Sweet Emotion
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Cheguei no horário combinado à cafeteria em que conheci Marcos: onde tudo começou, também seria onde tudo terminaria.
Vendo ele sentando mexendo no celular quase me bateu o arrependimento: aqueles olhos verdes, pele morena, cabelos escuros e um sorriso branco de dar inveja a qualquer comercial de pasta de dente.
- Oi, Marcos! – falei meio timidamente, ao me aproximar da mesa. Ele me encarou sério, nenhum sorriso, mas se levantou e me deu um abraço forte, seu perfume entrando pelas minhas narinas e me fazendo lembrar de como eu adorava esse perfume.
- Oi, Mari! Senta aí! Pedi um cappuccino com chantilly pra você. Ainda é seu favorito? – ele perguntou, ainda encarando o celular.
- Sim, sim! Você ainda lembra! – e tentei parecer entusiasmada, mas ele permanecia sério. – Marcos, ta tudo bem? Aconteceu alguma coisa? Você não tira o olho desse celular!
Finalmente, ele me encarou:
- Sim, aconteceu. – e ele me mostrou o celular, onde exibia um site de fofocas londrino e lá estava, a foto de Anthony beijando a minha testa durante a nossa saída do restaurante naquela mesma tarde. E o título sensacionalista dizia: “Um novo amor para Anthony Kiedis”.
Fiquei estática, olhando aquela tela, sem saber o que dizer.
- Isso explica porque você sempre demorava pra retornar minhas ligações. Estava muito ocupada com o “chefe”, não é? – ele pegou o celular da minha mão.
- Marcos, eu não tenho nada com o Tony! Ele é meu chefe! Somos apenas bons amigos! – eu segurava nos seus ombros, fazendo-o olhar nos meus olhos.
- Tony? Que intimidade, hein? Mas eu não vim aqui pra falar dele, Mari. Vou direto ao assunto, pois você precisa saber de uma coisa. – ele encostou-se à cadeira, desvencilhando das minhas mãos. – Eu estou ficando com uma pessoa e quero terminar o nosso namoro, pois ela está me fazendo muito bem, não me sinto sozinho ao lado dela.
Nesse momento, eu não sabia se eu estava mais indignada com a noticia que eu recebia ou se com o fato do meu orgulho ferido, afinal, a intenção era EU terminar esse namoro.
A garçonete chega com o meu cappuccino e ao entregar o café de Marcos, percebi sua mão encostando na mão dele e uma piscadinha pra ele. Naquele momento, entendi tudo.
- É COM ESSA PIRANHA QUE VOCÊ TÁ DORMINDO? – gritei, o sangue fervendo e sentindo toda a cafeteria me olhando.
Tanto Marcos quanto a garçonete estavam brancos feito leite e minhas suspeitas se confirmaram:
- Mari, respeite a Hellen! – e ele se levantou, segurando-a pela cintura.
- Me respeite você, seu pilantra! – e joguei o cappuccino na cara dele. — Faça bom proveito, Marcos!
Sai furiosa da cafeteria, empurrando quem estava no meu caminho, atravessando as ruas de qualquer maneira, quase sendo atropelada por carros, ônibus e sabe-se Deus o que mais.
No hotel, encontrei Josh e Chad sentados lendo o jornal no sofá que ficava na recepção e ambos se assustaram com a minha abrupta chegada, os olhos vermelhos de tanto chorar.
- Mari! Você ta bem? Você ta chorando, meu Deus! – e Chad sentou-se ao meu lado e segurou uma das minhas mãos.
- Sim, mas to chorando de raiva!!!! – e urrei algo que mais parecia o grito do Tarzan.
- Tem alguma coisa que a gente pode fazer? – Josh se ajoelhou na minha frente, segurando na minha outra mão livre.
- Sim. – respondi sem pestanejar. – Preciso de um pileque, de um porre. Me acompanham? – e encarei os dois, que pareciam não entender muito bem o meu pedido.
Depois de me acalmar, expliquei para Chad e Josh o que havia acontecido e agora ambos concordavam que eu precisava de um porre.
- Então, demorou! Vamos? – e Chad levantou num pulo. – Vamos comemorar a solteirice da Mari! – e ele brindou no ar com um copo imaginário.
- Vamos, deixa eu só me recompor! Me aguardem aqui, volto em alguns minutos. – e segui para o elevador, para subir até o quarto e dar uma ajeitada em mim mesma.
Escolhi o vestido mais curto e decotado que eu tinha, o sapato de salto mais alto que eu havia levado e a maquiagem mais carregada possível. Quando a gente leva um pé na bunda, tem uma certa necessidade de mostrar aos outros que está bem e o que o ex está perdendo.
Antes de sair, liguei para a minha ex-companheira de apartamento, amiga e confidente Verônica, uma colombiana cheia de vida e salvadora dos meus muitos porres em Londres, convidando-a para nos acompanhar:
- Meu Deus, mulher! Mas é claro que eu vou! E você ainda vai me apresentar aquele gatinho do Chad, não poderia ser melhor! – ela disse ao telefone, me fazendo lembrar que ela era uma verdadeira Maria Baqueta e de quantos namorados bateristas ela já teve.
Dei uma passada no quarto de Anthony, só pra avisar que eu estava saindo, mas ele não estava. Decidi mandar uma mensagem no celular dele, convidando-o também, na esperança de que algo pudesse acontecer.
- Mari! Mas é você? – e Josh me olhava de cima a baixo quando os encontrei na recepção, a boca levemente aberta. Chad parecia que me comia com os olhos.
- Convidei uma amiga pra ir com a gente, algum problema? – perguntei e Josh sorriu, logo entendendo do que se tratava.
- Não, sem problemas! Eu só vou ter olhos pra você essa noite, Mari! – e Chad me puxou pela cintura, beijando meu pescoço como naquela tarde.
- Okay, então vamos! – e empurrei ele, para que o pior não acontecesse.
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