Notas iniciais
- Agradecemos a quem favoritou a fic, deixou review e está acompanhando. -Música deste capítulo: "Um Segredo e Um Amor (Secret Love)" de S. Fain & P.F. Webster/ Versão: Dudu Falcão, interpretada por Jorge Vercilo. -Video da música: http://www.youtube.com/watch?v=0YzMVk-opmQ -Boa leitura!!!

♪ ♪ ♪ Um segredo e um amor

O que será maior em mim?

O segredo desse amor

Não pode mais viver assim ♪ ♪ ♪

Estou ajeitando a grinalda no cabelo de Emma Swan-Mills, minha irmã, enquanto ela se olha no espelho de corpo inteiro que tem no quarto onde estamos.

Emma está tensa, pois hoje é o dia do seu casamento.

Suspiro, admirando a beleza da minha irmã no lindo vestido de noiva, de cetim sem alça e com decote, que ela está usando.

Enquanto estou arrumando-a, recordo-me do dia que ela entrou na minha vida.

Emma ficou órfã aos 7 anos de idade, quando seus pais, David e Margaret Swan, morreram durante o terremoto que atingiu Los Angeles¹, em 1994, cidade onde moravam.

Meu pai, Henry Mills, que era amigo de infância de David, resolveu adotar a garotinha de cabelos loiros que sobreviveu ao desabamento de sua casa por obra de um milagre.

Meu pai foi buscá-la na “cidade dos anjos” e a trouxe para a nossa mansão, em Boston, no dia seguinte.

Ela estava tão assustada que ficou detrás dele durante um bom tempo, agarrada a sua calça.

Eu tinha 12 anos e estava com a minha mãe, parada no hall de entrada da mansão.

Cora apoiava as mãos nos meus ombros e já tinha me preparado psicologicamente ou, pelo menos, tinha tentado, para a chegada de minha irmã, uma vez que eu não me mostrei muito receptiva a ideia, pois sempre fui muito possessiva com o que é meu e não queria dividir meus pais, nem meus brinquedos, nem nada mais com essa menina que eu considerava uma intrusa na minha família.

Mas bastou que eu visse, pela primeira vez, seus cachinhos dourados e um par de olhos verdes tão brilhantes, lindos e que me encaravam num misto de receio e expectativa, para ficar completamente fascinada por aquele belo cisne.

A partir daquele dia, Emma se tornou a pessoa mais importante na minha vida.

Passei a amá-la, protegê-la e mimá-la de todas as formas.

Íamos juntas para a escola, de mãos dadas, e quando soube que minha irmã estava sendo vítima de bullying, praticado por um garoto mais velho do que ela, chamado Neal Cassidy, apliquei nele uma surra fenomenal que me rendeu 15 dias de suspensão.

Porém, não liguei, porque não podia permitir que ninguém machucasse Emma, pois ela não tinha como se defender das ameaças e agressões daquele covarde.

Éramos, acima de tudo, grandes amigas e minha irmã me confidenciava tudo.

Quando ela tinha 16 anos e começou a namorar sério um atleta da escola onde fazia o High School, passei a perceber que o que sentia por Emma ia além do amor fraternal.

Detestava vê-los juntos e sempre procurava defeitos no rapaz para mostrar para ela que Graham não era o namorado ideal.

Todavia, eles ainda permaneceram juntos por alguns anos e quando, aos 18, ela me segredou que havia perdido a virgindade, tive ganas de matá-lo, porém me contentei arranhando a lataria do seu precioso carro, um Lamborghini preto, onde ele tirou a inocência dela.

Felizmente, Emma descobriu que Graham estava traindo-a com uma colega da faculdade de Direito de Harvard, chamada Ruby Lucas, e o namoro deles terminou após 6 anos.

Fiquei contentíssima com o fim do romance, pois tinha minha irmã somente para mim de novo.

Ela se focou em sua carreira e, por mais de 1 ano, não se envolveu com ninguém seriamente.

Durante o relacionamento dela com Graham, conheci um rapaz chamado Daniel e namoramos por um tempo, todavia, quando Emma ficou solteira, meu interesse por ele, que já não era muito, acabou de vez e terminamos o namoro também.

Voltamos a fazer tudo juntas.

Íamos ao cinema, museus, teatros, restaurantes, boates e, até mesmo, aos jogos do Boston Red Sox, time de beisebol para o qual torcemos.

Eu tinha voltado a ser feliz, só que, num jogo entre os Red Sox e os Yankees, no Fenway Park, ela acabou conhecendo um torcedor do time de Nova York e ficou encantada por ele.

Esse homem era Killian Jones, com quem está prestes a se casar. De longe, a pessoa que mais detesto no mundo!

Não que ele seja um homem horrível, longe disso, sempre se mostrou muito apaixonado por Emma e, para piorar, é bonito e charmoso.

O problema é que sinto que desta vez vou perdê-la de uma vez. Não creio que ele possa magoá-la de alguma forma, fazendo com que minha irmã se decepcione e volte para mim.

Na realidade, quanto mais olho para o relógio e vejo a hora do casamento se aproximando, mais me aflijo.

Eu sei que amo a minha irmã como mulher e antes me sentia suja por desejá-la desta maneira, porém cansei de lutar contra esse sentimento e quero apenas vivê-lo em sua plenitude.

♪ ♪ ♪ Se eu pudesse revelar

Os versos que eu te dediquei

Se eu pudesse te contar

Os sonhos todos que eu sonhei ♪ ♪ ♪

Eu tenho que me declarar para Emma.

Sei que escolhi o pior momento possível, mas, no íntimo, tinha a ilusão que ela desistiria de se casar com Jones e iria perceber que me ama também, pois o que sinto não pode ser unilateral.

Somos tão perfeitas juntas que é impossível que Emma também não nutra por mim um sentimento diferente do amor fraternal.

–Como estou?- Pergunta, radiante, olhando para mim.

–Você está perfeita, Emma!- Digo, segurando a respiração diante de tanta beleza e tentando criar coragem para me declarar.

–Obrigada, Gina!- Agradece, chamando-me pelo apelido que me deu, quando ainda era uma garotinha, depositando um cálido beijo na minha face.

Sinto um arrepio percorrendo a minha espinha ao sentir o contato dos seus macios e quentes lábios no meu rosto.

Quando volto a encará-la, estou chorando e Emma enxuga minhas lágrimas com os dedos:- Que foi, meu amor? Até parece que é você quem vai se casar!- Diz, sorrindo lindamente para mim.

–Eu te amo!- Digo, num sussurro.

–Eu também te amo, Regina!- Responde, com olhos marejados, abraçando-me.

Saio do seu abraço e envolvo o seu rosto com as minhas mãos:- Eu te amo como mulher! Quero você para mim, Emma!- Declaro-me, encarando seu olhar confuso. -Por favor, não case com Killian.- Acrescento, implorando.

Ela me olha assustada e, lentamente, retira minhas mãos do seu rosto, afastando-se de mim.

–Srta. Swan já está na hora.- Ouvimos a voz do organizador do casamento, chamando-a do outro lado da porta.

Minha visão está embaçada pelas lágrimas e vejo a imagem desfocada de Emma indo em direção a porta sem dizer nada.

Ela ainda olha na minha direção e, por fim, sai, fechando a porta e me deixando ali, destroçada.

Desabo numa cadeira e coloco as mãos no meu rosto, numa tentativa inútil de controlar o pranto.

Sou sua madrinha e deveria ir para o altar, para ver de camarote o amor da minha vida se entregando a outro.

Escuto a música preferida de Emma, “Ready To Take A Chance Again” de Barry Manilow*, tocando, e sei que, neste instante, meu pai está conduzindo-a para o altar, onde Jones já deve está esperando impaciente.

Saio do quarto e vou para o enorme jardim, onde a cerimônia acontecerá e vejo Emma, já ao lado de Killian, enquanto o juiz de paz celebra a boda.

Noto que minha mãe está me procurando, mas não vou conseguir ficar ao lado deles.

♪ ♪ ♪ Se eu gritasse para o mundo ouvir

Até onde a voz pudesse ir

Eu não seria um sonhador ♪ ♪ ♪

Os ciúmes me queimam inteira por dentro e a certeza que perdi Emma definitivamente, por causa da minha covardia, que não permitiu que eu me declarasse antes, arrasa-me por completo.

Tive medo de enfrentar nossos pais e a sociedade que, certamente, reprovaria o nosso amor e agora irei pagar um preço alto por isso.

Caminho na direção do penhasco que rodeia o local, onde a enorme e suntuosa mansão Mills foi construída há décadas.

Sempre que fico triste, venho até aqui, para admirar a beleza da natureza, vendo a água do oceano atlântico batendo contra essas rochas milenares.

Meu vestido preto e longo esvoaça e sinto alguns fios do meu cabelo se soltando do coque, no qual estão presos, devido à força do vento.

–Regina?- A inconfundível voz de Emma chega aos meus ouvidos.

Viro-me rapidamente e a encaro, enquanto vejo alguns convidados e nossos pais olhando-nos de longe.

Eu sabia que te encontraria aqui!- Diz, sorrindo para mim.

–Veio se despedir de mim, antes de ir para a lua de mel?- Questiono, enciumada, com os braços cruzados na frente dos seios.

–Não, pois não terá lua de mel, uma vez que eu desisti de me casar.- Esclarece, aproximando-se de mim.

A esperança brota no meu peito novamente e sorrio para ela, dando dois passos na sua direção, diminuindo ainda mais a distância que nos separa.

Por que, Emma?- Pergunto.

–Acho que eu preciso avaliar o que sinto por ti, antes de tomar qualquer decisão. Afinal, sempre me senti muito confusa, quando você namorava Daniel.- Diz, levantando a mão para acariciar o meu rosto.- E pode ser que não seja a única a querer cometer incesto na nossa família. – Conclui, brincalhona, eliminando o resto de espaço que nos separa e me abraçando fortemente.

–Você disse a eles que eu te amava?- Indago, debruçando minha cabeça no seu ombro.

–Não! Apenas expliquei para Killian que não estava convicta dos meus sentimentos em relação a ele e, apesar de ter ficado magoado, mostrou-se compreensivo e disse que vai esperar que eu resolva meus conflitos internos para podermos nos casar.- Explica e fico tensa.

Olho para ela:- Sinto muito, mas acho que ele não será páreo para mim, Emma! Portanto, é melhor que o dispense de vez, porque também não o quero correndo atrás de você. Sabe o quanto sou possessiva, não é?! Pode ser que a situação para o lado dele fique feia.- Digo, séria.

Ela sorri:- Regina Mills, não seja tão arrogante e convencida, porque você pode cair do cavalo!

Encosto minha testa na sua, alheia aos olhares curiosos que ainda permanecem nos observando:- Emma Swan-Mills, você já é minha há muito tempo! O problema é que é tão lerda que demorou 20 anos para perceber essa verdade e, no momento que se entregar completamente a mim, terá certeza disso e Killian será apenas uma lembrança de um erro que quase cometeu.- Falo, confiante.

Encara-me com expressão divertida:- É? Agora fiquei ansiosa com a possibilidade de ser inteiramente sua!- Diz.

Fecho os olhos, saboreando suas palavras, querendo guardá-las para sempre na minha cabeça, pois esperei demais para ouvi-las sendo pronunciadas por essa linda boca rosada que contemplo com desejo.

Pego em sua mão e a levo para dentro da mansão, para longe dos olhos atentos dos nossos pais e de alguns convidados, uma vez que o que estou prestes a fazer com Emma Swan-Mills, minha irmã, minha amiga e meu único amor, poderá chocá-los em demasia.

♪ ♪ ♪ E nem mais um segredo, meu amor ♪ ♪ ♪

Notas finais
¹ 72 pessoas morreram durante este terremoto, que ainda feriu cerca de 10000 mil e causou bilhões de prejuízos para a referida cidade da Califórnia. É provável que nos próximos anos, Los Angeles seja novamente abalada por um tremor da mesma magnitude (6.7), que atingiu a cidade há 20 anos. *Adoro essa música: http://www.youtube.com/watch?v=SptX3m9x79s Resolvi citá-la, pois pensei em usá-la como tema deste capítulo, já que também tem a ver com o enredo, mas, no fim, optei pelas duas canções, pois ouvi ambas enquanto o escrevia. -Até o próximo!!!