Sweet Emotion
4 Capítulo 4
Notas iniciais
No caminho de volta pra casa, Anthony dirigia e tagarelava junto com o filho, sempre muito curioso, que queria saber para que servia os semáforos. Não trocamos uma palavra desde o “incidente” com o Chad.
- Vou arrumar a mala do Everly, enquanto isso você pode dar um banho nele. – foram as primeiras palavras de Anthony assim que chegamos em casa, sua voz séria. Não respondi nada, apenas acenei com a cabeça, mas ele não me olhou para confirmar que eu havia respondido.
Enquanto eu ensaboava Everly, não parava de pensar no que havia acontecido e, principalmente, por que Anthony estava me tratando daquele jeito. Será que ele tinha ciúmes mesmo? Não gostava dessa situação, o jeito que ele estava me tratando me machucava muito. Chad sempre foi muito querido comigo, mas de uns tempos pra cá ele está excessivamente carinhoso, me deixando sempre em dúvida sobre seus afetos, mas nunca imaginei que isso pudesse incomodar Anthony.
- Por que você ta triste, Mari? – Everly perguntou inocentemente.
- Não estou triste. – e comecei a sentir os olhos cheios de água.
- Está sim! Você sempre brinca comigo no banho, hoje está sem falar. Papai também está triste, estou sentindo.
Nessa hora, as lágrimas começaram a escorrer.
- É seu namorado? Ele não gosta mais de você? – ele insistia em saber.
- Coisas de adulto, querido. Quando você crescer, você vai entender. Tia Mari machucou alguém que ela gosta muito e não tinha a intenção de fazer isso, acho que ele nunca vai me perdoar, mas tudo bem. – respondi enquanto pegava a toalha e secava ele.
- Ele vai te perdoar. – e ele beijou o meu rosto molhado pelas lágrimas.
Ouvi ao fundo um barulho da porta, como se estivesse aberta e alguém a fechou de repente, mas eu jurava que estava fechada o tempo todo. Vento, talvez.
Chegando ao quarto de Everly, Anthony estava terminando de fazer a mala, a hora do jantar se aproximando:
- Pensei em pedir uma pizza, o que você acha? – Anthony me perguntou, sorrindo.
- Por mim, tudo bem. – respondi, sem muita emoção.
- Que sabor você prefere?
- O que você pedir, pra mim está ótimo.
- Ah, Mari, por favor! Nossa última noite em LA antes da turnê merece algo especial. – ou ele era bipolar, sofrendo variações de humor, ou eu estava ficando louca, pois não parecia o mesmo Anthony calado e sério das últimas horas.
- Qualquer coisa com frango está bom. – respondi, ainda sem entender.
- Okay, vou pedir e já volto. – e ele me deu um beijo na testa antes de sair do quarto.
Olhei incrédula para Everly, que brincava com seu dinossauro de pelúcia.
- Tem certeza que seu pai está triste, Eve? – perguntei.
Ele deu de ombros. Acho que nem o próprio filho entendeu o pai.
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Depois do jantar, assistimos um pouco de TV e meu celular toca em algum lugar da sala. Me levanto para procurar e quando o encontro, vejo o nome de Marcos identificado e imediatamente eu desligo, sem a mínima vontade de falar com ele.
- Não vai atender? – Anthony perguntou assim que voltei ao sofá.
- Número desconhecido. Não atendo números desconhecidos. – e ele olhava parecendo não acreditar na minha resposta.
Alguns minutos depois, o telefone da casa começa a tocar. “Caramba! Ele decidiu ligar aqui!”. Anthony se levanta para atender.
- Alô? ... E aí, cara? O que manda? – a voz animada — ... Sim, ela ta aqui... – de repente o tom dele passa para desanimado. – Já vai. – ele estende o telefone pra mim. – Toma, é o Chad, quer falar com você.
- Comigo? – perguntei sem acreditar. – O que ele quer?
- Pergunta pra ele! – e ele quase joga o telefone na minha mão.
- Alô?
- Oi, minha linda! Chegaram bem em casa? Bom, pensei em te convidar pra jantar naquele restaurante italiano que fomos quando comemoramos o aniversário da Clara, eu e você, topas? – sua voz era extremamente contagiante e detalhe para a ênfase no “eu e você”.
- Ai, Chad! Que pena! Acabamos de jantar! – olhei para Anthony, que assistia a TV, ou fingia, pois percebi um leve sorriso em seu rosto quando respondi para o Chad.
- Puxa, que pena. – e sua voz mostrava um pouco de decepção. – E um barzinho, uma cervejinha, topa? Seu chefe libera?
- Err ... hum ... – alguns momentos em silencio: não sabia se eu pedia permissão para o Anthony ou se eu falava não logo de cara.
- Passa o telefone pro Tony. – Chad pediu e estendi o aparelho.
- Fala... ahh ... – e Anthony olhou pra mim. – Mas o nosso vôo é amanhã bem cedo, não podemos atrasar, ela tem que me ajudar com o Eve... – e o que se seguiu foi uma série de “ahh” e “hums”. – Ta bom, sem problemas, até a meia-noite não tem problema. – ele estendeu o telefone de volta pra mim.
- Chad?
- Se arruma que seu chefe liberou você até a meia-noite, senão você vira abóbora, minha Cinderela! Passo aí daqui uns 15 minutos, ok? Beijos! – e desligou o telefone, sem me dar a chance de responder algo.
- Até a meia-noite! – Anthony me disse, enquanto carregava Everly para a cama.
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