Swan Lake

2 Silver Star


Notas iniciais
Olha quem voltou com o visual country-fashion prontíssimo! Sejam muito bem-vindos ao Capítulo 2! 🤠✨ ​Antes de começarmos a ler a primeira cavalgada da nossa influenciadora pelas terras do Texas, eu preciso dar um recado muito importante. Como vocês sabem, Swan Lake está participando do Evento: Entre Campos e Corações! ​Depois do sucesso incrível que nós tivemos juntos no evento passado, onde conseguimos colocar a nossa história no Top 3 com "Missão: A Mentira Perfeita", a minha meta é repetir a dose e trazer esse troféu para o nosso vinhedo! Mas, para isso acontecer, eu dependo totalmente da energia de vocês. ​Preparem-se, porque hoje a nossa Bella vai mostrar que, por trás do perfume importado e do blazer de grife, ainda bate o coração de uma autêntica Swan do Texas. E o Edward? Bom... ele que lute com esse gênio de touro brabo! ​Boa leitura! 🍇❤️

Capítulo 2: Silver Star

O coro matinal do Texas não vinha acompanhado de notificações de aplicativos ou alarmes digitais personalizáveis. Acordei bem cedo, quando o céu do lado de fora da janela ainda pintava um degradê suave de azul-escuro e laranja. O som distante e compassado dos cavalos nos piquetes, misturado ao movimento abafado que vinha da cozinha no andar de baixo, arrancou-me dos lençóis.

Caminhei até minhas malas de grife, ainda abertas no canto do quarto amplo de madeira, encarando aquele mar de roupas de Jacksonville. Eu precisava de algo funcional para o campo, mas o meu instinto de influenciadora de moda simplesmente se recusava a me deixar vestir qualquer trapo desleixado. Vasculhei os cabides até montar o equilíbrio perfeito: uma calça jeans premium de lavagem escura e corte reto, uma camisa de seda rústica em tom off-white com os primeiros botões abertos e, por cima, o meu blazer de alfaiataria estruturado em tom camelo. Calcei as botas de couro macio que Charlie havia comprado para mim e me olhei no espelho. Era prático para andar pela terra, mas mantinha o selo de elegância que meus seguidores esperavam.

Ao descer as escadas, o aroma reconfortante de café forte e bacon frito me guiou direto para a copa. A cozinha estava silenciosa e tranquila. Sue, Leah e Seth ainda não tinham descido, mas a silhueta robusta de meu pai já estava lá, sentada à mesa de madeira maciça com uma caneca de alumínio fumegante entre as mãos calejadas.

— Bom dia, Bells — Charlie disse, erguendo os olhos grisalhos e abrindo um sorriso genuíno que desarmou qualquer resquício do meu sono. — Acordou cedo. O barulho da fazenda te incomodou?

— Bom dia, pai. Na verdade, foi o despertador mais relaxante que tive em anos — respondi, puxando uma cadeira e me servindo de uma xícara de café.

Conversamos sem pressa. Charlie me explicou com entusiasmo contido sobre a colheita das uvas Cabernet que começaria nos próximos dias e como a maturação estava perfeita graças ao clima seco daquele ano. Havia um hiato de quinze anos de silêncio entre nós, mas a barreira parecia derreter a cada minuto que passávamos juntos.

De repente, ele se levantou, limpou a garganta com um pigarro desajeitado e caminhou até o armário do corredor, voltando com uma caixa de madeira rústica.

— Eu guardei isso todos esses anos, esperando o dia em que você voltaria — ele disse, abrindo a caixa com cuidado e revelando um lindo chapéu creme de veludo, perfeitamente preservado, com uma fivela prateada discreta na lateral. — Você esqueceu no seu último verão aqui, quando tinha seis anos. Ficava enorme na sua cabeça de criança.

Senti meus olhos marejarem instantaneamente. Peguei o chapéu com as mãos trêmulas e o coloquei. Ele se encaixou com perfeição. O gesto simples do meu pai, o fato de ele ter guardado aquela memória por tanto tempo, selou um pacto silencioso de reaproximação entre nós.

— Ficou perfeito em você, Bells. Uma verdadeira Swan do Texas — ele elogiou, emocionado.

Logo após o café, Charlie me convidou para dar uma volta e conhecer os arredores da Swan Lake. À medida que caminhávamos pelas cercas brancas e passávamos pelas fileiras impecáveis de videiras que subiam pelas colinas, o meu lado digital influencer falou mais alto. Peguei o celular e comecei a registrar o tour.

Gravei pequenos vídeos estéticos das folhas das parreiras brilhando com o orvalho da manhã, tirei fotos detalhadas do contraste da terra vermelha com o céu azul e registrei a imensidão da propriedade. Meus seguidores no Instagram precisavam ver que o Texas tinha uma beleza cinematográfica e sofisticada.

Mas o momento mais especial aconteceu quando paramos perto da cerca principal. Olhei para o meu pai, que sorria de lado ao me ver tão empolgada com a câmera, e soube que era hora de quebrar o jejum das minhas redes sociais com algo real.

— Pai, tira uma foto comigo? — pedi.

Charlie hesitou, limpando as mãos no jeans, mas cedeu. Posicionei o celular no ângulo perfeito, capturando o sol nascente atrás de nós. Na imagem, eu aparecia sorrindo de lado com o meu chapéu creme de veludo e o blazer camelo, enquanto Charlie me abraçava de lado com seu jeito protetor, exibindo suas rugas de expressão orgulhosas.

Pela primeira vez em meses, postei algo diretamente no meu feed. A legenda foi simples, fofa e direta do coração:

“Quinze anos longe dos seus braços, mas as minhas raízes sempre souberam o caminho de volta para casa. Te amo, pai. 🌾❤️ #SwanLake”

Continuamos o passeio até nos aproximarmos da imponente estrutura de madeira escura do estábulo principal. O cheiro de feno, alfafa e couro me atingiu em cheio, trazendo uma enxurrada de memórias de infância. Parei abruptamente diante da entrada avarandada, meu coração acelerando.

— Pai... o meu amigão...ainda está aqui? — perguntei com a voz pequena, quase temendo a resposta.

Charlie abriu um sorriso largo, daqueles que faziam seus olhos se espremerem.

— Ele sempre esteve esperando por você, Bells. Nunca deixei ninguém vender aquele bicho velho e teimoso. Vá lá ver ele. Eu preciso dar um pulo no galpão para resolver uns detalhes da irrigação com o Jasper.

Assenti com entusiasmo. Charlie me deu um tapinha carinhoso no ombro e se afastou. Respirei fundo, ajeitei a aba do meu chapéu creme e pisei no chão batido do estábulo. A luz do sol da manhã filtrava pelas frestas do telhado alto, criando feixes dourados que iluminavam a poeira em suspensão no ar.

Caminhei em direção às baias dos fundos, mas meus passos congelaram quando avistei uma silhueta alta trabalhando na lida bruta.

Edward Cullen estava ali. Ele usava o seu chapéu de feltro preto de abas retas, uma jaqueta de trabalho escura por cima de uma camiseta preta básica, e as mangas estavam ligeiramente dobradas, revelando a tensão nos seus braços enquanto ele escovava com firmeza o pelo de um cavalo imponente e de pelagem negra salpicada de cinza. A pele do seu pescoço brilhava levemente de suor pelo esforço matinal.

Ao ouvir o som das minhas botas, Edward interrompeu o movimento com a escova. Ele virou o rosto esculpido na minha direção, o maxilar travado e a expressão carrancuda e braba de sempre. Ele me mediu de cima a baixo, fixando o olhar no meu blazer alinhado e no chapéu de veludo creme.

— Veio fazer um editorial de moda ou um ensaio fotográfico na poeira do estábulo, Isabella? — ele disparou, a voz barítona saindo ríspida, fria e carregada de deboche. — Acho que o seu cenário de futilidades fica para o outro lado da cerca. Aqui nós trabalhamos.

Respirei fundo, erguendo o queixo com altivez. Eu não ia me deixar intimidar pelo gênio de touro daquele peão arrogante.

— Bom dia para você também, Edward — retruquei com um sorriso cínico e afiado. — Pelo visto, o seu mau humor crônico acorda antes do sol. Eu vim ver o meu cavalo, se é que a sua falta de educação me permite passar.

Edward soltou uma risada anasalada, puramente seca, e deu um passo à frente, colocando-se de forma imponente entre mim e a baia, bloqueando o meu caminho com os braços cruzados sobre o peito largo.

— Não se aproxime dele, patricinha — ele alertou, a voz mansa, mas firme. — Esse é o Silver Star. Ele é um animal velho, sistemático e detesta estranhos, principalmente os que cheiram a shopping e perfumes caros da cidade grande. Ele vai te dar um coice antes mesmo de você conseguir abrir o aplicativo do seu celular.

Dei um passo à frente, diminuindo a distância entre nós, enfrentando o olhar esmeralda dele com toda a audácia que eu tinha no corpo.

— O único estranho e intruso aqui é você, Cullen — provoquei entre dentes, sustentando a intensidade do confronto. — Eu sou a dona dele. O Silver estava nesses pastos muito antes de você aprender o que é uma ferradura.

Edward arqueou uma sobrancelha, claramente desdenhoso da minha audácia. Mas, antes que ele pudesse disparar mais uma de suas alfinetadas brutas, o cavalo negro atrás dele soltou um relincho baixo e agudo.

Silver Star ignorou completamente a postura defensiva de Edward. O animal esticou o pescoço longo por cima da divisória de madeira, farejando o ar na minha direção. Dei um sorriso nostálgico, esquecendo a presença do veterinário marrento por um segundo, e estendi a mão aberta.

— Oi, meu amigão... Lembra de mim? — sussurrei com doçura.

Para o choque absoluto de Edward, o cavalo, conhecido em todo o condado por ser extremamente difícil, temperamental e aceitar apenas o trato do próprio Edward e de Charlie, deu um passo à frente. Ele bufou de forma dócil contra a minha palma e, em seguida, esfregou a cabeça grande e pesada contra o meu ombro e o meu blazer, buscando o meu carinho como se os quinze anos de separação tivessem sido apenas uma tarde.

Levei os dedos aos pelos dele, acariciando o focinho do Silver com lágrimas nos olhos, enquanto o animal fechava as pálpebras, totalmente entregue ao reencontro.

Virei o rosto devagar para encarar Edward. O peão arrogante estava completamente estático, com os braços caídos ao lado do corpo e os lábios ligeiramente entreabertos. Pela primeira vez desde que cheguei ao Texas, o veterinário brilhante e inteligente estava sem palavras, olhando para a "patricinha de Jacksonville" com uma expressão de puro assombro e intrigada curiosidade.

— Como eu disse... — quebrei o silêncio, exibindo o meu melhor sorriso vitorioso enquanto continuava a acarinhar o cavalo. — O único estranho aqui é você.

Edward permaneceu estático por longos segundos, a escova de passar no pelo ainda suspensa em uma das mãos, enquanto os seus olhos verdes alternavam entre a docilidade incomum do cavalo e os meus dedos que acariciavam a pelagem escura do animal. O silêncio que se instalou no estábulo foi quebrado apenas pelo som do focinho do Silver Star bufando baixinho contra o meu ombro, totalmente entregue ao momento.

— Quem diria, não é, meu amigão? — falei com a voz mansa e um tom super fofo, inclinando o meu rosto para encostar a minha bochecha de leve na lateral da cabeça do cavalo. — Você se lembra das maçãs que eu te dava escondida do vovô, não lembra? Você guardou o meu segredo por quinze anos, seu lindo. Sentia tanta a sua falta... Olha só para você, continua o rapaz mais charmoso de toda Austin.

Continuei conversando com o Silver daquele jeito carinhoso, mimando o animal com uma doçura que eu raramente mostrava para o mundo exterior. Senti o olhar de Edward queimar a minha pele e, curiosa para ver a sua cara de derrota, desviei os olhos do cavalo para encará-lo.

Para o meu absoluto susto, a expressão carrancuda e de puro desdém do veterinário havia sumido. Edward Cullen estava me encarando de um jeito completamente diferente, com o olhar mais suave e desarmado. E, para o meu choque real, os cantos dos seus lábios perfeitamente desenhados se curvaram para cima, formando um sorriso torto, sutil e incrivelmente charmoso enquanto ele assistia à cena.

Pisquei os olhos, desacreditada no que estava vendo. O caipira grosso sabia sorrir. E, caramba... aquele sorriso torto destruía qualquer estrutura. Instintivamente, o meu lado provocativo falou mais alto para disfarçar o sobressalto do meu próprio coração.

— Você está bem, Cullen? — perguntei, arqueando uma sobrancelha e lançando um olhar desconfiado para ele. — Está sentindo alguma dor ou pegou alguma insolação logo cedo? Fiquei preocupada agora, porque ver um sorriso no seu rosto é um forte sintoma de que você pode estar doente.

O encanto se quebrou no mesmo segundo. Edward desfez o sorriso torto imediatamente, fechando a cara e cruzando os braços, voltando a adotar a sua postura defensiva e marrenta.

— Muito engraçada, Isabella — ele rebateu, a voz rouca voltando ao tom áspero de antes, embora houvesse uma pitada de divertimento contido nos seus olhos. — Só estava achando graça de ver como os animais dessa fazenda são fáceis de ser enganados por uma voz mansa e um chapéu bonito. O Silver deve estar confuso com tanto perfume importado.

— Ah, por favor! Aceite a sua derrota com dignidade — provoquei, dando um tapinha de leve no pescoço do cavalo. — O Silver Star tem bom gosto, é um rapaz educado e reconhece quem tem classe. Diferente de certos veterinários que parecem ter sido criados por lobos de tão brutos.

— Eu não sou bruto, sou prático. Coisa que você claramente não sabe o que significa — ele alfinetou, dando um passo à frente com os olhos faiscando na minha direção.

Antes que a nossa nova troca de farpas escalasse, passos pesados ecoaram pelo chão de terra batida e a silhueta alta de Paul, um dos funcionários mais antigos e dedicados da lida do gado, apareceu no corredor do celeiro. Ele carregava uma corda no ombro, mas parou assim que me viu, abrindo um sorriso largo e tirando o chapéu de feltro em um gesto respeitoso.

— Bom dia, Senhorita Bella! Seja muito bem-vinda de volta à Swan Lake — Paul cumprimentou com uma voz calorosa e um sotaque texano arrastado e acolhedor. — O chefe Charlie comentou que a senhorita chegaria ontem. É uma honra tê-la aqui de novo.

Soltei um suspiro dramático de alívio, olhando de Paul para Edward com uma expressão vitoriosa.

— Ai, graças a Deus! Uma pessoa simpática e educada neste estábulo... — falei em um tom audível, fazendo Paul soltar um risinho. — Paul, você não imagina o alívio. Eu e o Silver já estávamos quase nauseados com o mau humor do Edward aqui. O ar até ficou mais leve com a sua chegada.

Paul soltou uma gargalhada ruidosa, balançando a cabeça enquanto Edward apenas soltava um bufo audível atrás de mim, limpando a escova com os dedos de forma impaciente.

— O Dr. Edward é um homem difícil na primeira hora do dia, senhorita Bella — Paul brincou, piscando para mim. — Mas me diga, posso te ajudar em algo por aqui?

— Na verdade, pode sim, Paul — respondi com um sorriso radiante. — Será que você poderia preparar o Silver Star para mim? Eu quero muito dar um passeio com ele pela fazenda, rever as terras.

— Mas é claro! Vai ser um prazer — Paul respondeu prontamente, já se movimentando em direção à sala de selas. — O Silver está com a saúde de um garoto e vai adorar esticar as pernas com a dona dele.

Com uma agilidade impressionante e toda a presteza que faltava em Edward, Paul trouxe a sela de couro bem cuidada e os arreios. Em poucos minutos, o cavalo negro estava completamente pronto. Paul segurou as rédeas para mim com fidalguia.

Ajeitei o meu chapéu creme de veludo na cabeça, segurei o couro com firmeza e, demonstrando que o asfalto de Jacksonville não havia apagado a minha memória muscular, apoiei o pé no estribo e montei no Silver Star de forma extremamente graciosa. Ajustei a postura sobre a sela, sentindo-me instantaneamente poderosa e no controle. Olhei para Paul com um sorriso grato.

— Obrigada, Paul. Você foi um anjo — agradeci.

— Divirta-se, Senhorita Bella! — ele acenou.

Antes de dar o comando para o cavalo andar, guiei o Silver Star para dar uma meia-volta lenta em direção à saída. Foi quando meus olhos inevitavelmente buscaram a figura de Edward Cullen uma última vez. Ele estava encostado contra o batente da baia, com as mãos enfiadas nos bolsos da jaqueta escura.

Para o meu absoluto impacto, a expressão brava dele tinha sumido de novo. Edward me observava de longe, e eu percebi perfeitamente que ele estava com aquele maldito e hipnotizante sorriso torto no rosto novamente, admirando a forma como eu dominava o animal.

Sustentei o olhar dele por um segundo, sentindo uma descarga elétrica percorrer o meu corpo inteiro sob o sol que inundava o estábulo. Dei um leve comando com as botas no flanco do cavalo e saí trotando graciosamente em direção aos campos abertos da fazenda, deixando o veterinário misterioso para trás com o seu sorriso enigmático, sabendo que aquela manhã havia mudado o rumo do nosso jogo.

Notas finais
​Eu ouvi um "tombo do peão" ou foi impressão minha?! 🗣️🐎 ​Eu simplesmente avisei que a Bella não veio para o Texas para brincadeira! Ver o Edward Cullen, o homem mais sistemático desse condado, ficar completamente sem palavras e no chinelo ao ver o Silver Star se derretendo todo por ela foi a minha maior satisfação. E esse sorriso torto no final? O homem está intrigado e fingindo costume, aposto! ​Agora, a nossa missão oficial começou! 🏆🔥 ​Para a gente carimbar o nosso passaporte rumo ao Top 3 deste evento, assim como fizemos e comemoramos muito na época de "Missão: A Mentira Perfeita", eu preciso do comentário de cada um de vocês! ​💬 Comentem bastante aqui embaixo! O que vocês acharam do reencontro dela com o Silver Star? E o ciúme que o Edward passou com o Paul? Quero ver as teorias de vocês para o próximo capítulo! ​Não esqueçam de favoritar, deixar aquele feedback caprichado e espalhar o link para todo mundo que ama uma boa fanfic com química de faíscas. Conto com o voto e o apoio de vocês para fazermos a Swan Lake brilhar muito nessa competição! ​Até o Capítulo 3, com muito mais provocação e poeira do Texas! Um beijo! 💋🇺🇸