Sweet Desire
4 Capitulo 4 - Sinto que alguém está forçando a ser desagradável
Notas iniciais
Certo dia, exatamente no meu último aniversário, o V me deu um pequeno livro de autoajuda que falava de como conviver com vários tipos pessoas, disse que aquilo me ajudaria a ser mais sociável. Claro que estava tirando com a minha cara, como de costume.
De primeira fingi detestar o livro, mas depois mostrei que entendi a importância do presente, mesmo em meio à brincadeira ele quer-me ver sendo feliz entre as pessoas e eu também quero.
E foi com esse livro que tentei fazer amizade com a Sra. Grace, seria uma ótima forma de pelo menos sair na rua e não precisar ficar preocupada com que ela ia arranjar para brigar comigo. Ainda tenho que descobri qual foi o erro imperdoável que cometi. Claro que as dicas do livro não deram certo com a Sra. Grace, já que não nos damos bem até hoje.
Pois bem, fui à parte que ensina a lidar com pessoas difíceis e essa parte se encaixa bastante com o Suga. A primeira dica é relevar o jeito da pessoa e é o inicio de tudo com ele, pois dos lábios dele dificilmente sairão para palavras agradáveis sobre qualquer coisa.
Mesmo entendendo esse seu defeito, é bem complicado para eu lidar com coisas do tipo, já que tenho o habito de me afastar de pessoas que dizem coisas rudes abertamente.
Todavia, isso funcionará com o Suga falso? Tenho que levantar a tese para o lado de que eu vou ter de fazer esse plano todo funcionar sozinha, visto que não tenho grandes expectativas dele ser uma pessoa simpática comigo.
Ajeitei-me no sofá para aprofundar melhor meus pensamentos sobre esse plano de ir relevando e assim pelo menos obter o êxito de termos uma convivência mais sossegada possível. E principalmente que eu não enlouqueça de vez e o tente matar, seria perigoso pelo fato dele não existir e acabar me ferindo ao ponto de colocar minha vida em risco.
— Buh! – o Suga falou ao pé do meu ouvido.
Dei um salto e o encarei assustada.
— O susto é uma ótima forma de desarmar as pessoas para certas situações – ele saiu de trás do sofá e caminhou pela sala usando mais um short meu sem o elástico, dessa vez era um azul claro com uma florzinha simpática no bolso – Por exemplo, o tal de V deve ter usado essa tática para me sequestrar...
— Não precisamos usar tática nenhuma – rolei os olhos.
Ele tem que superar isso logo. Tá bom que está ainda muito confuso com a situação, mas ele não pode parar pra analisar as lógicas e perceber que não tem como o mundo todo que conhece desaparecer em três meses? Claro, se tivesse um apocalipse zumbi, nada seria como realmente é agora. Mas não tem como o grande circulo de amizade desaparecerem sem deixar rastros e ainda mais um famoso? No livro são quase todos da elite mundial.
— Uau! Então só chegaram raptando de qualquer jeito? Uau! Vocês são profissionais! – bateu palma eufórico e caminhou até a janela com a minha gata o seguindo.
— Nós não te sequestramos – continuei com o meu lema “não sou uma sequestradora”.
— Eu tenho poderes, e um deles é de teletransporte... E eu escolhi, entre tantos lugares maravilhosos e legais, cair em um sofá desconfortável, em uma sala mal decorada, com uma doida e em um bairro chato qualquer de Londres – bateu palma de um jeito irritante – Uau! Sou um homem peculiar não? – ele precisa dizer “uau” nesse tom de voz sarcástico de novo?
— O-ouça bem bem... – engoli a seco pegando coragem – Você está sendo um completo idiota... – e lá se foram às dicas relevar, ter paciência e não discutir juntas pelo ralo– Se duvidar o cara mais idiota que conheci! Você é um tremendo idiota – só tenho isso para falar? Apontei para ele mostrando certeza – Um idiota – “Uau” sou uma idiota que não sabe discutir.
— Aposto que sou o melhor e mais bonito idiota que conheceu... – e deu um sorriso sugerindo que não o afetei em nada.
Foco, fazer um clima de paz nessa casa.
– Quer alguma coisa? – vamos nos distrair.
— Quero respostas – mostrei que estava aguardando a pergunta – Você é solteirona?
Abri e fechei a boca várias vezes.
— Está intere... – claro que não! – Pra que essa pergunta? – fiquei vermelha, que humilhação.
— Sem interesse – deu uma risadinha zombando da minha cara — Só quero ter certeza de avisar que não estamos em um livro de romance e não vai rolar nada, entendeu – avisou apontando para nós insinuando alguma coisa – Não leve a mal, mas você confunde pessoas da vida real com de livros, seria muito fácil confundir a vida real com um livro. E normalmente nos livros a solteirona fica com o cara bonito e extraordinário...
— No caso você seria esse cara? – arqueei uma sobrancelha.
— Mas é claro – riu da minha santa ignorância – Mas estamos em uma vida real, e não vamos ficar juntos, ok? – fez sinal de joinha — Só quero deixar o mais claro possível que mesmo morando, por enquanto, sobre o mesmo teto, não vamos fazer... – fez o sinal sugerindo +18.
— Ah! Nunca! – o que é uma pena. Só que devido a circunstancias, mesmo se ele pedisse não faria nada. Ah! Tenho meu orgulho.
Respirei fundo, não querendo demonstrar minhas emoções.
— Não sou solteirona – nunca beijei na boca, isso eu sei que lamentável – Estou sozinha por opção própria – estufei o peito por orgulho, esta parte acho que é verdade. É opção minha ficar em casa de pijama escrevendo, desenhando e brigando com meus adoráveis vizinhos.
— Fico aliviado – sorriu – Essas suas roupas feias não atrapalham em se relacionar-se... O mundo é um lugar feito para vários gostos, ultimamente você tem me dado à certeza disso – caminhou pela sala satisfeito.
— Minhas roupas são normais... — fiquei boquiaberta.
Ele está brincando? Ou está se forçando a ser desagradável? Ou é o seu habitual mesmo? É o habitual. Minha própria alucinação não vai com a minha cara, isso é deprimente. A Rise no livro pelo menos era uma das palestrantes contra ele, seria normal implicar com quem tem ódio gratuito contra você. Mas perturbar quem prometeu ser seu porto seguro é pedir para ser abandonado na rua, o que me deixa mais chateada.
— Aqui nessas fotos é você e seu pai? – ele perguntou olhando as fotos do rack.
— Oh sim – respondi tentando relevar a situação passada.
— Vocês não se parecem – observou o óbvio, meu pai é ocidental e eu oriental – Não tem fotos de sua mãe... Ela era asiática?
— Como sabe que ela morreu? – perscrutei mentindo.
— Chutei mesmo correndo o risco de ela tê-los abandonado – deu ombros – Responde agora a minha pergunta.
— Sim – odeio falar sobre ela.
Motivos: Nunca a conheci.
Sou fria? Mas como vou sentir saudades de alguém que nunca vi? De alguém que só sei que é asiática e ponto final?
— Como o seu pai que te criou com tanto esforço ia reagir sabendo que sua filha sequestra pessoas pelo menos legalmente inocentes? – balançou a cabeça negativamente.
— Eu não te sequestrei... – vou cola um papel escrito “eu não te sequestrei na minha roupa”
— Isso qualquer sequestrador fala – debateu – O fato é, eu acordei deitado no seu sofá depois de três meses apagado. Quer que eu acredite que foi magia que fez isso?
— Não tem sentido ser magia, você é fruto da minha imaginação, é apenas uma criação da minha cabeça... – ele me segurou pelos braços me fazendo encara-lo.
— Uma imaginação não te tocaria – prove isso me beijando.
— Eu posso inventar sensações – justifiquei.
— Céus, você é uma louca! Você é um perigo para humanidade!
— Então por que ainda não me denunciou? – ele pareceu ser pego de surpresa, como se algo não saísse de acordo com seus planos – Por que voltou para o seu “cativeiro” por livre espontânea vontade? Se quiser ir embora, pode ir a qualquer momento, não estou te trancando aqui – apontei para a porta.
Ele ficou calado por um tempo, ia provavelmente ignorar minha pergunta.
— Você está quieto aqui ainda por quê? – instiguei.
— Porque eu sei que você é a única chave para resolver isso tudo – respondeu parecendo sincero e confuso – Pode ser uma chave estranha e mal decorada, mas é a única que tenho para recuperar a minha vida.
Ele está certo, estamos ligados nesse quebra cabeça, não era para fazer sentido, mas tem.
Ficamos nos encarando respirando fundo e percebi que algo estranho acontecia. Não algo romântico, mas eu estava começando a aceitar que ele é real.
— Vou ao banheiro – fui praticamente correndo.
“Ele não é real, é só uma alucinação que sua mente solitária e carente inventou” repeti diversas vezes antes de sair do banheiro novamente.
Qual era o próximo mesmo? Hm... Ah, não discutir. Essa dica ainda conta? Provavelmente não.
Saí do banheiro me sentindo meio acanhada, avistei o Suga na janela conversando com a Pooh que estava ao seu lado.
— Qual é o problema da sua gata? – perscrutou se virando a minha direção.
— Estava conversando com ela? – indaguei.
— A mandando procurar o que fazer seria uma conversa? – arqueou uma sobrancelha.
— Não sei... A Pooh tem tendência de perseguir homens bonitos, como o V não fica aqui por muito tempo, ela vai... – eu o chamei de bonito indiretamente? Eu sei que é bonito, ele também sabe que o acho bonito, mas precisa ser dito?
— Pooh, seu pote de mel é beleza masculina? – ele lançou um olhar carinhoso para Pooh, que coisa linda. Estou com invejinha – Que gatinha com bom gosto – riu, quando me viu o encarando retirou o sorriso.
— Bom... – brinquei com minhas próprias mãos sem saber o que falar.
— Eu admiro o bom gosto da Pooh, mas não justifica o fato de que nem sua gata quer está perto de você – riu – Nem sua gata a ama o suficiente para isso...
— Eu vou fazer compras, quer ir comigo? Aproveita e compra algo do seu gosto – sugeri ignorando suas palavras.
— Não, outro dia vou – dispensou o convite e eu fui procurando minha chave do carro.
— Não saia por aí, cuidado com as velhinhas de bairro...
— Eu sou grandinho o suficiente, protetora – falou cerrando os dentes.
— Ok – ele vai ficar ótimo.
— Tchauzinho – sorriu.
Fui para o meu carro o mais rápido possível e contei até dez respirando fundo.
— Ele atacou na minha ferida — não consigo me adaptar socialmente e minha mãe pelo que parece largou eu e meu pai. Mas ela não me importo, deve ser só uma vaca qualquer mesmo. Mas ele me feriu...
Tenho a sensação que fui feita de idiota... O sorriso do Suga se despedindo foi esquisito... Parecia satisfeito com minha saída.
— Outro que não gosta de está perto de mim – reclamei de forma infantil e fui dar a partida, outra vez desisti — O Suga tende a fazer coisas sem sentido... -melhor eu me distrair logo e dei partida.
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