Notas iniciais
-Agradecemos a quem favoritou a fic, deixou review e está acompanhando. -Música deste capítulo: "Hurt (Machucada)" de Al Jacobs e Jimmie Crane, interpretada por Carly Simon. -Letra da música em inglês, enviada por Magda, com tradução feita por Leticia: http://letras.mus.br/carly-simon/426697/traducao.html -Video da música: https://www.youtube.com/watch?v=miCRpRgIzVk -Boa leitura!

Estou sentada na cama do hotel, ainda usando o gabardine e o vestido pretos, além dos saltos altos que calcei hoje pela manhã, antes de pegar o voo que me trouxe de volta para casa.

Agora, nem sei se o apartamento que divido com Regina, em uma área nobre do Park Slope, pode ser considerado meu lar.

Antecipei minha viagem porque queria fazer uma surpresa para minha esposa, no entanto, ao entrar no apartamento silenciosamente, a surpreendida fui eu, quando me deparei com uma cena que me deixou em estado de choque.

♪ ♪ ♪ Eu estou machucada

Ao pensar que você mentiu pra mim

Eu estou machucada

Bem dentro de mim ♪ ♪ ♪

Minha esposa estava na cama, com um dos nossos melhores amigos de infância, Killian Jones, Oficial da Marinha americana.

Ainda escuto os gemidos dela e o vejo cavalgando sobre seu corpo, possuindo aquilo que devia ser só meu.

Por sorte, nem um dos dois me viu e sai dali da mesma forma que entrei: em silêncio!

Chamei um táxi, pois não tinha condições de guiar e pedi para o motorista ficar rodando pela cidade até eu colocar os pensamentos em ordem.

Infelizmente, quando já estava no táxi, lembrei que deixei as malas ao lado da porta e, provavelmente, Regina vai perceber que cheguei antes do esperado e supor que os peguei no flagra.

♪ ♪ ♪ Você disse

Que nosso amor era verdadeiro

E nós nunca nos separaríamos

E agora

Você quer um novo alguém

E isso parte meu coração ♪ ♪ ♪

Ainda no veículo, senti meu celular vibrar, todavia não o atendi, pois tenho certeza que é ela e, no momento, não quero nem ouvir sua rouca e sexy voz.

Pedi para o taxista me deixar em um pequeno hotel no Brooklin Heights, bairro onde crescemos juntas ao lado de Killian.

Foi neste hotel que nos amamos pela primeira vez, no quarto 108, este que ocupo agora, quando ainda éramos duas adolescentes cheias de planos para o futuro e Regina me jurava amor eterno e total fidelidade.

Minha esposa sempre quis trabalhar com moda e, hoje, é uma das mais renomadas consultoras de moda do país.

Quanto a mim, sou uma ex-tenista que já ocupou o ranking das 10 melhores do mundo, mas que, devido a uma grave lesão nas costas, teve que abandonar à carreira ainda no auge.

Atualmente, trabalho como comentarista e estava, justamente, voltando do US Open de Tênis¹ que a ESPN, emissora na qual trabalho, transmitiu.

♪ ♪ ♪ Eu estou machucada

Muito mais do que você poderá saber ♪ ♪ ♪

Meu celular continua vibrando e, quando olho para a tela, vejo mais de 20 ligações perdidas e algumas mensagens também, a maioria de Regina e algumas de Killian.

Apago-as sem ler. O que menos quero neste instante é ler ou ouvir mentiras destes dois infiéis.

Nesta hora, fico feliz de nunca ter cedido ao desejo dela de sermos mães, pois se tivéssemos tido filhos, a essa altura, eles sofreriam bastante com a nossa possível separação.

Minha vontade agora é voltar lá e trancá-los dentro de um caixão, ainda vivos, junto com escaravelhos, para que depois de mortos os besouros se alimentem de seus corpos putrefatos².

É, nada como uma vingança egípcia para lavar a alma e a honra!- Reflito. A quem estou querendo enganar? Jamais seria capaz de matar ou, até mesmo, ferir Regina Mills.- Continuo pensando.

Levanto e decido sair, passear um pouco me fará bem.

Ah, Nova Iorque, a Grande Maça (Big Apple), a cidade que nunca dorme!

Passo em frente a uma boate e uma mulher ruiva, com expressivos olhos azuis, fica me encarando.

Percebo que começa a me seguir, viro-me e pergunto o que ela quer:- Companhia e você?- Responde, sem hesitar.

Assinto com a cabeça, permitindo que ela ande ao meu lado e começamos a conversar sobre amenidades: música, cinema, esportes, enfim, vários tipos de assuntos são levantados enquanto continuamos em nossa caminhada pela fria noite nova iorquina.

Depois de algum tempo, diz que se chama Zelena Green e eu me apresento a ela também.

Pergunta o que faço sozinha, andando a essa hora da noite pelas ruas e digo que estava precisando arejar um pouco a mente.

Felizmente, ela não insiste no assunto.

Confessa que é uma acompanhante de luxo e pergunta se eu não gostaria de ir para um local mais reservado.

Tenho o motivo e a oportunidade, no entanto, neste instante não me sinto disposta a trair Regina, não quero descer ao nível dela e, simplesmente, recuso a oferta delicadamente.

Mesmo assim, ela me entrega seu cartão e diz que posso ligar quando quiser.

Nos despedimos e continuo minha caminhada, desta vez de volta para o hotel.

Chegando lá, tomo um banho e me deito totalmente nua na cama, pois, na pressa de sair de casa, não peguei nenhuma roupa.

No outro dia, depois de pagar o hotel, resolvo ir para o apartamento e, enquanto estou no táxi, verifico meu celular novamente, constatando que há mais de 50 ligações perdidas e mensagens não lidas.

♪ ♪ ♪ Eu estou machucada

Porque eu ainda amo tanto você ♪ ♪ ♪

Quando entro em casa, Regina está sentada em um dos sofás da sala com a cara inchada e sem nenhum sinal de maquiagem no rosto.

Corre para me abraçar:- Cariño, onde você estava? Fiquei morta de preocupação! — Diz, enlaçando seus braços ao redor do meu pescoço, enquanto fica nas pontas dos pés, já que está descalça e eu ainda calço meu salto 15.

Sempre amei essa forma carinhosa que ela me chama “cariño” é um traço da sua ascendência latina, todavia, hoje, fiquei enojada ao ouvi-la pronunciar essa palavra, imaginando que deve tratar Killian da mesma forma.

Tiro seus braços do meu pescoço e vou em direção ao nosso quarto, onde ontem ela estava transando com ele.

–Emma, meu amor, precisamos conversar.- Fala, seguindo-me e soluçando por causa do choro.

–Se você tivesse um mínimo de vergonha na cara, não me dirigia a palavra.- Digo, sem olhar para ela, enquanto pego algumas coisas e levo para o quarto de hóspedes.

–Foi só sexo, Emma!- Diz, em prantos.

Encaro-a, com um olhar homicida, ao mesmo tempo em que me aproximo perigosamente dela:- Se você queria ser fodida por um pênis, devia ter me dito, que eu comprava um dildo de 30cm para te arrombar.- Rosno, entredentes, enquanto ela se afasta de mim, pois nunca me viu reagindo deste jeito antes.

Você vai me bater?- Pergunta com voz trêmula.

Sorrio, com ironia, e nego com a cabeça.

Ela bem que merecia uma surra agora, de preferência de cinto, porém não tenho coragem de fazer isso. Se eu a machucasse estaria ferindo a mim mesma.

Volto para o quarto de hóspedes e ainda escuto minha esposa dizer:- Emma, por favor, converse comigo, pode ate me bater se quiser, mas não me trate desta forma fria e indiferente. — Pede, suplicante.

Fecho a porta na cara dela, tiro a roupa e os sapatos, deito-me na cama e fico ali, refletindo sobre meu futuro ao lado de Regina Swan-Mills, enquanto escuto seu pranto do outro lado da porta.

♪ ♪ ♪ Mas mesmo que você tenha me machucado

Como ninguém mais poderia fazer

Eu nunca... nunca machucaria você! ♪ ♪ ♪

Notas finais
¹ Aberto dos EUA que ocorre, geralmente, entre os meses de Agosto e Setembro. ² Referência a “A Múmia” (1999). Diferente do filme, alguns desses besouros que, aparentemente, foram encontrados em tumbas, não atacam pessoas vivas, só se alimentam da carne já podre. -Até o próximo!!!