a presença do shortinho de lycra por baixo do vestido.
[RACHEL]
Six.
E então o holofote de Rachel se apagou, e o meu volta a se iluminar. E é assim sucessivamente.
[KURT]
Squish.
[RACHEL]
Uh, uh.
[KURT]
Cicero.
[RACHEL]
Lipschitz!
Os dois holofotes se acenderam juntos, e em seguida todo o palco finalmente se ilumina. Eu e Rachel nos aproximamos rapidamente, juntando nossos corpos e dançando pelo palco no ritmo da música enquanto cantávamos.
[KURT]
Pop.
[RACHEL]
Six.
[KURT]
Squish.
[RACHEL]
Uh, Uh.
[KURT]
Cicero.
[RACHEL]
Lipschitz!
Rachel então puxou a rosa de seu cabelo, fazendo-o cair sobre seus ombros em perfeitas ondulações. Seguramos nossas mãos firmemente, apontando-as para uma única direção enquanto seguíamos com passos longos e sincronizados. Logo após Rachel girar ao redor de si mesma, a garota abaixou-se e se levantou sensualmente enquanto sua mão percorria minha coxa até parar em meu peito. Tentei ignorar meu desconforto, afinal, estávamos apelando e muito para podermos ganhar.
[KURT]
Pop.
[RACHEL]
Six.
[KURT]
Squish.
[RACHEL]
Uh, Uh.
[KURT]
Cicero.
[RACHEL]
Lipschitz!
Soltei Rachel e virei de costas para o público.
[KURT]
Pop.
Rachel se abaixou lentamente enquanto deslizava sua mão pela perna descoberta, mantendo seu olhar fixo em Charlie.
[RACHEL]
Six.
De costas, me abaixo devagar conforme levanto meu braço. Maldita hora de se estar com uma calça apertada!
[KURT]
Squish!
Rachel se virou de costas enquanto suas mãos passeavam por seu corpo, até pararem por cima de sua bunda.
[RACHEL]
Uh, uh.
Me levantei em um salto e virei para a plateia, estendendo minha mão para Rachel em seguida.
[KURT]
Cicero.
Rachel, virando-se para a plateia, segurou minha mão ainda mantendo seus olhos fixos em Charlie, com uma expressão extremamente desafiadora.
[RACHEL]
Lipschitz!
Eu e Rachel juntamos nossos corpos novamente, mantendo nossas mãos unidas e os braços esticados em apenas uma direção, enquanto seguíamos até ela em passos largos e sincronizados.
[AMBOS]
He had it coming, He had it coming, He only had
himself to blame!
Trocamos de direção no ritmo da música.
[AMBOS]
If you'd have been
there, If you'd have seen it.
Rachel se desvencilhou de meu corpo.
[RACHEL]
I betcha you would have done the same!
A menor ergueu sua perna para o alto, enquanto passei meus braços por debaixo de suas axilas e a ergui do chão. Começamos a girar.
[AMBOS]
Pop.
Six.
Squish.
Uh uh.
Cicero.
Lipschitz!
Soltei Rachel no chão, e em seguida lhe dei a mão e a ajudei a se levantar lentamente de modo que ela juntasse seu corpo ao meu. Senti meu rosto ruborizar, por um momento querendo esquecer a plateia que nos assistia. Rachel parecia confiante, e decidi que deveria me sentir mais como ela. Dançamos juntos pelo palco, cada um cantando a sua parte.
[KURT]
Pop.
[RACHEL]
Six.
[KURT]
Squish.
[RACHEL]
Uh, Uh.
[KURT]
Cicero.
[RACHEL]
Lipschitz!
Nesse instante, eu e Rachel nos soltamos e então eu corri até uma área não iluminada do palco. A menor sentou-se em uma cadeira que estava na frente do palco e cruzou as pernas.
[RACHEL]
You know how people have these little habits that get you down. Like Bernie. Bernie he like to chew gum. No, not chew. POP.
Rachel se levantou com seu olhar fixo na plateia.
[RACHEL]
So I came home this one day and I am really irritated, and looking for a little bit sympathy. And there's Bernie layin' on the couch, drinkin' a beer and chewin'. No, not chewin'.
Com a perna descoberta, Rachel chutou a cadeira com força.
[RACHEL]
Poppin'! So, I said to him. I said "You pop that gum one more time...”. And he did.
Nesse momento, corri até a frente do palco e levantei a cadeira. Me sentei sobre ela, fingindo que estava mastigando um chiclete com um enorme sorriso que arrancou algumas risadas da plateia.
[RACHEL]
So I took the shotgun off the wall and I fired two warning shots...
Rachel apontou para a minha cabeça formando um revólver com sua mão. Ao ouvir o barulho simulando um tiro, caio da cadeira e rolo pelo palco. Novas risadas são ouvidas.
[RACHEL]
Into his head.
Me levanto do chão rapidamente e me junto à Rachel em uma nova dança, ambos com os corpos bem colados. Rachel tenta fazer umas caras sensuais, e cutuco sua cintura para que a mesma pare.
[AMBOS]
He had it coming, He had it coming. He
only had himself to blame! If you'd have been there, If you'd
have heard it, I betcha you would have done the same!
Solto Rachel, que vai até a mesma área escura do palco que eu estava anteriormente. Me sento na cadeira, com o encosto da mesma contra o meu peito e arqueando as costas.
[KURT]
I met Ezekiel Young from
Salt Lake city about two years ago. And he told me he was single, and we hit it off right away. So, we started living together, He'd go to work, he'd come home, I'd fix him a drink,
and we have dinner. And then I found out…
Me levanto.
[KURT]
"Single" he told me? Single, my butt! Not only was he married! Oh, no, he had six wives. One of those Mormons, you know. So that night, when he came home from worked, I fixed him his drink as usual.
Chuto a cadeira no ritmo da música.
[KURT]
You know, some guys just can't hold their arsenic.
Dou de ombros, me voltando para Rachel. Dançamos e cantamos juntos novamente.
[AMBOS]
Hah! He had it coming, he had it coming! He took a flower in its prime. And then he used it and he abused it. It was a murder, but not a crime! (Pop, Six, Squish, Uh Uh, Cicero, Lipschitz!)
Rachel se senta na cadeira e eu fico em pé ao seu lado.
[RACHEL]
Now, I'm standing in the kitchen carvin' up the chicken for dinner, minding my own business. In storms my husband Wilbur, in a jealous rage!
[KURT]
You been doing the milkman!
[RACHEL]
He says. He was crazy and he kept on screamin'!
[KURT]
You been doing the milkman!
O palco se escurece.
[RACHEL]
And then he ran into my knife. He ran into my knife ten times.
E então, quando as luzes do palco se acendem novamente, dez facas estão espalhadas pelo palco. Olho para Rachel um pouco hesitante, afinal, meus pés não colaboravam muito e eu precisaria deles depois dessa apresentação. Juntamos nossos corpos e passamos a dançar habilmente, desviando das facas.
[RACHEL]
The dirty bum, bum, bum, bum, bum!
[KURT]
The dirty bum, bum, bum, bum, bum!
[AMBOS]
They had it comin', They had it comin', They had it comin',
They had it comin', They had it comin', They had it comin' all along
(All along) 'Cause if they used us ('Cause if they used us)
And they abused us (And they abused us)
How could you tell us that we were wrong?
Could you tell us that we were wrong?
Finalizamos a música com Rachel apoiada em meu pescoço e nossos rostos, ofegantes, bem próximos. Soltei-a no chão fazendo uma careta assim que comecei a ouvir os aplausos.
— Me lembre de nunca mais fazer nada do tipo com você. – Falei ofegando pesadamente enquanto tentava arrumar os meus cabelos com os dedos e via Rachel se levantar. Notei Zach se aproximando do palco com seu típico sorriso empolgado, o que me fez corar rapidamente.
— Gostei da sua calça, Kal El. Consigo ver sua bunda melhor.
— Obrigado. Vou me trocar. – E quando eu estava me dirigindo aos bastidores do auditório, Rachel me puxou pelo braço.
— De jeito nenhum. Você vai assistir a apresentação da Charlie comigo.
— Eu tenho a impressão de que essa calça vai rasgar a qualquer momento.
— Não exagere, Kurt. Suas calças sempre foram assim. – E, dando de ombros, Rachel me dirigiu até uma poltrona do auditório com Zach nos seguindo, coincidentemente, logo atrás.
— Vocês foram ótimos. Rachel, não tire essa roupa até chegarmos à minha casa. – E, com uma piscadela, Charlie acenou de mãos dadas com Mike e subiu até o palco. Rachel franziu o cenho, ofendida, e sentou-se do meu lado.
— Kurt, achei que você só conseguisse fazer aquelas dancinhas ridículas da Madonna! – Sophie falou com empolgação, sentada na poltrona atrás da que eu estava. Santana estava ao seu lado lixando as unhas e sem substituir seu olhar de desdém nenhuma vez.
— Fico feliz por suas pernas conseguirem chamar mais atenção do que o seu nariz, Man Hands.
— Obrigada, Santana. Espero que vocês votem na melhor, e não na que vocês tenham mais intimidade. Lembrando que o Kurt, o melhor amigo gay de vocês e que vocês andam juntos o tempo inteiro, está na minha equipe. – E para reforçar o que havia dito, eu e Rachel demos um sorriso ensaiado.
— Não se preocupem com votos, minha mãe Charlie não será tão boa quanto vocês! Disso eu tenho certeza. – Zach disse assentindo com a cabeça. As luzes do auditório se apagaram, sendo que apenas um holofote iluminava Charlie no momento. A garota tinha o cabelo arrumado em um coque trançado, e trajava um longo vestido vermelho. Tinha longas luvas brancas e o batom vermelho destacava mais o seu rosto que, aparentemente, não tinha nenhuma imperfeição.
[CHARLIE]
Maybe this time I'll be lucky
Maybe this time he'll stay
Maybe this time for the first time
Love won't hurry away…
Mike então se aproximou da garota, envolvendo-a pela cintura. Logo os dois estavam dançando lentamente pelo palco, os rostos bem próximos e expressões impassíveis.
[CHARLIE]
He will hold me fast
I'll be home at last
Not a loser anymore
Like the last time and the time before!
E então, com um clique, a música se tornou mais agitada. Logo diversas cheerleaders usando roupas semelhantes às de um bordel tomaram conta do palco. Charlie colocou as mãos no pescoço e, no segundo seguinte, Mike arrancara-lhe o vestido vermelho exibindo um corselet da mesma cor por baixo. A garota puxou um grampo de seu cabelo, fazendo-o cair em perfeitas ondulações como Rachel havia feito anteriormente, e então o jogou para longe. Uma meia-arrastão escura se estendia por toda a sua perna até o meio de suas coxas. Emily mal podia conter o sorriso em seu rosto, assim como eu e Rachel assistíamos a tudo boquiabertos. Eu não sabia que strip-tease era permitido! As cheerios e Charlie dançavam em sincronia pelo palco, a loira afinada como sempre.
[CHARLIE]
Put down the knitting,
The book and the broom!
It's time for a holiday.
Life is a Cabaret, old chum,
Come to the Cabaret.
Come taste the wine,
Come hear the band.
Come blow your horn,
Start celebrating;
Right this way,
Your table's waiting.
Mike surgiu novamente, e agora as cheerios dançavam em pares. O rapaz girava Charlie ao redor de si mesma, e a segurava quando a mesma flexionava o corpo para trás e erguia uma das pernas.
[CHARLIE]
No use permitting
Some prophet of doom
To wipe every smile away.
Life is a Cabaret, old chum,
So come to the Cabaret!
Charlie e todas as cheerios correram para um canto do palco, enquanto Mike voltava para o anonimato. A loira começou a dançar na frente, com um número pequeno de cheerios dançando em sincronia atrás de si. As outras faziam uma espécie de alongamento com olhares de desdém, semelhantes ao da Santana tempos atrás – e que agora estavam bem mais atentos.
[CHARLIE]
Slick your hair
And wear your buckle shoes
And all that Jazz
I hear that Father Dip
Is gonna blow the blues
And all that Jazz
Hold on, hon
We're gonna bunny hug
I bought some aspirin
Down at United Drug
I case you shake apart
And want a brand new start
To do… That…
E, com uma abertura zero, Charlie ergueu os braços enquanto cantava a nota aguda. Agora todas as cheerios dançavam juntas.
[CHARLIE]
Jazz!
Find a flask
We're playing fast and loose
And all that jazz
Right up here
Is where I store the juice
And all that jazz
Come on, babe
We're gonna brush the sky
I bet you luck Lindy
Never flew so high
'Cause in the stratosphere
How could he lend an ear
to all that… Jazz…
As luzes do palco se apagaram, enquanto a música diminuía de volume. A este instante, Rachel ainda olhava incrédula para toda a apresentação. Tive a impressão de que ela não piscara em nenhum momento, e isso estava começando a me desesperar. As luzes se acenderam. Charlie e as cheerios agora usavam vestidos mais comportados. Os cabelos da garota estavam divididos em dois por cima de seus ombros, e a mesma era vista no centro do palco com as mãos na cintura. Arqueou a sobrancelha enquanto seu olhar era fixo em Rachel.
[CHARLIE]
Anything you can be
I can be greater.
Sooner or later,
I'm greater than you.
[MIKE]
No, you're not.
[CHARLIE]
Yes, I am.
[MIKE]
No, you're not.
[CHARLIE]
Yes, I am.
[MIKE]
No, you're not!
[CHARLIE]
Yes, I am. Yes, I am!
Logo, todos iniciaram uma coreografia divertida no qual envolvia sapateados e dedos indicadores balançando. Emily e Santana se abanavam, Zach e Rachel assistiam tudo boquiabertos e eu, incomodado com a minha calça.
[TODOS]
The world has gone mad today
And good's bad today,
And black's white today,
And day's night today,
When most guys today
That women prize today
Are just silly gigolos!
[CHEERIOS E MIKE]
Any note you can hold
I can hold longer.
[CHARLIE]
I can hold any note
Longer than you!
[CHEERIOS E MIKE]
No, you can't.
[CHARLIE]
Yes, I can.
[CHEERIOS E MIKE]
No, you can't.
[CHARLIE]
Yes, I can!
[CHEERIOS E MIKE]
No, you can't.
[CHARLIE]
Yes, I can
[CHEERIOS E MIKE]
No, you…
E então, diante dos nossos olhos, as cheerios montaram uma pirâmide na qual Charlie estava no topo. Toda radiante, com seu enorme sorriso e as mãos firmes na cintura.
[CHARLIE]
Yes, I-I-I-I-I-I-I-I-I-I-I…
Yes!
I…
[CHEERIOS E MIKE]
You…
[TODOS]
C-A-A-A-A-A-A-A-A-A-AN!
E, graciosamente, a loira pulou sobre os braços do asiático que eu me esqueci o nome agora. Rachel parecia estar em choque, enquanto Emily e Santana gritavam e batiam palmas fervorosamente. Zach virou-se para dizer algo, porém a garota pôs o indicador em sua boca antes que o mesmo pudesse.
— Nem. Uma. Palavra. – Falou pausadamente, os olhos ainda fixos no palco. Charlie jogou os cabelos por cima do ombro e acenou para a baixinha mantendo o seu sorriso.
— Ainda precisamos de votação? Acho que está bem óbvio quem é a vencedora. – Ela falou, ao se aproximar de todos com o corselet e o vestido vermelho nos braços.
— Isso foi trapaça!
E então, finalmente, consegui chamar a atenção de Rachel. Charlie arqueou a sobrancelha com o semblante sério, o que eu interpretei como um pedido de justificativa.
— Eu e Rachel não sabíamos que podíamos chamar várias pessoas pra nos ajudar na dança! Se fosse assim, eu e ela poderíamos ter contratado vários dançarinos profissionais de tango pra nos ajudar na performance! – Falei, o rosto vermelho de irritação.
— Bom, querida porcelana, aí o problema já não é meu. E eles só me ajudaram na dança e no backing vocal, por favor, eu cantei tudo sozinha. Diferente de vocês, que resolveram fazer uma mistura de dueto com filme de terror caseiro.
E então um silêncio se instalou no auditório.
— Nossa apresentação foi a mais justa. O combinado era a diva e seu ajudante, e nós cumprimos isso. Você não está seguindo as regras, Charlie!
— Kurt, me escute. Não havia regras. Nós também não sabíamos que as cheerios não podiam participar e, se esse for o problema, eu posso refazer toda a apresentação sem elas. De qualquer forma, eu e o Mike continuaríamos sendo melhores do que você e Rachel. E isso porque ele nem sabe cantar. Você e Rachel são iguais, sempre procurando desculpas esfarrapadas pra tentarem virar o jogo. Os dois deveriam saber que não podem propor duelos se não conseguem nem ao menos vencê-los. Aliás, falando nisso, ela te ensinou todo esse discursinho pra quando você perder pro Jesse no Duelo de Divos?
Novamente um silêncio preenchera o local, conforme eu olhava para Charlie boquiaberto. Zach segurou minha mão, apertando-a firmemente. Mas eu não a apertei de volta. Rachel levantou-se e correu para fora do auditório com passos pesados e fortes, e dava para ouvir alguns murmurinhos de choro vindo da menor. Charlie deu de ombros e saiu logo em seguida, provavelmente para recolocar seu uniforme de cheerio. Emily a seguiu logo depois.
— É aqui o lugar que vocês vão assistir a minha vitória do Duelo de Divos?
Santana cheirou o ar brevemente e então passou a mão no rosto, respirando fundo. Se virou e deu o seu melhor sorriso.
— Olá, Jesse! Que surpresa te ver aqui, achei que animais não serem permitidos dentro de colégios fosse uma lei estadual. – A latina falou olhando por cima de sua poltrona, acenando para o rapaz que se aproximava em passos lentos e descontraídos.
— Vocês estão aqui, então acho que essa lei não serve pra muita coisa. – Ele deu de ombros com um revirar de olhos. – E então, onde estão os concorrentes? Por acaso desistiram porque estavam intimidados com o meu talento?
Me levantei, soltando a mão de Zach.
— Cale a boca e assista. Eu vou primeiro. – Falei me direcionando até o palco e ignorando todos os olhares que pairavam sobre minha calça e o rubor em meu rosto. Troquei de roupa rapidamente nos bastidores do auditório e então voltei para o palco, que no momento estava com as cortinas abaixadas. Neste instante tudo o que eu precisava para minha apresentação já estava ali – uma cadeira, um piano branco e um divã roubado da sala de teatro. As cortinas se ergueram, e as luzes do palco se mantiveram apagadas.
[KURT]
I got 36 expressions!
Sweet as pie to tough as leather
And that's 36 expressions more than all those Baltimores puttogether.
So 'stead of just kicking me why don't they give me a lift?
Well, it must be a plot!
'Cause their scared that I got...such a gift?
Well, I'll nift.
Cause…
Um holofote se acendeu; desta vez exibindo meu figurino. Eu trajava um terno branco, com direito à cartola e luvas. Santana havia reconhecido a roupa na hora, afinal, estava na minha casa no momento em que eu a preparava. A luz do holofote iluminava apenas à mim, deixando o resto do palco escuro.
[KURT]
I'm
The Greatest Star
I am by far!
But no one knows it…
Wait!
They're gonna hear a voice…
A silver flute, ah ah ah! Ah ah ah!
They'll cheer each toot
Yeah, that kids terrific, mmm
When I expose it…
Now can't ya see to look at me that
Outro holofote se acende, iluminando o piano branco. Caminhei até o mesmo e me sentei sobre ele, cruzando as pernas e balançando os ombros lentamente.
[KURT]
I'm a natural Camille…
As Camille I just feel…
I've so much to offer!
Now listen Mr. Z I know I'd be divine because…
Fiquei de pé no piano, com as mãos na cintura e o sorriso animado mantido no rosto. Fui abaixando um pouco à cada tosse fingida.
[KURT]
I'm a natural cough..
Ahoo! Aheh! Ahay!
Some ain't got it, not a lot
I'm a great big clump of talent
Laugh!
Me deitei de bruços sobre o piano e balancei as pernas.
[KURT]
Ha ha ha ha!
They'll bend in half
A thousand jokes
Stick around for the jokes!
A thousand faces…
I reiterate
When ya gifted, then ya gifted
These are facts
I've got no acts to parade!
Pulei de cima do piano e corri novamente até hoje estava a cadeira, derrubando-a com um chute.
[KURT]
Hey, whaddaya blind?
In all of the world so far
I'm the greatest star.
Desci do palco rapidamente, atravessando o corredor e me sentando ao lado de Santana e cantando como se estivesse conversando com ela. E, pela sua expressão de nojo, estava claro que ela não gostou da ideia.
[KURT]
No autographs, please.
You think beautiful girls are gonna stay in style forever?
I should say not, any minute now, they're gonna be out!
Finished, then it'll be my turn! Uh…
Voltei ao palco novamente, me posicionando ao lado da cadeira caída.
[KURT]
Who is the pip with pizzazz?
Who is all ginger and jazz?
Who is as glamourous as?
Who's an american beauty rose?
With an american beauty Nose!!!
And ten american beauty toes?
Eyes on the target and wham
One shot on gun shot and Bam!
Hey Mister Keeney!
Here I am!
E então as luzes se apagaram novamente. Santana já estava sem paciência, e pude perceber que alguns bocejavam. Sophie mandava mensagens em seu celular e Jesse parecia estar preocupado com as horas. Quando as luzes se acenderam novamente, eu já estava deitado de costas no divã, erguendo as pernas para o alto lentamente.
[KURT]
I'm the greatest star
I am by far…
But no one knows it
That's why I was born
I'll blow my horn…
Till someone blows back!
E, com um outro pulo, me levantei do divã. Com dois fortes puxões, arranquei o terno branco de meu corpo exibindo o segundo figurino por baixo. O figurino da vez era uma camiseta branca com um colete coberto por lantejoulas vermelhas. A calça era vermelha e tão apertada quanto a anterior. Dei uma estrelhinha no palco, indo parar próximo ao piano branco.
[KURT]
I gotta break the lights!
I'm gonna make 'em fight!
I'll flicker and flare up!
All of the world's gonna star up…
Subi no piano novamente, iniciando uma dança no ritmo da música.
[KURT]
Looking down you'll never see me,
Try the sky cause that'll be me!
I can make 'em cry!
I can make 'em sigh!
Someday they'll clamor for my drama…
Pulei do piano e, com passos largos, parei em frente ao palco. Retirei dois bastões negros do bolso da calça vermelha e começo a girá-los nos dedos, mantendo o sorriso provocativo no rosto.
[KURT]
Have ya guessed Yet!
Who's the best yet?
If ya late I'll tell ya one more time
You betcah last dime
In all of the world so far
I am the greatest, greatest
E, em um movimento final, joguei os bastões no chão e peguei a cartola que estava caída em algum lugar aleatório do palco. Joguei-a até a plateia e caio de joelhos no palco, erguendo os braços enquanto sustento a última nota.
[KURT]
Staaaaaaar!
Todos pareciam boquiabertos e assustados. Com um sorriso sem graça, me aproximei dos restos do terno branco que estava no chão e tentei me cobrir com ele enquanto descia do palco ouvindo os aplausos de Santana, Sophie e Zach.
— E não é que você sabe cantar? – Santana disse com um meio sorriso, provavelmente dizendo aquilo porque Jesse estava perto o suficiente para escutá-la.
— E essas suas calças, wow! Precisa me emprestar elas algum dia. – Sophie disse empolgada, dando uma risada logo em seguida.
— Eu não acho que elas caberiam em você... Mal em mim estão servindo! Não sei como consegui dançar com essa aqui sem ela rasgar. E, cá entre nós, sua bunda é maior que a minha.
— Sem essa, Kurt. – A loira se defendeu com outra risada. E então percebemos que Jesse já estava no palco, um pouco impaciente. Chutou os bastões para fora do palco e arrastou o divã e o piano para a coxia onde ninguém pudesse vê-los.
— Peço desculpas, mas não tive tempo de fazer roupas ridículas pra usar nessa ocasião. Vocês terão que ficar só com a minha voz mesmo. – Ele assentiu com a cabeça e então deu sinal para que a orquestra começasse a tocar.
[JESSE]
Oh, life is bigger
It's bigger than you
And you are not me
The lengths that I will go to
The distance in your eyes
Oh, no I've said too much
I set it up
That's me in the corner
That's me in the spot light
Losing my religion
Trying to keep up with you
And I don't know if I can do it
Oh no, I've said too much
I haven't said enough
I thought that I heard you laughing
I thought that I heard you sing
I think I thought I saw you try
Every whisper
Of every waking hour
I'm choosing my confessions
Trying to keep an eye on you
Like a hurt, lost and blinded fool (fool)
Oh, no I've said too much
I set it up
Consider this
Consider this
The hint of the century
Consider this
The slip that brought me
To my knees failed
What if all these fantasies
Come flailing around
Now I've said too much
I thought that I heard you laughing
I thought that I heard you sing
I think I thought I saw you try
But that was just a dream
That was just a dream
That's me in the corner
That's me in the spot light
Losing my religion
Trying to keep up with you
And I don't know if I can do it
Oh, no I've said too much
I haven't said enough
I thought that I heard you laughing
I thought that I heard you sing
I think I thought I saw you try
But that was just a dream
Try, cry, why, try
That was just a dream
Just a dream, just a dream, dream
— Você vai me bater se eu disser que adoro essa música? – Santana sussurrou virando-se para mim, enquanto o restante aplaudia a apresentação de Jesse. Inclusive Rachel, que estava em pé na porta do auditório. Seus olhos pareciam vermelhos, mas ela ainda fazia questão de sorrir e mostrar todo o seu apoio ao namorado.
— E então, já podem dizer que eu venci? – Jesse perguntou enquanto descia os pequenos degraus que ficavam na lateral do palco. Olhei para minhas roupas e suspirei, frustrado. Talvez eu tenha exagerado nos agudos. Talvez eu tenha exagerado na roupa. Talvez eu tenha exagerado em tudo. E divos não precisam de exageros para ser divos. Grande hora para eu perceber isso.
— Eu quero participar. – Zach falou, atraindo todos os olhares para si. – É, vai ser divertido! O Kal El foi super, e eu quero mostrar a vocês que o Super Z também é.
— Certo, certo, vamos logo com isso. – Santana falou com um revirar de olhos.
— Então vamos todos para o palco. Quero que sentem no chão comigo. – Zach disse, levantando-se de sua poltrona. – E você também, Super R.
Rachel sorriu, passando seus cabelos por cima do ombro e assentiu enquanto se aproximava. Logo todos estavam no palco, sentados no chão em um círculo.
— Espero que saiba o que está fazendo, Zach. – Sussurrei no ouvido do mesmo, que deu uma risada.
— Eu não tenho a mínima ideia, não é Super?
[ZACH]
I walked across an empty land
I knew the pathway like the back of my hand
I felt the earth beneath my own feet
Sat by the river and it made me complete
Oh simple thing where have you gone
I'm getting old
And I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired
And I need somewhere to begin
I came across a fallen tree
I felt the branches of it looking at me
Is this the place we used to love?
Is this the place that I've been dreaming of?
Oh simple thing where have you gone
I'm getting old
And I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired
And I need somewhere to begin
So and if you have a minute why don't we go
Talk about it somewhere only we know?
This could be the end of everything
So why don't we go
Somewhere only we know?
Somewhere only we know?
E novamente eu me senti tranquilizado e seguro ouvindo Zach cantar. Era como se fosse um dos poderes do Super Z, poder tocar o coração das pessoas quando cantava. Eu particularmente já gostava da música que ele estava cantando, mas… Na sua voz, era totalmente diferente. Me fazia sentir um arrepio da cabeça aos pés, uma sensação de conforto tomar conta de meu peito e um desejo de ouvi-lo cantar para sempre. Era nada menos do que perfeito. E eu sabia que ninguém seria páreo para ele neste Duelo de Divos se pudessem se sentir como eu estava me sentindo. Foi quando reparei que no momento ele cantava olhando para mim, no fundo dos meus olhos como fizera da outra vez. E estava sorrindo. Eu poderia me sentir desconfortável ou envergonhado, mas não. Desta vez, eu não desviei o olhar.
[ZACH]
Oh simple thing where have you gone
I'm getting old
And I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired
And I need somewhere to begin
So and if you have a minute why don't we go
Talk about it somewhere only we know?
This could be the end of everything
So why don't we go
So why don't we go
This could be the end of everything
So why don't we go
Somewhere only we know?
Somewhere only we know?
Somewhere only we know?
— Definitivamente eu amo essa música. Obrigado por me ouvirem. Mesmo eu não ganhando foi Super participar. – Zach disse com um sorriso, levantando-se do chão logo em seguida enquanto todos o aplaudiam. Todos, exceto Jesse.
— Zach. – O chamei depois de alguns segundos, vendo-o agradecer os elogios que Santana, Rachel e Sophie faziam. O rapaz olhou pra mim, mantendo o seu sorriso que sempre me deixava um pouco desnorteado. – Você foi Super.
— Já é tarde demais para eu participar?
E quando todos olharam para a porta do auditório, lá estava ninguém mais ninguém menos do que Finn Hudson. Rachel arregalou seus olhos aos poucos, observando a figura alta e imponente que se aproximava com seu típico meio sorriso de galã.
— Claro que pode, Orca Assassina. Sabemos que no final de contas a Charlie é que ganhará o Duelo de Divos mesmo. – Santana deu de ombros.
— Divas, Santana. – Sophie a corrigiu.
— Não, Divos mesmo. Charlie consegue ser mais macho que todos os garotos daqui.
— A mamãe Fabray é Super mesmo. – Zach concordou com a cabeça.
— Saiam do palco. – Rachel os interrompeu. Virou-se para Finn com um sorriso, um sorriso sincero e verdadeiro que eu achei que nunca mais veria no rosto da anã. – Quero ouvir o Finn cantar.
Quando todos estavam em seus lugares, Finn subiu no palco com as mãos nos bolsos e a postura descontraída de sempre.
— Eu pensei em escolher um rock clássico, já que é o meu estilo, mas como eu quero me desafiar resolvi escolher uma canção de um musical da Broadway. Eu sei que vocês gostam disso, então...
— Na verdade, só a Rachel e o Kurt gostam. Mas o Kurt tem um pênis, então acho que não faz o seu tipo. – Santana o interrompeu ao erguer a mão. Senti meu rosto corar ao extremo enquanto Jesse dava uma gargalhada, dizendo um “tem certeza disso?” que eu preferi ignorar. Finn também pareceu desconfortável com o comentário, dirigindo-se à orquestra para que começassem logo a tocar.
[FINN]
Sometimes I wonder
Where I've been
Who I am, do I fit in?
Make-believing is hard alone
Out here, on my own
We're always proving
Who we are
Always reaching
For that rising star
To guide me far
And shine me home
Out here on my own
When I'm down and feeling blue
I close my eyes so I can be with you
Oh, baby, be strong for me
Baby, belong to me
Help me through
Help me need you
Until the morning sun appears
Making light of all my fears
I dry the tears I've never shown
out here on my own
But when I'm down and feeling blue
I close my eyes so I can be with you
Oh, baby, be strong for me
Baby, belong to me
Help me through
Help me need you
Sometimes I wonder
Where I've been
Who I am, do I fit in?
I may not win
But I can't be thrown
Out here on my own
On my own
— Isso foi mais chocante do que assistir o Kurt fazendo um strip-tease. – Santana comentou em meio aos seus aplausos. Finn sorriu, afinal, sabia que esse era o modo da latina de dizer que havia ido bem.
— Você foi impressionante, Finn! Só um verdadeiro líder pra conseguir mudar de rock pra Broadway com tanta facilidade. – Sorri ainda batendo palmas. Rachel era a que mais parecia feliz, provavelmente devido ao fato de que Finn cantou a música inteira olhando para ela. E, cá entre nós, eu sei bem o quanto um olhar pode significar para uma pessoa.
— Muito bom, Finn! Ótima escolha, eu amo essa música e musicais são sempre a melhor escolha. – Rachel disse, um pouco atrapalhada e vermelha, mas admirei sua coragem. Afinal de contas, eles não estavam brigados?
— Não achei que eu iria encontrar tantos talentos em Lima! – Um rapaz falou enquanto aplaudia e levantava-se de sua cadeira. Ele era loiro, usava um largo moletom cinza e, se meus olhos biônicos não estiverem com defeito, enxerguei músculos por debaixo do tecido.
— Me desculpe a grosseria, mas o auditório está reservado apenas para o pessoal do Glee Club e meu namorado, Jesse St. James que por acaso é o capitão do Vocal Adrenaline. Em outras palavras, por favor, se retire. – Rachel disse um pouco hesitante, enquanto segurava a mão de Jesse e fazia Finn revirar os olhos.
— Ah, desculpe, eu não sabia. Sou Kenny. Kenny Sanders. Me mudei de Nova York faz alguns dias, meus pais estão trabalhando no hospital daqui agora. Se precisarem de um dançarino no coral de vocês... É só me chamar. – Ele piscou, e com um rápido aceno se afastou até sair do auditório. Sophie mal se tocou de que estava mordendo o lábio durante todo o tempo em que o garoto apareceu.
— Bom, eu não sei vocês, mas estou com fome. Vou para o Breadstix e o último que chegar lá paga a conta. – E, após passar a mão nos cabelos, a latina e Sophie correram em disparada. Até se esbarraram na porta do auditório, que não era larga o suficiente para que as duas passassem juntas e que resultou em um xingamento em espanhol de Santana que acaba de entrar no meu vocabulário. Eu provavelmente pagaria a conta, já que precisaria de tempo para conseguir tirar aquela calça e de mais tempo ainda para colocar outra.
´
Eu e Santana já havíamos repetido nossos pedaços de bolo duas vezes. É claro que a maior parte do meu bolo ia para Zach, já que eu sempre tinha que dividir com ele. Santana se gabava por poder comer um pedaço de bolo inteiro sozinha. Sophie comia sua típica torta de limão, e Charlie e Emily protagonizavam uma cena lésbica de namorada dando sorvete de morango na boca da outra. Finn havia ligado para Chelsey, e não demorou muito para que a loira chegasse e pedisse um cheesecake. Apenas Rachel e Jesse não chegaram ainda, e Santana fazia questão de enfatizar esse fato fazendo piadinhas indiscretas para incomodar Finn e consequentemente Chelsey.
— Santana, você não consegue parar de ser irritante por um segundo? – O maior perguntou, irritado.
— Oh, mil perdões, Susan Boyle. Achei você tão empolgado com essas panquecas que mal pensei que pudesse ouvir o que eu falava. – A latina disse, levando outro pedaço de seu bolo à boca. Zach estava com a boca suja de chocolate novamente, e já era a terceira vez em que eu a limpava com um guardanapo.
— Por que o Arthur não veio, Santana? – Finn perguntou com um sorriso sarcástico.
— Porque não chamei ele. Simples. Espero que ele esteja bêbado em alguma balada e depois acorde na cama de um negão de dois metros que seja a cara do Terry Crews. – Santana disse tudo com um sorriso simpático e feliz, que fez Sophie franzir o cenho.
— Você por acaso é idiota? Estamos nós duas aqui segurando vela pro Kurt e pra Chelsey enquanto você deixa seu namorado por aí? – A loira perguntou, zangada. Meu rosto corou novamente, mas Zach pareceu não se importar. Ou provavelmente nem percebeu o que Sophie tinha dito.
— Por que essa raivinha toda, Rivera? Por acaso finalmente descobriu que o Peter era fruto da sua imaginação?
— Ele se mudou, Santana! Foi embora faz duas semanas! E nós nem pudemos nos despedir! – A loira falou em alto e bom som, que fez a latina pensar duas vezes em se ela merecia levar um tapa na cara à lá Lima Heights para aprender a respeitá-la ou um abraço de consolo. No final das contas, preferiu dar de ombros e voltar a comer seu bolo.
— Sinto muito. Quer o Arthur emprestado? Às vezes ele parece ser fruto da minha imaginação também.
— Chega, Santana. – Intervi, enfiando outra garfada de bolo na boca da garota. – Você e o Arthur brigaram?
— Claro que não, Kurt. Arthur é mole demais pra brigar com a Santana. – Charlie disse dando uma risada, limpando um pouco do sorvete de morango que escorria do canto da boca de Emily.
— Que tal pararmos de falar do meu namorado e falarmos que algo que seja realmente gostoso, como esse sorvete que Chemily está dividindo? – E, com um sorriso, Santana tomou o sorvete das mãos de Charlie e deu uma profunda colherada. Emily olhou para Charlie com uma expressão triste. Pandora e Pedro se aproximaram da mesa de mãos dadas, e Santana fez um ruído similar ao de um cachorro Rottweiler.
— Viemos em paz. Prometo não tentar colocar fogo em vocês. – Pandora disse com um sorriso, arrumando um espaço na mesa para que ela e seu namorado sentassem. Santana e Emily acenaram para Pedro, visto que as duas eram bem amigas deles.
— E aí, Charlie, já pensou em virar hétero? – Pedro perguntou com um sorriso provocativo. Emily e Pandora franziram o cenho.
— Cevoni, por favor, sem assuntos particulares na frente da minha namorada. – Charlie interviu com uma risada, roubando um selinho de Emily logo em seguida. Quando olhei para o meu prato, notei que Zach já havia comido todo o bolo.
— E então, já sabem os vencedores dos duelinhos de vocês? – Pandora perguntou tentando parecer interessada.
— Já sabe quando vai ficar pronto o seu atestado de óbito? – Santana perguntou com um sorriso antipático. Pedro repreendeu-a dizendo o nome da garota, fazendo-a revirar os olhos.
— Zach, você comeu todo o meu bolo de novo!
— Pegue, Kurt, minha torta de limão. Eu perdi a fome. – Sophie resmungou cruzando os braços logo após empurrar o prato de sua torta para mim. Sorri e comecei a comer, dando um tapinha na mão de Zach ao vê-lo querendo tirar um pedaço. Segundos depois, Rachel chegou de mãos dadas com Jesse. Santana logo praguejou a si mesma, provavelmente desejando que Arthur estivesse ali para que apenas Sophie ficasse sozinha.
— Ah não. Ele não vai sentar aqui. – Pandora interviu, apontando para Jesse.
— E desde quando você manda na nossa mesa, querida? – Charlie perguntou, arqueando a sobrancelha.
— O Jesse não é um cara mal. Ele é Super, vocês ouviram ele cantando? – Zach perguntou com um sorriso sujo de chocolate. Santana fez uma cara de nojo. – Pode sentar sim, Super R e Jesse. Sempre cabe mais alguém nessa mesa.
— Pelo visto... – Santana resmungou.
— Zach, você é idiota? – Pandora perguntou em um tom ríspido. – Ele nos humilhou na última competição, lembra? E ainda por cima tá namorando a Berry! A Berry. É impossível ficar em um mesmo lugar que ele, a não ser que seus super poderes ridículos façam alguma coisa.
Jesse revirou os olhos, enquanto Rachel ignorava os olhares de Finn sobre ela com o rosto corado.
— Quem você pensa que é pra falar assim com ele? – Perguntei antes que Charlie e Emily pudessem tomar alguma providência. Pandora arqueou sua sobrancelha lentamente à medida que um sorriso maldoso brotava nos lábios de Santana.
— Pandora Lewis, provavelmente uma garota muito melhor do que um gayzinho que canta como mulher e usa roupas coladas. – A garota disse, com veneno transbordando em cada palavra que a mesma dizia. Arqueei as sobrancelhas, surpreso. Olhei para Santana e percebi que ela contava lentamente até dez, enquanto Charlie passava a mão no rosto e largava seu talher na mesa.
— Você não vai conseguir me ofender dizendo que eu sou gay. Aliás, ser gay não é uma ofensa. Prefiro mil vezes ser gay do que uma garotinha fútil que sempre quer destruir a vida dos outros.
— Kurt Hummel, você vai se arrepender de ter dito isso no momento em que eu destruir a sua. – Ela disse, levantando-se subitamente de sua cadeira. Pedro segurou-a pelo pulso, no mesmo instante em que Santana girava sua faca de talher nos dedos pronta para atacar.
— Eu estou pagando pra ver. Eu não tenho medo de você, sua putinha.
E no segundo seguinte, ouvi um alto estalo seguido de um forte ardor no meu rosto. Ela me deu um tapa?! E, em um movimento rápido e totalmente por impulso, joguei refrigerante no rosto da mesma. E sua expressão de ardor nos olhos foi muito parecida com a minha quando levei meu primeiro slushie no rosto. Então essa era a verdadeira atitude de um Cheerio?
— Vamos embora. – Jesse e Pedro disseram em uníssono, ambos puxando suas namoradas para fora do estabelecimento. Rachel olhou para mim de relance, com uma expressão de preocupação. Respirei ofegante, notando que todas as pessoas do Breadstix olhavam pra mim. Senti uma mão sobre meu ombro, puxando-me de volta para minha cadeira.
— Kal El, você tá bem? Não ligue pro que ela disse, ela é mais burra que a minha porta.
— Você precisa andar mais comigo. No primeiro instante em que ela abrisse a boca, eu já teria dado um soco na cara dela. – Santana falou enquanto lixava suas unhas. – Ou melhor, estou orgulhosa de você.
— Calma, não se mexa. – Charlie disse passando um pouco de pó em minha bochecha, que estava vermelha. – Você agiu como um homem agora, meus parabéns! Ganhou o Selo Charlie de masculinidade.
— Eu preciso sair com vocês mais vezes. Nas séries que eu assisto não acontece metade do que acontece aqui. – Chelsey disse concordando com a cabeça. Fuzilei-a com os olhos. Finn ainda parecia assustado e incrédulo com o que tinha acontecido, sem dizer uma palavra.
— Eu vou pra casa. – Falei puxando a carteira do bolso e deixando uma nota aleatória para pagar meus pedaços de bolo sobre a mesa. – Até mais, pessoal.
E, ao puxar meu casaco que estava pendurado na cadeira, eu já podia sentir o ódio queimando em minha garganta e querendo se transformar em lágrimas.
— Você tem exatamente três segundos pra me dizer o que aconteceu pra Santana ficar tão zangada com você a ponto de não dar a mínima nenhuma para a sua existência. – Falei ao abrir a porta do quarto de Arthur. O garoto estava dormindo esparramado em sua cama, sem camisa e com os edredons bagunçados sobre seu corpo.
— Que horas são? – Ele murmurou, sentando-se na cama enquanto coçava os olhos junto de um bocejo.
— Não acredito que você está dormindo até agora! Que horas você chegou ontem, Arthur?
— Ah, é você, Kurt. Pensei que fosse minha mãe. – E, depois de passar a mão nos cabelos, Arthur voltou a se deitar. – Não devo satisfações pra você.
— Claro que deve! Você está morando na minha casa. – Falei cruzando os braços, começando a sentir a irritação que era ter que conviver com Arthur Agron.
— Se este for o problema, eu vou embora.
— Eu só quero saber que horas você voltou. Precisa ser tão cabeça-dura?
— Achei que o foco da conversa fosse a Santana.
— Que seja. Vocês brigaram. Ela por acaso descobriu que você passa mais tempo ingerindo álcool em baladas aleatórias de Lima do que em casa fazendo algo útil como lavar a louça?
— Por acaso você descobriu que ela passa mais tempo com o amiguinho novo dela do que com o namorado? – Arthur perguntou sentando-se novamente, e então eu pude ver as grandes olheiras vermelhas embaixo de seus olhos azuis.
— O quê? Que amiguinho novo?
— Benny, Sanny... Não importa. – Ele revirou os olhos.
— Espera, Kenny? Kenny Sanders?
— Na mosca.
´
O clima no Glee Club estava pesado novamente. Charlie e Rachel não se falavam, e Pandora continuava isolada em seu cantinho com o mesmo olhar de tédio e antipatia. Finn havia retornado ao coral e conseguiu ocupar sua vaga de capitão masculino, visto que o Duelo de Divos foi desnecessário no momento em que ele decidiu voltar. Poderia ter me poupado de um grande mico, mas não importa. Charlie também permaneceu com seu cargo de capitã feminina assim que Zach decidiu que não haveria vencedora do Duelo de Divas já que ela e Rachel foram igualmente incríveis, o que era uma mentira já que Charlie nos humilhou sem pena alguma. Como não havia vencedoras, Charlie continuou com o cargo tão almejado por Rachel. Falando em Rachel, aliás, ela não havia dito uma palavra sequer desde que entrara na sala.
— Escutem, meus futuros mordomos. Hoje eu decidi dar a vocês o luxo de me ouvir cantar, e eu quero dedicar essa música ao meu amado namorado, Arthur Agron. E não estou fazendo isso porque hoje me lembrei de tomar os meus calmantes, eles são simplesmente opcionais. – Santana disse com um sorriso ao se levantar e se dirigir ao centro da sala. Emily franziu o cenho na medida em que Arthur arregalava os olhos.
— Você por acaso é bipolar?
— Não, eu apenas percebi que sem o Arthur eu seria uma virgem encalhada como quase todos daqui. E o Arthur provavelmente percebeu que sem mim ele seria gay e eu poderia espalhar por aí que ele contraiu AIDs fazendo sexo anal com um negão sem camisinha, então não o culpo por me amar tanto. – E então a latina passou os cabelos por cima do ombro, mantendo seu sorriso. O moreno revirou os olhos, com os braços cruzados sobre o peito.
— Arthur é tão molenga que nem pra ser passivo ele serviria. É preciso coragem pra ser passivo. Certo, Kurt? – Charlie perguntou olhando para mim com um sorriso malicioso.
— Vai calar a boca pra eu poder cantar?
— Desculpe. – A loira se repreendeu.
— Obrigada. Anônimo Um, pode começar a música. – E, com um aceno de cabeça, a música começou. Santana olhou para Arthur mantendo seu sorriso, e era notável que o garoto estava um pouco desconfortável com a situação.
[SANTANA]
Your love is bright as ever
Even in the shadows
Baby, kiss me
Before they turn the lights out
Your heart is glowing
And I'm crashing into you
Baby, kiss me
Before they turn the lights out
Before they turn the lights out
Baby, love me lights out!
In the darkest night, I’ll
[TODOS]
(In the darkest night, I’ll)
[SANTANA]
I'll search through the crowd…
[TODOS]
(I’ll search through the crowd)
[SANTANA]
Your face is all that I see
I'll give you everything
Baby, love me lights out
Baby, love me lights out
You can turn my lights out
We don't have forever
Baby, daylight's wasting
You better kiss me
Before our time is run out
Mmmmm, yeah, yeah, yeaahh
Nobody sees what we see
They're just hopelessly gazing
Baby, take me, me
Before they turn the lights out
Before our time is run out
Baby, love me lights out!
In the darkest night, I’ll
[TODOS]
(In the darkest night, I’ll)
[SANTANA]
I'll search through the crowd…
[TODOS]
(I’ll search through the crowd)
[SANTANA]
Your face is all that I see
I'll give you everything
Baby, love me lights out
Baby, love me lights out
You can turn my lights out!
I love it like XO
[TODOS]
(XO)
[SANTANA]
You love me like XO
[TODOS]
(XO)
[SANTANA]
You kill me boy XO
[TODOS]
(XO)
[SANTANA]
You love me like XO
[TODOS]
(XO)
[SANTANA]
All that I see
Give me everything
Baby, love me lights out
Baby, love me lights out
You can turn my lights out
In the darkest night, I’ll
[TODOS]
(In the darkest night, I’ll)
[SANTANA]
I'll search through the crowd…
[TODOS]
(I’ll search through the crowd)
[SANTANA]
Your face is all that I see
I'll give you everything
Baby, love me lights out
Baby, love me lights out
You can turn my lights out!
Santana terminou sua apresentação e, durante os aplausos, correu até Arthur e o beijou com um sorriso. Sophie suspirou brevemente. Eu era um dos que aplaudia, até sentir Zach cutucando meu ombro. Ele tinha um bilhetinho em sua mão, e o entregou para mim.

Dei uma risada baixa ao ler o bilhete e o guardei no bolso. Me virei para Zach, que me encarava com o rosto levemente corado. Assenti com a cabeça e ergui o polegar em sinal afirmativo, dando um meio sorriso para o maior. Espera. Isso é um encontro?
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