SwanQueen em Músicas (One-Shots).
3 A Ex-combatente - Emma.
Notas iniciais
(Storybrooke – 2007)
O carro do exército americano para em frente à mansão localizada no número 108 da Mifflin Street.
Faço a continência militar, com a mão direita esticada na lateral da testa, para o soldado que veio me deixar em casa.
Depois de quase 4 anos combatendo na Guerra do Iraque, dos quais fui prisioneira durante 2 anos de uma das milícias iraquianas, finalmente volto para meu lar e para minha esposa e filhos.
♪♪♪ Eu cheguei em frente ao portão
Meu cachorro me sorriu latindo
Minhas malas coloquei no chão
Eu voltei
Tudo estava igual como era antes
Quase nada se modificou
Acho que só eu mesmo mudei
E voltei ♪♪♪
Olho para os dois lados da rua e atravesso até chegar à calçada da mansão.
Vejo Pongo, o dálmata do Dr. Archie Hopper, correndo pelos canteiros do jardim, destruindo as preciosas begônias de Regina Mills-Swan, minha esposa.
Sorrio, imaginando todas as ameaças que ela fará a Archie, quando tomar conhecimento do que o cachorro acabou de fazer.
Pongo corre até onde estou, reconhecendo-me, apesar de tantos anos que passei distante.
Fica nas patas traseiras e começa a lamber meu rosto, enquanto tento evitar que sua língua toque na minha boca.
Faço cafunés em seu focinho e, em seguida, ele sai correndo, abanando o rabo, provavelmente vai a caminho de sua própria casa.
Caminho até a porta da mansão e lembro que Regina sempre deixa uma chave extra num jarro que tem ao lado de uma das pilastras, pois Henry tem o costume de perdê-las, assim como eu.
Meu garoto tinha apenas 11 anos quando fui embora.
Imagino que agora deve ser um rapaz e minha princesa, Melanie*, tinha acabado de completar 5 anos quando fui para a guerra.
Ela mal deve se lembrar de mim!– Penso, tristemente, enquanto giro a chave na fechadura e abro a porta da mansão.
Deixo as malas caírem no chão, ao lado da porta, enquanto olho tudo ao meu redor.
Tanto a mobília quanto a disposição dos móveis está do mesmo jeito que eu me lembrava.
Em cada detalhe do nosso lar, reconheço o perfeccionismo e a mania de controle da minha esposa.
Regina decorou a casa, quando a compramos há quase 20 anos, do jeito dela. Fez pequenas concessões a mim, permitindo, por exemplo, que eu escolhesse a parede onde seria fixada a moldura com a fotografia de nossa família.
Sorrio, pensando nessas particularidades de nossa relação e da personalidade da minha mulher, das quais senti tanta falta.
A guerra me transformou numa pessoa mais dura e fria, em virtude das atrocidades que presenciei e das torturas das quais fui vítima, no entanto, o que me manteve viva, durante os 2 anos que permaneci cativa dos iraquianos, foi a esperança e o desejo de voltar para minha casa, para tudo que eu construí ao lado da mulher que amo.
♪♪♪ Eu voltei agora pra ficar
Porque aqui, aqui é meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei
Eu voltei
Fui abrindo a porta devagar
Mas deixei a luz entrar primeiro
Todo o meu passado iluminei
E entrei
Meu retrato ainda na parede
Meio amarelado pelo tempo
Como a perguntar por onde andei
E eu falei
Onde andei não deu para ficar
Porque aqui, aqui é meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei
Eu voltei ♪♪♪
Subo as escadas e meu coração pulsa forte no peito com a expectativa de revê-los, abraça-los e beijá-los.
Henry e Melanie não estão nos seus quartos e, nos dormitórios deles, percebo pequenas mudanças na decoração, o que era de se esperar, principalmente no do garoto que antes era repleto de brinquedos e agora só tem um boneco do Batman, seu herói preferido, em cima de uma mesa, onde também há um notebook, livros de biologia, química e física, além de blocos de papel, canetas e uma luminária.
Vou para o nosso quarto e, antes de abrir a porta, suspiro pesadamente, tentando controlar a ansiedade.
Entro na habitação, que está escura, por causa das cortinas fechadas e acendo o interruptor que tem ao lado, iluminando todo o cômodo.
Pisco, acostumando-me com a claridade e observo o recinto que há mais de 4 anos não compartilho com minha esposa, o meu lugar preferido em toda a casa, onde já viramos noites acordadas, fazendo amor, assistindo filmes e acalentando nossos filhos, quando eles sofriam por causa dos dentes nascendo, devido as cólicas, febres, pesadelos, enfim, sempre que algo afligia Henry e Melanie eles acabavam vindo dormir entre nós duas.
Melanie, inclusive, desenvolveu o hábito de só adormecer com os dedos enrolados nos nossos fios loiros e negros, e fez isso até eu ir embora, no dia 19 de agosto de 2003, depois de ter sido convocada para o conflito.
Vejo minha jaqueta vermelha colocada de forma delicada ao lado de alguns cobertores sobre o puff baú que tem nos pés da cama.
Estou parada em frente ao nosso leito, admirando o retrato que tiramos, dentro de uma gôndola, na viagem que fizemos para Veneza (Itália) há alguns anos atrás.
♪♪♪ Sem saber depois de tanto tempo
Se havia alguém à minha espera
Passos indecisos caminhei
E parei
Quando vi que dois braços abertos
Me abraçaram como antigamente
Tanto quis dizer e não falei
E chorei ♪♪♪
Enquanto contemplo a fotografia escuto passos vindo de fora do quarto.
Ando indecisa até a porta, abro-a e encontro o amor da minha vida no corredor.
Parece que o tempo não passou e prendo a respiração ao contemplar o belíssimo rosto da minha mulher.
Ela se detém, olhando emocionada para mim, como se não acreditasse no que está vendo.
–Emma.- Sussurra, com voz embargada e corre para me abraçar.
Tenho um nó na garganta, que não me permite dizer nada, só consigo chorar por finalmente está nos braços da minha esposa novamente.
–Disseram que você tinha morrido!- fala, segurando meu rosto com as duas mãos.- Quiseram me dar uma “Medal Of Honor¹”, mas eu a joguei nos pés do Presidente e disse que não queria uma condecoração e sim a minha mulher de volta.- conclui, distribuindo vários beijos na minha face.
Sorrio, imaginando a cena que ela acabou de relatar enquanto a abraço com força pela cintura.
Levanto-a do chão e a conduzo até nosso quarto, deitando-a na nossa cama.
Não demora muito para que ela tire a minha farda de gala do Exército Americano, ao mesmo tempo em que me livro do seu vestido cinza.
Logo estamos nuas, amando-nos num misto de desespero e saudade em cima do leito.
Minhas mãos trêmulas de desejo percorrem cada centímetro do seu precioso corpo, ao mesmo tempo em que sinto suas unhas arranhando a pele das minhas costas.
Nossos lábios estão unidos num beijo intenso, molhado e sôfrego.
Sua língua resvala na minha, enquanto exploramos cada canto das nossas bocas, misturando as salivas.
Sinto seus dedos puxando suavemente meus fios loiros e nossos sexos encharcados pela excitação deslizando um sobre o outro.
Os gemidos guturais que emitimos se embaralham e se perdem dentro de nossas bocas enquanto um dos seus pés desliza pela minha panturrilha e nossos mamilos rígidos se tocam, provocando mais sussurros ofegantes, em meio as declarações de amor e de saudade que fazemos entre um beijo e outro.
Depois de nos movimentarmos freneticamente e em sincronia, amassando os lençóis e derrubando no chão os muitos travesseiros que Regina ainda coloca sobre a cama, chegamos ao clímax de nossa paixão juntas, banhadas de suor.
Adormeço em seus braços, ouvindo as batidas aceleradas dos nossos corações.
Acordo algum tempo depois, deitada de bruços, sentindo os lábios carnudos e macios da minha esposa beijando as muitas cicatrizes que tenho, principalmente nas costas.
Sorrio, pensando que não há melhor remédio do que os beijos de Regina Mills- Swan para curar as feridas do meu corpo e da minha alma.
Depois de nos amarmos mais uma vez, conto a ela tudo que aconteceu comigo após ser capturada, omitindo, obviamente, os detalhes sórdidos das torturas, pois não quero pensar nisto e também não quero afligi-la ainda mais com os relatos das crueldades que me foram impostas.
Regina diz que sempre teve certeza que eu estava viva e relata tudo que fez para que as autoridades americanas não desistissem de me procurar.
Diz que desde que partir, dormia agarrada a minha jaqueta para me sentir, de alguma forma, perto dela.
Após chorarmos muito, pergunto pelos nossos filhos e ela explica que eles foram acampar na floresta com uns amigos do colégio, sob a supervisão de alguns pais e professores.
Decidimos ir buscá-los, pois o que mais desejamos, e precisamos no momento, é ter toda nossa família reunida de novo.
Quando chegamos ao local logo avistamos Henry.
Meu garoto cresceu, está mais alto do que eu, ganhou massa muscular e quando me ver sua expressão muda completamente.
Corre para me abraçar e me levanta nos braços, girando-me e depositando vários beijos na minha face, chorando de emoção.
Ele puxa Regina para o abraço e logo vejo uma garotinha de cabelos negros e lisos, pele alva e olhos verdes, olhando para nós três com curiosidade.
Melanie se aproxima lentamente de onde estamos e noto um brilho de reconhecimento no seu olhar.
Fico de joelhos e ela enlaça meu pescoço, chamando-me de “Ma Ena”, o mesmo jeito que se referia a mim quando aprendeu a dizer as primeiras palavras.
Levanto, com minha filha nos braços, e vejo Henry e Regina que estão abraçados pela cintura, olhando para nós duas, enquanto as lágrimas molham o rosto de ambos.
Melanie e eu nos aproximamos deles e nos juntamos em um único abraço, totalmente alheios aos olhares curiosos das pessoas que nos rodeiam.
♪♪♪ Eu voltei agora pra ficar
Porque aqui, aqui é meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei
Eu voltei ♪♪♪
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