Notas iniciais
" ... Você deveria resistir
Resistir pelo que você acredita
E essa noite nós poderemos verdadeiramente dizer
Que juntos, somos invencíveis ... "

(Invincible - Muse)

Naquela noite, dormindo tranquilamente nos braços de Felipe, Melissa teve o mais belo dos sonhos.

Havia um campo, coberto da mais verde grama e com as florzinhas mais lindinhas que ela já vira. Eram todas tão pequeninas e brancas como as nuvens num dia quente de verão. E tinha uma árvore, uma enorme árvore com galhos e troncos bem grossos e a copa da árvore era imensa, com pequenas frutinhas que ela não conseguiu distinguir o que eram. E na árvore havia um balanço coberto por flores. Tinha alguém sentado naquele balanço, e parecia ser uma garota. E tinha também um garoto que empurrava a menina fazendo-a balançar bem alto. Mas, por mais que Milli se esforçasse, ela não conseguiu ver o rosto daquelas pessoas, mas ela conseguiu ver que estavam muito felizes e não conseguiu deixar de se sentir feliz também. Uma felicidade nunca sentida antes.

Por mais que tentasse, não conseguiu ver quem eram as pessoas, e de repente, a menina se levantou do balanço e os dois começaram a correr e brincar, Melissa tentou seguí-los, mas não conseguiu. A única coisa que conseguiu ouvir, fora um nome, o nome da menina. Ela se chamava Luíza. E neste momento, o despertador tocou.

Com esforço, ela conseguiu abrir os olhos, havia dormido bastante e excepcionalmente bem. Olhou ao redor e percebeu que aquele não era seu quarto, levou um susto no começo mas depois se lembrou, com uma certa dificuldade para acreditar no que acontecera noite passada.

\"Deve ter sido mais um sonho meu. Acho que realmente estou ficando louca. Mas... Como foi que eu vim parar aqui.??\" Pensou com um sorriso se formando no rosto. Sentou-se na cama e quase caiu quando viu o que estava à sua frente. Felipe estava parado na frente do espelho, abotoando a camisa do uniforme da escola. Ele viu que ela estava acordada, olhou para ela, no começo com uma cara de bravo que fez com que Milli se encolhesse na cama, mas depois deu um sorriso para ela, talvez o mais bonito que ela já vira em toda a sua vida. \"Como ele é lindo quando sorri. \" Pensou consigo mesma.

-- Bom dia, preguiçosa. Dormiu bem.? — perguntou ele com um sorriso no rosto. — Levante-se logo ou vamos nos atrasar. Não quero levar uma bronca por culpa sua.

Melissa não conseguia tirar os olhos dele. Estava perplexa e por um momento até pensou que ainda estava sonhando. Mas ela viu que ele vinha na sua direção, não tinha reparado como ele havia crescido, ficara bem mais alto do que ela. Felipe se abaixou para ficar ao lado da cama em que ela estava sentada, deu um beijo em sua testa e disse:

-- Te espero lá em baixo, não demore.

Ela realmente não sabia o que estava acontecendo, sentiu como se seu coração fosse sair pela boca e de repente, ela se jogou, lançando seus braços em volta do pescoço dele, o que fez com que ele caísse sentado no chão.

-- Olha, não sei por onde esteve todo esse tempo, deixando aquele idiota do outro Felipe se fazendo de meu irmão e me magoando a cada minuto dos meus dias. — disse sorrindo. — Mas eu te prometo uma coisa, se me deixar sozinha novamente, eu mato você. Juro que eu mato.!!

Ele riu como há muito tempo não o fazia, a abraçou apertado e disse:

-- Não se preocupe, pode deixar que eu mesmo me mato se te fizer chorar uma vez mais. Agora anda, vai se trocar. Vou te esperar lá embaixo.

Melissa tirou os braços de cima de Felipe, passou a mão pelo cabelo dele uma vez, olhou em seus olhos e sorriu. Depois saiu correndo, toda feliz, em direção ao seu quarto. Felipe, que ainda estava sentado no mesmo lugar suspirou e disse baixinho:

-- Hey, minha pequena... Não faça isso comigo novamente. Não me torture dessa maneira. — se levantou com um sorriso no rosto e foi em direção à cozinha.

Melissa sabia. Agora ela sabia o que aquela menina dos seus sonhos sentia. O que era aquilo que saía daquele casal e se esparramava pelo ar, agora ela sabia. Era a felicidade de amar e saber que é amada. Os sentimentos que haviam dentro do coração de Milli ainda eram todos muito confusos para ela, mas ela se sentia tão feliz naquele momento, que não se importou de ficar sem entendê-los por mais um tempo. Se trocou rapidamente e desceu até a cozinha, sentou-se e ficou observando, como se estivesse hipnotizada, cada movimento que Felipe fazia. Ele se virou e disse entregando um copo para ela:

-- Eu fiz leite com morango, sei que gosta. Quer um pouco.??

Ela sorriu e fez que sim com a cabeça. Quando se virou para olhar para a porta, viu que sua mãe estava parecendo uma estátua e com cara de assustada, parada na porta olhando para eles. Ela começou a rir sem parar e a mãe disse olhando para Felipe:

-- O que está fazendo aqui essa hora.?!?!? Você sempre sai antes da Milli acordar. — e olhou para ela, depois olhou de volta para ele. — E o que estão fazendo juntos sem brigar.? E o pior, está fazendo o café da manhã pra ela.?!?!?!?! Acho que dormi demais. O que foi que eu perdi.??

Os dois começaram a rir sem parar. Felipe deu a volta na cozinha, foi bem ao lado de Melissa e a abraçou. Depois olhou sério para a mãe e disse:

-- O que tem de tão ruim em amar a minha irmãzinha.?

Melissa olhou pra ele, séria e ele lhe retribuiu o mesmo olhar. De repende, eles ouvem alguém rir desesperadamente e quando olham, é a mãe deles quem está rindo enquanto se senta. Felipe, com um sorriso no rosto, se afasta de Melissa e volta pra terminar de preparar o café. A mãe se aproxima dela e diz:

-- Viu.?? Eu te disse, não disse.??

-- Disse sim mãe. — Milli responde sorrindo.

-- Disse o quê.? — Felipe pergunta, sério.

Melisa olha para a mãe, depois volta a olhar para ele e responde:

-- Não é nada. Coisa nossa.

Ele se senta de frente pra ela e começa a encará-la.

-- 0k ok. — a mãe os interrompe. — Olha, eu quero que hoje vocês venham direto pra casa pois a avó de vocês vai vir aqui. E ela iria gostar de ficar um tempo com vocês.

-- Sim sim mãe. — diz Melissa. — Agora já vamos indo, estamos quase nos atrasando já.

Ela se levantou e Felipe veio logo em seguida segurando sua mochila. Melissa viu aquilo e olhou pra ele:

-- Será que pode dar minha mochila por favor.? Eu posso levá-la.

-- Pode, mas não vou deixar. — disse ele irônico e com ar de desafio.

-- Dá minha mochila agora, Felipe.!!!

-- Não dou.!!! Vem tirar de mim. Tenta.

-- Vamos parar de besteira você dois.?? — a mãe se intrometeu. — E andem logo. Vão pra escola os dois e me dêem um pouco de paz. Parecem crianças.

Melissa saiu, emburrada, e Felipe saiu rindo. Antes de fechar o portão, Melissa olhou para a mãe e perguntou:

-- Mãe, a senhora conhece alguma Luíza.??

-- Huum.. Quando eu era criança, sua avó me contava sobre uma amiga que ela teve na época de colégio, que se chamava Luíza. Mas nunca me contou nada demais sobre ela. Por quê.??

-- Nada não. A vovó estudou no mesmo colégio que eu estudo, não é.?

-- Sim. Por quê.?

-- Não é nada. Obrigada mãe. Te amo. Tenha um bom dia. Até mais e se cuida.

-- Vocês dois aí, cuidado viu.? Até mais tarde.

Enquanto ela via os filhos indo para a escola juntos, se lembrava dos acontecimentos dessa manhã e pensava: \"Já estava na hora disso acontecer...\" Sorriu e entrou.

Notas finais
O próximo capítulo trará mais revelações sobre esses "sonhos" de Melissa..

Espero que estejam gostando...

Beijinhos..
=*