Sweet Desire

5 Capitulo 5 - Ganhei um irmão


Notas iniciais
Obrigada pelos os comentários anteriores, eu fiquei muito feliz. Maknae, obrigada pela linda e divertida recomendação ♥ amei.

Depois de tocar a campainha diversas vezes, finalmente consegui ouvir que alguém estava disposto a me atender, mesmo que de má vontade.

— JÁ VAI! – e a porta foi aberta mostrando o técnico do V e arqueou a sobrancelha assim que percebeu que era eu – Estamos em treinamento intensivo, japonesa – tratou de enviar a indireta que não me deixaria nem entrar.

— Sou coreana – dei um sorriso amarelo.

Meu pai teve delicadeza de explicar que sou coreana.

— Como já disse ele está ocupado – avisou ignorando o meu conserto.

— Eu preciso, preciso muito falar com ele – tentei fazer uma cara de que era algo muito importante.

— Ele está em meio de um treinamento – apontou com o polegar para trás.

— Pede para ele pausar esse joguinho rapidinho – pedi com jeitinho, assim quem sabe facilita as coisas para mim.

Mas ele semicerrou os olhos e me fuzilou com os próprios.

— Isso não é um joguinho, é o trabalho de seu melhor amigo... – me repreendeu – E esse jogo é online, não tem como pausar – explicou.

— Desculpas, mas eu realmente preciso conversar com ele – abaixei a cabeça e respirei fundo voltando o encarar.

— Você vai embora e outro dia vocês tem essa conversa – fez sinal para eu dar meia volta.

É a terceira vez que ele faz isso comigo, esse homem de uma vez por todas tem que dizer o problema que tem comigo. Ele só não gosta de mim? É apaixonado pelo V? Gosta de escravizar os jogadores?

Dessa vez não vou para casa, vou ter a minha conversa com o V, minha sanidade depende disso. O que o Suga faria em uma situação dessas? Vou fazer o que ele faria.

Primeiro tenho que ser arrogante, falar coisas que deixa a pessoa perdida e dar um olhar mostrando que sou a única coca-cola que restou do planeta. É fácil se eu fingir que sou ele por dois segundos pelo menos.

— Yah, quem é você? Você é algum tipo de louco? Eu posso muito bem entrar aí, e para te contrariar digo que apenas aceitarei ir embora se o próprio V me dispensar – levantei o queixo para mostrar convicção – Os pais desses rapazes sabem que você anda os impedindo de dar pelo menos um tempo para vida privada? O fez trabalhar mais de 14 horas? – ele é do estilo te processo até por respirar.

— O que deu em você garota? – indagou cruzando os braços.

— Quem está aí? – o V apareceu pelas costas do treinador e abriu um sorriso quando me viu – Demorou pra aparecer. Queria te ligar, porém meu celular foi confiscado – coçou a nuca percebendo o clima tenso entre seu treinador e eu – Entre! – ignorou.

— Você está no meio de um dia de treino – o treinador o lembrou de modo severo.

— Treinei mais de dez horas ontem, não acha que posso dar atenção para minha melhor amiga? – questionou se fazendo de coitado.

— Tudo bem – atentou sua atenção para minha direção parecendo que sairia faíscas de seus olhos azuis que fariam questão de me matar de forma lenta e dolorosa, antes de sair de perto.

V ficou encarando o trajeto dele para um cômodo no corredor e se virou para mim muito curioso.

— Ele nunca te encarou daquela forma, o que você fez? – perscrutou empolgado.

— Perguntei se era louco e declarei que só ia embora se você viesse me dispensar – respondi dando de ombros.

— Wow cheguei a me arrepiar, cadê minha garota medrosa? – riu e me abraçou – Entre. Não pense que é um convite quente, mas vamos para meu quarto – e piscou um olho.

— Sinto-me decepcionada – brinquei e o seguindo.

O V é um jogador profissional de um jogo online muito conhecido, e pelo pouco que assisti consegui ver que é muito bom, mesmo não entendendo nada. Ele tem expectativas de ser chamado para um dos melhores times da Coréia do Sul e anda se esforçando muito.

— Senta aí – apontou para sua cama e sentou-se em uma cadeira – Como foi a sua comemoração? O Suga te deu aquele banho? – debochou da minha cara.

— Do que você está falando? – coloquei as mãos nos bolsos do meu casaco e fiz um bico irritado.

— Não se lembra da sua ligação de madrugada? Você ficou gritando coisas sem sentido e disse que o seu amado Suga ia te dar um banho – contou me fazendo ficar muito corada.

— Só deve está de brincadeira, eu não faria uma coisa dessas – sou uma bêbada pacifica, fico quieta apreciando o sabor da bebida e se tiver de noite, as estrelas também.

Ele gargalhou batendo palmas.

— Eu tenho uma facilidade de rir contigo, obrigado.

— Elogiando-me sem nenhum motivo coerente? – estreitei o olhar – Não está afim de mim, né? – adoro implicar o acusando de algo do tipo.

— Vamos voltar para isso? – ele arfou e umedeceu os lábios – O que você veio fazer aqui? Seu rosto me diz que não está bem, me conta.

Se contar tudo ele vai rir da minha cara? Vai se afastar de mim? Tenho medo de perder a amizade dele, é a coisa mais preciosa da minha vida. Mas ele é o único com quem posso desabafar e preciso confiar nele.

— Olha, eu não sei por onde começar a falar sobre o que está acontecendo comigo... – respirei fundo e mexi no meu cabelo mostrando exaustão.

— Só fale.

— Eu estou envergonhada, com medo, desorientada e... – fui interrompida.

— Nada fora do normal. O que a Sra. Grace fez? – indagou encostando-se às costas da cadeira – Na ultima vez que eu fui lá, ela disse para me afastar de você, pois tinha furtado uma planta dela... Fiquei preocupado com o que essa nova mentira a faria agir contra vo... – ele parou de falar – Você roubou uma velhinha? Eu não estava acreditando até ver essa sua expressão envergonhada, ainda bem que não debati te defendendo.

— Era a única forma de me vingar! – me defendi.

— Mas ela é uma idosa, você acha legal sair roubando pessoas que nem podem se defender? – chamou minha atenção.

Era só que faltava, além do Suga enchendo o meu saco em casa, o V está defendendo a minha arqui-inimiga. As coisas não estão indo bem na minha vida.

— Se você vai dar razão para a Sra. Grace, eu vou embora! – fui dar de mal humorada e levei um peteleco na testa.

— Fica sentadinha aí e me conta o que aconteceu com a Sra. Grace – pediu.

— Não tem nada haver com a Sra. Grace – rolei os olhos – É sobre mim. Está acontecendo algo que nunca imaginei que ia acontecer! Eu vou te contar só me prometa que não vai se afastar depois disso.

— Droga, eu imaginei que um dia isso aconteceria! – ele sacou o que é? – Sinto muito, é que... Eu admito que tenhamos uma afinidade tão grande e chego a acreditar que em outras vidas devíamos ter um caso. Só que nessa vida, eu sou um jogador solo no amor – e me encarou esperando que eu sorrisse para seu discurso.

— Está me dando um fora sem pensar duas vezes? – fiquei boquiaberta.

— Prefiro te poupar rapidamente a criar falsas esperanças. Quero assegurar que nossa amizade continue, tenho que lidar da melhor forma possível, afinal, é minha culpa ser muito bonito – outro que se acha um deus grego.

— Eu não es-estava falando disso não – como ele viajou...

— Não precisa disfarçar, é inevitável uma situação dessas – me consolou – Encontrará um homem que chegue um pouco a minha altura na hora certa.

— Cala a boca e me ouve! – ele arregalou os olhos – Eu estou vendo o Suga andando pela minha casa fazem dois dias – dessa vez juro que arregalou mais ainda – Ele me viu nua no banheiro, depois disse que nós dois o sequestramos, fugiu, depois o busquei na chuva e agora está me insultando que nem um idiota usando meus shorts... O que você diz? – respirei fundo.

E o silêncio e a falta de expressão facial reinou no quarto, que eu quis sair chutando tudo, até mesmo os computadores do time dele que estavam na sala.

Ele forçou um sorriso me encarando e desviou o olhar.

— Que não é uma coisa normal, como havia imaginado – sua voz saiu meio falhada e parecia bastante preocupado.

Eu também me preocuparia o mesmo se ele dissesse que um personagem do jogo que ele trabalha tivesse saído do jogo.

— O que faço? – indaguei.

— Eu... Eu não sei – pegou o celular e começou a digitar algo.

— Não tente me internar, por favor – implorei.

— Eu estou pesquisando os sintomas – esclareceu e ficou em silêncio – Você é uma esquizofrênica – eu arregalei os olhos.

— E você diagnostica assim? Está muito calmo e chega a está me assustando – senti um embrulho na barriga.

— Sulkin, eu vou te ajudar, ok. Não vou te deixar sozinha, não se preocupe – tentou parecer confiante e bagunçou o próprio cabelo.

Ficamos em silêncio olhando para o nada.

— Você o ver estilo aquele dorama It’s Okay, That’s Love? – perscrutou – Já se machucou?

— Muito parecido, eu só não consegui ver um fator incoerente nele... E não me machuquei – fora a personalidade, ele era como qualquer pessoa normal.

— O fato dele está fora do livro já é um fator incoerente – faz sentido – Foque nisso, okay – respirou fundo – Ele é algo que sua mente inventou, como pode não gostar de você? Você anda se odiando?

— Não! Sabe, o Suga no começo do livro é uma pessoa horrível e ele está assim... – dei de ombros.

— Você está ferrada, sorte sua que é só uma doença. Seria mais perigoso se ele tivesse saído de verdade – um ponto importante – Ele sabe quem eu sou?

— Eu acho que acabei falando o seu nome e ele inventou que o sequestrando, está enlouquecendo achando que foi dopado por três meses – se bem que ainda não o contei que na história ele está no ano de 2015 e estamos em 2016, como reagiria sabendo que ficou um ano sendo “dopado”.

— Eu odiaria quem quer que fosse se eu estivesse uma situação dessas – ainda está dando razão para o Suga também.

— Estou tentando me dar bem com ele, entretanto parece impossível – confessei.

— Oh meu... Ele é uma alucinação, não vai tentar algo com ele, né? – fez cara de nojo.

— Claro que não. Ele já deixou claro que não quer nada – contei

— Levou um fora de uma alucinação. No estilo Suga aposto! – riu empolgado por algum motivo que não compreendi — Suga consegue ser estiloso até quando faz parte de um sintoma de esquizofrenia – falou impressionado – Ele está por aqui nos olhando, se tiver passe uma mensagem pra...

— Eu não sou espírita e ele é uma doença.

— Entendi. O que você acha que ele está fazendo no momento? – perscrutou.

— Em casa se arrependendo de não ter vindo fazer as supostas compras – rir.

Devia está bufando pela casa entediado, aposto que queria tanto me ver longe dele, que nem percebeu que o chamei para fazer uma das coisas que ele mais gosta depois de irritar as pessoas e ganhar muito dinheiro, compras.

— Ele está achando que está vivendo como uma pessoa que foi traficada para o nosso país e teve chance de fugir, mas foi de volta para sua casa por livre espontânea vontade... – ele parou para pensar – O Suga está parecendo muito fácil de lidar!

— Que? Sabe o quanto ele ficou me irritando agora pouco? Ficou toda hora falando que o sequestrei, me insultando e ainda deu um sorriso vitorioso quando disse que ia fazer compras — recuperei o fôlego — Definitivamente ele não estava fácil de lidar.

— Você acha que o Suga ia dispensar uma saída para fazer compras, quando ele está usando seus shorts? – arqueou uma sobrancelha – Tenho certeza que não teria dó e tentaria estourar seu cartão de crédito na primeira loja de marca que visse.

— Ele pareceu bem feliz ao me ver indo para longe de casa – fiquei sem expressão e com medo enquanto falava.

— O Suga adora irritar, mas ele não é uma pessoa que age assim sem propósito – ele está completamente certo.

— Que propósito ele teria? – minha casa não tem nada e ele não tem para onde fugir.

— Alguma coisa ele está planejando com você longe de casa – ele suspirou – Sua sorte é que ele não saiu de verdade, então fique tranquila – tentou me tranquilizar.

— Eu preciso ir para casa, me desculpe – levantei desesperada – Eu te ligo depois – fui andando com ele me seguindo.

— Você não está suspeitando que ele possa realmente fazer algo né? – indagou preocupado.

— Não queria está, mas estou – fui sincera, ele segurou-me pelo braço, encostou-me na parede e me fez encara-lo.

— Você acha que é real não é? – indagou sendo direto.

— Eu não queria admitir para mim mesma, mas eu percebi que acho – mordi o lábio inferior nervosa.

— Sei que parece mais louco que você ao falar uma coisa do tipo, mas de alguma forma eu confio no que você está falando – tocou em sua cicatriz na cabeça que ficava por baixo do cabelo, ele sempre faz isso quando fica confuso com algo – Não faça nada louco, e tente apresenta-lo para mim – pediu.

— Pode deixar – somos dois malucos, eu esquizofrênica e ele seria o que?

— Tente não brigar – e beijou minha bochecha – Vá com cuidado – assenti.

Agora estou no carro dirigindo de forma descuidada indo para casa, alguma coisa o Suga deve está fazendo. Tenho medo do que seria.

Estacionei o carro já percebendo algo que não me agradou em nada, eu cerrei os punhos olhando aquela cena.

— Eu não acredito – bufei descendo.

— Olá Sra. Becker – Sra. Grace e suas amigas estavam saindo da minha casa carregando a planta que roubei.

— O que estava fazendo em minha casa? – indaguei não muito amistosa.

— Olha só, e a Amelia fica a defendendo falando que parece uma boa menina, tímida e que não sabe se defender – Sra. Lisa disse parecendo feliz de supostamente ter me desmascarado.

— A partir de hoje só serei agradável com quem é agradável comigo – sorri.

— Lógico, depois de ter sido desmascarada pelo seu irmão, devia mesmo ter parado de atuar – Sra. Grace me olhou como se eu fosse o demônio em pessoa.

— Eu fiz isso, pois precisava ter uma vingança de tudo que me fizeram – me defendi – E que irmão?

— O Suga é um doce de pessoa – Sra. Amelia suspirou dando um ar de sua graça na conversa – Tenho certeza que namorei aquele jovem quando era menina... – eu fiquei sem reação ao ouvir aquilo.

— Semana passada você disse que namorou só uma pessoa – Sra. Lisa rolou os olhos.

— Tenho certeza que tive dois amores e um namorado de verdade – sorriu.

— SRA. AMELIA, O MEU “IRMÃO” NÃO É ESSA PESSOA – dei um sorriso forçado e levei uma bengalada no pé – Por que agredir as pessoas?

— Quantas vezes você tem que proferir seu ódio gritando com nossa amiga? Já não basta o quanto a causou esses anos? – Sra. Grace não deixou de sorrir para o feito da Sra. Lisa.

— O que fiz com ela? – apontei para Sra. Amelia que parecia nem ligar para situação, o Suga abalou o coraçãozinho dela.

— Você sabe muito bem, Sra. Becker – bufou – Vamos meninas, temos aula de dança – e a Sra. Lisa guiou a Sra. Amelia, pois estava ainda viajando por algum pensamento olhando para o apartamento do Peter.

— Essas “meninas” são irritantes demais! – mordi o lábio inferior impedindo a vontade de recuperar a planta – A próxima coisa que vou roubar é aquela maldita bengala – assim nasceu uma ladra de velhinhas.

Respirei fundo já me focando em descontar na pessoa certa.

— Oh meu Deus! – arregalei os olhos – Elas conversaram com o Suga, eu não sou louca! – comecei a pular de alegria e parei vendo o Peter me olhando da janela dele.

Onde me escondo?

Ele sorriu e acenou. Acenei de volta e ele saiu da janela.

— Ele deve me achar uma louca! – rir empolgada e parei – O Vale Desejo funciona? Como pode? Aquela menina era uma fada de verdade? – comecei a caminhar pela rua não sabendo ainda absorver essas informações – Estou com medo de subir e vê-lo – olhei para minha casa.

Ele não é o Suga falso, ele é o próprio Suga!

“Sua sorte é que ele não saiu de verdade” a voz do V ecoou na minha cabeça diversas vezes.

— Ai meu Deus – corri indo para dentro de casa e assim que entrei em casa gritei – AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAh! – o que ele estava pensando?

Notas finais
espero que tenho curtido.