Swan Lake
11 O Ritmo do Texas
Notas iniciais
Capítulo 11: O Ritmo do Texas
Se alguém me dissesse, há seis meses, que a minha vida seria ditada pelo ronco de tratores, pelo cheiro de terra molhada e pela batida acelerada do meu coração toda vez que um certo par de olhos verdes cruzava o pátio, eu teria rido na cara da pessoa. Mas Jacksonville parecia uma realidade de outra encarnação. Ali, sob o céu azul-claro e infinito do Texas, o Império Swan Lake estava oficialmente saindo do papel.
E para garantir que cada milímetro do resort rural ficasse impecável, eu precisei chamar a única engenheira civil capaz de gritar mais alto que qualquer mestre de obras texano e, ainda assim, manter a maquiagem intacta: Rosalie Dwyer.
A linhagem do meu padrasto, Phil, tinha trazido poucas coisas úteis para a minha vida além de ingressos para jogos de beisebol, mas a sua sobrinha era uma obra-prima da engenharia contemporânea. Quando a caminhonete preta e brilhante de Rosalie freou bruscamente em frente ao casarão, levantando uma nuvem de poeira, eu soube que o ritmo da fazenda mudaria para sempre.
Ela desceu do veículo calçando botas de cano alto de couro legítimo, calça jeans escura perfeitamente ajustada, uma camisa branca de linho e um capacete de obras rosa-choque debaixo do braço. Os cabelos loiros e ondulados voavam com o vento, e os óculos escuros de grife completavam a imagem da mulher que comandava qualquer canteiro de obras no estalar de dedos.
— Bella! — Rose exclamou, tirando os óculos e abrindo os braços enquanto caminhava na minha direção. — Minha nossa, esse ar do Texas realmente faz milagres. Você está com uma cara ótima. Quase não tem olheiras de crise digital.
— Rose! Que saudade! — me joguei no abraço dela, rindo. — Obrigada por vir correndo. Eu sei que a sua agenda na Flórida estava uma loucura.
— Brincadeira sua? O projeto que você me mandou por e-mail é a coisa mais excitante que li nos últimos três anos — ela disse, virando-se para olhar a imensidão da propriedade. — Misturar o ecoturismo de luxo com a preservação histórica daquela capela? É o tipo de desafio que faz meu diploma valer a pena. Cadê o seu pai? Quero conhecer ele...
O início da obra foi marcado por uma comemoração que parou a fazenda. Reunimos toda a família na área livre perto da Capela de Santo Antônio. Tratores e escavadeiras já estavam estacionados ao fundo, como gigantes adormecidos esperando o sinal. Charlie, com os olhos brilhando de entusiasmo, segurava uma garrafa de espumante que Jasper havia trazido da adega principal.
— À nova era da Swan Lake! — Charlie anunciou, a voz ecoando firme, cheia de uma alegria que há anos eu não via nele.
O estouro da rolha foi seguido por aplausos e gritos de comemoração. Emmett assobiava alto, Alice pulava com seu tablet nas mãos já mostrando os tecidos para Rose, e Esme distribuía taças de cristal. No meio daquela euforia, meus olhos inevitavelmente buscaram Edward. Ele estava um pouco afastado, encostado em um dos jipes da fazenda, vestindo uma camisa de botões escura com as mangas dobradas até o antebraço. Ele ergueu a taça na minha direção, sustentando um olhar tão profundo que fez o espumante parecer quente na minha garganta.
Rosalie, que não deixava passar absolutamente nada, seguiu a linha do meu olhar. Ela tomou um gole da bebida, aproximou-se de mim e sussurrou por cima da borda da taça:
— Entendi... Então o projeto de engenharia não é a única coisa que está sendo erguida com vigor por aqui.
— Rose, por favor! — murmurei, sentindo minhas bochechas esquentarem enquanto fingia olhar para as plantas do terreno.
— Não precisa se justificar, Bells — Rose deu uma risada de canto, aquela risada confiante e deslumbrante dela. — Eu conheço um homem de joelhos quando vejo um. E aquele cowboy gostosão ali está a um passo de latir se você mandar. Só tome cuidado para as fofocas rurais não atrapalharem o meu cronograma de entrega, porque eu sou implacável com prazos.
Quatro Semanas Depois...
O tempo no Texas parecia correr de forma diferente quando se estava trabalhando dezoito horas por dia. Quase um mês havia se passado desde o estouro do espumante, e o terreno perto da Capela de Santo Antônio havia se transformado em uma sinfonia de progresso.
Sob o comando de ferro de Rosalie, as fundações dos primeiros dez chalés privativos já estavam totalmente prontas, exibindo as estruturas de madeira de demolição e pedra que Alice tanto cobiçava. A enorme cratera que abrigaria a piscina de borda infinita estava escavada, desenhando o contorno exato onde a água pareceria flutuar sobre as parreiras de uva. Na igrejinha de pedra, artesãos locais trabalhavam lixando as paredes coloniais e restaurando os vitrais antigos, devolvendo a dignidade ao lugar que Charlie tanto amava.
A fazenda estava viva. E a minha relação com Edward também.
Não éramos mais apenas duas pessoas trocando farpas e provocações baratas no pátio. Ao longo daquelas quatro semanas, o nosso envolvimento havia amadurecido de uma forma silenciosa, densa e perigosamente séria. Tornamo-nos o segredo mais delicioso e óbvio de todo o condado.
Havia bilhetes com caligrafia gasta escondidos na minha prancheta de trabalho, dedos que se entrelaçavam secretamente por baixo da mesa de jantar enquanto Charlie falava sobre o leilão de gado, e visitas de madrugada à varanda do meu quarto, onde passávamos horas apenas dividindo uma manta e conversando sobre a vida, intercalando palavras com beijos que sabiam a urgência e a calmaria. Edward havia se tornado o meu porto seguro no meio daquele furacão de responsabilidades.
Em uma tarde de sexta-feira, o calor do Texas estava simplesmente insuportável. O termômetro marcava quase 39°C, e o mormaço que subia da terra parecia sugar toda a minha energia. Rosalie havia dispensado os operários mais cedo devido à onda de calor, e eu estava prestes a colapsar em cima das planilhas de custos.
Foi quando a porta do meu escritório se abriu e Edward colocou a cabeça para dentro. Ele não usava chapéu, e os cabelos bronzeados estavam grudados na testa pelo suor leve.
— Você está com cara de quem precisa ser resgatada, patroa — ele disse, o sorriso torto surgindo nos lábios.
— Se o resgate envolver ar-condicionado ou água gelada, eu aceito qualquer coisa, Cowboy — fechei o notebook com um estalo audível.
— É melhor que ar-condicionado. Pegue o seu biquíni e me encontre atrás do estábulo em cinco minutos...
Dez minutos depois, estávamos cavalgando lado a lado pelas trilhas mais isoladas da propriedade. Edward guiava seu cavalo com a maestria de quem conhecia cada palmo daquela terra desde menino. Deixamos a área de produção para trás, adentrando uma densa mata de carvalhos e vegetação nativa que eu sequer sabia que existia nos limites da Swan Lake.
O som de água corrente começou a ecoar entre as árvores, ficando cada vez mais alto até que a trilha se abriu em um verdadeiro refúgio paradisíaco.
Era uma cachoeira oculta com a água cristalina despencava de uma parede de pedras escuras, desaguando em um lago natural de águas esmeralda, cercado por uma clareira sombreada e fresca. O calor sufocante da fazenda simplesmente desapareceu ali, substituído por uma brisa úmida e perfeita.
— Meu Deus, Edward... isso aqui é maravilhoso — desci do meu cavalo, maravilhada, enquanto ele amarrava as rédeas em uma árvore.
— Meu lugar favorito na fazenda — ele caminhou até mim, já desabotoando a camisa social cinza. O tecido se abriu, revelando o peito largo e bronzeado, os músculos do abdômen se contraindo conforme ele jogava a camisa sobre uma pedra. — Eu vinha para cá quando queria fugir do Emmett ou quando o trabalho na lida estava pesado demais. E hoje, decidi que queria trazer a dona de tudo isso.
Não esperei, tirei o short jeans e a regata, ficando apenas com o biquíni terracota de alças finas que eu havia colocado às pressas. Edward soltou um assobio baixo, os olhos verdes escurecendo instantaneamente enquanto desciam pelas minhas curvas. Caminhamos juntos em direção à margem e mergulhamos na água fresca.
O choque térmico foi glorioso. Nadamos até a queda d'água, deixando a correnteza suave massagear nossos corpos. Quando emergi, Edward já estava atrás de mim. Seus braços fortes envolveram a minha cintura por trás, puxando minhas costas contra o peito dele. Senti a textura da sua pele molhada, o calor que emanava dele mesmo dentro da água fria.
Ele me girou devagar, colando a minha frente à dele. Suas mãos subiram para os meus quadris, apertando a minha carne com uma firmeza possessiva, enquanto ele me prensava contra uma das grandes pedras lisas que ficavam submersas perto da parede da cachoeira.
— Você é linda demais, Bella. Às vezes acho que estou sonhando com você — ele murmurou, aproximando o rosto, o hálito fresco roçando a minha bochecha.
Nossos lábios se encontraram em um beijo profundo, lento e banhado pela água da cachoeira. A língua dele explorava a minha boca com uma propriedade que me fazia esquecer o próprio nome. Enrosquei minhas pernas ao redor do quadril dele, sentindo a rigidez nítida do seu corpo pressionar contra a minha intimidade, mesmo através do tecido do biquíni. O desejo reprimido de dias de trabalho duro parecia explodir entre nós dois.
Edward se afastou milimetricamente, as testas coladas, a respiração totalmente descompassada. Ele olhou no fundo dos meus olhos, e havia uma seriedade tão densa ali que me fez paralisar.
— Casa comigo? — ele soltou, a voz rouca arranhando o silêncio da mata.
Soltei uma risada clara, achando que era parte do nosso eterno jogo de provocações, e joguei a cabeça para trás na pedra.
— Espera lá, garanhão! — brinquei, passando os dedos pelos cabelos molhados dele. — A gente nem namora ainda e você já quer casar?
Edward não riu. O olhar dele continuou fixo, firme, derretendo qualquer barreira que eu tentasse erguer.
— Na minha cabeça, nós já namoramos, Bella. Eu já sou seu desde o primeiro dia em que você pisou naquele pátio e me olhou como se quisesse me matar e beijar ao mesmo tempo — ele deu um sorriso ladino, mas a intensidade continuava ali. — Eu não preciso de um rótulo para saber o que sinto por você...
Senti um calor absurdo expandir no meu peito. Mas a minha mente pragmática de Jacksonville ainda tentava manter os pés no chão.
— Ninguém sabe sobre nós, Edward... — sussurrei, acariciando os ombros largos dele. — O que eu vou dizer para o meu pai? O que o Charlie vai pensar se a gente simplesmente aparecer dizendo que vai casar?
Edward soltou uma risada baixa, os ombros sacudindo contra o meu peito. Ele apertou mais a minha cintura, colando nossos corpos de um jeito que me fez soltar um suspiro sôfrego.
— Seu pai faz gosto, Bella. Ele já deixou bem claro... O velho Swan praticamente solta fogos toda vez que eu me ofereço para te acompanhar até a cidade. Ele só está esperando a gente tomar vergonha na cara.
Sorri, sabendo que ele tinha total razão. Charlie não era sutil quando queria ser cupido. Levei minhas duas mãos até o rosto de Edward, segurando as maçãs da sua face com carinho, sentindo a barba rala de poucos dias arranhar meus dedos.
— Vamos com calma, cowboy... — murmurei, aproximando meus lábios dos dele, roçando-os de leve para deixá-lo louco. — Primeiro, eu vou te apresentar oficialmente como meu namorado, e aí vamos ver o que acontece... Agora, cala a boca e me beija, porque esse amasso estava uma delícia e eu quero muito mais de você.
Edward obedeceu como o homem faminto que era.
O beijo que se seguiu foi devastador. Suas mãos grandes foram direto para as amarras do meu biquíni, desfazendo o nó do sutiã com uma agilidade assustadora. Senti o tecido flutuar para longe na água, e o contato imediato do seu peito nu contra os meus seios livres foi como um choque elétrico. Dei um gemido abafado contra a boca dele, arranhando suas costas molhadas.
Edward desceu os lábios pelo meu queixo, mordendo a minha mandíbula e descendo pelo meu pescoço, distribuindo chupões quentes que me faziam arquear as costas contra a pedra lisa. A mão dele desceu por baixo da água, deslizando pela minha barriga até encontrar a lateral da minha calcinha de biquíni. Seus dedos longos e calejados pela lida invadiram o tecido, encontrando o meu ponto mais íntimo completamente necessitado e quente, contrastando com a água fria do lago.
— Edward... — meu reflexo foi apertar os ombros dele, minha cabeça girando com o prazer agudo que os dedos dele começaram a causar, movendo-se em um ritmo lento e torturante. Estávamos a um fio de perder totalmente o controle e fazer daquilo a nossa primeira vez definitiva.
— Bella! Amiga! Meu Deus, onde você está?!
A voz fina, estridente e inconfundível de Alice Cullen ecoou vinda da trilha de carvalhos, quebrando o feitiço erótico da forma mais brutal possível.
Meus olhos se arregalaram em puro pânico. O choque de adrenalina foi tão grande que, em um reflexo puramente instintivo de sobrevivência, joguei minhas mãos no peito de Edward e o empurrei com toda a minha força para trás.
Splush!
Edward afundou na parte profunda do lago, desaparecendo completamente debaixo da água esmeralda. No mesmo segundo, agarrei meu sutiã de biquíni que flutuava perto da pedra e o amarrei de qualquer jeito atrás das costas, mergulhando o meu corpo até a altura do peito para esconder a nudez e a respiração completamente descompassada.
Um segundo depois, Alice surgiu entre os arbustos na margem do rio. Ela usava um vestido floral esvoaçante, sandálias que claramente não eram feitas para a lama e segurava uma prancheta cheia de amostras de tecidos coloridos.
— Ah! Você está aí! — Alice exclamou, parando na beira do lago e abanando o rosto com a mão livre. — Bella, que loucura! Eu fui ao seu escritório e a Rose disse que você tinha saído para espairecer. Eu andei essa trilha inteira! Você não tem noção, os tecidos de linho egípcio para as cortinas dos chalés acabaram de chegar de Austin e eu preciso que você aprove o tom de bege antes que eu tenha um colapso estético!
— Alice... — tentei falar, mas a minha voz saiu uma oitava acima do normal. Limpei a garganta, forçando o meu melhor sorriso corporativo enquanto tentava manter o corpo imóvel dentro d'água. — Que... que ótimo! Mas você veio até aqui na cachoeira só por causa de um tom de bege?
— Claro! Design de interiores é uma emergência, Bella! — ela disse, aproximando-se ainda mais da beira da água, abaixando-se para olhar para mim com aqueles olhos analíticos de fada. — Mas ué... por que você está tão vermelha? E a sua respiração está esquisita. A água está quente?
— Não! Está... está ótima! Super fresca! — gaguejei, sentindo um suor frio brotar na minha nuca.
Foi exatamente nesse momento que senti algo tocar a minha panturrilha por baixo da água.
Meu corpo inteiro tensionou. Edward havia nadado por debaixo d'água, usando a opacidade do lago profundo para ressurgir exatamente atrás de mim, oculto pela grande pedra onde eu estava encostada. Eu não conseguia vê-lo, mas senti perfeitamente quando suas mãos grandes e firmes envolveram a minha cintura por trás, submersas.
— Bella, sério, sai um pouco da água para olhar esses linhos — Alice insistiu na margem, esticando os retalhos na minha direção. — O bege 'Areia do Texas' é muito mais rústico que o bege 'Deserto', mas eu quero a sua opinião de marca...
De repente, as palavras sumiram da minha mente.
Por baixo da água, os dedos de Edward deslizaram com uma lentidão sádica para dentro da minha calcinha de biquíni novamente. Ele encontrou o meu centro já úmido e, com uma precisão cirúrgica, começou a me masturbar ali mesmo, escondido pela escuridão do lago, enquanto Alice continuava tagarelando a menos de dois metros de distância na margem.
— Ah... — um suspiro sôfrego escapou dos meus lábios. Consegui disfarçar no último segundo, transformando o som em uma tosse falsa. — Quer dizer... Alice, eu... eu acho que o bege Areia é... ótimo...
— Você acha? — Alice estreitou os olhos, confusa com a minha hesitação e com o fato de que eu havia cravado minhas unhas com tanta força na pedra que meus nós dos dedos estavam brancos. — Bella, você está bem? Seus olhos estão até... dilatados.
O ritmo dos dedos de Edward aumentou por baixo da água. Ele sabia exatamente o que estava fazendo; o canalha estava se vingando por eu tê-lo empurrado para o fundo do lago. O polegar dele pressionava o meu ponto mais sensível em movimentos circulares e firmes, criando uma onda de prazer tão avassaladora e insuportável que a minha visão começou a embaçar. Eu sentia os espasmos iniciais começarem a atingir o meu ventre. O contraste do frio da cachoeira com o fogo que os dedos dele causavam dentro de mim estava me levando à loucura.
— Eu... eu estou ótima, Alice! — curvei o corpo ligeiramente para a frente, mordendo o lábio inferior com tanta força que quase cortei a pele para conter um gemido de puro orgasmo que queria rasgar a minha garganta. — Eu só... acho que você devia... ir até o casarão e... e falar com a Esme! Ela entende muito de linho... vai te ajudar...
— Mas a Esme disse que a decisão final era sua... — Alice deu um passo para o lado na margem, tentando ter um ângulo melhor de mim.
Em puro desespero, estiquei o braço para fora da água, espalmando a mão na pedra para tentar me sustentar enquanto as minhas pernas tremavam incontrolavelmente debaixo d'água. O prazer estava no ápice, a um segundo de me fazer desabar.
— Alice! Confia em mim! — quase gritei, a voz trêmula de puro tesão e desespero de ser pega. — Vá com o bege Areia! É uma ordem da patroa! Agora corre antes que o fornecedor mude o lote!
Alice piscou, assustada com o meu surto repentino de autoridade. Ela olhou para a prancheta, depois para mim, e finalmente deu de ombros, convencida pela urgência da palavra "lote".
— Tudo bem, tudo bem! Não precisa ficar nervosa, girl boss. Já estou indo! Vejo você no jantar! — ela girou nos calcanhares e começou a caminhar rapidamente de volta pela trilha de carvalhos, tagarelando sozinha sobre os prazos de entrega.
Esperei exatamente três segundos até ver o vestido dela sumir completamente entre as árvores.
No quarto segundo, o meu corpo colapsou. O orgasmo me atingiu em cheio como uma onda de choque, violento e avassalador. Soltei o gemido que estava preso na minha garganta, a cabeça caindo para trás na pedra enquanto os espasmos prazerosos tomavam conta de cada músculo do meu corpo.
Edward emergiu da água bem ao meu lado, os cabelos escorrendo, os olhos verdes brilhando com uma satisfação triunfante e um sorriso imensamente convencido no rosto. Ele envolveu a minha cintura, segurando o meu corpo mole e trêmulo para que eu não afundasse no lago.
— Você é um canalha, Cullen — consegui dizer, a voz fraca, a respiração ofegante enquanto eu tentava recuperar os sentidos, batendo fracamente no ombro dele. — Eu quase morri do coração! Se a Alice olha para baixo...
— Mas ela não olhou — ele sussurrou contra o meu ouvido, a voz rouca cheia de uma diversão possessiva, enquanto sua mão subia para acariciar os meus seios molhados. — E você tem que admitir, patroa... esse relatório na cachoeira foi o melhor que já entregamos.
Olhei para aquele sorriso lindo e descarado, sentindo o meu coração bater num ritmo que o Texas inteiro seria incapaz de parar. Eu estava completamente nas mãos daquele cowboy.
Tentei controlar a oscilação do meu próprio corpo na água, firmando minhas mãos nas laterais do pescoço de Edward enquanto recuperava os últimos resquícios de ar que o orgasmo havia roubado dos meus pulmões. O sorriso dele ainda era aquela obra-prima de presunção pura. Olhei bem no fundo daqueles olhos verdes, sentindo o calor do meu rosto começar a se misturar novamente com a adrenalina do desafio.
— Onde a gente estava mesmo, cowboy? — sussurrei, puxando-o pela nuca sem dar o menor tempo para ele responder.
Edward soltou um rosnado baixo, a diversão sumindo instantaneamente para dar lugar àquela mesma fome devastadora de antes. Nossos lábios se chocaram com força, reiniciando o incêndio exatamente do ponto onde havíamos sido interrompidos. As preliminares voltaram com o dobro da urgência; minhas mãos arranhavam os ombros largos dele, descendo pelos músculos tensos das suas costas enquanto a água da cachoeira espirrava ao nosso redor. Edward me prensou novamente contra a pedra, erguendo meu corpo pela cintura enquanto seus dedos ágeis recomeçavam uma masturbação frenética por baixo da água, fazendo-me arfar e morder os lábios dele em meio ao prazer torturante. Eu já estava completamente entregue, pronta para que ele rasgasse o restante daquele biquíni e nos levasse aos finalmentes ali mesmo, naquela clareira isolada.
Trrr... Trrr... Trrr...
O som estridente de um toque eletrônico ecoou de cima das pedras na margem, ricocheteando nas paredes de pedra da cachoeira.
Paralisamos no mesmo segundo. Minha testa caiu contra o peito de Edward, e eu soltei um gemido de pura frustração mecânica. Edward fechou os olhos, jogando a cabeça para trás com uma expressão de quem estava prestes a cometer um crime de ódio contra as telecomunicações.
— Não pode ser. Eles estão de sacanagem, só pode... — resmunguei com a voz abafada contra a pele dele, os dentes praticamente travados.
Edward soltou uma lufada de ar, afastando-se de mim a contragosto para nadar até a margem. Ele puxou a calça jeans surrada onde o celular vibrava loucamente dentro do bolso. Olhou para a tela e soltou uma risada rca, completamente sem acreditar.
— É o seu pai — ele disse, virando o aparelho para mim. — Acho que preciso sequestrar você de tudo e de todos para podermos chegar nos finalmentes, patroa. Porque nessa fazenda, o universo claramente estabeleceu um complô contra a minha masculinidade.
— Atende logo antes que ele mande a cavalaria — bufei, nadando até a minha blusa e short, começando o doloroso processo de me vestir ainda molhada e completamente insatisfeita.
O caminho de volta para a casa principal foi feito em um silêncio tenso, quebrado apenas pelo barulho dos cascos dos cavalos na terra seca. Quando cruzamos o pátio e entramos pela porta dos fundos do casarão, fomos recebidos por um cenário de pura devastação psicológica.
Charlie e Jasper estavam parados bem no centro da sala de estar, parecendo dois generais que haviam acabado de perder uma guerra mundial. Jasper tinha a gravata completamente frouxa e os cabelos desalinhados. Assim que ele nos viu entrar, seus olhos se arregalaram.
— Meu Deus, onde vocês estavam?! — Jasper perguntou, a voz quase falhando. — O caos está instalado aqui! A Alice e a Leah estão trancadas na cozinha brigando porque a Leah disse que o bege 'Areia do Texas' parece cor de burro quando foge, e a Alice ameaçou queimar as botas dela. O Emmett passou os últimos quarenta minutos dando em cima da Rosalie no pátio da obra, e ela agora está correndo atrás dele com uma barra de ferro de trinta centímetros jurando que vai matá-lo. O Seth e o Carlisle estão quase morrendo na biblioteca com o surto dos tons de bege da Alice, e a Esme e a Sue estão tentando controlar tudo à base de chá de camomila e reza braba!
Edward e eu nos entreolhamos. O veterinário tentou tossir para disfarçar o riso, mas eu bati com a minha prancheta de leve no braço dele. Olhei para o meu pai, que estava com a mão na testa, bufando como um touro reprodutor.
Foi ali, no meio daquela loucura generalizada, que uma onda de coragem puríssima, ou talvez pura loucura pós-cachoeira, me atingiu. Se o caos já estava instalado, que caísse logo o teto.
— Pai... — dei um passo à frente, limpando a garganta e assumindo a minha melhor postura de diretora. — Eu preciso te falar uma coisa.
Charlie tirou a mão da testa devagar, arregalando os olhos cinzentos na minha direção com um pânico genuíno.
— O que foi agora, Bella? — ele praticamente implorou, a voz trêmula. — Só não me diga que você resolveu ir embora para Jacksonville de novo e me deixar sozinho com esses malucos!
— Não, pai. Eu não vou para Jacksonville — respirei fundo, segurando as mãos na frente do corpo. — Eu estou namorando.
O silêncio que se instalou na sala foi tão violento que o tic-tac do relógio de parede pareceu uma bomba.
E então, Charlie Swan surtou. Mas não foi um surto comum.
O ar simplesmente faltou nos pulmões do meu pai. Ele abriu a boca como um peixe fora d'água, os olhos quase saltando das órbitas, e levou as duas mãos ao peito, cambaleando dramaticamente para trás até desabar no sofá de couro. Toda a atenção da casa, incluindo a de Esme, Sue, Seth e Carlisle que vinham correndo do corredor, virou-se instantaneamente para o "passando mal" teatral do patriarca dos Swan.
— Charlie! Meu Deus, respira! — Sue gritou, correndo até o marido e começando a abaná-lo freneticamente com uma revista de agropecuária que estava na mesa de centro.
— Esme, traga uma água! Com muito açúcar, por favor! — Carlisle pediu, assumindo o tom médico e correndo para segurar o pulso do amigo, enquanto Esme voava em direção à cozinha.
Pelo corredor, Emmett e Seth apareceram escorados no batente da porta, observando a cena. Em vez de preocupados, os dois irmãos começaram a rir baixo, achando a performance de Charlie a melhor comédia do ano. Charlie, mesmo fingindo estar à beira do colapso cardíaco, percebeu a risada e apontou um dedo trêmulo na direção deles.
— Estão rindo de quê, seus moleques descarados?! — Charlie esbravejou, a voz saindo falha enquanto Sue continuava o abanando. — Respeitem o infarto de um pai de família!
— Charlie, acalme-se, meu amigo. O seu coração está ótimo, a sua pressão apenas deu um leve salto por causa do susto — Carlisle tentou ponderar, a voz mansa de médico, mas Charlie o empurrou de leve.
— Como namorando, Bella?! — meu pai gritou, olhando para mim como se eu tivesse anunciado que ia virar uma fora da lei. — Você está louca? Você tem idade para namorar por acaso?!
— Amor, por favor, a Bella já é uma mulher adulta e gerencia a porra de uma fazenda inteira — Sue interveio, revirando os olhos e parando de abaná-lo.
— Não importa! — Charlie teimou, ajeitando o cinto de couro com uma fúria renovada. Ele olhou para o lado, encontrando Edward que assistia a tudo com os braços cruzados e uma expressão de pura diversão contida. — Edward! Faça o favor de ir até o meu quarto e pegar a minha espingarda... Eu quero todos os homens dessa fazenda armados a partir de hoje! Eu vou descobrir quem é o infeliz e...
— Eu estou namorando com o Edward, pai — interrompi de uma vez, cruzando os braços e soltando a bomba definitiva no meio da sala.
Charlie travou no mesmo segundo. O dedo que ele apontava para o teto continuou esticado no ar.
Um... dois... cinco... dez segundos se passaram. O silêncio voltou a reinar enquanto o cérebro de Charlie Swan processava a informação na velocidade de uma internet discada. Ele piscou uma, duas vezes, olhando para mim e depois virando o pescoço lentamente para encarar Edward. O veterinário apenas descruzou os braços, deu um passo à frente e ofereceu um aceno de cabeça respeitoso, mas com aquele maldito sorriso de canto.
Vinte segundos cravados no relógio.
Charlie soltou os braços ao lado do corpo, afundou as costas no sofá e soltou um suspiro imenso, os ombros relaxando completamente enquanto uma expressão de alívio absoluto tomava conta do seu rosto.
— Com o Edward? Esse Edward aqui? — ele perguntou, apontando para o meu veterinário.
Assenti, ainda tensa.
— Ah, graças a Deus! — Charlie exclamou, limpando o suor invisível da testa e pegando a água com açúcar que Esme havia acabado de trazer, tomando um gole generoso. — Ai, minha nossa... Que susto, Bells. Pensei que era outra pessoa, algum daqueles engomadinhos de terno que você conhecia na Flórida.
Fiquei estática no meio da sala. Minha boca se abriu em um perfeito "O", minhas sobrancelhas quase colando na raiz do meu cabelo de tanta indignação. Olhei para o meu pai, depois para a Sue, que também segurava o riso, e depois para o Edward, que agora exibia o sorriso mais vitorioso e descarado de todo o estado do Texas.
— Oi? Que é isso?! — soltei, com a voz esganiçada, indignada com a facilidade com que o meu "infarto" paterno havia sido cancelado. — Você quase tem um ataque cardíaco, pede uma espingarda, e quando descobre que é o Edward você simplesmente agradece a Deus? Que palhaçada, pai! Cadê o interrogatório? Cadê o drama?! Cadê a espingarda?
— Ah, Bella, poupe-me — Charlie acenou com a mão, levantando-se do sofá completamente recuperado e dando tapinhas nas costas de Edward como se ele já fosse o genro do ano. — O Edward cuida dos nossos cavalos, sabe manejar uma terra e aguenta o gênio forte dos Swan há anos sem reclamar. Para mim, o rapaz já é da família. Agora, se me dão licença, vou lá impedir que a Alice incendeie a Leah.
Charlie saiu caminhando imponente em direção à cozinha, deixando-me plantada com cara de tacho no meio da sala.
Edward deu dois passos lentos até ficar bem ao meu lado. Ele inclinou o rosto na minha direção, o hálito quente roçando a minha orelha enquanto os braços de Jasper e as risadas de Leah preenchiam o fundo do ambiente.
— Eu te avisei, patroa... — ele sussurrou com a voz carregada de deboche e vitória. — O velho Swan faz gosto. Agora, tecnicamente, eu sou o seu namorado oficial perante o condado. O que significa que o próximo relatório na cachoeira não vai ter limite de tempo... e nós vamos terminar o que começamos.
Olhei para ele, a indignação sumindo para dar lugar àquele calor familiar que só ele conseguia provocar. O ritmo da Swan Lake estava mudando, e eu estava definitivamente gostando da música.
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