SwanQueen em Músicas (One-Shots).
5 A Arrependida - Regina
Notas iniciais
♪ ♪ ♪ Valei-me, Deus!
É o fim do nosso amor
Perdoa, por favor
Eu sei que o erro aconteceu
Mas não sei o que fez
Tudo mudar de vez
Onde foi que eu errei?
Eu só sei que amei,
Que amei, que amei, que amei ♪ ♪ ♪
Mais um dia, mais uma tarde, mais uma noite e outra madrugada sem minha Emma.
Meu amor me deixou há cerca de 2 meses e, desde então, não tenho feito nada, a não ser acordar todos os dias, de cara inchada, porque passo as noites chorando, assistindo nossos filmes, ouvindo nossas músicas e vendo nossas fotos e gravações de momentos tão nossos que sinto uma forte pontada no coração ao imaginar que todos agora fazem parte do passado e que não poderei recriá-los no presente ou muito menos no futuro.
Minha rotina diária se resume a me levantar e arrastar meu corpo até o banheiro, tomar um banho, às vezes nem me maquio, apenas escolho uma roupa qualquer no armário que compartilhava com ela e saio do apartamento.
Antes de ir para a revista, passo por uma Starbucks, tomo café e vou trabalhar.
Chego no trabalho e escrevo artigos sobre moda no modo automático, ditando, por meio de palavras, o que é certo ou errado as pessoas vestirem e, quando chega o horário de sair, dirijo até a sede da ESPN e fico no estacionamento externo da emissora, esperando ver minha loira.
Vez ou outra ela sai com alguma colega de trabalho.
Sigo-as até bares e restaurantes e o ciúme me corrói quando vejo Emma sorrindo e conversando com essas belas mulheres, dedicando a outras a atenção e os gestos que antes eram só meus.
Nestes momentos, agarro-me com força ao volante do meu Mercedes para controlar a vontade que tenho de ir até onde elas estão e fazer um escândalo, gritando que Emma é só minha.
No entanto, não tenho o direito de fazer isso, porque eu a decepcionei, a trai, e a levei a me abandonar, quando, num impulso imbecil, transei com Killian.
O moreno é nosso amigo desde a infância, aliás, antes de começar a namorar com Emma, eu tive um rolo com ele, porém, na época, tínhamos apenas 15 anos e, apesar de já estarmos naquela fase da descoberta sexual, nunca tínhamos transado antes.
Nosso envolvimento se resumiu a amassos nos corredores do Fairy Tale High School, onde estudamos.
Killian era o atleta bonitão que chamava a atenção de todas e eu era a garota popular, a líder de torcida, e juntos formávamos o par perfeito, até que eu me apaixonei por Emma que, além de colega, também era minha vizinha, assim como ele.
Lembro que no início, Killian ficou chateado quando decidi terminar nosso relacionamento, mas sua chateação acabou quando se apaixonou por uma garota chamada Tinker e nós quatro passamos a sair juntos e nos tornamos quase inseparáveis.
Recentemente Tinker e Killian se divorciaram e, com as constantes viagens de Emma para outros estados e países, a fim de cobrir os torneios de Tênis, nós dois ficamos muito próximos e passamos a nos reconfortar.
Ele ficou desiludido pelo fim do matrimônio e eu morria de saudades da minha esposa, a quem, muitas vezes, passava dias sem ver.
No fatídico dia que Emma nos flagrou, tínhamos bebido bastante, relembrando fatos importantes e engraçados de nossas vidas.
E, em meio a sorrisos e recordações do nosso namoro adolescente, começamos a nos beijar e acabamos transando.
As únicas justificativas que encontro para esse meu ato leviano é a atração sexual e a embriaguez, pois Killian sempre foi muito charmoso e sedutor, todavia, o que senti com ele, quando estávamos na cama, nem se compara a tudo que já vivi e experimentei com Emma embaixo dos lençóis.
♪ ♪ ♪ Será talvez
Que minha ilusão
Foi dar meu coração
Com toda força
Pra essa moça
Me fazer feliz
E o destino não quis
Me ver como raiz
De uma flor de lis ♪ ♪ ♪
Já derramei tantas lágrimas e sofri tanto nos últimos dias que cheguei a questionar o amor que sinto por ela e, até mesmo, arrependi-me de ter entregue meu coração, meu corpo e minha alma de uma forma tão completa a essa mulher que hoje sai com outras como se eu não tivesse representado nada em sua vida.
Como se fosse simples esquecer tudo que vivemos juntas nestes tantos anos de matrimônio.
Contudo, conheço-a tão bem, que sei que Emma está agindo assim porque a magoei demais. Ela sempre foi a melhor pessoa da nossa relação.
Tão atenciosa, carinhosa e generosa que, mesmo machucada, deixou que eu ficasse no apartamento que compartilhamos durante anos no Park Slope e que é o bem material mais valioso que temos.
Descobri, seguindo-a, que ela está morando em um duplex em Brooklin Heights, o bairro onde residíamos quando começamos a namorar.
Já a vi algumas vezes entrando no local, geralmente acompanhada de outra mulher e, todas as vezes que isso aconteceu, fiquei chorando dentro do meu carro, imaginando elas fazendo amor e nunca consigo ficar até amanhecer, pois não quero vê-las saindo juntas, estampando sorrisos de satisfação nos rostos.
♪ ♪ ♪ E foi assim que eu vi
Nosso amor na poeira,
Poeira
Morto na beleza fria de Maria ♪ ♪ ♪
Estou, novamente, espionando-a.
Desta vez, Emma está acompanhada de Ruby Lucas, uma das tenistas mais famosas e talentosas da atualidade que, recentemente, assumiu sua homossexualidade.
Percebo que minha loira se comporta de uma forma diferente com ela, parece ter mais afinidade, já que elas não pararam de conversar um minuto e Emma a encara com admiração, como ela costumava olhar para mim antigamente.
Pela primeira vez, sinto que pode não ser apenas sexo, que minha amada encontrou alguém especial que, talvez, faça com que ela me esqueça de uma vez.
Possuída pelos ciúmes, desço do carro e ando em direção ao restaurante.
Caminho com dificuldade, pois estou ingerindo álcool há algumas horas.
Na realidade, comecei a me embebedar ainda no trabalho e antes de ir para o estacionamento da ESPN, passei numa loja de conveniência e comprei um litro de Whisky que já está na metade.
Quando me aproximo delas, Emma me ver e se levanta. Eu a abraço e digo que estou com saudades.
No entanto, ela não devolve o gesto, apenas permite que eu fique ali, chorando no seu ombro.
–Perdoe-me, por favor!- imploro, segurando seu rosto entre as minhas mãos.
–Regina, você está bêbada! Eu vou chamar um táxi para ir te deixar em casa.- ela responde, friamente, enquanto Ruby olha para nós duas com curiosidade.
–Não!- digo, afastando-me dela.- Você vai dizer para ela- falo, apontando para a morena.- que é minha e vamos voltar juntas para nossa casa.- concluo, com dificuldades de permanecer em pé.
Ela me encara com aquele olhar frio e, por alguns segundos, fico admirando sua beleza clássica, principalmente agora, que Emma está usando um elegante vestido negro, com um trench coats da mesma cor por cima.
Seus cabelos estão presos num coque e ela calça um Jimmy Choo.
Oh, Deus! Como sinto falta de contemplar essa tez branca, acariciar seus fios loiros e me perder na imensidão verde do seu olhar.
Emma sempre se pareceu com uma princesa, uma deusa nórdica e, perto dela, sempre me senti como uma súdita, mesmo quando meu amor me chamava de Rainha.
–Regina, nosso casamento acabou! Eu estou seguindo com a minha vida e desejo que você aceite isso e faça o mesmo com a sua.- diz, num tom seco e cortante, estende a mão para Ruby, e a morena segue Emma para dentro do restaurante, enquanto fico na parte externa, vendo minha loira indo embora da minha vida mais uma vez e, desta vez, sinto que é para sempre.
♪ ♪ ♪ E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu. ♪ ♪ ♪
Ando de volta para o carro, no entanto, ao invés de entrar no veículo, sento no meio-fio de uma calçada e me entrego a um choro convulsivo.
Sei que jamais amarei alguém como amo Emma. Tenho a convicção que ela é única e insubstituível na minha vida.
Então, como posso seguir em frente?- Penso, banhada em lágrimas.
–Moça, você está bem? – escuto uma voz masculina e, quando olho para cima, um rapaz de cabelos castanhos e barbudo está me observando com preocupação.
Ele estende um lenço para mim e vejo as iniciais G.H. bordadas no pano.
Depois que limpo o meu rosto, devolvo o lenço para ele e o homem me ajuda a levantar.
Estou tão abalada emocionalmente que continuo chorando sobre o peito dele, ao mesmo tempo em que o rapaz acaricia meus cabelos e me diz palavras gentis.
Neste momento, preciso muito ser confortada e não me importo que tenha isso nos braços de um completo estranho que, provavelmente, não verei mais.
–Largue minha esposa!- escuto a voz de Emma por trás dele e o homem rapidamente me solta.
Ela se aproxima de nós, pega-me pela mão e sai me conduzindo em direção ao Mercedes, enquanto o desconhecido fica nos olhando sem entender nada.
Coloca-me no banco do passageiro, ajeita meu cinto e, sem dizer uma palavra, leva-me para o nosso apartamento.
Estou tão feliz por tê-la ali, tão perto de mim, que não digo nada. Apenas, de vez em quando, olho para ela e sorrio timidamente.
Quando entramos no nosso antigo lar, tira minha roupa, livra-se das dela também e me leva nos braços até o nosso quarto.
–Minha!- diz, possessiva, deitando-me na cama e colocando-se entre as minhas pernas.
–Sua!- respondo, enlaçando-a pelos quadris e sentindo nossos sexos molhados se tocando.
E, naquele momento, nada mais precisa ser dito.
Ela me ama a noite inteira, marcando meu corpo com seus beijos e carícias e, pela primeira vez, desde a nossa separação, adormeço sorrindo, envolvida pelos braços da minha mulher e ouvindo seu coração bater descompassado.
Finalmente estou em paz de novo!- É a última coisa que penso, antes de me entregar a um sono profundo.
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