Notas iniciais
Oooi pessoal! Dessa vez não demorei muito, certo? Esse capítulo tá bem especial e divertido. Quero agradecer à SapatAna por ter betado o capítulo, mas se encontrarem qualquer errinho vocês podem me avisar nos reviews que vou linchar ela por não ter betado direito. As músicas tocadas nesse capítulo são: Buy The Stars — Original de Marina & The Diamonds. Cantada por Rachel. Eternal Flame — Original de The Bangles. Cantada por Zach. Neste capítulo é introduzido um personagem novo, o Michael. Vocês nem imaginam o que ele ainda vai fazer. Boa leitura!

Eu nunca estive em um encontro antes. Na verdade, ainda não podia considerar que era um encontro, já que não sabia se apenas eu e Zach estaríamos lá. Mas, de qualquer forma, aquilo me deixou nervoso de uma forma que todas as minhas roupas passaram mentalmente diante dos meus olhos para que eu já pudesse escolher a melhor para a ocasião. Após alguns minutos de falatório de Rachel sobre solos, Regionais, ser uma estrela e coisas do gênero, Mr. Schue entrou na sala, acompanhado de um rapaz moreno e alto. Ele parecia tímido e tentava sorrir de um jeito simpático.

— Olá, pessoal! Como estão sendo esses dias sem mim? – Ele perguntou em um tom de animação, que pareceu extrema comparada à nossas caras tediosas depois de mais um monólogo de Rachel.

— Terríveis. – Disse Sophie.

— Horrorosos. – Disse Charlie.

— Um inferno. – Disse Santana.

— Pior do que tentar respirar ao lado de Rachel. – Chelsey comentou enquanto olhava suas unhas. Rachel revirou os olhos e cruzou os braços sobre o peito, com sua típica postura de irritada. Mr. Schue deu uma risada e em seguida bateu de leve nas costas do rapaz.

— Bom, eu consegui um tempo extra pra ficar com vocês no Glee Club, o que significa que Rachel e Finn não serão os únicos no comando. – Ele disse com um sorriso, e Finn continuou com sua expressão de “o que está acontecendo mesmo?”. – E este aqui é o novo integrante do grupo, ficando no lugar da Vic. Pode se apresentar, Michael.

O rapaz deu uns passos para a frente, tentando não se incomodar com os diversos olhares curiosos que pairavam em sua direção. Com as mãos nos bolsos, ele usava uma camiseta xadrez aberta e jeans escuros.

— Eu sou Michael Weisman. Me mudei faz uns dias e achei melhor participar de alguns clubes. Aliás, já faço parte do time de futebol. – Ele sorriu de canto, fazendo Finn, Arthur e Zach se entreolharem com espanto. Com a sobrancelha levemente arqueada, pude notar que os olhos do rapaz analisavam Chelsey com interesse, enquanto a loira passava os dedos entre os fios de seu cabelo com um meio sorriso.

— E agora, a parte boa. Como Michael está no clube, isso significa que totalizamos doze membros. Ou seja, hora de começarmos as preparações para as Regionais! – Mr. Schue falou com uma animação extremamente irritante. Santana já havia me dito que nas competições anteriores, ele os fez cantar músicas que eram mais velhas do que o movimento de respirar. Mordi o lábio levemente com esse pensamento, mesmo sabendo que provavelmente meu único papel seria o de um dançarino de fundo. Michael sentou-se ao lado de Chelsey, e Finn provavelmente não reparou porque estava ocupado demais observando as curvas perfeitas que os seios de Rachel faziam sobre o suéter que estava usando.

Após escrever “Regionais” no quadro, Mr. Schue virou-se para nós balançando a caneta hidrográfica entre os dedos.

— Então, que ideias já tiveram?

— Bem, obviamente eu serei a solista – Rachel ergueu a mão imediatamente assim que tivera a deixa. – e teremos um dueto meu e do Finn. O terceiro número será em grupo. É a nossa tradição, certo? Sempre fazemos assim e não é a hora de mudar.

— Na verdade, Rachel... – Charlie começou enquanto segurava a mão de Emily. –... é hora, sim, de mudar. Não importa o que você fizer ou os draminhas de sempre; nós teremos um dueto Chemily.

— Charlie, infelizmente não é você quem decide as coisas por aqui. – A judia interviu falando no seu tom mais doce possível. Charlie apertou a mão de Emily com mais força como se estivesse fingindo que fosse o pescoço de Rachel.

— Eu quero um solo. – Santana e Sophie falaram ao mesmo tempo, e as duas se encararam como se fossem se matar. Rachel deu uma risada baixa, fazendo os olhares delas se voltarem para a mesma.

— Vamos fazer uma votação, que tal? Eu anoto as ideias que tivermos no quadro e então vocês votam nas melhores. Primeiro vão ser os números, e depois escolheremos as músicas. –

Mr. Schuester falou enquanto escrevia “Dueto Finchel”, “Dueto Chemily”, “Solo Rachel”, “Solo Santana”, “Solo Sophie” e “Número em Grupo” no quadro. – Ah, sim. E vocês só podem votar uma vez.

Depois de quinze estressantes minutos de discussão em meio à uma votação que deveria ser civilizada, o decidido fora: Dueto Chemily, Solo Santana, Número em Grupo. Rachel foi a primeira a se manifestar assim que os votos foram contados.

— Isso é um absurdo! Mr. Schuester, eu não admito que vamos mudar tudo tão radicalmente assim! E se os nossos jurados não gostarem de um dueto... – A garota mordeu o lábio de leve enquanto olhava para Charlie e Emily, medindo bem suas palavras. – ...diferente dos tradicionais? E o que a Santana quer com um solo que deveria ser meu?!

— Mostrar para você como é que se faz. – A latina disparou, mexendo levemente seu rabo de cavalo.

— Mostrar como, Santana? Todos nós sabemos que a maior estrela sou eu, portanto o solo deveria ser meu! Eu sou a mais talentosa, eu canto melhor aqui, eu sempre me esforço, treino minha voz seis horas por dia! Eu já tenho a extensão vocal de uma famosa soprano francesa que faz sucesso nas óperas de Paris, e sei que posso fazer o mesmo no palco das Regionais. – A garota falou em um único fôlego, elevando seu tom de voz cada vez mais.

— Você não ganhou o Duelo de Divas. – Charlie a lembrou. – Não acha que ter um solo em uma situação crítica como uma competição em que provavelmente seremos aniquilados é querer demais para uma perdedora?

— Chega, Charlie. – Finn interviu. – A Rachel é muito talentosa sim, e acho que ela merece o solo mais do que todos aqui.

— E por que acha isso? – Chelsey arqueou a sobrancelha com os braços cruzados. – Por acaso você já me ouviu cantar, Finn?

— Na verdade, ninguém nunca te ouviu cantar. – Sophie assentiu com a cabeça.

— Ah, é mesmo! Esqueci que minha única função aqui é ser bonita. – E então a loira começou a lixar as unhas. Michael assentiu a cabeça discretamente, como se estivesse concordando com o que a mesma tinha dito. O sinal tocou, indicando que o dia letivo finalmente havia chegado ao fim. Eu me sentia no céu apenas de imaginar que já podia estar em casa, dentro de meus pijamas, enquanto assistia a oitava temporada de Project Runway – certo de que se estivesse participando do reality cometeria suicídio antes de chegar à final –, enquanto me via com um pote de sorvete no colo e croquis improvisados espalhados pela cama. Isso até Arthur entrar no meu quarto e gritar “você ainda não fez a porra do jantar?” enquanto joga algo em mim. Santana deu um tapinha no ombro de Rachel e sorriu para a garota.

— Não fique triste. Ganhei a votação porque todos sabem que o júri não irá se distrair com o meu nariz. Se ainda quer se considerar a mais talentosa, que seja. – A latina sorriu, com as mãos na cintura. – O solo já é meu mesmo.

E então saiu logo atrás de Charlie e Emily. Assim que passei a alça de minha pasta sobre meu ombro, me aproximei de Rachel com o rosto levemente corado.

— Você está bem? – Perguntei, cutucando seu ombro de leve. A garota se virou para mim, os olhos levemente avermelhados devido às lágrimas que começavam a se formar.

— Vou ficar. Aliás, não vou conseguir dormir bem hoje se não acrescentar mais duas notas na minha extensão vocal. – Rachel sorriu limpando a primeira lágrima e então se dirigiu ao corredor, e eu a seguia logo atrás.

— Não fique se sentindo assim. As pessoas não gostam de você, mas isso não significa que você não tenha talento. Sabe que armaram para nós no Duelo de Divas. – Falei enquanto arrumava meu cabelo com bastante laquê e me encarava no espelho. Rachel estava ao meu lado, pegando alguns de seus cadernos e partituras.

— Eu sei que eu tenho talento. Só que às vezes me esqueço disso com as coisas que acontecem no Glee Club. O único lugar, aliás, que tenho pra ser uma estrela. – A morena falou teimando em limpar as lágrimas que voltavam a cair. – E e-eu queria tanto cantar com o Finn...

— Não ligue para o que as garotas dizem. Elas só agem assim porque querem que você pare de achar que é a melhor em tudo. Mesmo que você seja. – Revirei os olhos rapidamente,

tentando ser o mais compreensível possível. – Eu também queria um solo, mas eu não teria coragem de cantar na frente de várias pessoas. Além, é claro, da minha voz. E sei que você quer isso tanto quanto qualquer pessoa. Não acho que a Santana mereça ter o solo só pra poder esfregar na sua cara.

— As pessoas são cruéis, Kurt. E eu não consigo me imaginar no coro! Eu simplesmente não consigo. – Ela disse com voz baixa, pegando lenços cor-de-rosa em seu armário e limpando as lágrimas de seu rosto. – Meu lugar é na frente do palco, cantando... Seja sozinha, seja com o Finn, mas...

— Só com o Finn? – Arqueei a sobrancelha logo após fechar o meu armário. – Digo, você nunca teve interesse em cantar com o Jesse?

A face da garota ruborizou rapidamente enquanto ela pensava no que dizer.

— Eu... Eu acho que eu não gosto do Jesse de verdade. – Ela disse, ao também fechar seu armário. Os corredores se esvaziavam aos poucos. Segurei a alça da pasta com o cenho franzido.

— Bom... Isso significa que você é mais normal do que eu pensei. – Dei de ombros com uma risada, mas Rachel não se convenceu com a resposta. – Não é muito difícil não gostar dele, Rachel. Você foi a única exceção.

— Pra falar a verdade, eu só estava namorando o Jesse pra fazer ciúmes no Finn. – Ela disse em voz baixa, olhando para o lado para que assim não pudesse ser atingida pelo meu olhar incrédulo – que, na verdade, só existia em sua cabeça. Meu olhar era um totalmente tedioso. A este momento, os corredores já estavam totalmente vazios. – Kurt, escute, o que eu sinto pelo Finn é algo totalmente profundo. Quando ele canta... Meu Deus, eu me sinto no céu. Me sinto feliz, me sinto a melhor pessoa do mundo! E eu queria saber se sou a única que se sente assim. Talvez a voz dele seja realmente mágica.

Continuei a encarando por alguns instantes, refletindo sobre tudo o que ela havia dito. Por alguns segundos, o rosto de Zach apareceu em minha mente. Ele com seu típico sorriso bobo que muitas vezes me desconcertava ou me deixava sem reação. E, logo em seguida, pude ouvir sua voz. Seus “Kal Els” que enchiam o meu dia de alegria ou seus diálogos sobre super-heróis ou sobre seus superpoderes. Ou sua voz quando cantava, e tudo o que eu sentia enquanto isso. Pisquei os olhos quando notei que Rachel balançava sua mão em frente ao meu rosto.

— Ah, sim, desculpe. Eu me distraí. Escute, Rachel, meu lema de vida é lutar pela felicidade. Digo, se algo não te faz feliz, livre-se dela e corra atrás do que realmente faz. Lute pelos seus solos, seus duetos! Se o Finn pode te fazer feliz, não desista dele. Se o Jesse não te deixa feliz, termine o namoro. E ele vai entender, porque não há a mínima possibilidade de ele ter se apaixonado de verdade por você. – Sorri e beijei a testa da baixinha, que me encarou com um olhar furioso.

— Obrigada pela parte que me toca.

— Só... Corra atrás do Finn e deixe o Jesse pra lá. Sei que ele não merece você. Aliás, nem o Finn merece você. Ninguém merece você, Rachel... – Suspirei balançando a cabeça.

— Kurt, você vai me ajudar ou não?!

— Ajudar? Mas eu já te dei meu conselho!

— Ajudar a tirar a Chelsey do meu caminho.

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Me senti satisfeito quando Arthur não reclamou do almoço e voltou ao seu quarto sem dizer nenhuma palavra ofensiva. Pelo que me parecia, o rapaz estava avoado demais para se lembrar de me criticar ou criticar o que quer que eu tivesse feito. Zach comeu e em seguida saiu, dizendo que tinha algo importante para resolver. Não demorou muito e voltei para meu quarto. As próximas duas horas foram gastas com meu treino vocal diário, coisa que desenvolvi para ser capaz de humilhar todos que resolverem competir comigo usando um arsenal de Cheerios. Em seguida, liguei para Santana.

— Fala, Lady Lips. – Ela disse, do outro lado da linha.

— Está ocupada demais pra vir aqui? Comprei um filme incrível da Meryl Streep e eu prometo que não é nenhuma continuação de O Diabo Veste Prada. – Falei enquanto rolava pela cama. Pude ouvir uma risada, e pela voz ela definitivamente não saiu da boca de Santana.

— Na verdade, estou. Kenny está me vencendo no boliche e eu quero provar para ele que as latinas não desistem fácil. – Pelo seu tom de voz, pude imaginá-la arqueando a sobrancelha com um sorriso provocativo. – Mais tarde eu tenho tempo livre. Quer dizer, isso se esse anão me deixar por um tempinho.

— Mais tarde não dá. Eu vou sair com o Zach no Breadstix. – Suspirei, rolando na cama novamente e me deitando de bruços enquanto balançava as pernas. Parecia a cena de um filme aleatório de qualquer patricinha de Beverly Hills, porém sem rosa e sem chihuahuas.

— Então deixemos para amanhã. Creio que eu não vá sair daqui tão cedo. E, sim, Sanders, isso foi uma ameaça. – Ela deu uma risada, acompanhada de alguma resposta do garoto do outro lado. Revirei os olhos e finalizei a ligação. Santana não poderia me trocar por Kenny, afinal, é comprometida e ele não é gay para merecer o posto de “amigo-melhor-que-o-Kurt”. Quis ligar para Charlie, mas me lembrei de que a mesma tem uma namorada e provavelmente as duas estavam fazendo coisas que namoradas fazem. E eu não quis me aprofundar muito nesse pensamento. Sophie fora a última que restara da Unholy Fortinity, a menos que eu quisesse passar as próximas três horas na companhia de Rachel Berry e seu nariz.

— Sophie? Você quer fazer algo? – Perguntei enquanto encarava o teto de meu quarto. Parecia tão sem-graça quanto meu dia.

— Estou ocupada, Lady Hummel. Minha avó de repente decidiu que quer comer biscoitos feitos pela neta, e estou tentando decifrar uma receita que parece estar escrita em hebraico.

— Receita pra fazer biscoitos, Sophie? – Franzi o cenho. Por acaso também existe receita de como se faz gelo?

— Não esfregue seu talento culinário na minha cara! Tenho que desligar, acho que queimei alguma coisa. Beijos! – E, então, o silêncio preencheu meu quarto. Me levantei e caminhei preguiçosamente até meu guarda-roupa, onde eu me ocuparia fazendo a melhor terapia possível: organizando as roupas por cor ou ordem de compra.

´

Rachel batera na porta de Jesse algumas vezes até o rapaz descer para atendê-la. Parecia que mesmo para estar em casa o rapaz estava apresentável, pronto para dar alguma entrevista ou show. Ela usava seus típicos vestidinhos de vovó com um xalé cor de rosa por cima. Ao ver o garoto à sua frente, deu um meio sorriso e colocou uma mecha atrás da orelha.

— Rachel, que surpresa vê-la aqui! Por acaso já está pronta para o nosso número musical de Like A Virgen enquanto tiramos a virgindade um do outro? – Ele perguntou com um sorriso, recostado à porta. A menor arregalou os olhos, e seu rosto cobriu-se de rubor.

— Nós precisamos conversar. – E então passou por debaixo do braço do rapaz, adentrando a casa do mesmo. Jesse se virou para Rachel após fechar a porta e assentiu com a cabeça, segurando na mão dela enquanto subiam as escadas até o quarto do mesmo.

— Então, o que quer me dizer? Vai desistir do New Directions e finalmente vir pro Vocal Adrenaline? – Ele perguntou com um sorriso, sentando-se na cama enquanto a analisava de cima a baixo. Rachel andava de um lado para o outro, como sempre fazia quando estava nervosa. Parecia que estava escolhendo as palavras certas para usar enquanto apertava os próprios dedos.

— E-eu... – A garota fitou Jesse, que arqueou uma sobrancelha aguardando o que ela iria dizer. – Eu sou péssima com palavras. Posso cantar pra você?

— Claro. Eu adoro a sua voz. – E com um sorriso tímido, Rachel posicionou-se em frente ao rapaz.

[RACHEL]

You bought a star in the sky tonight

Because your life is dark and it needs some light

You named it after me, but I'm not yours to keep

Because you'll never see, that the stars are free

Oh, we don't own our heavens now

We only own our hell

And if you don't know that by now

Then you don't know me that well

Rachel já podia sentir seus olhos encherem-se de lágrimas. Sabia que sempre colocava todas as suas emoções em uma música, mas desta vez era diferente. Ela não queria magoar Jesse, mas sabia que era preciso para seu próprio bem. Sentia-se horrível por tê-lo usado, e arrependia-se profundamente por isso. A expressão de Jesse era impassível, e Rachel imaginava o que ele estava pensando no momento.

[RACHEL]

All my life I've been so lonely

All in the name of being holy

Still, ya'd like to think you know me

You keep buyin' stars

And you could buy up all of the stars

But it wouldn't change who you are

You're still living life in the dark

It's just who you are

It's just who you are

You bought a star in the sky tonight

And in your man-made dark

The light inside you died

Oh we don't own our heavens now

We only own our hell

And if you don't know that by now

Then you don't know me that well

All my life I've been so lonely

All in the name of being holy

Still, ya'd like to think you own me

You keep buyin' stars

And you could buy up all of the stars

But it wouldn't change who you are

You're still living life in the dark

It's just who you are

It's just who you are

You know only how to own me

You know only how to own me

You're buying stars to shut out the light

We come alone and alone we die

And no matter how hard you try

I'll always belong in the sky

And you could buy up all of the stars

But it wouldn't change who you are

You're still living life in the dark

It's just who you are

It's just who you are

It's who you are

It's who you are

It's who you are

It's who you are

It's who you are

It's who you are

It's who you are

It's who you are

Rachel enxugou uma lágrima que escorrera de seu rosto e então olhou para Jesse, mordendo o lábio em ansiedade. Esperava que o rapaz tivesse captado a mensagem, já que não queria ser mais direta do que isso.

— Estrelas são livres, Jesse. – Ela começou, apertando o tecido de seu vestido em uma tentativa de conter um pouco do nervosismo. – E-eu sou uma estrela, e você também é! Nós não podemos pertencer um ao outro...

— Então quer dizer que você não vai pro Carmel?

A judia franziu o cenho, levemente confusa enquanto os rastros de suas lágrimas brilhavam com a iluminação do quarto.

— Não, eu... Eu quero dizer... Que nosso relacionamento acabou.

— Ele nunca começou, pra dizer a verdade. – O rapaz deu uma risada baixa, os olhos fixos na garota. – Obrigado pela música. E muito obrigado pela ótima notícia de não ter mais que fingir que gosto de você.

— Espera... Então você mentiu durante esse tempo todo? – A garota elevou um pouco mais seu tom de voz, já sentindo a tão comum vontade de socar o rosto de St. James.

— Nós apenas ajudamos um ao outro. Você com Finn e eu com o Vocal Adrenaline. Eu esperava que você fosse pra lá e desistisse de fazer ciúmes naquele boneco de posto, mas parece que os dois têm a mesma capacidade mental.

— Você não pode falar assim do Finn! Aliás, eu jamais iria pro Vocal Adrenaline! O New Directions precisa de mim, eu não seria covarde de deixá-los na mão. E, esteja avisado, St. James: nós venceremos vocês nas Regionais!

E, com um baque, Rachel saiu do quarto do rapaz e fechou a porta com força. Jesse apenas suspirou de frustração e jogou-se em sua cama novamente.

´

A noite caíra rapidamente. Meu guarda-roupa não estava bagunçado, o que foi um pouco frustrante para mim. Para pessoas normais, arrumar o guarda-roupa não era bem o melhor passatempo de todos. Mas ser normal nunca foi o meu forte. Meu celular vibrou sobre a cômoda, indicando uma nova notificação. E, assim que a abri, algo estranho e inesperado surgiu com letras grandes na tela. Era uma atualização de status de relacionamento. Sophie e Kenny estavam namorando.

A garota sempre se queixava de estar sozinha e na verdade eu a entendia. Ela tinha um namorado imaginário, eu tinha ursos de pelúcia com sorrisos irônicos em uma prateleira. Tentei me sentir feliz por ela, mas fiquei me imaginando como essa relação começara a dar certo. Fazia quantos dias que Kenny se mudou para cá mesmo? Olhei para as horas no celular, na esperança de que as últimas horas já tivessem passado. E, de fato, tinham. E eu estava atrasado para o encontro com Zach.

Com um pulo, lancei-me closet adentro a procura das opções que eu havia pensado anteriormente, quando ainda estava no Glee Club. Cercado por casacos, calças, camisetas e botas, era difícil encontrar algo no meio daquela imensidão organizada por cor. Peguei um suéter com estampa de camuflagem, uma calça jeans de lavagem clara e coturnos marrons. Após guardar o celular no bolso e pegar minhas chaves, desci as escadas rapidamente. Tropecei até, e teria rolado escada abaixo se não tivesse conseguido me segurar no corrimão a tempo. Ter coordenação motora também nunca foi um dos meus fortes.

Já no meu carro, dirigi rapidamente até o Breadstix, ignorando buzinas e faróis como uma vadia louca e rica o suficiente pra conseguir pagar um seguro de vida e um carro novo. As luzes ao meu redor não passavam de borrões, e uma música aleatória da Rihanna tocava em um volume consideravelmente alto. Imaginei que Zach, a este momento, já estava pensando que eu não iria, e isso só me fez pisar no acelerador com mais força.

Não tive tempo para ficar feliz por chegar vivo no Breadstix, simplesmente corri para dentro do estabelecimento mesmo sabendo das grandes possibilidades de tropeçar novamente e cair no meio de todas aquelas pessoas.

— Zach! – O chamei, ofegante, assim que o vi sobre o palco do Breadstix. Franzi levemente o cenho enquanto recuperava o fôlego e me aproximava aos poucos. – O que é isso...?

O rapaz pareceu levemente preocupado.

— Você tá bem? Parece que está com a respiração pesada... Isso é sinal de dibetes. – Zach falou assentindo com a cabeça, e então dei uma risada. Eu e ele tivemos uma conversa sobre comer bolo e doces em excesso, o que resultaria em diabetes. Desde então, Zach ficou meio receoso quanto a tudo o que iria comer. Eu diria até neurótico, mas não chegava a tanto. – É tipo um plano que tive quando estava indo para Hogwarts. Kurt, você pode se sentar ali?

E então ele apontou para um lugar em frente ao palco. Ir para Hogwarts nada mais era do que dormir, no idioma de Zach. Assenti com a cabeça e me sentei no lugar indicado, visto que minha respiração já havia voltado ao normal.

— Não é nada... Eu quis vir o mais rápido que pude, para não te deixar esperando.

O maior sorriu e então puxou o microfone para perto de sua boca. Meu rosto queimou em rubor enquanto sentia toda aquela atmosfera incrivelmente romântica e única. Sem falar nos olhos azuis de Zach, que vez ou outra paravam nos meus. Eu podia não estar mais ofegando, mas meu coração batia rápido da mesma forma.

— Hã... Oi. – O rapaz se assustou ao perceber que sua voz ficou alta, o que me fez dar uma risada. Ele riu também e, após balançar a cabeça, voltou a falar. – Oi? Meu nome é Zachary, mas podem me chamar de Zach e... Eu vou cantar uma música especial para alguém que eu conheço há pouco tempo, mas já é muito especial pra mim. Kurt Elizabeth Hummel.

Neste momento, percebi que todas as pessoas olhavam para mim. Um sorriso tímido brotava em meus lábios, e eu sabia que estava com uma expressão patética apenas pelo ardor em minhas bochechas. Eu podia imaginar isso apenas em filmes, mas na vida real era muito melhor. Zach fez um gesto para a banda começar a tocar, e então olhou para mim com um sorriso. Um sorriso que transmitiu força e proteção, além de arrepios pelo meu corpo. A música começou, e nossos olhares estavam fixos um no outro.

[ZACH]

Close your eyes, give me your hand, darling

Do you feel my heart beating? Do you understand?

Do you feel the same Am I only dreaming?

Is this burning an eternal flame

I believe it's meant to be, darling

I watch you when you are sleeping

You belong with me

Do you feel the same?

Am I only dreaming?

Or is this burning an eternal flame

Say my name sun shines through the rain

A whole life so lonely

And then you come and ease the pain

I don't wanna lose this feeling

Say my name sun shines through the rain

A whole life so lonely

And then you come and ease the pain

I don't wanna lose this feeling

Close your eyes, give me your hand, darling

Do you feel my heart beating?

Do you understand?

Do you feel the same

Am I only dreaming?

Is this burning an eternal flame

Close your eyes, give me your hand, darling

Do you feel my heart beating?

Do you understand?

Do you feel the same

Am I only dreaming?

Is this burning an eternal flame

Close your eyes, give me your hand, darling

Do you feel my heart beating?

Do you understand?

Do you feel the same

Am I only dreaming?

Is this burning an eternal flame

Não era mais novidade para ninguém que eu me sentia nas nuvens quando o ouvia cantando. E a sensação se tornava ainda melhor quando ele fazia tudo aquilo encarando meus olhos, mantendo seu sorriso e fazendo meu coração doer no peito. Zach bebeu um copo d’água que estava ao seu lado enquanto eu e mais dezenas de pessoas aplaudiam sua música. Ele parecia esplêndido e tão confiante. Mordi o lábio de leve, tentando controlar minha ansiedade.

— Eu li uma coisa em algum lugar, que não é sobre super-heróis, mas ainda assim é super. Eu gostaria de ler. – Zach disse no microfone e então retirou um pedacinho de papel dobrado de seu bolso. Abriu-o e começou a ler, vez ou outra erguendo seu olhar para mim. — “E sim, para que você saiba, foi amor à primeira vista. Eu me apaixonei completamente e de forma irreversível por você. No momento em que te vi, soube que minha vida nunca mais seria a mesma”.

Minhas bochechas já estavam doendo, tamanho era o sorriso que eu dava no momento. Tentei dizer alguma coisa, mas as palavras simplesmente desapareceram de minha cabeça. Zach começou a se desesperar, provavelmente esperando alguma reação.

— Kurt, você vai ter alguma distensão na boca. – Ele avisou de modo preocupado, me fazendo dar outra risada. – Você pode subir aqui no palco, por favor?

Assenti com a cabeça e me levantei da cadeira, rumando até o palco. Os olhares ainda pairavam sobre nós e, olhando direito, pude perceber que não éramos os únicos conhecidos ali. Rachel também estava lá, com Finn, Chelsey, Santana e Sophie. Charlie e Emily estavam de mãos dadas próximas do balcão de atendimento, ambas com sorrisos nos lábios. Me senti estranhamente nervoso, mas imaginava como Zach estava se sentindo. Me virei para o maior, percebendo que ele também estava nervoso. Olhei-o nos olhos com um sorriso tentando passar confiança e segurança, assim como ele sempre fazia comigo.

— Eu gostava de ver minhas mães juntas. Minha mãe Diana era mais solta que a mãe Brenna. Como minha mãe D eu gosto de surpreender quem eu amo e fazer rir também. Não é um divo esse meu futuro namorado? — Ele perguntou pra plateia dando uma risada, e isso fez meu coração disparar e eu sentir como se minhas pernas tivessem sido anestesiadas. De repente o mundo passou a girar devagar, conforme tudo se encaixava lentamente em minha mente. Zach voltou a me encarar enquanto falava no microfone. — Não sou nenhum herói, só sou um humano que é imperfeito como todos os outros. Sei que prometi ir devagar, sei que estávamos nos conhecendo aos poucos, mas não consigo Kurt. Afinal, amor à primeira vista é só uma vez na vida. — E então Zach se ajoelhou à minha frente e beijou a minha mão, erguendo o rosto sorridente para mim logo em seguida. – Então, senhor mãos-bunda-de-bebê, aceita ser minha Kriptonita? Na Terra ou em Krypton, nessa vida e na estação de Kings Cross até que Lex nos separe?

Tudo fazia sentido agora, e eu me sentia mais tapado do que nunca. É claro que eu estava com ciúmes de Vic. É claro que eu gostava de dividir meus bolos de chocolate com Zach, e não me incomodava muito em limpar sua boca suja com um guardanapo. É claro que eu amava sua voz mais do que amava meu suéter novo da Vivienne Westwood. Entendi como Rachel se sentia. Era óbvio que eu estava perdidamente apaixonado por Zach.

Notas finais
Aaaaaaah, espero que tenham gostado! Deixem críticas, elogios e sugestões nos reviews. Este é o início de Zart. O que será que o futuro reserva para eles? *musiquinha de suspense* n