Sweet Dream or... Beautiful Nightmare?
4 Capítulo 2
Notas iniciais
Sentada no sofá, Bella estava cercada de anotações na manhã de segunda-feira. O caderno descansava no colo, a caneta riscava um ponto importante que poderia cair na prova do dia seguinte e a caneca de café estava apoiada no banquinho ao lado do sofá. Tentava se concentrar, mas a mente vagava. Dentro de cinco dias completaria três anos de namoro. Precisava se organizar para comprar o material do almoço e da sobremesa. Adorava cozinhar para o namorado. Escolhera carne recheada e cozida com batatas e salada de legumes variados. Só estava na dúvida quanto à sobremesa. Ele adorava seus doces, então nunca lhe dissera qual era o favorito. Sábado passariam o dia todo juntos. Sentia saudades de Edward. Há quase um mês não se viam. Era necessário se concentrar nas provas, então não poderia se encontrar com ele.
Naquela noite, em especial, apresentaria uma coreografia de noite. Gostou da melodia de River Flows in You por ser inocente. A música transmitia certo nível de pureza e beleza genuínas. Há três meses, após ouvir o instrumental, teve a ideia de montar uma coreografia em cima dela porque conseguia encaixar o relacionamento amoroso dentro da melodia. A achava bela e pura, assim como era o namoro com Edward. O homem iria acompanhá-la. O ingresso dele já estava separado. Iria buscá-la para irem juntos. Sempre era recebido por ele com abraços e beijos após sair do palco.
Por anos quis que o homem quem namorasse a visse dançando no palco. Era um desejo até mesmo infantil, sabia disso. Entretanto, era importante pra si – principalmente aquela noite, em que dançaria uma coreografia baseada no relacionamento amoroso.
Foi em meio a esse devaneio que a mensagem chegou. Era de Edward. O choque e tristeza tomaram conta das faces de Bella. Ele queria terminar o namoro.
Alice chegou na casa da amiga depois de receber a mensagem contando o que acontecera. Iria visitar a prima quem ganhara bebê, mas cancelou o compromisso e correu para onde Isabella morava. Abraçava a menina, tentando consolá-la.
— Alice, eu não sei o que fazer. Eu tenho uma coreografia pra apresentar hoje e não sei como vou conseguir subir ao palco nesse estado.
Já era três da tarde. Não sentia fome. Apenas queria chorar. O coração foi partido em mil cacos e não tinha perspectiva de juntá-los.
— Amiga, você não pode dançar. Avisa pra coreógrafa...
— Eu sou a coreografa.
— Então fala pro responsável da competição de dança de hoje.
— Não posso deixar meus sentimentos influenciarem nos meus compromissos. Eu me responsabilizei por estar lá e é isso o que farei.
— Mas, Bella...
— Inside my heart is breaking. My make-up may be flaking, but my smile still stays on.
Murmurou a letra de The Show Must Go On. “Por dentro meu coração está se partindo. Minha maquiagem pode estar borrada, mas meu sorriso ainda permanece”.
Às nove da noite estava linda no figurino. O longo vestido vermelho delineava o tronco, dando um ar sensual. A maquiagem feita por Alice era linda, apesar de estar levemente borrada devido as lágrimas.
— Amiga, dentro de dez minutos ligue pra esse número. – estendeu o cartão – Emmett é um taxista. Pede pra ele vir nos buscar. Avise que é Bella. Vai se lembrar de mim.
Entrou ao palco sorrindo. A apresentação foi belíssima. Conseguiu transmitir todos os sentimentos bonitos que compartilhou ao lado de Edward: felicidade, entrega, carinho... Amor. Só quem estava na coxia conseguia perceber que chorava. Quando as cortinas foram fechadas saiu de lá correndo. Alice foi ao seu encontro.
— Emmett já está chegando. – abraçou Isabella – Vem, vamos lá pra fora esperá-lo.
Antes de irem para a rua pegaram a bolsa e Bella foi comunicar aos jurados que precisava se ausentar. Ao verem o rosto dela, não impediram.
Quando entraram no carro, Emmett indagou:
— Por que você só me chama quando está chorando? É a terceira vez que a vejo e, como sempre, chorando. Queria vê-la sorrindo com mais frequência.
Quando a viagem estava quase terminando, o motorista pediu:
— Bella, se quiser, pode ir conversando comigo. Tem meu número de contato. Não se preocupe com o horário. Volta e meia tenho insônia, então não vai ser difícil me encontrar acordado.
Foi isso o que a menina fez. Não demorou para surgir rapidamente um forte laço de amizade entre eles.
Dois dias depois já havia terminado de organizar minha mala, guardando tudo o que levei em seu respectivo lugar. Entretanto, para meu azar, o olhar de Edward não saía da minha cabeça. Droga, a situação foi insuportável. Até me surpreendi por ter conseguido não demonstrar nada na presença dele – não sou conhecia por conseguir esconder as emoções facilmente. De noite, quando estava deitada na cama já de pijama, peguei meu celular. Estava decidida em agir de forma mais madura. Havia duas opções: a primeira ignorar isso. A segunda, resolver o que tiver de ser resolvido e arcas com as consequências. Escolhi a segunda para acabar com a história de uma vez por todas.
Havia um grupo o qual nós participávamos no Whatsaap, assim como outras cem pessoas. Foi lá que peguei o número dele. Decidida, digitei:
Oiii! Boa noite. Olha, eu percebi que em alguns momentos você ficou me encarando. Isso realmente me deixa incomodada. Então, gostaria de saber se você teria alguma coisa pra me falar.
Esperei ansiosamente pela resposta. Ora, não enviara até então nenhuma mensagem para o homem há anos. Por fim, após demorar quinze longos minutos para Edward digitar, recebi a resposta. No mínimo, me causou choque.
Oi. Olha, eu estava ficando cansado disso. Eu não sabia qual seria o seu posicionamento sobre a minha presença por lá, mas, ao que tudo indicou, você ficou querendo fazer guerra fria, então não me aproximei de você. Só acho que o que quer que tenha acontecido entre a gente no passado era pra ficar lá pra trás. O que achei simplesmente patético foi ver você se esconder atrás de outros meninos como se quisesse me fazer ciúme. Por favor, né? Não era pra tanto. Porra, a gente terminou há dois anos. Nem é necessário comentar sobre a última noite, quando decidiu ficar se esfregando naqueles garotos como uma prostituta barata em troca de dinheiro. A impressão que deu era de que tentava me atingir de alguma forma. Posso até estar errado, porém foi isso o que pareceu.
Como é?! Quem ele pensa que é?! Está doente? Olhei embasbacada, sem reação, para o celular por longos minutos processando a mensagem. Eu não fiz nada de errado. Foi Edward quem ficou agarrado com alguém, não eu! Três pessoas que conheço comentaram comigo sobre isso. E por que está sendo tão baixo ao ponto de me comparar a uma prostituta?
A raiva tomou conta de meu corpo de maneira tão intensa que podia jurar sentir o sangue esquentar sob a pele. Não era possível eu ter lido isso. Custava a crer nas palavras diante dos meus olhos. Reli o texto quatro vezes completamente indignada. Ele não era assim. O homem quem namorei valia a pena. Não era maldoso. Eu realmente não sabia quem era aquele novo Edward. De repente se tornou mais similar aos amigos que me desprezavam durante os últimos anos. Poderia ter mudado tanto assim ao ponto de não reconhecê-lo? Ele me insultou. Chamou-me de prostituta barata. Eu não fiz nada de errado! Não mudei minha conduta em nenhum sentido. Os únicos não conhecidos ainda por Edward eram Emmett , quem só falta me chamar de irmã devido ao vínculo desenvolvido comigo, e Jake, cuja amizade logo foi conquistada por mim. Nós simplesmente conversávamos.
Devido à raiva – bem melhor do que a tristeza – eu digitei enfurecida.
Espera. Deixa eu ver se entendi direito. Você está achando que fiquei tão próxima dos meus amigos porque acha que estava tentando fazer ciúmes à você? Na boa, queria muito ter essa autoestima. Ou sua autoestima é invejável ou seu ego é enorme. Eu não fiz nada de errado. Se dancei com Emmett, Sam, Jake e Jasper na última noite foi pra me divertir. Você não teve absolutamente nada a ver com a história. Aliás, tenho mais o que fazer do que tentar fazer ciúmes pra você, né? Pensei que me conhecia por causa do tempo que passamos juntos, mas eu estava errada. A propósito, quem é você pra vir me questionar sobre meu comportamento? Não sou nada sua e nem fiz nada de errado. Não há lógica para querer tirar satisfação comigo. Quem deveria se envergonhar é você, por ser um tremendo de um filho da puta. Cheguei pra conversar contigo na boa pra ser tratada com tamanha grosseria? Desculpe, só que pensei que havia namorado um homem, não um moleque idiota que se acha o centro do universo. Errei nisso também, pelo visto. Então, na boa, me desculpe por tentar resolver as coisas contigo achando que você seria maduro o suficiente para tal conversa. Em menos de dois dias recebi dois insultos vindos de você. Não vou permitir que haja a terceira. Realmente cheguei a pensar que você fosse o tipo de pessoa que valesse a pena. Nunca errei tanto num julgamento. Durma bem.
Às oito da manhã Rosalie voltava para o quarto penteando os cabelos usando short e camisa simples. Pegou o celular para escolher uma música, mas a mensagem lhe chamou a atenção.
De: Bella
Para: Rosalie.
Mana, que horas posso passar na sua casa hoje? Não estou muito bem...
— Aconteceu alguma merda... – murmurou.
Bella não era de acordar cedo, nem enviar mensagem às seis da manhã – esse fora o horário do envio.
Após responder a amiga avisando que poderia ir sem problemas em qualquer horário, ligou para Alice.
— Oi, Rose. Bom dia.
— Bom dia! Vem cá... Sabe se aconteceu alguma coisa com Bella?
— Não. Não nos falamos ontem. Por quê?
— Porque ela me enviou uma mensagem às seis da manhã perguntando que horas poderia vir pra minha casa porque não se sentia bem.
— E qual é o problema disso?
— Lembra qual foi a última vez que isso aconteceu?
— Bem lembrado... Tem razão.
Após um ano do término o mesmo aconteceu. Rosalie pensou que a menina teria brigado com os pais ou outra coisa. Entretanto, foi bem diferente. Segundo a amiga, sentiu saudade demais de Edward, então acessou a rede social dele. Ao ver a foto ao lado de uma menina, prendeu o choro. Era noite de Natal, então os pais estavam em casa, assim como três primos. Ainda não sabia dizer como Bella escondeu tão bem a emoção. Entretanto, de madrugada, quando todos já dormiam, ela se desmanchou em lágrimas, sozinha no quarto. Chorou até dormir. No dia seguinte enviou um SMS pra Rose às sete da manhã, perguntando se poderia ir pra casa dela. Ainda conseguia ouvir a voz da garota. “Estou contando esta porcaria rindo e fazendo piada, mas, se parar pra observar, meus olhos estão marejados.”
— Pois é.
— Eu acho que isso tem dedo de Edward.
— Por quê?
— Adivinha quem me perguntou ontem de noite se poderia passar o dia aqui.
— Mentira!
— É isso, mesmo.
— Coincidência demais para o meu gosto. Quando eu souber o que rolou, aviso pra você.
— Pode deixar. Estarei atenta ao celular.
— Foi isso o que aconteceu.
Bella lavava a louça da amiga. Prepararam brigadeiro e pipoca doce para assistirem aos filmes de terror. Deixou o celular nas mãos da loira, quem lia a conversa completamente chocada.
— Esse homem tem merda na cabeça! – a raiva se destacava na voz – Foi ele quem ficou agarrado com as meninas, não você.
— Pois é. Acho que Edward não percebeu esse detalhe.
— Amiga, você não faz essas paradas. Ele deveria saber disso. Porra, você agiu normalmente com Emmett, Sam e Jake. E outra, mesmo se tivesse alguma coisa com um dos meninos, ele não tem nada a ver com isso.
— Concordo. Sabe o que me deixou mais revoltada ainda? – se virou para ela, apoiada a pia – Eu tentei demonstrar de alguma forma que eu estava de boa. Era mentira? Sim, mas você me conhece. Eu não demonstraria que ainda me sinto desconfortável perto dele. Enfim... Em alguns momentos o peguei olhando pra mim. Aí pensei comigo: poxa, eu posso não ter coragem de chegar nele pra conversar sem problema nenhum, mas posso, de alguma maneira, demonstrar que eu estou bem. A partir do segundo dia, quando o via me encarando, eu dava um sorrisinho normal. Só que, para o meu azar, Edward virava o rosto na hora. Durante o café da manhã, eu dava bom dia pra todos. Você sabe que peguei a mania de beijar a cabeça de você, Alice e dos meninos para cumprimentar. Acho que ele pensou que o ignorei porque não fiz o mesmo nele. Sinceramente, não faço ideia do que se passou pela mente do imbecil para ser tão grosso. Porra, numa conversa com ele eu não conseguiria esconder meus sentimentos. Se o cara souber disso seria horrível pra mim, sabe? Eu não cometi um pecado tão grave.
— Tentou explicar isso?
— Adiantaria? Seria perda de tempo. Quando a pessoa só vê o que ela quer, podemos dar argumentos plausíveis para ela mudar de opinião, mas não adianta de nada.
Sem a menina notar, enquanto se ocupava da louça, a amiga tirou print da conversa e mandou para o próprio celular. Logo depois apagou o registro do aparelho de Isabella.
— Por esse ponto de vista você está certa, amiga.
— Eu vi a forma como você ficou com Emmett. – sentou-se ao lado de Rose.
— Ah... Ele é um cara legal. Acho que formaríamos um belo casal.
— Já ouvi isso antes...
— E você, gata? Pensa em se apaixonar de novo?
— Nem fodendo!
— Por quê? Se apaixonar não é uma má ideia.
— Entrar no Titanic também não parecia ser uma ideia ruim e veja no que deu.
Às cinco da tarde Alice encarava o celular de queixo caído. Rosalie lhe enviara print da conversa de Bella e Edward.
O garoto chegou meio-dia. Almoçaram e colocaram filmes para assistir. Passaram bastante tempo conversando. Entretanto, durante as horas seguidas teve a impressão de ele querer abordar algum assunto específico, mas sempre se interrompia.
As palavras ali contidas a deixaram sem paciência.
— Ed... Posso fazer uma pergunta? – virou o corpo para ele.
Os dois estavam no mesmo sofá.
— Claro.
— Quando se transformou nesse idiota completo?
Franziu o cenho.
— Não entendi.
— Então como, cacete, explica isso?
Esticou o braço na direção dele para ler a mensagem.
— Já vi que a notícia se espalhou. – jogou a última porção da pipoca na boca. – Olha, não quero falar sobre isso. – se inclinou para colocar o recipiente com alguns milhos na mesa.
— Não vai falar é o caralho! Você está um bagaço por justamente não tocar no assunto!
— Como assim? Estou ótimo! – deu de ombros.
— Porra nenhuma! Desde o término você vai a festas regadas de bebidas, enche a cara e seu senso de humor é ácido! Até mesmo um limão é mais doce do que algumas piadas suas!
— Tirando o senso de humor, o resto parece estar de boa.
— Cara, você tem ficado com qualquer garota branquinha, baixa, cabelos castanhos até a bunda e olhos da mesma cor.
— E daí?
— São características de Bella! – gritou.
— Há problema de eu gostar de garotas assim?
Procurando manter a paciência, Alice passava as mãos pelos cabelos.
— Edward, pelo amor de Deus, seja verdadeiro consigo mesmo. Não minta pra mim. Você gosta dela.
— Não.
— Ok. – mexeu no celular por alguns segundos – Então como me explica esse áudio?
A voz embriagada de Edward tomou conta do ambiente.
— Alice, não existe uma pessoa tão patética quanto eu! Sabe por quê? Vim pra uma festa e estou bebendo pra cacete só pra esquecer que dentro de dois dias estarei junto da única garota que ainda amo. Mas, pelo visto, ela me esqueceu. Eu amo a Isabella. Sabe disso, né? Sabe o que é pior? Tenho salvado várias fotos dela no meu celular por não ter coragem de chegar pra conversar com a garota. Sou o retardado mais patético do planeta.
— Lembro disso daí, não. – respondeu sério.
— É claro! Você estava bêbado! – berrou. Respirou fundo antes de prosseguir – Conseguiu arrumar confusão até com Emmett, o cara mais gente boa quem já conheci.
— Não fiz nada de demais.
— Não? Então vai me dizer que Emm precisou intervir porque você era a calma em forma de gente naquele dia? Ou melhor, você ofendeu aos dois só por estarem lavando banheiros?
— O cara se intrometeu porque quis. Outra, eu não ofendi ninguém. Ela quem ficou agarrada nele.
— Os dois são amigos! Não se passou pela sua cabeça lesada que só se divertiam?
— Daquele jeito? Por favor, né? O que a levaria se esfregar com alguém daquele jeito?
— Se ela se sentir confortável ao lado do cara ao ponto deles serem amigos e ele saber que não há conteúdo sexual envolvido ali, sem dúvida. No caso dele, Bella é a irmã mais nova que nunca teve. Então sim, ela vai dançar feliz da vida com ele.
— Duvido. Ele é um idiota.
— Não foi o que achou antes de encontrá-los dançando. Por favor, não xingue Emmett. Ele esteve ao lado de Isabella quando ela mais precisava, diferente de você.
— Engraçado. Ela não quis a companhia das pessoas que me cercavam, mas, em compensação, logo encontrou esse cara e fez amizade. – gesticulou os dedos como se colocasse aspas na palavra amizade – Isso sem falar que a vi agarrada com aqueles outros dois garotos.
— Sam e Jake?
— Óbvio.
— Sam é gay! É impossível terem alguma coisa.
— E Jacob? Agora vai me desmentir?
— Claro! Olha quem fala. – ironizou – Quem ficou agarrado com alguém, meu querido, foi você, não Isabella. A viu abraçada com Emmett, Jasper ou Jacob? Ao contrário de você, não. Bastava uma única amiga sua passar na sua frente que você puxava pra abraçar. Curiosamente, isso só acontecia quando Isabella estava no ambiente. Você nunca fez isso antes, cacete! Foi você quem agiu como filho da puta e a ignorou completamente.
— Fez o mesmo comigo no seu aniversário. – tentou se justificar.
— Porque não sabia como agir, porra! Admite logo que a ama, inferno! Bella não estará disponível pra sempre, não! Vai chegar o dia que alguém vai conquistá-la, fazê-la esquecer de você. Se sente bem ao imaginá-la beijando outro homem?
De maxilar trincado, desviou os olhos.
— Isso não vem ao caso. – respondeu.
Se sentindo cansada, perguntou:
— Então por qual caralho de motivo carrega esse colar contigo?
Encarou a amiga de imediato.
— Achou mesmo que eu não perceberia que nunca o retirou nesses anos? Consigo vê-lo às vezes porque a camisa o marca um pouco.
Carrancudo, como se quisesse negar a verdade, rebateu:
— O que aconteceu entre nós no passado, ficou no passado. Foi necessário terminar com ela e isso não me deixa feliz. – murmurou em voz extremamente grave, sem encarar a amiga.
— E se você descobrisse que a minha amiga não se sentia bem? Que escondeu alguns acontecimentos sérios?
— Como assim? – se voltou para a baixinha, curioso.
— Isabella teve motivos, no mínimo, razoáveis para não querer estar próxima dos seus amigos. E não eram de todos, apenas um grupo em especial. Sejamos sinceros. Não são as pessoas mais amáveis do mundo.
— Quais seriam os motivos? Foi ela quem parou do nada de frequentar comigo os lugares onde eles estariam. Ninguém a destratou para ter tomado essa atitude.
— Ah, não? – ergueu a sobrancelha em tom de desafio.
— Não.
Riu sem humor antes de falar, balançando a cabeça:
— Edward, só falou isso porque Bella não relatou nada pra você. Na época escondeu o que acontecia. Entretanto, realmente estou cansada de não esclarecer algumas coisas. Vocês precisam se resolver de uma vez e pra isso terei de quebrar uma promessa feita por mim. Lembra-se do aniversário de Eleazar?
— Sim.
— Ela saiu do nada, né?
— Exato.
— Bella escondeu o motivo de ter saído de supetão. Vou contar o que houve, porém já aviso. Não vai gostar de ouvir o que rolou lá, Edward.
Bella acordou desanimada. Não era empolgante a ideia de passar o dia na companhia dos amigos de Edward. Ficaria feliz se fosse James e Leah – não era o caso.
Despertou cedo para se arrumar. Colocou o biquíni amarelo por debaixo da roupa – saia jeans e regata branca. Separou na bolsa canga, óculos de Sol, maquiagem, o livro Amante Sombrio e par de chinelos. Por acaso achou o cartão de Emmett na cômoda do armário. De impulso o guardou no bolso do jeans. Poderia precisar caso acontecesse algo desagradável. Edward chegou às sete para buscá-la.
Chegaram ao sítio às oito da manhã. Fazia um Sol forte, excelente para passar horas na piscina. O lugar era bonito. Logo na entrada tinha uma grande piscina. Já tinha gente lá dentro se divertindo. Havia uma área gramada mais a frente com rede de vôlei. Uma parte era coberta – onde o farto café da manha fora posto – e os banheiros ficavam atrás da piscina. Depois descobriria por feliz ou infeliz coincidência – depende do ponto de vista – que era grande o bastante para se esconder.
Após falarem com o aniversariante foram comer. Ainda não completaram um ano de relacionamento, portanto Tânia era afável. Bella se lembrava da conversa com Esme, então procurou manter distância dela. Victoria, jovem de sorriso estonteante, se aproximou de Isabella. Em pouco tempo a menina se sentiu mais relaxada pela conversa fácil de Victoria.
Até então não acontecera nada de explícito. Notou alguns olhares e cochichos zombeteiros das meninas após analisá-la de cima abaixo, mas não era de todas. Escolheu pensar que era somente impressão.
Ao todo, o dia fora agradável. Passou a maior parte do tempo na água. Incomodou-se ao sentir toques pelo corpo – quadril, pernas. Ao sentir a mão roçando no seio, virou assustada para encarar a figura sorridente de Eleazar. O namorado estava do outro lado. Não era Edward quem a tocava. De início ligou ao fato de se movimentarem na piscina – o grupo jogava vôlei. Entretanto, ao ser tocada assim, se afastou do homem. Várias vezes o pegou a encarando como se ela fosse um pedaço de carne suculento. Passou a identificá-lo como alguém que era necessário tomar cuidado.
Às duas da tarde pegou a bolsa e entrou no banheiro. Manteve-se trancada no pequeno espaço ao ouvir duas meninas entrando.
— Você estava certa, Tânia. Como, infernos, Edward trocou você por essa garota sem graça? – disse Victoria.
— Acredite, todos estão se perguntando. Ninguém gostou dela por aqui. Por trás estão comentando o quanto é sem graça.
— Eles se conhecem há muito tempo?
— Pelo o que ele disse, sim, entretanto só se aproximaram há alguns meses.
— Já sei qual é o motivo.
— Qual?
— Pena. O cara deve ter sentido pena dela. É a única explicação plausível.
— É, pode ser... – concordou Tânia pensativa – Já vi isso acontecer antes. Nunca termina bem.
— A deles também não vai terminar. O pior é que Edward tem muito mais a ver contigo do que com Bella.
— Ainda não consegui, porém dentro de pouco tempo ele vai ficar comigo. Certeza.
— Quanta autoconfiança.
— É claro. – completou debochada – Acha mesmo que ele vai me trocar pra ficar com aquilo por tanto tempo?
Só após não conseguir ouvir mais os passos delas e a se controlar para as lágrimas não caírem, se atreveu a sair do cubículo.
Quase que imediatamente o enjoo a dominou. Isabella não comera nada que pudesse lhe fazer mal, então logo concluiu que o mal-estar era emocional. Depois de vários anos alguém conseguiu fazê-la se sentir um verdadeiro lixo de novo.
Já sofrera bullying no passado. No período de escola, por quatro anos foi alvo de diferentes tipos de humilhações, assim como situações constrangedoras pelos alunos da sala – chegou ao ponto de ser seguida pela por um grupo composto por quase vinte meninos rindo e fazendo piadas. Aquilo a impactou de tal forma que uma das piores coisas que poderia lhe ocorrer era que tudo se repetisse. Agora, após mais de seis anos dos infelizes episódios, se sentia da mesma forma que há tanto tempo. Verdadeiro lixo.
Impediu das lágrimas descerem. De braços cruzados, foi até o espelho. Abriu a bolsa, retirando a maquiagem. Precisava esconder os traços de tristeza estampados na face, mostrando que não estava emocionalmente bem. O único em quem confiava era Edward, entretanto não o envolveria nisso. Ele estava tão alegre... Sorria tanto por achar que estava sendo aceita pelos jovens dali. Mero engano. Se deixasse transparecer os sentimentos, o namorado logo perceberia que algo aconteceu.
Ao terminar de se maquiar, usou a ponta dos dedos para secar a teimosa lágrima, a qual teimou em deixar seu rastro até a bochecha. De fato, as cores nudes foram essenciais para encobrir a emoção.
Retirou a roupa da bolsa, vestindo-a. Penteou os cabelos, deixando-os de modo que pudesse esconder o rosto caso fosse necessário. Não satisfeita, puxou o óculos escuros para colocar. Em passos decididos saiu de lá.
— Bella!
Virou-se. O namorado vinha descalço em sua direção. Sem dúvida tinha acabado de sair da piscina, porque o corpo estava ensopado. Usava somente uma sunga preta.
— Onde estava, amor? Não vai voltar para a água comigo?
— Não vai dar. O Sol está bem forte e minha pele está começando a arder. – disfarçou a falha na voz ao tossir.
— Ah, ok. Não precisava ter vestido essa roupa. Adorei vê-la só de biquíni. – malicioso, puxou-a para junto de si até sentir os seios dela em seu peito – Está gostando de hoje, bebê?
— Sim. As meninas são legais.
— Estou contente por ter vindo, sabia? Todos gostaram de você. Eu disse que não havia motivos para se sentir nervosa. – beijou a testa carinhosamente.
— É. Você tinha razão. – forçou o sorrido.
Passou a hora seguinte se revezando entre comer guloseimas – doces a acalmavam, embora o enjoo não tivesse passado – e mexer no celular. Sentou-se numa roda de meninas onde várias encaravam em desaprovação o prato repleto de doces. Elas quase não comeram nada, preocupadas demais em manter o corpo magro.
— Eu já estou fodida. Pelo menos posso comer. – pensou amargurada levando a fatia de bolo de chocolate até a boca.
Retornou ao banheiro mais tarde. Queria ouvir o áudio mandado por Rosalie em particular. Mal entrou alguém a segurou por trás fortemente. Usou a mão direita para tampar-lhe a boca, empurrando-a até bater numa parede – não poderiam ser vistos por quem passasse do lado de fora. A dor do encontrão com o sólido de maneira tão brusca não se sobrepujou ao medo.
— Assustei, gata? – Eleazar murmurou retirando a destra da boca dela.
— O que faz aqui? – o coração batia acelerado demais.
— Ah, a vi entrando e quis partilhar de um momento a sós contigo. Sabe, pra nos conhecermos melhor.
O homem sussurrava. Jogava o peso do corpo contra as costas de Isabella e a segurava pelos braços. Ela não tinha saída.
— Vamos lá pra fora. Poderemos conversar sem problemas, tá?
— Acho que eu não aproveitaria tanto. Afinal... – deslizou os dedos pela lateral do corpo feminino – Estamos aqui sozinhos e cá entre nós – beijou a nuca – você me excita.
Isabella tentou se desvencilhar de todas as formas, porém não conseguia. Ele era mais forte e maior. Quando ameaçou gritar, o homem riu.
-Vai pedir ajuda a quem? Edward? Não, gata. Ninguém virá aqui. Já pedi pra uns amigos meus cuidarem de quem quiser vir pra cá. Além do mais, crescemos juntos. Em quem acha que ele vai acreditar? No amigo de infância ou na putinha quem praticamente acabou de conhecer?
Suplicava para deixá-la ir. Infelizmente, não surtia efeito. Deslizava as mãos pelo corpo feminino, esfregando os quadris nela. Sentiu repugnância enquanto o membro duro roçava em si. Quando o homem conseguiu espaço suficiente para tocar os seios por debaixo do biquíni, pensou em desespero:
— Não posso permitir que isso continue. Não posso. Por favor, meu Deus, me ajuda.
Aproveitou que ele tampara a boca dela com a mão – a outra deslizava pelas coxas, subindo cada vez mais. Abriu a maxila devagar. Não prestou demasiada atenção para chegar a conclusão de que não usava força suficiente para manter a boca fechada.
Isabella mordeu o dedo de Eleazar tão fortemente que sentiu o gosto de sangue na língua. Usou o momento de distração para se desvencilhar. Entrou na primeira porta que encontrou. Ele teve o ímpeto de arrombá-la, mas precisaria fazer muito barulho, então decidiu simplesmente sair.
Bella estava petrificada. Até conseguia entender o comportamento das garotas, mas não de Eleazar. Quase foi abusada. A realidade a fez se debruçar no vaso de imediato, vomitando. Ofegante, deu descarga. Não se sentia melhor. De repente lembrou-se do cartão de Emmett. O pegou no bolso do short, junto do celular. De tão tremula quase derrubou o aparelho três vezes.
O homem atendeu no quarto toque.
— Emmett, lembra de mim?
— A voz não é estranha...
— É a Bella.
— Ah, a garota que tem uma bruxa como sogra.
— Sim. Pode me buscar?
— Vou demorar. Estou terminando uma corrida...
— Por favor, vem me buscar. – a voz tornou-se embargada a medida que segurava o choro – Não posso continuar nesse lugar. Me tira daqui, por favor.
— Ok, ok. Me passa o endereço. Não demoro a chegar. Fica calma.
Esperou vinte minutos. Ninguém percebeu a saída dela. Afastou-se sem olhar para trás. Não queria dar explicações. Edward procuraria dois minutos mais tarde pela namorada, mas só acharia a bolsa dela.
— Merda.
Esse foi o primeiro pensamento de Emmett ao ver a expressão no rosto da passageira. Já a vira antes, mais especificamente no rosto da prima, quem completara dezoito anos na época. Sabia que Isabella estava abalada demais e não adiantaria nada que falasse. Portanto, continuou em silencio, respeitando o espaço dela.
Quando a prima lhe contou o nome do homem quem tentou abusar dela, pegou o corro. Conhecia o responsável. Não parou de dirigir até chegar à casa do sujeito. O encontrou assistindo TV. Foram necessários seis homens para tirá-lo de cima dele. O desgraçado foi desmaiado para o hospital. Emmett não se arrependeu do que fez, mesmo logo após ter precisado se tornar taxista para sobreviver. Afinal, não conseguiria um emprego melhor por ter passagem na polícia.
Quando a menina saltou do veículo, a chamou. Virou-se de braços cruzados. Não chegaria perto dele – não lhe tirava a razão.
— Eu sei o que aconteceu. Minha priminha passou pelo mesmo. Contou a mim o que houve, mas, depois, não tocou mais no assunto. Por anos se fechou. Isso se transformou em forte depressão. Sentia-se tão mal que sequer conseguia falar do ocorrido. Ela quase morreu por causa do filho da puta quem tentou violentá-la. Não cometa o mesmo erro, Bella. Converse com alguém de confiança. De preferência, procure um psicólogo. Se carregar esse peso sozinha vai adoecer. Não se esquece disso, tá?
Alice chegou do mercado no horário de almoço. Novamente se questionava como conseguia carregar tantas sacolas de compras. Provavelmente subestimava a própria força – ou não tinha mais ninguém para ajudá-la, já que morava sozinha e precisava se virar para dar conta.
Depositou-as em cima da mesa da cozinha, aliviando de imediato a dor nas costas.
— Ah, droga. – resmungou ao ver as marcas nos braços.
Pegou o celular e ligou pra Bella.
— Oi, amiga! Como foi ontem? Pedi pra me avisar quando chegasse em casa pra eu ir aí. Eu sabia o quão nervosa estava.
— Foi ótimo! Nada de errado ou ruim aconteceu. Afinal, era a comemoração de aniversário de Eleazar, amigo de infância de Edward. O que poderia dar errado, né?
Não distinguiu o que foi mais estranho. A voz beirando a histeria ou o sarcasmo ácido.
— Bella, você está...
Provavelmente o que ouviu a seguir foi a garota vomitando.
— Está na merda, né? – sussurrou a pequena.
— Adivinha.
— Posso ir pra sua casa? Não acho que seja o tipo de conversa que se tenha pelo telefone.
— Pode vir, sim.
— A propósito... O almoço está pronto?
— Sim.
— Enviarei uma mensagem pra Rose pra ela ir também, tá?
— Espero pelas duas.
Quando as amigas chegaram encontraram-na deitada no sofá de olhos fechados.
— Oi, amiga. Tudo bem?
Abriu os olhos.
— Oi, gente. Acredite, a história é longa. Alice, se quiser, é só colocar seu prato. Não estou podendo comer nada agora.
— Filha.
Renée vinha da cozinha segurando um copo com dois dedos de água. Cumprimentou as meninas antes de estendê-lo para a enferma.
— Tome. Vai se sentir melhor.
— Mãe, não vai servir de nada. – objetou fazendo uma careta de descontentamento – A única diferença é que terei alguma coisa pro meu estômago liberar dessa vez. – relutante, pegou o copo tomando o líquido amargo de uma vez.
— É isso ou precisarei levá-la ao hospital.
— Já falei, não precisa. Daqui a pouco vou melhorar. – entregou-o para a mãe, quem se mantinha em pé ao lado dela – Só devo ter comido algo que não me fez bem ontem. Não se preocupe.
— Se não melhorar até amanhã vai ser atendida por um médico, independente de querer ou não. – foi firme no uso das palavras – Bem... – amansou o timbre – Vou deixá-las sozinhas. Pode me chamar pra qualquer coisa, tá?
A loira só indagou após ouvir a porta do quarto de Renée ser fechada.
— Que aconteceu contigo, amiga?
Espremeram-se para caberem no espaço que restava do sofá, ao lado da cabeça de Bella.
— Se encaixaria melhor na frase o uso de “quem”, não “o que”. – corrigiu afastando o cabelo do rosto.
— Não entendi.
Soltou de uma vez depois do pesado suspiro.
— Ok. A festa foi um inferno. O que rolou foi o seguinte...
Não omitiu nada. Revelou absolutamente todas as terríveis situações passadas no sítio – desde a maldade das meninas até a tentativa de estupro.
— É por isso que não quero ir ao médico. Meus sintomas não são físicos. Não estou doente. Meu corpo simplesmente está respondendo aos eventos de ontem. Não paro de vomitar desde essa madrugada. Quase não dormi. Passei a maior parte do tempo debruçada sobre o vaso. Minha mãe ficou em casa hoje para cuidar de mim. Está extremamente preocupada, mas meu estado é por causa da festa. O enjoo começou por ouvir a conversa de Victoria. Me senti um lixo, assim como na fase de escola. Logo depois do que aquele filho da puta fez comigo, vomitei. Tentei comer bem pouquinho antes de dormir. Pra nada serviu. Às duas da manhã colocava pra fora.
— Vem cá, Edward não ficou sabendo de nada? – Alice estava incrédula – Ele tem o direito de saber com qual tipo de gente anda e chama de amigo.
— Não. Eleazar tem razão, infelizmente. Eu cheguei agora. Edward conhece essas pessoas há bastante tempo. O que eu passei já foi suficientemente terrível. Não vou reportar a ele. Só quem sabe de ontem somos eu, vocês e Emmett e mesmo assim não sei como ele chegou a essa conclusão. – as encarou, terminando o discurso em tom severo – Então espero que respeitem a minha decisão e não contem pra ele.
— Eleazar fez o que? – o homem gritou.
— Agora entende o motivo dela não querer participar de qualquer evento ao lado daquelas pessoas? Bella tomou verdadeiro pavor do desgraçado. Não se arriscaria a permanecer na companhia dele novamente.
— Por que não me contou nada?
— Se você soubesse como a mulher é vista na sociedade, teria a resposta para essa pergunta. É fácil pra um cara distorcer todo o contexto e responsabilizar a garota. Já vi acontecer antes. Então, pra evitar qualquer problema ou conflito onde fosse sair como a errada, Bella ocultou de você o abuso sofrido.
— Droga, eu fui um imbecil naquele dia. – suspirou pesadamente, a culpa apossando-se do corpo como se tivesse engolido amargo veneno – Conversamos por Whatsaap, mas eu estava puto porque, para mim, ela me fez passar ridículo ali. – o misto de arrependimento e tristeza era quase palpável.
— Eu sei. Vi as mensagens. Vou ser sincera. Poderia ter pegado mais leve com a garota. Foi um absurdo precisar ler aquilo. – sabia que a frase não o ajudaria a se sentir melhor – Ainda tem como consertar a merda que fez lá atrás.
— Como? Depois de ontem, deve me odiar.
— Aí está o seu engano. Se Bella ama alguém, independente de ser um amigo ou futuro pretendente, não consegue sentir ódio da pessoa. Pode até ter raiva ou se magoar, não odiar.
— O que quer dizer isso?
— Pra bom entendedor, meia palavra basta. Enfim... Ela passará esse final de semana sozinha em casa. Se estivesse no seu lugar, aproveitaria a oportunidade. Caso realmente queira conversar com Isabella, irá até lá. Depois do que vi nos últimos dias, é o mais sensato a ser feito.
— São que horas, Alice?
A pergunta a pegou de surpresa. Num assunto daquele não imaginou que Edward indagaria sobre as horas.
— Sete e cinquenta. – respondeu prontamente ao verificar no celular.
— Eu ia pra casa, mas, depois de ouvir isso, acho melhor mudar meus planos.
— Como assim?
— Eleazar me chamou para uma boate essa noite. Seria bom aparecer por lá.
— Você vai se encontrar com cara quem tentou estuprar a sua ex-namorada pra se divertir? – a expressão de Alice era de pura descrença.
— Eu não mencionei nada sobre diversão. – esclareceu sombrio.
Meia-noite Eleazar levava Edward para o banheiro. O amigo tinha ingerido várias latas de cerveja. Derramara o líquido amarelo na roupa, então fedia à bebida alcoólica. Entraram no banheiro vazio aos tropeços.
— Pronto. – o soltou – Chegamos.
O outro se dirigiu ao vaso sanitário abrindo a calça.
— Pensei que cerveja não o derrubava. – comentou Eleazar se apoiando na parede de cor cinza.
— Sempre tem uma primeira vez, né? – falou em voz enrolada – Inclusive, me responde uma coisa?
— O que quiser, Ed.
— Se arrependeu de tentar estuprar a minha namorada?
Sem aviso, Edward foi até ele e o socou no olho.
— Porra! – exclamou, se apoiando em uma das portas para não cair – O que houve?
— Eu descobri o que você fez com a Bella, seu filho da puta!
Edward saiu de lá minutos mais tarde. As mãos estavam machucadas e doloridas. Não bateu nele o suficiente para causar danos irreversíveis, mas sem dúvida pararia no hospital, onde permaneceria por quatro meses para se recuperar.
Dirigiu-se até o chefe de segurança da boate. James, um dos amigos de Edward e Leah, trabalhava por lá e foi o responsável por impedir a entrada dos homens no banheiro nos últimos minutos.
— Resolveu o que precisava? – gritou para ser ouvido.
— Sim. Ligue pra emergência. Eleazar vai precisar ir ao hospital.
— Tem certeza do que fez foi certo? Quero dizer, o cara pode tentar sacanear você ou denunciá-lo.
— Relaxa. Ele é covarde. Não tentará nada contra mim. Afinal, posso prejudicá-lo muito mais o acusando por tentativa de abuso sexual.
— Filho da puta!
— Eu sei. Bem, agora preciso ir. Valeu pela ajuda. A gente se fala depois.
Cerveja nunca deixou Edward bêbado. Eleazar estava desmaiado no chão. O sangue saía da boca, os hematomas e cortes incharam o rosto. Tinha fraturado quase costelas. A última coisa ouvida pelo homem antes de apagar foi:
— Eu amo aquela mulher! Se tocar nela de novo eu acabo contigo, entendeu?!
Edward viu Esme saindo da sala. A mulher foi até o marido, quem conversava ao telefone metros à frente. Provavelmente sairia para atender alguma emergência.
— Tânia, desce. – pediu.
— Que foi?
Particularmente não a queria sentada em cima dos ombros, porém o grupo se organizou assim para o jogo. A posição começava a irritá-lo.
— Preciso sair. Não demoro a voltar.
Só de bermuda, tentou alcançá-la. Como a mulher estava distante e não parava de avançar, a chamou.
— Mãe!
A mulher se virou de costas imediatamente.
— Sim, querido?
— Viu Bella? Ela foi lá pra dentro, só que ainda não retornou.
— Ah, não falou contigo? – demonstrava desapontamento – Ela foi embora.
— Droga! Ela vai dançar hoje. Esqueci completamente. Preciso ir.
— Filho, Isabella disse que não seria necessário se ausentar. – a voz não podia soar mais sincera – O viu se divertindo tanto que não quis atrapalhar e tirá-lo daqui. Por que não volta pra piscina junto à Tânia? – sorriu docemente – É uma boa moça. Vai desapontá-la caso saia agora.
— Ela aguenta. Meu compromisso agora é com Bella.
— Segura meus pulsos. Vai ser melhor pra me pegar.
Mesmo faltando quarenta minutos para a apresentação e sabendo a coreografia, a dupla ainda repassava algumas sequencias para o desempenho no palco ser perfeito. Bella estava extremamente sensual no vestido vinho. A forte maquiagem lhe dava um tom perigoso na expressão facial. Dançaria a música El Tango de Roxanne, onde se conta a história de uma prostituta e do homem quem se apaixonou por ela. No caso, Isabella seria a cortesã responsável por separar um casal, envolvendo o homem até seduzi-lo. Sempre quis dançar essa canção justamente pela letra e o arranjo serem fortes. Adorava canções como aquela.
Quando o colega segurou-a pelos pulsos para ela entrelaçar as pernas na cintura dele, disse ao abraçá-lo:
— Viu a diferença? Assim não corre o risco da minha mão escorregar.
O publico entrava pelo outro lado, então ali só estava quem iria se apresentar.
A coreógrafa se aproximou decidida a passos largos, segurando um celular.Usava bermuda, tênis e blusa branca solta no corpo. Os cabelos estavam levemente despenteados. Levava uma prancheta consigo com o roteiro do espetáculo.
— Bella, pelo amor de Deus! – enérgica, entregou o aparelho para a menina – Atende esse troço. Não para de tocar há mais de quinze minutos consecutivos. Por sorte cheguei a tempo de impedir um dos bailarinos de abrir a sua bolsa para desliga-lo. Nem sei quem aquele homem era!
— É, mas não está mais tocando. – ao pegar, sequer viu quem tinha tamanha urgência em se comunicar com ela.
— Acredite, voltará a... – a música Judas da Lady Gaga tomou conta do ambiente – Não disse?
— Ok, professora. Valeu.
Ao analisar as vestes do garoto minuciosamente, ordenou, perfeccionista:
— Victor, venha comigo. Preciso dar um pontinho só na sua calça. Ainda está larga. – a mulher o puxou para longe.
— Alô? – Isabella atendeu ao telefone.
— Oi, amor. Demorou a atender.
— Não estava perto do celular.
— Entendi. Está usando aquele vestido vinho que me mostrou por foto?
— Sim.
— Adorei a escolha. Fica sexy em você.
— Vou dançar El Tango de Roxanne. Serei a responsável por separar um casal. Dessa vez serei a vilã da história. É proposital a sensualidade da roupa.
— Só me incomodou uma coisa.
— O que?
— Você agarrada com aquele cara. Não gostei quando ficou no colo dele.
Confusa, franziu o cenho.
— Como sabe disso? Ainda não viu a coreografia.
— Não acha que posso ser tão intuitivo?
— Não a esse ponto.
— É, você está certa. Vira de costas.
O queixo caiu ao ver Edward ali. Vestia jeans escuro e camisa de botões. Desligou o celular indo de encontro ao namorado.
— Pensei que não viesse. – contou afastando os cabelos do rosto devido ao leve vento.
— Confesso que esqueci, amor. Desculpa. – envolveu o braço nas costas dela para puxá-la para si. Satisfeito, beijou a testa num pedido de desculpas. – Não precisava ter ido embora sem falar comigo. Minha mãe me explicou.
— O que Esme explicou? – abraçou a cintura dele, agradecida pela noite já ter caído e a escuridão envolver o ambiente. Ajudou a esconder o leve temor no rosto da garota.
— Ué, que você me viu me divertindo e não queria interromper. Acabou escolhendo sair sem falar nada com ninguém.
— Ah, sim... – desviou os olhos, encarando as pessoas as redor por meros segundos – Claro.
— Quando me relatou isso, na mesma hora fui me arrumar pra vir. Já tinha o endereço, então não foi difícil achar o teatro. Conquistou a afeição da minha família e amigos. É um belo feitio. – completou carinhoso.
Por não receber nenhuma resposta, disse:
— Por que está usando esse batom? Não posso beijá-la sem borrar a sua maquiagem.
— Vou ter a puta destruidora de lares, meu bem. – se alegrou pela repentina mudança de assunto – Acha mesmo que eu escolheria um batom claro?
— Não, mas esse deixa seus lábios mais convidativos. – pontuou com os olhos intensos.
— Então vai gostar da coreografia.
— Por quê? Vai estar bem sensual lá?
— Sem dúvida. Principalmente porque vou simular uma cena bem quente.
— Qual seria?
Sinalizou para o namorado se abaixar e murmurou na orelha dele.
— Como apenas tem maior de idade aqui, minha professora se sentiu livre pra colocar uma cena onde eu e o Victor simulamos uma cena de transa.
— Que?! – o berro assustado fez meia dúvida de cabeças se virarem na direção deles.
A primeira campainha soou para avisar que o espetáculo começaria dentro de quinze minutos.
— Preciso ir, amor. Me deseja sorte. – beijou a bochecha de um Edward estupefato antes de se juntar aos grupos que se direcionavam para o teatro.
— Calma aí! Explica direito, amor.
Bella virou de costas. O travesso sorriso desenhava os lábios.
— Vai ver no palco, amor.
A expressão facial de Edward a fez gargalhar.
Será que espirrar pela quinta vez em menos de dois minutos é sinal de resfriado?
Era essa a pergunta que se passava pela cabeça dele. Por que, inferno, não abasteceu o carro na noite anterior? Poderia tê-lo feito. Do contrário não precisaria caminhar por quase quatro quilômetros debaixo de uma chuva torrencial. O céu, outrora azul claro, tomou a tonalidade de cinza escuro rapidamente. Não havia ninguém na rua. Quem se atreveria? Os pingos de água chocavam-se violentos contra a pele enquanto o vento o fazia cambalear várias vezes de tão forte.
— Só há três respostas para explicar essa merda. – Edward esbravejava, trêmulo de frio – Castigo divino. Lúcifer está rindo agora da minha cara porque não quer que eu chegue até a casa dela. Ou o universo está me testando ao colocar obstáculos que iriam me fazer desistir da minha decisão.
Fungou afastando os cabelos do rosto. Ao olhar para o tênis, completamente encharcado, quis retirá-lo porque de nada estava adiantando o calçado.
— Bem... Se o universo ou Lúcifer estiverem tentando me fazer desistir, só tenho uma coisa a dizer. Vá se foder.
Tossiu antes de voltar a andar, completamente decidido. Ainda faltava meio quilômetro debaixo da chuva. Realmente esperava que seu sistema imunológico estivesse bom.
Estranhamente acordei sábado pela manhã às nove em ponto. Nunca gostei de acordar cedo. Sempre gostei de dormir de madrugada, então não entendi o motivo de estar totalmente desperta nesse horário.
Meus pais saíram antes de eu acordar. Minha mãe deixou um bilhete na sala, dizendo para ter cuidado caso eu fosse sair e que me amava.
Logo após tomar banho e me alimentar, comecei uma maratona de A Hora do Pesadelo. Adorava filmes de terror, principalmente os da década de 80 e 90. Na metade do primeiro filme meu celular começou a tocar. Não atendi por ser número desconhecido. Como não parava, o coloquei no silencioso. Em menos de cinco minutos a campainha do apartamento também foi tocada. Tentei me concentrar no filme, mas o barulho era irritante. Por fim, levantei para retirar o fone do gancho. Satisfeita, voltei para o sofá sorrindo. Não passou muito tempo até começar a ouvir gritos pela janela.
— Bella! Bella!
Franzi o cenho estranhando a situação. O barulho da chuva era forte, então inicialmente não escutei. Não demorei em ir até a janela. Não vi ninguém lá.
— Estranho. – murmurei.
Ao ver que meu celular ainda tocava, o atendi irritada.
— Alô? – indaguei sem paciência
— Bella? Você está em casa?
Senti uma carga gelada na barriga. Aquela voz não me era estranha.
— Desculpe. Quem é? Estou confundindo a sua voz com a de outra pessoa.
— Sério que não sabe quem é?— soava meio intrigado, como se tivesse sofrido um insulto inesperado.
— Não.
— Edward.
— Quem?! – gritei. Não acreditei na resposta.
— Estou aqui embaixo. Abre pra mim. Está um frio da porra aqui fora.
— Aqui embaixo? Aqui embaixo da onde? – minha voz saiu aguda.
— Vá até a janela da sala.
De fato, o vi do outro lado da calçada, em pé, completamente ensopado.
Depois de vinte minutos estávamos sentados no sofá. Durante esse tempo me dividi entre brigar com ele por ter vindo naquela chuva e encontrar roupas do meu pai e preparar chocolate quente para mantê-lo aquecido. Vestia calça de algodão larga e camisa puída cinza, a única que servia nele.
Agora, depois de ter tomado um banho quente, questionei:
— Pode agora, por favor, me dizer por que, inferno, saiu nessa chuva?
— Eu precisava falar contigo.
— Não podia resolver simplesmente trocando mensagem ou ligando, não?
— Não.
— Bem, aqui estamos. Não posso expulsá-lo, infelizmente. Poderia cair doente nesse tempo. Seria irresponsabilidade de minha parte. Afinal de contas, qual é o assunto tão importante que precisa resolver comigo?
— Eu sinto sua falta. Demais.
Passei longos segundos calada. O único som era o da chuva. Ouvi as palavras, mas não acreditei. Simplesmente não fazia sentido. Passei anos sem ter o mínimo contato com ele. Para o meu azar, minha mente era lógica, diferente do meu burro coração. Ele desejava crer na veracidade da sentença. Para ser honesta, parte de mim também queria.
— Sinceramente... – respirei fundo fazendo o possível para mascarar o misto de surpresa e esperança – Nunca imaginei que você seria covarde à esse ponto. Realmente fui tola ao pensar que havia namorado um homem, não um moleque.
— Bella, eu...
Quando tentou tocar meu braço, o repeli me afastando.
— Não toque em mim. – avisei brusca – Jamais volte a me tocar novamente. Quem você pensa que é? Veio à minha casa pensando que eu seria burra o suficiente para cair no seu jogo?
— Bella, é sério. Eu realmente quero resolver as coisas contigo.
— Não minta para mim! – exclamei ofegante – Você não sente falta de mim. No máximo do prazer que eu dava, mas não significa que sinta saudades de mim.
— Droga, por que é tão difícil de acreditar? – frustrado, levantou do sofá – Eu ainda a amo.
— Chega! – também levantei – Você não me ama. Nunca amou.
— O que a leva a pensar assim? Esqueceu tudo o que vivemos? Tudo o que confidenciei a você, todos os momentos que passamos juntos? – soava de maneira descrente.
— Edward, coloque na sua cabeça de uma vez por todas. Quando se ama alguém não desiste da pessoa na primeira oportunidade! Você senta pra conversar com ela, não toma uma decisão tão radical do nada.
— Eu errei. – a voz se elevou. Parecia se controlar para não gritar – Não sou perfeito. Até então não havia tido nenhum namoro antes, era inexperiente.
— Eu também era! – berrei – Mas eu não iria abandoná-lo. Estaria do seu lado porque o amava.
— Amava tanto que naquela mesma semana estava com Alice numa festa. – comentou sarcástico.
— A vida segue! Eu não pararia as minhas coisas e nem desmarcaria meus compromissos só porque fui magoada por alguém.
— Baseado no que eu vi em sua rede social, foi tudo muito fácil pra você.
— Fácil? Como pode pensar que pra mim foi fácil? – devido à intensidade da raiva lutei contra as lágrimas – Droga, eu o amava. O amava, Edward. Do nada, de uma hora pra outra, você simplesmente decidiu enviar uma mensagem dizendo que queria terminar comigo. Se me amasse, faria o que qualquer homem sensato faria. Sentaria pra conversar comigo e resolver as coisas. Quando se ama alguém simplesmente não abre mão da pessoa tão facilmente. Tem noção do quão difícil foi acordar pela manhã, pegar o celular e ver que não havia mensagem sua? Sabe o qual é a sensação quando vê que a pessoa quem amava está seguindo normalmente com a vida como se nunca tivesse partilhado momentos maravilhosos ao seu lado? Ou o tamanho da dor ao se dar conta que a pessoa quem sempre dizia te amar na verdade nunca te amou? Você nunca me amou e me abandonou, Edward. Me abandonou quando tudo o que fiz naquela época foi amá-lo enquanto você só mentia pra mim!
À medida que as palavras saíam, o rosto parecia contorcido cada vez mais pela dor. O cenho se crispou, o lábio foi mordido, os olhar tornou-se extremamente carregado de pesar.
— Tem certeza que a abandonei? – a voz soou grossa.
— É claro.
— Então como foram os cursos dos professores do Bolshoi? Conta como passou aquela semana na Espanha, fazendo aulas do Domingo Ortega ou então as aulas do Roberto Dias.
— Que? Como sabe disso? – a confusão se apossou de mim – O curso do Domingo foi há...
— Dois meses. – me interrompeu – Sim, eu sei. Não foi Alice quem lhe contava sobre eles. Era eu. Eu contava pra ela e Ali repassava a informação pra você. Pouco tempo depois de terminarmos conheci um cara numa lanchonete. Era bailarino da Rússia e não conhecia nosso país. Durante a conversa disse que poderia me informar sobre os cursos de dança, já que tinha muitos contatos depois de eu ter mencionado que conhecia alguém quem teria interesse em se aprimorar nessa área. A partir de então me repassou os workshops e cursos que teriam. Passei as informações pra baixinha e, bem, o resto você já sabe.
Passei os dedos entre os cabelos. Com as mãos atrás da cabeça de modo que meus cotovelos apontavam na direção dele, respondi, num sorriso sem humor:
— Não tem como eu saber se é verdade.
— É só conversar com Alice. Garanto que ela lhe mostrará as mensagens.
Ele soava seguro demais pra estar mentindo.
Diminui a distancia entre nós em passos largos, encarando-o séria:
— Mesmo se for verdade, não muda nada.
Espalmei a mão no peito dele para me afastar, mas não dei um passo sequer para longe. Senti algo por debaixo da minha pele. Com a respiração pesada retirei o cordão escondido pela camiseta. O pingente em forma de livro surgiu entre os dedos. Mordendo o lábio,o abri, encontrando uma pequena foto da época em que namorávamos. Nela eu recebia sorrindo um beijo de Edward na bochecha.
Seis meses depois do término estava na casa de Alice. Foi no dia que levou Emmett consigo com quem vinha conversando desde a noite da apresentação. Os quatro, já que Rose também estava por lá, conversavam no quarto da pequena. Precisaram se espremer, mas todos couberam na cama dela.
Quando Bella levantou para pegar mais pipoca, Emm indagou:
— O que é isso no seu pescoço?
Respirou fundo antes de virar para eles.
— Bem lembrado, Emm. – fingiu não se importar enquanto retirava o colar – Amiga, você pode ficar com ele? – estendeu em direção à Alice.
— Ainda está com esse troço? – Rosalie se chateou, jogando pipoca nela.
— Infelizmente. – suspirou – Fiquei com pena de jogar fora.
— Ok, não estou entendendo nada. Alguém pode me explicar qual é a desse colar aí? – solicitou o homem.
— Edward deu pra ela quando a viu dançando flamenco pela primeira vez. – esclareceu a baixinha mastigando a pipoca.
— Tenha pena de jogar fora não, gata. Seja feliz. Se quiser me dá que o jogo pela janela do carro quando eu voltar pra casa sem problema nenhum. Garanto que nunca mais vai encontrar. – pediu bem-humorado.
— Não. É que acho muito bonitinho. É claro, tem o valor sentimental, mas também é fofo. Quantos pingentes vocês já viram em forma de livro, todo trabalhado e ainda com espaço pra colocar uma foto pequenininha?
Rosalie se levantou, indo na direção dela.
— Vamos, deixa comigo. – Bella o entregou sem cerimônia – Eu não sou de usar colar, não vai ser legal se o deixar por aqui... – se virou pra Alice – Amiga, quando a sua prima mais nova faz aniversário?
— Ano que vem.
— Já está resolvido. Esse é o presente que vai dar pra ela.
— Boa ideia.
Meses depois procurava o colar pela casa. Não o encontrava de jeito nenhum.
— Gente, onde foi se meter? Não saiu do meu quarto. – pensava – Estranho, porque a última vez que o vi foi ontem, quando... É isso. Edward o levou.
— Por que ainda está com isso? – os olhos piscavam de nervoso.
— Pelo mesmo motivo que me fez ficar puto quando a vi dançando com Emmett daquele jeito. – segurou o meu rosto de leve, fazendo pouca pressão. – Eu o peguei na casa de Alice porque te amo. Droga, eu não consegui passar um só dia durante esse tempo sem você.
Eu realmente fui pega de surpresa por ele carregar o colar. O carreguei comigo durante o nosso namoro. Achei que Alice havia desaparecido com o objeto. Duvido que minha amiga o tivesse entregue. Teria inventado milhares de desculpas para impedir que Edward se apossasse daquilo.
Logo em seguida me puxou para um beijo intenso. Tentei afastá-lo de mim, mas não tinha forças. Como poderia? No fundo era o meu desejo, entretanto não imaginava que poderia acontecer. Para mim era impossível. Agora, para meu espanto, ali estava eu, novamente entregue aos braços de Edward. Conseguia sentir o coração dele batendo forte contra o peito, a respiração arquejada, as mãos percorrendo minhas costas, braços... Notei a pele arrepiada e não saberia dizer se era devido ao frio.
O puxei para mim ainda mais, sentindo sua pele contra a minha. Sem quebrar o sôfrego beijo, me tomou em seu colo. Enrolei as pernas na cintura do homem quando fomos para o meu quarto.
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