Sweet Emotion
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Era a primeira vez que eu saía para algum barzinho desde que fui morar na casa de Anthony, minhas roupas de saída noturna começavam a juntar teias de aranha.
Escolhi um short jeans e uma blusinha preta com uma abertura gigante nas costas, salto alto, cabelo preso num rabo de cavalo feito às pressas, olho preto e batom vermelho. Já sentia saudades dessa Mari baladeira e de roupas curtas e ousadas, já que meu “uniforme” consistia em jeans e blusinhas confortáveis, tênis ou sapatilhas.
A conversa animada na sala entre Tony e Chad foi bruscamente interrompida com a minha chegada, ambos de olhos muito arregalados e surpresos:
- Mari ... – gaguejou Anthony — ... você ... está ...
- Maravilhosa! – e Chad se aproximou de mim, um beijo quente e pude sentir seu hálito de menta.
- Obrigada! – agradeci meio sem graça, sentindo minhas bochechas corarem. Eu olhava para Anthony, parado, me olhando sem piscar, com cara de bobo.
- Vamos? – e Chad estendeu o braço.
- Ahh!!! Peraí! Esqueci minha bolsa no quarto! – e me virei de volta para o corredor.
- O QUE É ISSO NAS SUAS COSTAS? – gritou Anthony.
“Aiii, acho que exagerei na blusinha!”, e esse foi o meu primeiro pensamento.
- Desculpa, vou trocar de blusa! – respondi e percebi que Chad também olhava para as minhas costas.
- Não! Não é isso! – e Anthony se aproximou. – Eu estou perguntando dessa tatuagem aí.
Eu havia me esquecido que eles nunca viram a tatuagem de dragão chinês que tenho nas costas:
- Ah! Eu fiz quando morava em Londres. – eu continuava de costas, Anthony se aproximou e começou a tocar nas minhas costas, contornando o desenho, me fazendo arrepiar.
- Onde termina essa tattoo? – Anthony perguntou.
- Na minha nádega esquerda, é o final, o rabo do dragão. – respondi, me virando de frente, tomada pelo susto com a proximidade do meu rosto com o de Tony.
- Muito linda! – ele falou, meu coração acelerado com a nossa proximidade.
- Sorte do tatuador e do Marcos, que sabem o desenho inteiro, onde termina essa tattoo, né, Tony? – e Chad deu uma cotovelada nele, que parece ter o acordado da espécie de transe que ele estava. – Você tem que mostrar mais vezes, essa tattoo é realmente perfeita! Tudo que é bonito é pra se mostrar.
- Você tem uma tatuagem na coxa e nem por isso peço pra você sair de sunga por aí, ok? Então vamos com calma! – exclamei para Chad.
Os dois riram.
- Ahhh, e o Anthony pode, né? Sair descamisado por aí exibindo a tattoo dele? Que injustiça é essa? – ele fez cara de bravo. – Chega de conversa, e vamos logo, Mari!
- Vamos, vou pegar a bolsa. – e corri para o quarto, ainda sentindo arrepios causados pelo Anthony por todo o meu corpo.
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O barzinho que Chad escolheu era na verdade no melhor estilo pub irlandês com uma imensa variedade de tipos de cervejas e uma decoração tipicamente irlandesa.
Enquanto me sentava numa mesa mais afastada do pequeno palco, Chad foi buscar cerveja pra ele e um refrigerante pra mim. Sabendo como eu sou, na segunda garrafa já estaria no estado de felicidade.
- Tem certeza que vai de refri? – ele perguntou assim que chegou à mesa.
- Sim. Não quero correr o risco de chegar em estado não muito sóbrio em casa e levar bronca do Tony.
- Mas eu não deixo você beber muito, até porque eu estou dirigindo, então não posso abusar. – ele continuou.
- Vamos ficar como estamos, ok?
Chad deu de ombros e a conversa flui normalmente, ele se mostrando interessado na minha curta experiência morando fora e curioso sobre o Brasil:
- Você será a minha guia particular no Brasil! Quero que você me leve para os lugares em que mais curte ir, os mais legais, essas coisas. – ele falou depois de um gole da terceira garrafa. – Eu posso fazer o mesmo por você quando estivermos em turnê, o que acha?
- Vou adorar, Chad! Você é uma ótima companhia!
- Você também, Mari! – ele se aproximou para mais perto. – Sabe, eu não tenho encontrado garotas legais como você ultimamente, você me encanta de uma jeito que não sei explicar. – agora sua mão pousava em meu rosto.
- Rapazes legais e bobos como você também estão em falta no mercado, Chad! – falei na tentativa de mudar de assunto, que estava me constrangendo.
- Ei, eu não sou bobo! Tenho só a cara, mas vejo muita coisa por aí! – e fez cara de azedo.
- Coisas do tipo?
- Do tipo que você e seu namorado não estão bem, que você precisa de alguém que realmente goste de você, que esteja do seu lado. – sua mão agora brincava com o meu cabelo preso no rabo de cavalo.
- Chad, eu ... – seu rosto agora estava bem próximo do meu, meu coração acelerando, seus olhos encaravam os meus.
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