SwanQueen em Músicas (One-Shots).
6 A Fugitiva - Emma.
Notas iniciais
2014
♪ Começar de novo e contar comigo ♪
Quando eu conheci Regina C. Mills era abril. Estávamos na primavera e os dias tinham temperaturas amenas. O tempo não era frio, mas também não muito quente. Poderia se dizer agradável. Nos conhecemos em Oxford, a faculdade onde estudávamos na Inglaterra.
Naquela época, eu era ainda mais quieta e introspectiva. Os outros me achavam tão esquisita que, nos corredores do campus, fiquei conhecida como “a rata da biblioteca”, mas realmente não ligava para aquilo. Sempre adorei o cheiro dos livros velhos; o silêncio sepulcral que me enchia de paz; a poeira nas prateleiras... Na biblioteca, eu podia me transportar para mundos imaginários, onde passava horas e horas, envolvendo-me com os romances que só encontraria nas palavras de Brontë e de Austen. Nada para mim poderia ser mais atraente.
Até o dia em que ela se aproximou, tão charmosa e sedutora, mas, sobretudo enigmática. Queria ajuda na disciplina do Professor Smith. Logo estranhei o seu pedido porque Regina sempre foi uma das melhores alunas do curso. Apesar disso, tornei-me sua tutora e passamos a nos encontrar sempre às terças, na biblioteca, para discutir o conteúdo da disciplina e para eu poder ajudá-la com suas supostas dúvidas.
Diferente dos outros, ela não me hostilizava, era sempre gentil e educada comigo. Às vezes, me trazia flores, chocolates. Eu ficava super sem jeito, pois não sabia muito bem como reagir diante dos seus flertes, principalmente por que não entendia a razão dela demonstrar interesse por mim. Achava-me magra demais, desajeitada demais e sem graça demais para atrair a atenção de uma mulher tão bonita e que poderia ter quem bem quisesse.
Porém, mesmo desconfiando que havia alguma coisa muito errada com ela, acabei cedendo aos seus encantos e me apaixonei perdidamente. Como eu era inexperiente e inocente, não demorou muito para que Regina me seduzisse e me levasse para a cama.
Ainda na Inglaterra, após seis meses de namoro, ficamos noivas e, com pouco mais de um ano, nos casamos. Regina sempre dizia que queria que eu fosse logo dela e nunca entendia essa pressa para nos unirmos, até que, depois de dois anos de casadas, e já formadas, fomos morar em Nova York.
Lá, conheci seu avô, Enrico Cattaneo, um italiano, que tinha “negócios” espalhados por toda a cidade. Ele criou Regina desde que ela tinha sete anos de idade, quando ficou órfã, depois que os pais dela foram supostamente assassinados durante uma tentativa de assalto.
Demorei um pouco para entender que minha esposa fazia parte da máfia italiana, que sua família estava envolvida com lavagem de dinheiro, agiotagem, jogos e extorsão. E quando me dei conta de como os Cattaneos eram perigosos, estava esperando o nosso primeiro filho, pois Regina me convenceu a gerá-lo para dar uma alegria ao Capo Crimini¹ que queria muito ser bisavô antes de morrer.
Mas, o Sr. Enrico faleceu, de ataque cardíaco, sem ter a chance de conhecer seu bisneto, deixando Regina como responsável pelos negócios escusos da família. Ela fora educada, desde pequena, para assumir o poder, caso uma fatalidade viesse a acontecer com o "Todo Poderoso".
Foi então que eu conheci a face mais monstruosa da minha mulher.
O pior aconteceu quando, sem querer, escutei uma conversa entre ela e seu Consigliere², Graham Humbert. Naquela ocasião, ouvi-a dando ordens expressas para executarem outro membro da máfia que, na realidade, havia se infiltrado na quadrilha para passar informações sobre minha esposa e seus comparsas para o FBI.
O corpo do homem apareceu dias depois, boiando no Rio Hudson. Não demorei a reconhecê-lo, no momento em que vi seu retrato estampando o noticiário das principais redes de TV. Ele trabalhou por mais de seis meses na equipe de segurança da mansão. Sua morte, era a forma que Regina encontrara para mandar um recado a todos que a rodeavam: “eu não perdoo traidores."
♪ Vai valer a pena ter amanhecido (...)
Sem tuas escoras, sem o teu domínio ♪
Depois desse episódio, eu tomei coragem e resolvi fugir dela e de Nova York. Não queria que meu filho fosse criado naquele ambiente tão nefasto e violento.
Apesar de sua possessividade em relação a mim, Regina permitia que eu saísse “sozinha”, pelo menos uma vez por semana, para ir ao cinema ou assistir alguma peça de teatro, no entanto, era ciente que um de seus capangas sempre seguia cada um dos meus passos.
Então, numa dessas noites, coloquei numa bolsa o máximo de dinheiro e joias que consegui juntar e saí no meu carro em direção a Broadway. Logo percebi que era seguida por uma moto, certamente guiada por um dos capangas de Regina, e acelerei, cometendo várias infrações de trânsito até finalmente despistá-lo. Abandonei o BMW numa rua qualquer e fui a um local onde tinha certeza que conseguiria documentos falsos.
Depois, achei uma concessionária de veículos e comprei um carro, meio mal conservado, no entanto, como funcionava e eu não podia gastar muito até estar em outro lugar e arranjar um emprego, tive que me contentar com o velho fusca mesmo.
Durante meses percorri os Estados Unidos sem fixar residência em nenhum lugar e rapidamente cheguei à conclusão que Regina poderia supor que eu voltaria para a Inglaterra. Como poderia estar certa, preferi permanecer em solo americano.
Nosso filho nasceu, quatro meses depois de eu ter fugido dela e, quando o dinheiro acabou, consegui emprego numa lanchonete Fast Food e em lojas de conveniência.
Agora, trabalho como atendente na clínica veterinária do Sr. Cassidy em Phoenix, um lugar relativamente distante de Nova York. Optei por Phoenix porque é uma das cidades mais populosas dos Estados Unidos, o que torna mais difícil a minha localização.
Felizmente, meu chefe permite que eu traga Henry para o trabalho. Praticamente não tenho vida social, embora já tenha sido alvo, durante o último ano, das investidas de alguns homens, incluindo o sr. Cassidy que, vez ou outra, solta-me cantadas. Mas não me interesso nem por ele, nem por mais ninguém, porque não quero me comprometer com outra pessoa. Afinal existe sempre a possibilidade de Regina me encontrar, e tenho medo do que ela possa mandar fazer contra qualquer um que tenha se aproximado de mim enquanto estive fugindo.
Confesso que também ainda penso nela. Não é fácil esquecer alguém que te marcou tão profundamente e que foi seu primeiro e único amor, mas acredito que tomei a melhor decisão fugindo do domínio de Regina, pois não tenho estômago para viver dentro de uma casa com uma mulher que já mostrou ser capaz de cometer atos tão violentos e desumanos. Fico mortificada só de pensar no que ela será capaz de fazer comigo, caso me encontre.
♪ Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Ter me rebelado, ter me debatido ♪
É uma manhã comum na clínica e estou conversando com Neal, quando ouço o sino, colocado em cima da porta, tocar. Ao desviar a vista para olhar o visitante, deparo-me com um homem de cabelos e barba castanhos me encarando com um sorriso nos lábios.
É Graham! Ele me achou, o que significa que ela me encontrou.
Fico pálida ao ouvir a voz dele: — Bom dia, sra. Mills! — cumprimenta-me.
Neal olha de mim para Graham, sem entender o que se passa e, percebendo o terror refletido nos meus olhos, indaga: — Você conhece esse homem, Emma? — de um jeito preocupado.
Graham o encara.
— Conhece sim! Trabalho para a esposa dela e vim buscá-la. — diz calmamente. — É bom que o senhor não interfira, pois a situação pode ficar feia para o seu lado. — adverte de uma forma mais ameaçadora.
Neal fica calado, digerindo as novas informações, mas, depois, levanta-se e vai em direção a Graham.
— Escuta aqui, sujeito, Emma não parece nada bem e eu não vou deixar que você a leve contra a vontade dela. — Neal nem termina de falar direito, o capanga da minha mulher o pega e bate sua cabeça contra uma mesa, deixando-o desacordado.
Levanto-me rapidamente e praticamente imploro para que pare com as agressões. Irei com ele sem resistir.
Graham me lança um sorriso vitorioso e vai até o cercadinho onde deixo Henry, pega o meu filho e nos leva embora dali. Dou uma última olhada para Neal que permanece caído no chão, torcendo para que não tenha acontecido nada de mais grave com ele.
Em um hangar, Graham rapidamente arranja um jatinho que nos conduz até Nova York. Ao chegar em frente aos portões da mansão, sinto o pânico tomar o meu corpo, pois sei que serei castigada e, talvez, até morta pela minha vingativa esposa.
Sou levada para o nosso quarto e coloco Henry no berço que há ali. Ainda é o mesmo que Regina comprou quando soube que eu estava grávida.
Em poucos minutos, ela aparece, escancarando a porta dupla do quarto, e entrando no lugar, tomada pela aura de mistério e sensualidade que sempre a envolveu. Ignorando-me solenemente, Regina vai até o berço e retira nosso filho.
Ergue-o na altura de seus olhos, sorrindo com o semblante emocionado e cheio de orgulho para ele. Fico perplexa no momento em que Henry sorri de volta para ela, esticando sua mãozinha para tocar no rosto da outra mãe, como se a reconhecesse, mesmo sendo essa a primeira vez que a vê.
De certa forma, essa interação entre os dois me deixa um pouco aliviada, pois, quem sabe assim, ela pense duas vezes antes de me infligir algum castigo ou me condenar à morte, uma vez que sou a mãe do filho dela.
Depois de colocar Henry de volta no berço, no instante em que me encara, vejo em seus lábios um sorriso perverso e minha ilusão se desfaz no mesmo segundo. Sinto-me indefesa e não consigo nem dar dois passos para trás, a fim de colocar uma distância entre nós, quando ela se aproxima mais de mim.
Como sempre, está muito bonita, mesmo vestida de maneira casual. Os primeiros botões de sua camisa branca estão abertos e suas mãos enfiadas nos bolsos da calça preta que usa.
— Já era hora de voltar para casa, Emma! — exclama, olhando-me de um jeito impassível. — Ou acreditou que poderia fugir de mim para sempre? — sua voz parece ainda mais rouca do que antes.
— Regina… eu… — Não consigo concluir minha tentativa desastrosa de falar, porque ela ergue uma mão, colocando o dedo indicador sobre meus lábios, fazendo “Shhh!”.
— Graham me disse que você estava trabalhando numa clínica veterinária — seus dedos escorregam em uma carícia suave até o meu queixo — Ao lado de um homem que parecia muito preocupado com seu bem-estar — seu olhar fica mais escuro — Tão preocupado que chegou ao ponto de ameaçá-lo quando Graham disse que tinha ido te buscar. — Ergue meu queixo e aproxima seu rosto mais do meu, levantando a outra mão para afastar uma mecha de cabelo que caiu em meu rosto.
— Este homem era meu chefe, Regina — controlo o tremor da minha voz ao respondê-la — E ele ficou preocupado porque percebeu o quanto me assustei com a chegada repentina de Graham na clínica.
Os dedos que estavam no meu queixo, descem para o meu pescoço e ela os envolve ali, pressionando-os enquanto seu olhar se torna mais sinistro, mais perigoso.
— Estava tendo um caso com esse homem, Emma?
— Não! — sou rápida em negar.
Ela analisa a minha expressão, possivelmente procurando algum indício de mentira.
— Espero que ele, realmente, não tenha ousado te tocar, porque se o fez, terei que ir lá para matá-lo pessoalmente. Você sabe que não tolero dividir o que é meu, e você, Emma, é inteiramente e exclusivamente minha. Sempre foi. — Conclui, puxando-me para si.
Os lábios dela se apossam dos meus e sinto seus dedos cravados em minha nuca, enquanto o outro braço me envolve pela cintura. Regina me beija com ânsia e sinto nesse contato todo o desejo acumulado durante o tempo que ficamos separadas. Ela me aprisiona em seus braços da mesma maneira que fazia desde que começamos a namorar, como se tivesse medo que eu escapasse de seu abraço, a diferença era que antes eu não entendia a razão de tanto desespero.
Mas, apesar de tudo, não consigo impedir meu corpo de reagir do mesmo jeito de sempre. Embora me sinta culpada, ainda sou consciente do grande fascínio que ela exerce sobre mim. Sei que a amo, apesar de Regina ser uma espécie de monstro.
O contato se torna mais intenso, mais punitivo e sua língua serpenteia sobre a minha, exercendo seu domínio, à medida que suas unhas marcam-me a pele da nuca, feito garras afiadas e seguras.
De um modo impetuoso, sua mão se enfia em meus cabelos e ela entrelaça os dedos em meus fios. A contragosto, deixo escapar um gemido quando ela chupa o meu lábio inferior, arrastando seus dentes nele, desfazendo o beijo.
Com certa brutalidade, puxa minha cabeça para trás, e crava seu olhar no meu:
— Você vai me pagar por ter me abandonado e por ter tirado nosso filho de mim, Emma! — sentencia, cheia de raiva, ainda respirando pesadamente por causa do beijo interrompido.
Num excesso de coragem, desafio-a: — Não me importo com suas ameaças, Regina Cattaneo Mills! Pode me matar, se quiser… — Deixo as lágrimas rolarem pelo meu rosto. Choro por me sentir impotente, mas, principalmente, por ter me apaixonado por essa mulher fria e perversa.
Ela me solta de repente e cambaleio um pouco, mas depressa consigo me equilibrar e fito-a, mantendo a pose de desafio.
Regina veste novamente sua máscara e, agora, me olha com o semblante impenetrável, ocultando suas emoções. Vira-se e anda até a porta dupla, mas antes de sair volta a me encarar, com os braços estendidos, segurando as maçanetas das duas portas:
— Seu destino, Emma Swan Cattaneo Mills, é ser amada por um monstro e ele não permitirá que você volte a escapar. — Depois disso, sai do quarto, puxando ambas as portas para cerrá-las e ouço o barulho da chave na fechadura.
Com as mãos sobre o rosto, sento na cama e permito que as lágrimas rolem livremente:
— Eu já fugi dessa prisão uma vez, minha esposa, e pode ter certeza que nada, nem ninguém, vai me impedir de fazer isso de novo. — Juro de maneira solene, à medida que meus lábios se curvam em um sorriso amargurado.
♪ Começar de novo... ♪
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